quinta-feira, 30 de abril de 2009

Outras Paragens







Não é em Benfica...





... mas por lá, também, existe um mercado...





... e gentes simples nas ruas, com quem dá mesmo vontade de parar e conversar, para saber um pouco mais das suas histórias de vida (não fora o facto de, na sua grande maioria, praticamente ninguém falar Inglês).

O motivo da minha ausência (em trabalho) nestes últimos dias, por aqui o partilho convosco, meio ao jeito de testemunho fotográfico... porque vim de lá completamente rendida aos encantos desta maravilhosa e, por vezes, enigmática cidade.










quarta-feira, 22 de abril de 2009

Contrastes Claustrofóbicos








Abre-se a janela das traseiras e somos violentamente submersos por uma estranha claustrofobia, que nos invade face ao peso que a modernidade e alguns "arranha-céus" de 12 ou mais andares ali instalaram.






Nas traseiras da Rua Cláudio Nunes, a casa do "americano" ainda por ali subsiste, isolada e vazia, como que teimando em fazer frente aos novos valores que imperam.






Por entre os seus quintais e logradouros, confluentes com a (nova) Rua Jorge Barradas, onde outrora existia a Quinta do Tojal, apenas subsiste agora mato... e, ao longe, a Igreja de Benfica.

Lembro-me, ainda, de em miúda passear com a minha mãe e o meu irmão por uma estrada de terra batida, ladeada por papoilas de um vermelho intenso. Alguns metros à frente, parávamos e ficávamos a olhar para o outro lado, para a janela da cozinha dos nossos avós. Por vezes, eles apareciam à janela e acenávamos (nessa altura, ainda não existiam os telemóveis; e, contudo, a comunicação parecia muito mais livre de constrangimentos e mal entendidos!).

Muitos anos mais tarde, a estrada velha das papoilas desapareceria, dando lugar à Rua Jorge Barradas.
A vista para a janela da cozinha dos meus avós desapareceu também, dando lugar a esse sentimento claustrofóbico sempre que agora os visito e me sinto cercada por prédios altaneiros que tentam obliviar um passado há muito esquecido.







Do outro lado, por entre os destroços de uma serralharia que persiste em funcionar num local inusitado, subsistem ainda três blocos de habitações antigas, provavelmente, vestígios daquela que foi a Quinta do Tojal.















segunda-feira, 20 de abril de 2009

O Pedro







No dia em que esta fotografia foi tirada, festejava os seus primeiros 7 meses de vida.
Segundo a família embevecida, com tão tenra idade, era já um óptimo dançarino.
Nasceu em Portugal e é neto da dona da loja chinesa aqui do meu bairro. Nessa tarde ouvimos músicas de embalar, cantadas em mandarim.

Passados dois anos, o Pedro ganhou um irmão. E, segundo soube hoje, quando fui à loja e vi a sua mãe muito agoniada, um terceiro irmão (ou irmã) já vem a caminho, daqui a sete meses.

Em termos étnicos e culturais (defeito profissional), há dois pormenores nesta estória que considero interessantíssimos: - o facto de grande parte dos chineses comerciantes que conheço darem nomes portugueses aos seus filhos (quem sabe, se não procurando dessa forma integrarem-se mais rapidamente na sociedade portuguesa); - o facto de, longe do seu país de origem, inúmeros cidadãos chineses poderem deixar de se reger pela Lei do Filho Único e disporem de liberdade para terem o número de filhos que assim entenderem (contribuindo para a "regeneração" de uma Europa cada vez mais envelhecida).













sábado, 18 de abril de 2009

Lisboa melhora... com obras durante a noite toda!




Depois das rectificações já passadas nas crateras da Estrada de Benfica, este fim-de-semana, coube a sorte ao troço da mesma circunscrito entre o cruzamento com a Av. Grão Vasco até ao cruzamento com a Estrada A-Da-Maia.

Este troço foi fechado na passada 6ª feira à noite (17/04/08) e, pasmem-se bem, os trabalhos iniciaram-se às 22h30 (hora que, de acordo com a "Lei do Ruído", o cidadão comum já deveria ver garantido o seu direito à paz e sossego sonoros).

Martelos pneumáticos, camiões, buzinas... um frenesim absoluto que durou a noite toda, estendendo-se pela madrugada a dentro (nem com vidro duplo nas janelas nos safámos a ter que aturar o ruído monótono e atrofiante destas obras).

"Obra a obra, Lisboa melhora!"... mesmo que, para isso, os direitos dos seus cidadãos tenham que ser vilmente usurpados!!!

