domingo, 31 de janeiro de 2010

Janelas de Benfica - V








Para o Pedro e o António Lobo Antunes Nolasco
e, também, para o Francisco Cannas Simões,

com um sincero e profundo agradecimento

por todo o auxílio que nos têm estado a dar!








De acordo com a nova toponímia, passou a ser o Nº 38 A da Rua Ernesto da Silva; mas, outrora, foi o Nº 3 da Calçada do Tojal, onde viveu a família Lobo Antunes, até a casa ser vendida a particulares nos anos 70.
Aparentemente, encontra-se ao abandono, com material de construção civil junto à entrada.

Um pouco mais abaixo, a casa dos Serpa foi, recentemente, demolida, encontrando-se um imenso terreno vazio, certamente, a aguardar que seja construído mais um prédio na nossa freguesia.







sábado, 30 de janeiro de 2010

Figuras de Benfica - 1





"VICENTE CALEYA RIBEIRO

Figura inolvidável na vida do Clube



Imagem gentilmente cedida por Domingos Estanislau



Figura inolvidável na vida do Clube bem merece ser recordado apesar de nos ter deixado há cerca de 10 anos.


Caleya Ribeiro foi durante a sua vida um apaixonado do Clube. Viveu intensamente os problemas e os êxitos do Futebol Benfica. Este Clube fez parte integrante da sua família. Aqui ganhou amizades, respeito e admiração de todos. Os tempos eram outros e para além dos méritos incontestáveis daquele homem, o Futebol Benfica era ou foi o paradigma de um Clube em que os laços de sã convivência e amizade se frutificavam com uma simplicidade muito grande e Caleya Ribeiro dotado de grande sensibilidade humana e de grande carácter fazendo jus a esses predicados soube durante a sua existência merecer o respeito e a amizade de todos aqueles que com ele tiveram o privilégio de lidar de perto.


Pertencendo a uma família de recursos económicos fora do vulgar, bem colocado na sociedade da altura, este homem viveu o Clube com empenho, devoção, sempre preocupado com o presente e o futuro, ajudando de forma efectiva monetariamente tanto a Colectividade como qualquer sócio ou atleta que ele se apercebesse que tinha dificuldades.


Era um homem inteligente e com uma visão extraordinária das coisas. Prestou relevantes serviços ao Clube quer como dirigente quer como simples associado. Faleceu aos 98 anos, com alguma mágoa, porque revelou muitas vezes que gostaria de viver até ao ano 2000 para completar 100 anos de vida. Serviu o Clube durante sete décadas de forma muito empenhada e dedicada. Para ele o Futebol Benfica era intocável, defendeu sempre os interesses do Clube com mestria e saber e foram poucas as vezes que não levou de vencida os seus desígnios em benefício da colectividade.


Foi durante a sua juventude atleta de futebol do Clube. Apresentava-se nos jogos no seu carro próprio mas com motorista particular, se hoje é um luxo o que não seria naquela época, mas esse status não lhe dava qualquer primazia sobre qualquer outro porque Caleya sabia distinguir bem as coisas. Depois de abandonar a actividade desportiva dedicou-se de alma e coração ao seu Clube e como já atrás ficou dito prestou brilhantes serviços ao Clube e sempre de forma desinteressada.

A exigência que punha na sua acção era extensiva ao campo desportivo. Era digamos quase insaciável, isto é, mesmo ganhando exigia sempre mais, mas era uma exigência salutar e compreendida por todos porque adornava os seus actos e exigências com educação e diplomacia.


Fica para a história a cena do stick em Vigo (Espanha). Em 1949 o Futebol Benfica participa num Torneio Internacional de Hóquei em Campo naquela cidade espanhola cujo troféu em disputa foi um stick em cobre banhado a prata. No final à boa maneira dos nossos nuestros hermanos quiseram entregar a miniatura do referido stick ao capitão da equipa do nosso Clube e Caleya Ribeiro fazendo prevalecer a justiça conseguiu agarrar no Troféu em disputa e passá-lo às mãos dos nossos valorosos hoquistas, proclamando: “defendem-no, foi ganho com o vosso suor”. E o stick veio para Portugal e faz parte do nosso espólio desportivo. Aqui está pois a forma decidida e eficiente de resolver o problema a favor do Clube mas com toda a justiça e em defesa da verdade desportiva.


Caleya Ribeiro foi também dirigente da Federação Portuguesa de Futebol e foi o principal dirigente desportivo deste País que influenciou as autoridades estatais a criar o Centro de Medicina Desportiva a fim de que todos os desportistas tivessem acesso aos cuidados médicos, muitas vezes os atletas do Clube por força do nome de Caleya Ribeiro e pela sua acção nesta área foram beneficiados sendo inspeccionados antes dos outros.


Para que a história não esqueça este homem e este futebolbenfiquista de grande estirpe aqui fica este apontamento que peca por defeito, mas não deixa contudo de pôr em destaque o homem, o dirigente e a pessoa.


A história do Clube Futebol Benfica jamais esquecerá VICENTE CALEYA RIBEIRO."



(Publicado no jornal do Clube em Setembro de 2007 – por Domingos Estanislau)





sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Às Portas de Benfica




"(...) Retiros de fados berços de fadistas, gostei de mais esta contribuição do Sr. Castelhano.

Ele falou do Restaurante 'Bacalhau', no início da Av Elias Garcia na Venda Nova, a seguir aos Castelos das Portas de Benfica, e não resisti a enviar-lhe esta foto do Restaurante onde o meu pai parava e eu tantas vezes ali entrei ou lhe passei à porta.





"Restaurante Bacalhau, às Portas de Benfica" (1960)
Artur Goulart, in
Arquivo Municipal de Fotografia


A outra foto dos terrenos fronteiros à Rua das Fontaínhas frente ao Restaurante em questão.





"Carrocel nas Fontaínhas" (1961)
Artur Goulart, in
Arquivo Municipal de Fotografia

"Carrocel nas Fontaínhas" (1961)
Artur Goulart, in
Arquivo Municipal de Fotografia


Ali acampavam os circos sazonalmente, Circos Torralvo e Mariano, e os carroceis, os aviões, a delícia das crianças de Benfica que para ali iam para se divertirem, e delícia das crianças da Venda Nova, onde morei e que tantas saudades me deixa.


O seu blog está uma autêntica enciclopédia sobre Benfica, de facto cada vez melhor, parabéns mais uma vez.


Um abraço e se houver o jantar do 1º aniversário do blog, como não vou estar peço-lhe que sem ninguém ver beba por mim um trago de champanhe.



