sábado, 28 de fevereiro de 2009

Largo Ernesto da Silva





Em pleno centro de Benfica, bem escondido por detrás do movimento da Estrada de Benfica, há um local onde, ao passarmos, nos acreditaríamos ainda na freguesia de outros tempos, descrita por António Lobo Antunes nas suas crónicas...




"Largo Ernesto da Silva" (1970),
Arnaldo Madureira,
in Arquivo Municipal de Lisboa




Ao chegarmos ao Largo Ernesto da Silva, apercebemo-nos que quase nada ali mudou... apenas os ínumeros veículos por estacionados desordeiramente, desfiguram a paisagem.





Por ali, a calçada ainda é de pedra e conduz-nos, ao sabor dos nossos desejos, ora à Travessa do Vintém das Escolas (à casa da família do escritor), ao início da Rua Ernesto da Silva (onde pequenas casas térreas nos concedem as boas-vindas) ou à Travessa da Cruz da Era (direitinhos à Estrada de Benfica).




[Fotografia da esquerda] "Largo Ernesto da Silva, nº 6" (1970),
Arnaldo Madureira, in Arquivo Municipal de Lisboa



Em pleno Largo Ernesto da Silva, deparamo-nos com um edifício que nos surpreende...




"Largo Ernesto da Silva, nº 6 a 8" (?),
João H. Goulart, in Arquivo Municipal de Lisboa




O antigo nº 7, uma casa pequenina, apenas com a porta e uma janela, encalacrado entre os dois edifícios contíguos...







Deu agora origem a um "imponente" e bonito edifício restaurado, com mais um andar e direito a águas-furtadas, onde somos recebidos pela presença de dois patos com tonalidades a condizer com os azulejos.



[Fotografia da esquerda] "Largo Ernesto da Silva, nº 6" (1970),
Arnaldo Madureira, in Arquivo Municipal de Lisboa




Ali mesmo ao lado, o nº 6 que passara anos ao abandono, tecendo uma estranha comunhão com as ervas, encontra-se também a ser reabilitado.

No melhor dos mundos, seria extraordinário que programas como este se cumprissem efectivamente, ou o seu âmbito de acção fosse alargado.









sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Afinal havia outra!








O assunto andava a fazer-me alguma espécie, desde que vira o edital de vistoria afixado na Vila Ventura e nenhum papel na Vila Ana.








Hoje, ao passar por ali, reparei que o papel (re)aparecera colocado na porta de madeira (que o morador do último andar, da janela oeil de boeuf pintara de branco).





A ver vamos, se ambas as vistorias se realizarão ou não, mesmo que os ocupantes da Vila Ana e da Vila Ventura não se encontrem no local!...







Enquanto por ali ando a tirar fotografias, passa um casal de idade avançada e aspecto bastante humilde. A senhora de passo mais ligeiro, pega-me pela manga do casaco para me chamar e pergunta: - "Desculpe lá, a menina sabe o que isto era? Quem aqui morava?"
Antes que tivesse sequer tempo de lhe responder, ela continua: - "Será que era um hospital?".

Em traços muito largos conto-lhes a estória da Vila Ana e da Vila Ventura, de como se encontram inscritas na listagem de património de interesse municipal, apesar dos seus proprietários não estarem sequer interessados nelas e as votarem ao abandono.

- "Ah, então vivia aqui gente!" - responde-me a senhora - "E devia ser gente muito rica, porque as casas são bonitas! É pena que não as arranjem, para fazer qualquer coisa... já viu como as alvenarias ainda estão tão boas e não apodreceram!" - aponta a senhora para as paredes, com a de conhecedora na matéria.

Despedimo-nos e, enquanto o casal prossegue o seu passeio matinal, retomo a minha sessão fotográfica. Passados alguns segundos sou, novamente, interrompida pela senhora, que regressa atrás apenas para me dizer:
- "Oh menina, mas já viu... deve ainda aqui morar gente. Então não vê ali aquele vasinho na janela, tão bonito!" - diz, apontando para a imaculada janela do 1º Esq. da Vila Ventura, onde outrora viveu alguém que ficámos a conhecer.

Sorriu-lhe e assinto com a cabeça, dizendo-lhe que sim, talvez, ainda ali viva de facto alguém (apesar de saber, de antemão, que a única senhora que ainda habitava a Vila Ventura fora recentemente para um lar)...
Por vezes, a esperança é a última a morrer!...









quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A "outra" Benfica...




... quase esquecida!