Para mal dos meus pecados, como estava suficientemente cansada, nem tive forças para vir à rua tirar umas fotografias e vídeos que testemunhassem esta situação. Mas estou certa que por aí haverá alguns testemunhos de residentes na zona, os quais pedia que nos remetessem por e-mail para forumcidadanialx@gmail.com.






Esta manhã, ininterruptamente, os trabalhos lá continuavam.

Como se pode comprovar pela imagem, desta vez, deixaram as tampas dos esgotos quietinhas e nem sequer lhes tocaram, muito provavelmente, para não suceder o mesmo que aconteceu no troço da Estrada de Benfica junto à Escola Pedro de Santarém, onde, depois do trabalho realizado, estas mesmas tampas têm andado a saltar durante a semana toda.





Para juntar à festa do ruído, Benfica esta manhã parecia um verdadeiro caos infernal... se lhe juntarmos o facto de mais duas carreiras de autocarros e uma de camionetas terem passado também a circular pela Estrada A-Da-Maia; desta rua ter sentido único para os automobilistas mas, desde que os autocarros por aí passaram a circulam nos dois sentidos, tem sido um descalabro pegado com os automobilistas a circularem nas duas faixas.





Até à próxima 2ª feira, dir-se-ia que vamos viver em Benfica num autêntico clima de confusão generalizada e atropelo de tudo e de todos.

É esta a cidade em que queremos viver????







Texto originalmente publicado no blog Cidadania Lx.









terça-feira, 14 de abril de 2009

A Estrada A-Da-Maia com passadeira para "Bus"




A manhã acordou agitada na Estrada A-Da-Maia, em Benfica, com mais uma alteração ao tráfego, motivada pela construção da CRIL.

Desta feita, algumas paragens dos autocarros que circulam na Damaia foram alteradas, devido ao condicionamento de trânsito; sendo que, uma delas, implicou que a carreira nº 711 da Carris, tenha agora sido desviada para a Estrada A-Da-Maia, com a criação de um corredor para "bus" e tudo.

A Estrada A-Da-Maia é uma rua de sentido único, onde inúmeros residentes aproveitam ambos os lados da rua para aí estacionarem os seus automóveis; aproveitando, também, muitos outros automobilistas, para estacionarem em 2ª fila, enquanto vão tomar café ou tratar de outros assuntos... Como poderão imaginar, um verdadeiro caos todos os dias (atingindo o seu limite máximo aos sábados de manhã, quando o Mercado de Benfica se encontra apinhado de gente)!!

Com a criação, durante a noite, de um corredor para "bus" (do lado esquerdo de quem entra na rua), esta manhã, um polícia de trânsito, acompanhado por um agente da Carris, andava meticulosamente a anotar as matrículas de todos os automóveis estacionados na faixa de "bus", de modo a advertirem os seus proprietários.

De acordo com o website da CRIL - Estradas de Portugal, esta alteração ao tráfego implementada a partir das 22h do dia 13 de Abril, terá a duração de 4 meses aproximadamente.




A actualização deste post com fotografias do local será efectuada mais logo.







segunda-feira, 13 de abril de 2009

Janelas de Benfica - II





"Um gato, em casa sozinho,
sobe à janela para que, da rua, o vejam.

O sol bate nos vidros e
aquece o gato que, imóvel,
parece um objecto.

Fica assim para que o
invejem - indiferente
mesmo que o chamem.

Por não sei que previlégio,
os gatos conhecem a
eternidade."


Nuno Judíce









Desde bebé que aquele Skogkatt ali permanecia todas as tardes, à janela, espraiando-se aos raios de sol e mirando os transeuntes que por ali passavam.

Na janela daquela cozinha térrea, o gato era admirado por todos os que passavam.



Outros gatos à janela, aqui.






domingo, 12 de abril de 2009

sábado, 11 de abril de 2009

O Oratório passa de casa em casa









Em criança, ficava sempre extasiada quando aquela caixinha de madeira chegava a casa dos meus avós.

Vinha fechada e era entregue pelas mãos de alguma vizinha, normalmente, à noite.
Na minha imaginação infantil, aquela pequena casa de madeira, tratava-se de um misterioso estojo, que guardava segredos aos quais apenas alguns tinham acesso.
Daí o zelo com que acompanhava sempre a cerimónia de abertura daquela caixa, realizada em simultâneo com o rito de alumiar uma candeia de azeite, que se colocava à frente dela.

E a pequena caixa de madeira, com as figuras da Sagrada Família no seu interior, ali permanecia em casa dos meus avós até à noite seguinte, quando, consultando a listagem nas costas da mesma, a iam entregar à vizinha seguinte.

O culto da Sagrada Família não é apanágio da freguesia de Benfica, uma vez que se desenvolve em inúmeras outras paróquias de Lisboa e de outras cidades.