Um abraço,

JResende"





"Minha aldeia é todo o mundo
Todo o mundo me pertence

Aqui me encontro e confundo

Com gente de todo o mundo

Que a todo o mundo pertence."


António Gedeão





(por Alexandra Carvalho)





Fotografia de José Boavida Caria


O relato fotográfico idílico dos terrenos junto às Portas de Benfica, na freguesia da Venda Nova, que o Jorge Resende aqui nos deixou hoje, teve o condão de me relembrar o forte contraste existente com o (já desaparecido) Bairro das Fontaínhas.

O Bairro das Fontaínhas, outrora localizado por detrás das Portas de Benfica, foi dos primeiros bairros ilegais a ser construído e habitado ali mesmo às portas de Lisboa, após o processo de descolonização.

Segundo alguns estudos, este era um local onde os moradores menos sentiam a imagem negativa do bairro (apesar da exclusão social e dos índices de criminalidade a ele associados) e onde existia a maior percentagem de crianças e jovens (comparativamente com outros bairros de génese ilegal, como o "6 de Maio" e o "Estrela D'África").

No Bairro das Fontaínhas habitavam maioritariamente indivíduos de origem cabo-verdiana e os seus descendentes (muitos dos quais, apesar de terem nascido em Portugal e não conhecerem sequer o país de origem dos seus pais e/ou avós, não eram portugueses devido ao princípio do jus sanguinis).
Indivíduos esses que faziam, também, a sua vida em Benfica, frequentando o Mercado e algumas das lojas do comércio tradicional desta freguesia.

Foi no intrincado das labirínticas ruelas estreitas do Bairro das Fontaínhas, em 2000, que comi a minha primeira cachupa (outras, mais tarde, noutros locais, se seguiriam), em casa da Dª. B. e da sua família.

Trabalhava, nessa altura, num dos dois castelinhos das Portas de Benfica. E, durante mais de um ano, pude conhecer melhor a realidade vivida por aquelas famílias, ao atender inúmeros imigrantes do Bairro das Fontaínhas e de outros bairros limítrofes a Benfica e a Lisboa.

Nunca me hei de esquecer do ambiente sereno que se vivia naqueles finais de tarde de Verão, nas traseiras do Castelinho das Portas de Benfica, quando as mulheres se sentavam na soleira das portas de suas casas confraternizando e as crianças brincavam naquele espaço amplo que ficava ali mesmo entre Nós e os Outros, na confluência de duas freguesias.

Foi no Bairro das Fontaínhas, com a ajuda de uma colega de trabalho, que salvei um dos primeiros gatos que comigo se cruzou, quando algumas crianças do Bairro, aflitas, nos vieram bater à porta a pedir socorro para um felino bebé que se encontrava em cima de um telhado.

Mais tarde, já afastada daquele trabalho, não assisti (felizmente) à fatídica morte do cão-de-guarda do Bairro (um rafeirito abandonado), quando um polícia em licença contra ele disparou (induzido pela ressaca dos estupefacientes que ia adquirir ao Bairro das Fontaínhas).




Fotografia de José Boavida Caria



O Bairro das Fontaínhas foi demolido em 2005, para que a CRIL avançasse velozmente. E os seus habitantes foram realojados por diversos bairros sociais criados no concelho da Amadora.






quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Estrada dos Salgados




"A Estrada dos Salgados era uma das principais vias que dava acesso à Falagueira e à Porcalhota (hoje Amadora).

Logo no início da longa estrada dos Salgados existiu, durante os finais do século XIX e ao longo de muitas décadas do século XX,
um dos Retiros de referência de Benfica e dos seus limítrofes, a par dos retiros das Pedralvas, do Bacalhau (na Venda Nova), do Ferro de Engomar (da Cruz da Pedra, do pai do meu amigo João Perez) mas, sobretudo, o Charquinho, o maior e o mais afamado de todos eles: o Retiro do Caliça.

(...)




"Grupo a almoçar no Retiro do Caliça, situado na Estrada dos Salgados, arredores de Benfica" (c. 1904),
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa




O Retiro do Caliça situava-se num pequeno desvio à esquerda de quem entrava na Estrada dos Salgados logo que se atravessava a Estrada Militar vindo de Benfica.




"Grupo a almoçar no Retiro do Caliça, situado na Estrada dos Salgados, arredores de Benfica" (c. 1904),
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa



Recentemente, devido às obras do final da CRIL, parte da Estrada dos Salgados foi completamente arrasada, incluindo o local onde, outrora existia o Retiro do Caliça.

A magnífica Quinta dos Lilazes, que lhe ficava próxima (do outro lado da Estrada dos Salgados), também não escapou ao camartelo.




"Portas de Benfica - Pedralvas" (s/ data),
Eduardo Portugal, in Arquivo Municipal de Lisboa



(...)

A Quinta das Pedralvas já não existe. Nela foi construída a Urbanização das Pedralvas.

O edifico da foto [acima] tem muito interesse pois nele foi instalado o Lar do Benfica, na década de 60 do século XX.
O treinador brasileiro Otto Glória, quando veio para treinador do Benfica (onde pontificavam o Mário Coluna, José Augusto, Costa Pereira, Eusébio e outros), concentrou os jogadores neste edifício (os solteiros permanentemente e os casados nas vésperas dos jogos ou noutros outros estágios).

O BLOG cada vez está melhor.



Um abraço de muita amizade do Fausto Castelhano"







quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

"A nossa Idade"




"O texto que aqui se publica é da autoria de um homem de grande carácter, de princípios, que muito deu ao Clube e que mais à frente se saberá melhor quem ele foi.

O próprio autor considera em determinada altura que a sua opinião sobre a fundação do Clube poderá ser polémica e, de facto, ela contraria a opinião recolhida a outras pessoas e da própria Associação de Futebol de Lisboa e até o que existe em termos de documentação e troféus no próprio Clube. De qualquer modo é interessante este escrito do Sr. Jorge Marques da Pastora, até porque existem outros também da sua autoria com muito interesse histórico que aqui também têm o seu lugar. É de facto um contributo importante e que nos ajuda a compreender melhor as épocas.


Resta acrescentar que este artigo foi publicado no Boletim do Clube em 1989. Este texto está também publicado no actual livro do clube.

Jorge Marques da Pastora (já falecido) era um profundo conhecedor da Freguesia.