Vídeo da autoria de Joaquim Pinto
(autor do blog "Bairro da Boavista - Lisboa"
)




O Bairro da Boavista situa-se na vertente norte do Parque Florestal de Monsanto, e, também faz parte da freguesia de Benfica.

A sua construção surgiu no âmbito do Programa de "Casas Desmontáveis", durante o Estado Novo, tendo sido construído em 3 fases distintas: 1ª fase 1939-1944, 2ª fase 1945-1960, 3ª fase 1961-1970.
A sua inauguração solene realizou-se em Dezembro de 1940.




"Bairro da Boavista" (1940),
Domingos Alvão, in Arquivo Municipal de Lisboa




Este programa de habitação social esteve relacionado com o aumento populacional da cidade de Lisboa nos anos 30, derivado dos migrantes internos, que saíam do campo em busca de melhores condições de vida nas cidades (fixando-se, em particular nas freguesias periféricas, principalmente ao longo dos eixos de expansão criados em finais do século XIX).

Para o Bairro da Boavista viriam casais católicos, matrimoniados e pobres; estando a sua permanência no bairro sujeita a conjunto de regras escritas e aceites, algumas de um rigor abusivo e lesivo da liberdade do morador.

O Programa de "Casas Económicas", que constituiu o primeiro programa sistemático de habitação social em Portugal, encarnava o próprio espírito do Estado Novo, na medida em que assentava na submissão do indivíduo em relação ao Estado, que o protegia, mediante o cumprimento de um conjunto de normas conducentes à manutenção da ordem social.

Este Programa esteve assim, como salientam alguns autores, ao serviço de uma ideologia política, reflectindo a convicção de se estar a construir uma sociedade ideal. Em suma, uma construção idealizada e desligada da realidade, um modelo estetizado que procurava impor ao país e à capital uma nova ordem urbana e social.




"Bairro da Boavista" (1975),
Armando Serôdio, in Arquivo Municipal de Lisboa




Após 1974, foram construídas centenas de novas casas, tendo em vista a erradicação total das habitações desmontáveis, concedendo assim mais dignidade aos seus habitantes.

A construção do actual Bairro da Boavista foi finalizada no âmbito do PER.

Actualmente, o Bairro da Boavista é sinónimo da existência de diversos problemas sociais , fruto da própria exclusão social (estranha metáfora, quando o objectivo de base que preside à criação dos bairros sociais e de realojamento é a própria inclusão social!).

O próprio crescimento do bairro e o consequente aumento populacional deram origem a uma grande heterogeneidade de culturas e realidades económicas distintas, o que muitas vezes, pode ser foco de conflito.

Apesar de tudo, o Bairro da Boavista permanece com as suas tradições e projectos, dando-se a conhecer ao mundo, através de uma vivência comum a tantos outros bairros.

Seria, talvez, importante que, cada vez mais, fosse dada uma voz "de dentro para fora" no que diz respeito a este tipo de bairros, de modo a que as expectativas dos seus próprios moradores também fossem veiculadas e ouvidas por quem de direito.










quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Quando Benfica era fora de "portas"








A freguesia de Benfica foi incorporada na Cidade de Lisboa em Julho de 1885.

No final da Estrada foram construídas, em 1886, as Portas de Benfica, marcando a fronteira entre os concelhos de Lisboa e da Amadora.






Para saber mais informações sobre a evolução das freguesias de Lisboa, ao longo dos séculos XIX e XX, clique aqui.






terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A Casa da 1ª geração da Família Lobo Antunes





"(...) O Lobo Antunes pai, portanto avô destes de agora, do António, do João, do Pedro e do Miguel… ganhou 2 vezes a sorte grande, duas vezes… (...) E compraram então a casa onde tinha nascido a mulher dele, que é a Eva Lobo Antunes, era a avó destes. Que era uma casa que havia logo a seguir às duas, da Vila Ventura, Vila Ana, logo a seguir havia uma casa, estilo floresta negra, que era um quartel com as madeiras à vista e tudo assim… uma casa muito boa! E eles foram viver, então, depois para ai. Só depois, quando eles morreram é que, então, os filhos foram comprando casas. O João [pai do escritor António Lobo Antunes], quando casou, comprou a casa, então, no Vintém das Escolas, que dá para o Vintém das Escolas e para a Travessa dos Arneiros. Tem frente para um lado e para o outro. A entrada é pelos Arneiros, mas tem o quintal que dá para o Vintém das Escolas."

In Entrevista a João António Lamas (17/03/08).