No entanto, para mim que tive uma educação católica (apesar de não ser "praticante" e acreditar em Tudo um pouco à minha maneira especial), muito mais do que um culto, a passagem do Oratório da Sagrada Família de casa em casa, afigura-se-me muito mais como uma forma de perpetuar certos ritos de solidariedade entre a vizinhança... o que, na freguesia de Benfica, onde cada rua parece ter a sua vivência muito peculiar, transforma, de facto, esta pequena caixa de madeira numa misteriosa caixa de segredos e partilhas, como o que eu, em criança, acreditava ser o seu significado.








quinta-feira, 9 de abril de 2009

Manobras Dissuasoras




aqui tinha falado sobre ele.

Hoje, ao passar de autocarro, depois de meio dia (com tolerância) de trabalho, vislumbrei ao longe uma placa escrita à mão e colocada no portão. Resolvi sair do autocarro para ir investigar.







O facto é que este antigo palacete rústico, depois de uma série de peripécias, esteve para venda (durante largos meses, na sua fachada principal, esteve colocado um letreiro com o contacto do vendedor).

Será que, agora, os novos donos pretendem cair no caricato de instalar um sistema de videovigilância num local que se encontra há uma série de anos em degradação? Ou serão, apenas, manobras dissuasoras (e de quem)?






quarta-feira, 8 de abril de 2009

Estrada de Benfica, Nº 408 a 416









Desde miúda, sempre achei fascinantes estes dois prédios na Estrada de Benfica, já para os lados de São Domingos.
O facto de serem consideravelmente altos (mas elegantes) para o tempo em que foram construídos, os magníficos frisos de azulejos que os compõem, assim como a descoordenação gráfica das janelas que possuem varanda, transformam-nos em exemplares únicos de uma autenticidade que, felizmente, ainda se vai mantendo.




"Azulejaria - Estrada de Benfica, 408" (1972),
Nuno Barros Roque da Silveira, in Arquivo Municipal de Lisboa




Segundo vim a descobrir, através do Arquivo Municipal de Lisboa, em tempos idos, ali bem ao lado, no Nº 432, existia um palacete (algo idêntico a este outro), separado deste conjunto de edifícios por um jardim.




"Estrada de Benfica, 408 a 432" (1968),
João Goulart,
in Arquivo Municipal de Lisboa



O palacete desapareceu há muito tempo atrás, mas o seu jardim ainda persiste, nestas condições...









- "Sabe, menina, isto está assim já há uma data de anos." - diz-me uma transeunte, ao ver-me parar, olhar para os edifícios e tirar a máquina fotográfica da mala.
E continua: - "Veja bem que até aquele jornalista muito famoso, o Fernando Pessa, fez uma reportagem sobre isto, ele já morreu há não sei quantos anos e isto ainda continua assim!"















terça-feira, 7 de abril de 2009

Manifestação de Intenção de Intimação à Conservação





A Vila Ana e a Vila Ventura fazem parte do património municipal de Lisboa e encontram-se, há anos, votadas ao abandono.

Depois de uma longa troca de e-mails com uma série de entidades (com o intuito de fazer algo pela preservação destes dois palacetes), até chegar finalmente ao Departamento da Câmara Municipal de Lisboa responsável pela reabilitação urbana de edifícios particulares... Depois de uma vistoria realizada no mês passado...

A Câmara Municipal de Lisboa vai manifestar a intenção de intimar os proprietários à realização de obras de conservação.








Será que vai dar em alguma coisa, toda esta luta?




domingo, 5 de abril de 2009

As "crateras" da Estrada de Benfica








Depois de inúmeras reclamações dos moradores (apresentadas à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal de Lisboa)...
Depois de, durante largos meses, os responsáveis pelo estado a que a Estrada de Benfica chegou, não terem podido realizar obras devido às fortes chuvadas...
Depois de a Carris ter retirado alguns dos autocarros adquiridos no final de 2008 afectos a quatro ou cinco carreiras que percorrem a Estrada de Benfica, substituindo-os por outros com sete ou oito anos devido ao estado daquela via...
Depois de os responsáveis lá terem ido apenas tapar algumas das maiores "crateras" que se encontravam na Estrada de Benfica, para inglês ver...

FINALMENTE, no fim-de-semana passado, cortaram ao trânsito o lanço da Estrada de Benfica entre o Centro Comercial Fonte Nova e o cruzamento com a Av. do Uruguai e começaram a repavimentar na íntegra a estrada.

Este fim-de-semana, coube a sorte ao lanço que vem do cruzamento com a Av. do Uruguai até ao cruzamento com a Av. Grão Vasco (fotos em cima).

O povo agradece... mas tem pena que esta gravosa situação apenas esteja a ser solucionada devido às eleições que se encontram à porta!