Domingos Estanislau
"






"A NOSSA IDADE"

Por JORGE MARQUES DA PASTORA


Estas controversas divagações, que nos parecem pertinentes no aniversário do nosso clube, ajudam a lembrar quem somos e donde viemos, ligando o passado ao presente. Por isso não deixa de ser dignificante relembrar o nosso patrono nesta data fazendo disputar uma prova de atletismo a que deu o nome de Francisco Lázaro.

Este rapaz, modesto como são todos os campeões, nascido e sepultado em Benfica, foi no seu tempo o maior maratonista português, cuja classe o distanciava dos seus competidores.
As suas marcas comparadas com as que então se faziam no estrangeiro, fizeram nascer a ideia de que ele poderia competir com os melhores de além-fronteiras.

Pensada a deslocação, organizada e subsidiada pela família (titular) dos Mascarenhas, cujos filhos eram desportistas da elite lisboeta, a deslocação foi decidida.
A notícia desse facto despertou tal entusiasmo no País, que gerou uma curiosidade enorme por tudo o que a ela dizia respeito, ao ponto de, nos treinos que Francisco Lázaro fazia de noite (o dia era para trabalhar) acompanhado por muitos ciclistas que lhe iluminavam o caminho, se juntarem ao longo do percurso pessoas vindas de todos os pontos de Lisboa para o aplaudirem e incitar.

Mas não quis o destino que a esperança fosse realidade, porque a ignorância o matou.
Alguém convencera Francisco Lázaro, que por ir correr num clima frio se deveria proteger, recobrindo o corpo com uma camada espessa de massa oleosa. Por ironia até o dia foi quente e o campeão durante o esforço baqueou.

O seu funeral foi o maior de quantos se realizaram para o Cemitério de Benfica, pois no momento em que o corpo ali dava entrada, ainda pela Estrada de Benfica se deslocava uma massa compacta de acompanhantes que se estendia estrada abaixo para além do Calhariz de Benfica.

Portanto, a disputa deste Prémio, foi um acto que dignifica os seus promotores pela simbologia que encerra, ao fazer jovens desportistas percorrer as ruas de Benfica, que o campeão tantas vezes pisou.

Por esta iniciativa, bem-haja a Direcção e os que para ela contribuíram."

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"Tens vintes?"



E-mail recebido de uma amiga e vizinha de Benfica...



"(...)

Em relação ao seu blog sobre o Bairro de Benfica é sempre lido com muito entusiasmo por um amigo de infância, que já não o vejo há anos e que vive nos Açores. Está a fazer uma pós-graduação (acho que é) em Museologia.

E sobre uma das
[posts] que lhe enviei aqui fica o que ele me escreveu:

- 'E em que pé está
a luta pelas Vilas Ana e Ventura? É engraçada a coincidência.

Um dia, não há muito tempo, passei com um amigo diante dessas moradias e parámos para as ver melhor.
Já era noite e estranhámos que uma casa que, aparentemente estava em ruínas, tivesse
luz no último andar de uma torre.
E, na brincadeira, imaginámos histórias fantasmagóricas e sei lá mais o quê.

Outra coincidência é que
o surrealista Luiz Pacheco tivesse aí morado.
Conheço boa parte da sua obra e sou muito amigo do Bruno da Ponte, homem já quase com oitenta anos e que privou com ele e com o resto do grupo surrealista de Lisboa. Aparecem, aliás, no livro do Pacheco, 'Pacheco versus Cesarini', duas cartas do Bruno, a quem o mesmo Pacheco pedia vinte escudos, de vez em quando, de uma forma bastante pitoresca: - 'Tens vintes?'
Era uma das suas características andar com a algibeira vazia."




Em resposta ao amigo da Carla que vive nos Açores e, também, lê o "Retalhos de Bem-Fica", aproveitamos para informar que o Movimento de Cidadãos está a crescer cada vez mais, assim como a divulgação desta Causa.

Depois de um trabalho intenso de pesquisa histórica e genealógica, assim como muitas conversas com um dos antigos habitantes da Vila Ventura, conseguimos já estruturar toda a história destas Vilas (restando apenas a definição de um pequeno elemento em falta).

Aproveitamos para agradecer a todos aqueles que nos têm ajudado nestas andanças!

Outras diligências estão a ser tomadas, sobre as quais informaremos, muito em breve, todos os que já aderiram ao Movimento de Cidadãos.

Entretanto, aproveitamos para, mais uma vez, aqui reiterar que todas as sugestões, ideias e propostas de que se lembrem para ajudar a esta Causa serão muito bem vindas, assim como eventuais testemunhos de pessoas que tenham vivido na Vila Ana ou na Vila Ventura (podendo, para esse efeito, aqui deixar o vosso comentário ou enviar-nos um e-mail para palavraseimagens@gmail.com).



segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Campanha de Informação à População






Esta manhã, a Estrada de Benfica acordou repleta de informação...



[clicar para ampliar e ler]




Temos constatado, através de alguns comentários que nos são deixados na página da nossa Causa no Facebook e de alguns e-mails que nos enviaram, que a grande maioria das pessoas concorda com o facto de que a Vila Ana e a Vila Ventura deveriam ser preservadas e recuperadas, desconhecendo, porém, a história da origem destas casas e a sua importância para a nossa freguesia.

Nesse sentido, lançámos hoje uma Campanha de Informação à População, por via de panfletos de divulgação afixados nas ruas de Benfica.

Agradecemos a todos os que têm colaborado neste Movimento de Cidadãos e nos têm demonstrado o seu apoio a esta Causa.





domingo, 24 de janeiro de 2010

Escola Primária António Maria dos Santos




Fotografia de Fausto Castelhano



"(...)

Foi exactamente aqui, na Escola António Maria dos Santos, Estrada de Benfica, encostada ao centro Comercial Nevada, que se se desenrolou, tanto o meu exame da 3ª Classe, em 1949 (Exame do 1º Grau) como o exame da 4ªclasse, em 1950 (exame do 2º grau).


Pelo menos, todos os alunos da Escola Primária Elementar de Aplicação nº 47 aqui efectuavam os seus exames no final do Ano Lectivo.

Esta escola nº 47, que frequentei da 2ª classe até à 4ª Classe (depois de ter saído da Escola Primária Oficial nº 124, que funcionava no Patronato Paroquial de Benfica), localizava-se nas traseiras do edifício da Sopa dos Pobres da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. A 'Sopa do Sidónio' ou a 'Sopa do Barroso', como era também designada.