"Moradia - Estrada de Benfica, Nº 678" (1961),
Artur Inácio Bastos, in
Arquivo Municipal de Lisboa





No Nº 678 da Estrada de Benfica, a moradia estilo "floresta negra", onde outrora viveu a primeira geração da família Lobo Antunes deixou, há muito, de existir!...

Os reflexos agora são bem distintos e provêm emanados dos espelhos em dourados rocócós na montra da loja à qual foi concedido o novo nº 678A. Aí se comercializam vidros, espelhos e molduras, segundo o seu letreiro.

Ali mesmo ao lado, onde, noutros tempos, se encontrava o portão de pedra que dava acesso a essa bela casa por todos admirada, continua agora a lutar pela sobrevivência o "Calçado Guimarães", por debaixo de um desses prédios de 7 andares, onde mais de metade dos apartamentos se encontram à venda.

O velho "moinho de poço" da quinta dos Lobo Antunes também desapareceu, jazendo apenas, como que encalacradas num tempo disforme, as velhinhas Vila Ana e Vila Ventura.













segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Gente de Benfica - I








João António Lamas, 88 anos de idade... 54 dos quais vividos na freguesia de Benfica.

Filho de um militar, aos 7 anos, mudou-se com a família do quartel da Pontinha para Benfica (acabara esta de deixar de ser 'fora de portas'), indo morar para o 1º andar Dto. da Vila Ventura, no nº 674 da Estrada de Benfica - casa que pertencia a uma sua tia-avó, Dª. Ana Macedo de Barros Lamas.

Vizinho, de um lado, da escritora Maria Lamas, que morava no 1º andar da casa onde outrora existiram os primeiros correios de Benfica (na esquina com o início da Calçada do Tojal, onde actualmente, funciona uma agência do Banco Santander); a qual tinha uma filha que aterrorizava as crianças da zona, com as impressionantes façanhas que fazia com o seu olho de vidro.

Do outro lado, bem mais perto, na Vila Ana, foi vizinho de alguém que, muitos anos mais tarde, viria a ser uma iminente figura... "(...) no 1º andar vivia o Spínola. O Spínola vivia aí! (...) Ele veio ainda fardado do Colégio Militar, ele, o irmão e o pai. O pai que era do Tribunal de Contas. E o Spínola vivia ali, janela com janela connosco."

Desse final dos anos 20 em Benfica, recorda que "(...) era muito agradável a vida lá nessa altura, porque era tudo muito livre, muito à vontade, havia poucas pessoas, a maior parte era ainda campo, havia muitas quintas ao longo da estrada, uma quantidade de quintas (...) eram casas de Verão, as pessoas tinham as casas em Benfica onde iam passar o Verão. (...) Era uma terra também engraçada por isto (...) havia uma simplicidade muito grande… E um respeito muito grande também, que era engraçado."

Estudou no Colégio Instituto Lusitano, quando este ainda se encontrava localizado na Quinta do Tojalinho. E é com muita ternura que se lembra dos "caga-lumes" e das suas caixinhas de gás, que, mais tarde, lhe serviriam como estojo para a escola.

As amizades de criança foram cimentadas com os inúmeros filhos do Brigadeiro Maya. E a adolescência passada entre os bailaricos (casamenteiros) às 3ª feiras na quinta dos Lobo Antunes (avô do escritor António Lobo Antunes, o qual, à época, cometeu a proeza de ganhar duas vezes a lotaria), as festas de Carnaval e as "desfolhadas" dos Santos Populares.

Dessa época, recorda-se ainda muito bem de ter assistido bem de perto à revolução de 26 de Agosto de 1931; do Dr. Figueiredo, médico de renome em Benfica (bisavô da geração actual dos Lobo Antunes), que fazia com que "(...) muita gente ia de Lisboa a Benfica ao Dr. Figueiredo, que era, de facto, considerado um belíssimo médico."; e dos Serpas hoquistas, mundialmente conhecidos pelas suas façanhas neste desporto, 3 irmãos que moraram nesta casa...

De 1946 a 1956, passou 10 anos fora de Benfica, em trabalho. Tendo à mesma freguesia regressado e instalado-se na Rua Cláudio Nunes.