O edifício da Misericórdia de Lisboa localizava-se na Estrada de Benfica ao lado do antigo
Quartel dos Bombeiros. Todavia, entre o Quartel e esse edifício, existia um longo em caminho em "macadame" que, passando rés-vés com as traseiras da Fábrica Simões, nos levava, lá no alto, ao magnífico conjunto do Magistério Primário.
Toda a área da Cozinha dos Pobres e da Escola Primária Nº 47, já demolidos, ocupavam parte do espaço da que é, hoje, a Escola da Quinta de Marrocos.


E, já agora e como recordação desses belos tempos, o nome das quatro professoras dessa escola: Dª. Isaura, Dª. Maria do Céu, Dª. Tomásia e Dª. Maria Mateus (as duas últimas, foram minhas professoras). Todas elas muitíssimas competentes mas, muito bravas.

Era o tempo em que por cada erro no ditado se era contemplado com duas ou três valentíssimas réguadas e, como complemento, repetir vinte ou trinta vezes a palavra errada.



Um abraço de muita amizade
,

Fausto Castelhano"







sábado, 23 de janeiro de 2010

Resposta ao pedido de fotos da 'Metalúrgica de Bemfica'




Em resposta ao pedido de fotografias que o nosso leitor João Botelho de Miranda nos tinha feito, responde hoje um outro leitor...

Aproveito para destacar o contentamento que tive em saber que o "Retalhos de Bem-Fica" proporcionou mais outro reencontro familiar, como abaixo descrito.




"Rua das Garridas - à direita 'Metalúrgica de Bemfica'" (s/data)
Artur Goulart, in
Arquivo Municipal de Lisboa



"Alexandra,

Encontrei no
Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa [link permanente na barra lateral direita deste blog] estas fotos e reconheci nelas partes da antiga 'Metalúrgica de Benfica'.

Dentro do Arquivo, pedi Rua das Garridas e surgiram várias fotos de casas do meu Bairro de Santa Cruz, entre elas as que lhe envio para quando puder e se as quiser trabalhar, claro!




"Rua das Garridas, cruzamento com a rua General Morais Sarmento" (1970)
Em frente, restos da
'Metalúrgica de Bemfica'
Arnaldo Madureira, in Arquivo Municipal de Lisboa



Graças ao seu blog, encontrei outro primo, João Paulo Botelho de Miranda, primo afastado, mas a quem corre nas veias o sangue da nossa família.

Foi uma alegria este reencontro com um parente que era um menino de 8 anos quando o conheci, no início dos anos 70 e hoje é casado, pai, e também tal como eu e você, gosta de Benfica porque ali viveu alguns anos.




"Rua das Garridas, Nº 77" (1970)
Em frente, parte da 'Metalúrgica de Bemfica'
Arnaldo Madureira, in Arquivo Municipal de Lisboa



A 'Metalúrgica de Benfica', onde o pai do meu referido primo trabalhou como engenheiro nos anos sessenta e setenta do século passado, era uma unidade industrial, nascida em 1920 na Estrada das Garridas, mesmo nas traseiras do Chafariz de Benfica, em paralelo com o muro do Laboratório Veterinário.
Arquitectonicamente falando não tinha nada de especial, tinha um portão e por dentro era um enorme espaço de oficinas. Foram ali fundidos materiais para os candeeiros da Praça dos Restauradores segundo li na 'net'.


Com o mesmo nome, 'Metalúrgica de Benfica', existe uma fábrica que labora em Sintra, penso que é a seguidora da anterior, que deu emprego a muitos habitantes de Benfica. Em arqueologia Industrial deve haver mais sobre a Metalúrgica mas não tenho como lá chegar.




"Bairro de Benfica, zona oriental" (1961)
À esquerda a 'Metalúrgica de Bemfica'
Artur Inácio Bastos, in Arquivo Municipal de Lisboa



(...)

O Arquivo de Fotografia de Lisboa, ao fim e ao cabo, tem fotos de 1960/1961 que repõem a Estrada de Benfica com os seus edifícios quase desde Sete Rios às Portas de Benfica.

Se no site do Arquivo Fotográfico de Lisboa da Câmara Municipal de Lisboa os seus leitores clicarem em 'PESQUISA' e inscreverem apenas 'Benfica', irão percorrer 2.300 fotos sobre Benfica, se quiserem diminuir a busca, inscrevem em 'Pesquisa' 'Estrada de Benfica' e surgem 84 páginas cheias de fotos dos mesmos locais.

Foi uma informação para os seus leitores que, tal como eu, pretendam formar um arquivo a seu gosto.

Um abraço,

Jorge Resende"




Acrescento, ainda, à simpática informação que o Jorge Resende deixou a todos os leitores que, no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa também se podem efectuar, na sua localização física, pedidos de reprodução das fotografias que se encontram disponíveis online.





sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Em busca da 'Euterpe de Benfica'




O Pedro Macieira (do blog "Rio das Maçãs") contactou-nos, há algum tempo atrás, pedindo auxílio na busca que empreendeu pelo destino do legado da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica, onde o seu avô - Eugénio Germano Baptista - foi músico e director do jornal da Euterpe.

Junto anexamos mais alguns documentos enviados pelo Pedro Macieira, os quais, para além de nos contextualizarem muito bem uma época, poderão, também, ajudar-nos a compreender melhor a relação da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica com o futebol em Benfica (assunto que Domingos Estanislau, também, demonstrou muito interesse em investigar).

Pedimos, mais uma vez, a todos os nossos leitores que tenham informações sobre estes dois pontos acima mencionados que nos remetam essa informação (por e-mail ou deixando comentário neste blog).

Muito obrigada!






"Olá bom dia, Alexandra,

Vi ontem a reportagem da revista do CM, sobre Benfica, com a referência ao seu blogue. Blogue que tenho acompanhado com interesse, face aos resultados que apresenta e à forma como as pessoas têm aderido.

Hoje e recomeçando a minha tentativa de saber o que aconteceu à Euterpe de Benfica, envio-lhe duas fotos das/da sala(s) de festas da antiga Euterpe de Benfica.
As fotos de hoje, do meu avô Eugénio Germano Baptista, não têm grande qualidade nem estão datadas mas serão do início do séc. XIX.




"Sala(s) da Euterpe de Benfica" (início século XIX)

Digitalizações cedidas por Pedro Macieira,
in Arquivo de Eugénio Germano Baptista



(...)

Envio-lhe também uma página do Jornal da Euterpe, "A Filarmónica" de 13 de Abril de 1912 - "Número único comemorativo do 53º aniversário da Sociedade Filarmonica Euterpe de Bemfica" em que está um interessante artigo sobre a relação da Euterpe e do "Foot-ball de Bemfica"- assunto tratado no seu blogue recentemente (existe uma falta de texto entre a linha 18ª e 22ª por um pequeno corte na página do jornal, mas não cria nenhum problema de leitura).




"Jornal 'A Filarmónica'" (13/04/1912)

Digitalizações cedidas por Pedro Macieira,
in Arquivo de Eugénio Germano Baptista

[clicar para ampliar]




Também para utilizar da forma que achar mais útil a informação da contra capa de outro número da "A Filarmónica (13 de Abril de 1923). Também número único comemorativo do 64º aniversário da Euterpe - que dá uma panorâmica do comércio de Benfica nessa altura.



"Jornal 'A Filarmónica - contra capa'" (13/04/1923)

Digitalizações cedidas por Pedro Macieira,
in Arquivo de Eugénio Germano Baptista

[clicar para ampliar]





(...)

Envio-lhe um programa dos 'Festejos ao glorioso mártir S. Sebastião', que se realizou nos 'dias 3, 4 e 5 de Agosto de 1901 em Bemfica', abrilhantada 'no novo coreto' pela 'Philarmonica Euterpe de Bemfica'.


"Programa de Festejos" (1901)

Digitalizações cedidas por Pedro Macieira,
in Arquivo de Eugénio Germano Baptista

[clicar para ampliar]




Um abraço,

Pedro Macieira"




Face à sua pertinência para o contexto desta busca pelo legado da Euterpe de Benfica, incluímos ainda neste post um texto que nos foi remetido por Domingos Estanislau.




"A Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica, foi fundada em 1859, no edifício onde hoje se situa o Restaurante 'David da Buraca', por cima da porta da antiga taberna onde nasceu aquele Restaurante. Está lá uma placa que assinala essa data.

Mais tarde a Sede da Euterpe muda-se para o Nº 30 da
Rua Cláudio Nunes. Salão amplo, considerado por muitos o melhor Salão de Lisboa. Veio a pertencer ao Clube Futebol Benfica, depois de 1933 e após a reorganização do Grupo Futebol Benfica.



"Primeiro Presidente do Clube"

Imagem cedida por Domingos Estanislau



"Primeiros Corpos-Gerentes do Clube"

Em 23 de Março de 1933 realizou-se a Assembleia Geral que assinala a reorganização do Grupo Futebol Benfica (designação esta do Clube Futebol Benfica até essa data). Por força da Constituição da altura o Clube viu-se obrigado a retirar a palavra Grupo e passou a chamar-se Clube Futebol Benfica.

Imagem cedida por Domingos Estanislau





Contou-me, há muitos anos, o Sr. Norberto, sobrinho do Francisco Lázaro, que a Filarmónica passava por dificuldades e, aos poucos, começou a 'desmoronar-se' e Caleya Ribeiro, Presidente do Futebol Benfica deu por um dos elementos a penhorar um dos instrumentos e, em face disso, foi fácil a dissolução e aquele vasto Salão passou a ser pertença do Futebol Benfica.

Tornou-se depois uma Sala de Baile afamada, onde se realizavam aos Sábados e Domingos Matinés e Soirés bastante concorridas, hoje ainda bem recordadas por pessoas da minha idade.

Daquele local descia também a Marcha de Benfica, para embarcar no Carro Eléctrico, que esperava ao fundo da
Rua Cláudio Nunes em plena Estrada de Benfica para levar ao Pavilhão dos Desportos a Marcha representativa do Bairro nas Festas da Cidade.
Velhos tempos!


Domingos Estanislau"





quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

"Benfica, o meu Bairro"



Por Domingos Estanislau
(Presidente do Clube Futebol Benfica - 'Fófó').



"Sou um adoptado.
Nasci em Ferragudo, Concelho de Lagoa, Distrito de Faro. Sou portanto um algarvio e não renego a satisfação de ser algarvio.


Vim para Lisboa muito cedo, fixei-me em Benfica por força das circunstâncias, razões familiares, por isso, ao longo de mais de cinquenta anos que vivo em Benfica, posso dizer que este é o meu bairro.

Esta é portanto a minha terra por adopção. A terra que conheci e em que todos, quando aqui cheguei, nos conhecíamos.


A vida era diferente, Benfica era uma terra de operários.


Nas Pedralvas havia uma Metalúrgica e a Fábrica de Tintas Atlantic; nas traseiras do campo do Futebol Benfica, onde se situa hoje a urbanização conhecida pelos Jardins de Benfica, existia mais outra metalúrgica, esta conhecida por
Metalúrgica de Benfica.

Habitualmente a população orientava-se, em termos de horários, pelos toques das sirenes das fábricas aqui existentes.


Era uma comunidade saudável a de Benfica. Todos nos conhecíamos e a amizade proliferava como as papoilas, quando era tempo delas, nos campos verdejantes que, por essa altura, ainda existiam em Benfica.


Ainda hoje tenho nos ouvidos o tinlintar dos trolers dos eléctricos quando circulavam pela Estrada de Benfica e davam a volta entre a Garagem 'Benficauto' e a Escola 124 que hoje, a título precário, pertence ao
Clube Futebol Benfica.

Benfica tinha características muito especiais, dizia-se muitas vezes, quando por este ou aquele motivo nos ausentávamos por uns dias, que ao regressarmos sentíamos uma alegria enorme ao ver os sinos da igreja.

Os sinos eram uma referência para o regresso, significava que estávamos de volta ao local pelo qual nutríamos uma paixão enorme.

Este era um sentimento comum à população deste Bairro que foi perdendo esta paixão à medida que o cimento foi substituindo as hortas e as indústrias que por aqui existiam.


A década de 60 foi determinante, muitas pessoas que aqui moravam partiram para a Amadora e Queluz, que se desenvolviam a olhos vistos, cujas rendas das casas só porque eram mais baratas 50 escudos determinavam esse êxodo.


Benfica, por essa altura, começou a perder determinadas características mas, para mim, continuou a ter um encanto especial e mítico e ainda hoje gosto de viver em Benfica, por isso sendo algarvio de nascença, situação que não renego, como já disse, sinto-me naturalmente um cidadão de Benfica."





Gostaria de aqui deixar um agradecimento muito especial ao Sr. Domingos Estanislau, que se tornou, recentemente, leitor do nosso blog e nos deu a honra de colaborar no mesmo com este seu testemunho (e muitas outras surpresas que por aí se avizinham).