Desse (outro 2º) tempo da sua vida em Benfica, relembra as procissões da imagem de Nossa Senhora do Amparo, da Igreja de Benfica para a de São Domingos. E, já nos anos 60, quando, por sua iniciativa, foi criado o primeiro "tele-clube", por detrás do Chafariz... "Começou a haver a televisão e, então, muitas das pessoas não tinham possibilidades para ter televisão em casa, outras não queriam… eu não queria! (...) E então, criámos um ‘tele-clube’ de Benfica, com uma série de sócios, que iam lá ver então à noite televisão, numa sala com televisão e tal. Enfim, era uma coisa, era um acontecimento!"

Aos 88 anos de idade, com uma memória extraordinária, João António Lamas entretém-se, agora, a escrever aquilo a que chama "A minha memória"... "Não são as memórias, porque eu não gosto de memórias! (...) quando se dizem memórias são… É uma prosápia da pessoa que vai escrever… ‘As minhas memórias’ e por aí fora, ou contar aquilo que fiz, os êxitos que tive (...)Não é as memórias de mim, é a memória que eu tenho, é uma coisa completamente diferente! (...) Eu tenho, de facto, muito boa memória e, por isso mesmo, decidi escrever a minha memória, fixar no papel e deixar para os meus filhos as coisas que me envolveram durante a vida toda e que eu pude reter na minha memória."

João António Lamas termina a nossa entrevista de cerca de 2 horas, falando com tristeza sobre o plano de urbanização que estava inicialmente previsto para a freguesia de Benfica:
"Foi, mais ou menos, quando se começou a construir o Bairro de Santa Cruz, nessa altura então é que se deu um grande desenvolvimento de construção e que se… Mas está claro, não se fez nada do que estava projectado! O que estava projectado era uma coisa muito boa, era um plano de urbanização de Benfica que tinha sido muito bem estudado (...) Aliás, quem coordenou esse plano de urbanização de Benfica, ele era um primo da minha mulher, que depois foi… Administrador aqui da Gulbenkian, que era um Engº. Luís Lobato… Luís Guimarães Lobato… Esse foi vice-presidente da Câmara de Lisboa e foi quem orientou o projecto de urbanização de Benfica. Era um projecto muito bom porque estava muito apoiado naqueles projectos de depois da Guerra, feitos pelos ingleses… Ao redor de Londres foi tudo arrasado e eles fizeram coisas muito curiosas. E ele aproveitou isso e aplicou ali os mesmos princípios que seguiram lá em Londres. Mas depois foi para a Câmara de Lisboa um senhor, que era o Brigadeiro… Como é que ele se chamava?... Não me lembro agora o nome… Era a quem chamavam o ‘Comandante da Câmara’ e não o presidente, era o ‘Comandante’… Que era, de facto, um individuo que era ‘eu quero, posso e mando’, deu cabo daquele plano de urbanização, mudou completamente tudo, ficou completamente diferente daquilo que estava projectado, porque fizeram tudo quanto queriam e mais alguma coisa… Enfim, sem interesse nenhum e Benfica ficou uma coisa que não é nada, é um bairro… Infelizmente, podia se ter aproveitado como havia ali muito prédio antigo, muito terreno vago, poderia se ter feito um plano de facto bom… e fez-se! E depois não se seguiu nada e fez-se uma coisa, e continuou-se aquilo de qualquer maneira, só para fazer dinheiro e mais nada."






Pode ler esta história de vida na íntegra aqui (a qual faz parte de um projecto mais abrangente que iremos desenvolver numa rubrica intitulada "Gente de Benfica").






domingo, 22 de fevereiro de 2009

Vida de Bairro




(por Alexandra Carvalho)



De há 4 anos a esta data, tenho aprendido que um dos aspectos mais importantes no mundo dos blogs é, na verdade, o facto destes constituírem verdadeiros espaços de partilha... Espaços onde, em tempo quase real, podemos aprender bastante uns com os outros.

A criação deste novo "Retalhos de Bem-Fica" tem sido disso mesmo um exemplo notório. Nestes últimos dias, tenho aprendido muito mais sobre Benfica do que em 33 anos de vida nesta freguesia!
E, para isso, muito têm contribuído não só os comentários que os diversos leitores aqui me têm deixado, como também as conversas que tenho mantido com vizinhos, comerciantes e amigos que por aqui também residem (há muito mais tempo do que eu).

A "vida de bairro" característica de Benfica tem sido transposta para este espaço online... E ainda tanto por aqui há a fazer!








No seguimento deste post, recebi do Pedro (vizinho, pai de uma amiga minha e fantástico "desenhador" - com uma rubrica no seu blog sobre Benfica) um e-mail com a indicação para os desenhos de Eduardo Salavisa sobre a nossa freguesia.