Muito obrigada, também, pela divulgação que fez no seu blog pessoal do "Retalhos de Bem-Fica"!




quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Os Clubes Populares de Futebol na Freguesia de Benfica





Todos os direitos reservados @ Fausto Castelhano, "Retalhos de Bem-Fica" (2010)



Por Fausto Castelhano



"27 de Março de 1960. Momentos antes do jogo com o Ginásio da Amadora"

De pé: Gomes, Tavares, Martins, lérias, Amílcar, Paulo Cardoso e Carlos (guarda-redes suplente e meu irmão).
Em baixo: um amigo do Juventude de Benfica e depois: Mário, Miguel, Belmiro, Fausto e Victor Louro.

Fotografia gentilmente cedida por Fausto Castelhano




"O palacete que se observa no centro da foto era o edifício do Patronato Paroquial e onde funcionava a Escola Primária Oficial Nº 124 (onde frequentei a 1ª Classe com a professora Maria Helena Bento).

O muro onde está a assistência era a cerca do espaço de recreio do Patronato. Repare-se que entre a vedação do rectângulo de jogo e o muro há uma elevação no terreno (uma espécie de anfiteatro) o qual, tornava a visão do jogo muito mais favorável aos espectadores.

O prédio à esquerda da foto (tinha sido construído nessa altura) e está edificado já do outro lado da Estrada de Benfica.



"24 de Julho de 1960 – A equipa do Real Atlético de Benfica antes do jogo com os Corvos, da Cruz da Pedra."

Foto tirada dentro do ringue Fernando Adrião.

Em baixo e à esquerda, o meu irmão Carlos. Em baixo e à direita, eu próprio e, a meu lado, o Mário “Americano” com o “Piloto”, o cão que sempre nos acompanhava para todo o lado. Um grande companheiro…

Fotografia gentilmente cedida por Fausto Castelhano




Logo que se entrava na 'época do defeso', período de tempo que medeia entre os finais dos Campeonatos Nacionais e Regionais de Futebol (finais de Junho até Setembro), eles aí estavam: os Torneios Populares de Futebol.

Então, em vários campos de futebol, uns menos apetrechados (como o do 'Outurela' ou o da 'Quinta das Fonsecas', próximo do Campo Grande), mas outros, perfeitamente consagrados para a prática do desporto-rei como o Campo do Palmense e o Campo Francisco Lázaro onde pontificava o Clube Futebol Benfica, o clube do nosso bairro, desenvolviam-se vários torneios de futebol entre equipas, ditas populares e que, pelo menos em Benfica, tinha um enorme impacto entre a população amante do desporto-rei.


E, se é verdade que, da utilização desses recintos sempre adviriam alguns proventos para os cofres muito minguados dos clubes detentores desses espaços pela sua utilização, por outro lado, mantinham em actividade muitos atletas que, embora alinhando pelos seus clubes nos campeonatos oficiais de futebol, se predispunham em participar, com grande entusiasmo, experiência e saber, nessas equipas populares.
Assim, em algumas delas e pela inclusão desses elementos bastante traquejados no seu desporto de eleição, praticava-se um futebol de excelente nível.

Essas associações populares formavam-se através de grupos de amigos, vizinhos de rua ou de bairro e, a custo, iam angariando fundos para os seus equipamentos, deslocações e outras despesas, quer através das quotizações dos seus associados, quer através de rifas e sorteios ou de algum benemérito mais abonado.

Na Freguesia de Benfica e nos seus arredores existiram vários clubes com este cariz predominantemente popular que, ao tempo e antes da legislação entretanto aprovada, nem necessitavam de qualquer legalização.


"1955 – Cartão de sócio e fundador do Grupo Desportivo do Charquinho, antecessor do Real Atlético de Benfica."

Cartões artesanais. Era assim, com meios muito rudimentares…

Imagem gentilmente cedida por Fausto Castelhano



Então sim. Com a entrada em vigor dessas leis na década de 70 do século XX mas, também, pelas grandes alterações urbanísticas ocorridas na nossa Freguesia e pela dispersão das populações vizinhas, muitos desses clubes populares, dedicados essencialmente ao futebol (mas, também, ao convívio e às petiscadas), pura e simplesmente desapareceram.
Restaram alguns que, posteriormente, se filiaram nas Associações respectivas e que hoje disputam os diversos campeonatos nacionais e regionais.


Os jogos desses torneios populares eram sempre ao domingo com início às 09.00 horas e só terminavam cerca das 19.00/20.00 horas que, em pleno Verão, ainda restava tempo bastante até ao sol pôr. Eram sessões contínuas, já se vê mas, onde a alegria e, por vezes o arrebatamento imperavam!

Os jogadores pagavam para jogar. Essa verba, na década de 60 do século XX era de 7 escudos e 50 centavos. A maior fatia da quantia apurada no final de cada domingo cabia ao clube detentora do recinto de jogo, quer pela utilização do espaço, quer pelo pagamento do policiamento e da utilização dos balneários (que incluía a água, fria, dos duches). Uma pequena parcela destinava-se à taça que, no final de cada partida, era entregue à equipa vencedora.

Era assim no antigo Campo Francisco Lázaro (onde pontificava o Clube Futebol Benfica. Fó-Fó é um termo relativamente recente) que se localizava (no sentido Norte/Sul) no espaço entre o muro do Patronato Paroquial da Freguesia de Benfica (onde funcionava a Escola Primária 124) e o rio (há quem lhe chame caneiro todavia, ninguém tratava o nosso rio por esse termo). No sentido Nascente/Poente ocupava a área que distava do muro da Estrada das Garridas e as traseiras dos velhos prédios da Av. Grão Vasco.

Na Estrada das Garridas (onde, sempre se murmurou que, por ali, haveria uma ponte romana soterrada no local onde existe uma corcova no próprio pavimento da estrada), uma das principais vias da Freguesia de Benfica e que se prolongava até à passagem de nível da Buraca, existia um portão que dava acesso ao recinto do campo de jogos. No interior, junto ao muro e ao canavial junto à margem esquerda do rio, localizava-se o campo de basquetebol.

Para lá da margem direita do rio (que foi encanado alguns anos depois), era a Metalúrgica de Benfica onde o meu pai me mandava comprar, com um papelinho na mão onde anotava a referência dos bicos de ferro (UL2) utilizados nas charruas e nos arados que, com o desgaste da sua utilização nas lavras, periodicamente eram substituídos.

Entre os vários clubes existentes no espaço geográfico da nossa freguesia e arredores destacavam-se:

- Juventude de Benfica (equipamento igual ao Juventude de Évora dos irmãos Mendonça, à F.C. do Porto) e estavam localizados na Rua Cláudio Nunes. A pedido, joguei por várias vezes pelo Juventude;
- Sport Lisboa e Águias, que estava sediado no Bairro da Boavista (equipamento à Benfica mas com uns números enormes nas camisolas) e que possuía uma grande equipa de futebol e a qual, era sempre acompanhada por uma entusiástica claque de apoio, essencialmente feminina;
- Os Corvos (equipamento todo negro, à Académica) oriunda da Cruz da Pedra;
- Bairro da Boavista (equipamento todo branco) que, como o nome indica, era do Bairro da Boavista;
- Sport Lisboa e Damaia, da Damaia;
- Sporting Leais da Serra;
- Ginásio da Amadora;
- Juventude da Damaia;
- Leões de Portugal, da Venda Nova;
- Desportivo do Bairro do Taxa, do Bairro do Taxa;
- Bairro Janeiro, da Amadora
- 1º de Maio da Amadora, da Amadora;
- Futebol Clube da Quintinha;
- Real Atlético de Benfica (fundado em 1957). Sucedeu ao Clube Desportivo do Charquinho (fundado em 1955) e estava sediado na quinta do mesmo nome e cuja entrada se fazia pelo grande portão de ferro de cor verde e com o nº 4 da Estrada dos Arneiros. Era aí que eu morava. Aposentos para a nossa sede não faltavam. Aí foi fundado com os meus irmãos, vizinhos e amigos da Estrada doa Arneiros, Travessa dos Arneiros, Estrada do Poço do Chão e outros. O equipamento era todo branco, à Real Madrid e tínhamos alguns patronos como o D. José Blanc de Portugal (que era nosso vizinho), o sr. Marta, sr. Rogério Cardoso, etc.




"1957 - Cartão de sócio e fundador do Real Atlético de Benfica"

Imagem gentilmente cedida por Fausto Castelhano



"Cartão de Jogador Júnior do Alverca – Época de 1958/59"

Imagem gentilmente cedida por Fausto Castelhano



"Cartão de Jogador Sénior do Alverca – Época de 1959/1960"

Imagem gentilmente cedida por Fausto Castelhano



"29 de Outubro de 1959 – O preço da “traição”… podia lá ser."

Um filho da terra a jogar contra o seu clube. Era uma guerra dentro do campo quando jogava contra o clube do qual era sócio e atleta de andebol de 7. Expulsão no jogo contra o Clube Futebol Benfica. Os amigos, vizinhos e conhecidos não entendiam e nem perdoavam.

Imagem gentilmente cedida por Fausto Castelhano





O Real, era uma excelente equipa de futebol que, como salientei atrás e à semelhança de doutras equipas, era reforçada com vários atletas oriundos de clubes que participavam regularmente, tanto nos campeonatos nacionais como regionais. Tal era o meu caso que jogava na equipa júnior e depois sénior no F.C. de Alverca e um outro colega de trabalho que alinhava no União Vilafranquense. E, na foto em apreço, destacam-se três elementos da equipa sénior do Clube Futebol Benfica.

Todas as equipas apresentavam-se equipadas a rigor e, este ponto, era questão muito importante para os próprios espectadores na apreciação que fariam das equipas em competição. E, nesse tempo, como se jogava no sistema WM, alguns números nas camisolas tinham um enorme significado que, hoje, infelizmente desapareceu). O número 1 (guarda-redes), o número 5 (defesa-central), o 9 (avançado-centro), o 10 (interior-esquerdo). Quem não gostava de jogar com esses números nas camisolas?

Os jogos eram extremamente competitivos e os atletas encaravam as partidas com um enorme sentido de responsabilidade. Outra coisa não seria de esperar. Estava em jogo, também, o prestígio dos próprios dirigentes que, na maioria dos casos, eram também jogadores.

Havia uma grande adesão da população local. Esses Domingos fascinantes arrastavam uma grande massa de adeptos dos vários clubes participantes, com os seus aplausos e os seus incitamentos. Durante vários Domingos, de Julho a Setembro, era um corrupio de gente, uma festa.
E, se é verdade que algumas dessas pelejas não terminavam da maneira mais civilizada, no apuramento final deste movimento social e tão pouco estudado e divulgado, o balanço é francamente positivo.
E, aos atletas que, daí a pouco entravam nos seus campeonatos, era-lhes proporcionada uma preparação física e uma “endurance” que, doutro modo, não teriam no início da nova época futebolística.



"Um dos muitos troféus que o Real Atlético de Benfica conquistou."

Fotografia de Fausto Castelhano




Eram os bons velhos tempos que vivi, que se esfumaram e… não voltam mais…


Um abraço de muita amizade,


Fausto Castelhano"





terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Para a Lucinha




Em resposta a uma das nossas leitoras...
Aqui partilho o seu pedido, anexo as respectivas fotos e deixo uma informação final. Caso mais algum leitor tenha informações adicionais, pff., envie-nos para podermos partilhar no blog.




"Boa tarde, Alexa!

Descobri recentemente o seu blog e fiquei encantada não só por recordar a Benfica da minha infância e juventude, mas também por conhecer como era esta zona antes de eu viver aqui, há mais de 25 anos.


(...)

Gostaria também de fazer um pedido de fotos.

Recorda-se de um prédio que era habitado (ainda nos anos 80, no fim da década), mas depois foi mandado selar e por fim foi demolido, e que se situava na Estrada de Benfica, perto do cruzamento com a Avenida do Uruguai?

Esse prédio situava-se em frente à antiga papelaria São Luís, onde agora existe um chafariz
[um mobiliário urbano de forma redonda, com assentos e espaço para floreira], mesmo ao lado do oculista.
Tenho a vaga ideia de achar esse prédio bonito, e de ter sentido pena com a sua demolição...

Acha possível arranjar fotos do edifício em questão?




"Palacete na Estrada de Benfica, Nº 540" (1971)
Armando Serôdio, in
Arquivo Municipal de Fotografia



CORRECÇÃO:


Na verdade, a foto que publicámos acima, tratava-se de um palacete que ficava situado junto ao palacete que a Lúcia nos tinha pedido.

Como fomos alertadas pelo nosso leitor Jorge Resende (a quem agradecemos bastante), o palacete onde funcionou o Posto de Saúde de Benfica nº15 tratava-se do edifício que se pode ver nas fotos abaixo.

Citando Jorge Resende: "Entrei muitas e muitas vezes ali com a minha mãe para sermos consultados por um médico de nome Próspero dos Santos a quem presto a minha homenagem pela sua humanidade, pela sua competência, pela sua delicadeza. Esteja onde estiver hei-de recordá-lo sempre. Faz também parte das minhas memórias. E como falamos do Posto de Saúde, refiro também duas senhoras de Benfica que ali trabalhavam: Maria Luísa, residente na Vila traseira à Igreja e que foi minha madrinha de baptismo e Maria do Carmo.
No seguimento deste palacete até à esquina com a Av. do Uruguai ficava sim o outro palacete que a sua foto mostra."