Ao ler o seu texto, sou reencaminhada para um excelente artigo da revista Ling Magazine (distribuída aos passageiros dos voos da Vueling Airlines) a propósito da importância da vida de bairro característica de Benfica, e da forma como a mesma poderá ser importante para o aparecimento de novos tipos de lojas e comércio.

Aqui vos deixo a partilha desse artigo na íntegra (basta clicarem nas fotografias, para as poderem aumentar e ler).
Podendo o mesmo também ser consultado aqui, a partir da página nº 54.




















sábado, 21 de fevereiro de 2009

O Mercado de Benfica




(por Alexandra Carvalho)






Ambas as fotos: "Mercado de Levante - Av. Grão Vasco" (1965)
Artur Goulart,
in Arquivo Municipal de Lisboa




Antigamente, o mercado de Benfica tinha lugar na Av. Grão Vasco, perto deste edifício. E tinha o nome de "Mercado do Levante".




Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


Hoje em dia, de 3ª feira a sábado de manhã, os caminhos não vão dar todos a Roma, mas sim ao Mercado de Benfica, situado na Rua João Frederico Ludovice, naquela que outrora foi a Quinta da Casquilha.

Nos seus primórdios, o local onde viria a ser construído este mercado era composto por 12 casas térreas pertença da Câmara Municipal; as quais conviviam, num misto de ruralidade ancestral, com uma vacaria pertença da Quinta da Casquilha.



"Maqueta do Mercado de Benfica" (1969)Armando Serôdio, in Arquivo Municipal de Lisboa

Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


"Visita do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, França Borges, às obras do novo mercado de Benfica em construção" (1970)Armando Serôdio, in Arquivo Municipal de Lisboa



A construção do Mercado de Benfica iniciou-se em 1970, tendo sido o último mercado municipal a ser inaugurado antes do 25 de Abril de 1974.

Abriu as suas portas ao público no dia 19 de Outubro de 1971, tendo em 2008 celebrado 37 anos de existência.



Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


"Visita do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, França Borges, às obras do novo mercado de Benfica em construção" (1970)Armando Serôdio, in Arquivo Municipal de Lisboa



Em termos arquitectónicos, este mercado é constituído por uma nave circular de vendas: ao centro o sector de peixe, no círculo seguinte o sector de peixe e marisco congelado, logo seguido pelo sector das frutas e legumes e, no círculo final, as padarias, talhos, cafés e lojas de bugigangas.

Na parte exterior do edifício, existem ainda uma série de floristas e as traseiras de diversos talhos; bem como as bancas de venda de roupa e uma infinidade de outros objectos.





Fotografias de Alexandra Carvalho (2009)


Cada uma das 3 entradas do Mercado de Benfica encontra-se decorada por uma estátua em relevo na parede lateral, simbolizando a diversidade de produtos do mercado (neste post faltou-me colocar a estátua da peixeira, devido à luminosidade da mesma não ser nada favorável).



Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


Fotografia de Alan Soric (2005)


Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


Fotografia de Alan Soric (2005)


O Mercado de Benfica possui mais de 150 postos de venda, constituindo um importante ponto de comércio.Em particular, aos sábados de manhã, este mercado atrai um número considerável de clientes, (vindos de paragens mais longínquas do que a simples freguesia) que inundam de trânsito as ruas limítrofes.




"Visita do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Santos e Castro, ao mercado de Benfica" (1971)
Fotógrafo desconhecido,
in Arquivo Municipal de Lisboa



Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


Fotografia de Alan Soric (2005)


Apesar de alguns dos seus vendedores ali se manterem desde a sua inauguração, o Mercado de Benfica vindo a modificar-se gradualmente, dando origem a um elevado contraste entre o comércio tradicional e a modernidade (de que são um exemplo vivo as últimas novidades existentes em termos de gadgets na loja de comerciantes indianos, ou as malas de senhora estilizadas - à la farse - nas bancas dos ciganos).

O Mercado de Benfica tem, por outro lado, e cada vez mais, vindo a transformar-se num foco de multiculturalidade e troca de hábitos culinários e culturais, o que revela a extrema riqueza da existência deste tipo de mercados em Lisboa.




Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


Um agradecimento muito especial à Dª. Margarida O. (minha vizinha), que trabalha no Mercado de Benfica praticamente desde a sua abertura ao público.

A (breve) partilha das suas memórias sobre a freguesia de Benfica esta manhã deixou-me mesmo cheia de curiosidade por descobrir mais!...






Problemas junto ao Mercado de Benfica, ler aqui.