"Palacete na Estrada de Benfica" (1961)
Augusto Fernandes, in
Arquivo Municipal de Fotografia


"Palacete na Estrada de Benfica" (s/data)
Artur Goulart, in
Arquivo Municipal de Fotografia


"Palacete na Estrada de Benfica" (s/data)
?, in
Arquivo Municipal de Fotografia


"Palacete na Estrada de Benfica" (1968)
Armando Serôdio, in
Arquivo Municipal de Fotografia




Lembrei-me igualmente da antiga paragem do autocarro 16, que ficava numa rua que ligava a Estrada de Benfica à Rua Emília das Neves, entre a escola primária e o Centro Comercial Nevada
[o Centro Comercial Nevada foi construído no espaço anteriormente utilizado pela Carris].
Acha que também é possível arranjar fotos dessa rua?
A paragem do autocarro situava-na na esquina com a Emília das Neves, enquanto na esquina com a Estrada de Benfica estava situado o posto de vendas de passes.
Ainda me lembro de ir para a escola e ver filas enormes de pessoas à espera do 16, filas tão grandes que chegavam à entrada da referida escola primária...




"Rua Emília das Neves, nº 2 a 30" (s/ data)
João H. Goulart,
in Arquivo Municipal de Fotografia


Imagem disponível no blog "Eléctricos..."
(referência enviada pela Helena Águas)




Para finalizar, quero fazer uma pequena contribuição para o seu blog.

Ao pesquisar sobre a referida paragem do 16, lembrei-me de consultar o site da Carris e encontrei isto.
A segunda foto mostra-nos um eléctrico para "Bemfica".




"Eléctrico a caminho de Bemfica" (1950)
Autor desconhecido, in Carris




Achei delicioso, não sabia que antigamente haviam eléctricos aqui na zona.
Não encontrei essa referência no seu blog (mas se por acaso houver algum post sobre isso, peço desculpa pela minha distracção), por isso decidi enviar-lhe o link com a foto.


Parabéns pelo seu trabalho e pela sua dedicação.


Grata pela atenção,


Lucia"




Agradecemos à Lucinha pela fantástica foto do eléctrico para "Bemfica" que nos enviou e aproveitamos para informar que no palacete que se situava na Estrada de Benfica, Nº 540, funcionou, durante algum tempo, o Centro de Saúde de Benfica.
Este palacete ficava mesmo em frente de um outro edifício (que recentemente foi demolido) onde funcionou a Junta de Freguesia de Benfica e, mais tarde, o restaurante "O Refúgio dos Beirões".

No que diz respeito aos eléctricos na Estrada de Benfica, de acordo com Carlos Consiglieri e outros, no livro "Pelas Freguesias de Lisboa", desde 1852 que havia carreiras de "omnibus" para Benfica; o combóio chegou aí em 1887; e, entre 1873 e 1877, circulava num monocarril colocado na Estrada de Benfica, o curioso "Larmanjat" - combóio a vapor; anos mais tarde, apareceriam os "chora" e os eléctricos.






"Olá Alexa

Já que se fez uma pequena referência ao incrível Combóio Larmanjat (...) aí vai um pequena nota sobre este assunto tão apaixonante o qual, foi tema de uma de uma aula na USIA da Amadora à cerca de 3 anos. Junto 2 imagens.



Imagem cedida por Fausto Castelhano



O mono-carril a vapor Larmanjat foi introduzido em Portugal pelo Duque de Saldanha.
Foram concedidas várias licenças para construção de algumas linhas. Entre elas, foi concedida em 11 de Julho de 1871 uma licença para o trajecto entre Lisboa e Sintra (26 Km) com alguns pequenos desvios no Cacém e Rio de Mouro.

A linha abarcava as seguintes estações: Lisboa (Portas do Rêgo), Sete –Rios, Benfica, Porcalhota (Amadora), Ponte Carenque, Queluz, Cacém, Rio de Mouro, Ranholas e Sintra. O trajecto desenvolvia-se através da Estrada Real Lisboa-Sintra. Foi inaugurada a 2 de Julho de 1873.


Imagem cedida por Fausto Castelhano



Este meio de transporte revelou-se um autêntico fracasso e, a 8 de Abril de 1875, a circulação do Larmanjat foi suspensa. Pouco depois, a Companhia do Caminho-de-Ferro Larmanjat abriu falência.


Um abraço de amizade

Fausto Castelhano"



segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Classe de Ginástica Feminina da Fábrica Simões



O Jorge Resende foi a segunda pessoa que entrevistei (por escrito) para a rubrica "Gente de Benfica" neste blog.
A sua história de vida merece, sem dúvida alguma, ser lida na íntegra, pela excelente caracterização de um determinado tempo e das classes sociais que habitavam Benfica.

Desta vez, movido pelas recordações de uma foto onde figuram duas das suas tias, o Jorge Resende partilha connosco um importante texto sobre a condição feminina na freguesia de Benfica e em Portugal, noutros tempos.

Um importante testemunho a ser lido com muita atenção.




"Esta foto que lhe envio é de 1939 ou 1940. Foi tirada não sei por quem no enorme pátio interior da Fábrica Simões, com uma gerência composta por homens de excepção empresarial para aquela época, reconheci sempre, e nela figuram duas estimadas tias minhas, Maria de Lourdes Gomes Marques e Eufrazia da Conceição Gomes, a primeira falecida no Canadá em 2004 e a segunda habitando um Lar em Sintra.

Na foto há uma curiosidade: há uma menina com um pedaço do DN e lê-se 'A França e o REICH'. Foi no principio da tragédia. Aumentando muito a foto lê-se bem.


"Classe de Ginástica Feminina no pátio interior da Fábrica Simões" (1939 ou 1940)
Fotografia gentilmente cedida por Jorge Resende



Comovo-me sempre que olho para esta foto, pois vejo tantas crianças e tantas jovens como operárias daquela que foi a grande empregadora da zona de Benfica e arredores...
Quantos sonhos não alcançados? Que vidas, que caminhos?


A Fábrica Simões hoje em ruínas, pagava atempadamente os salários baixos da época, e, não seria honesto se omitisse, proporcionava aos seus operários actividades desportivas, cuidados de saúde, pois tinha um posto de enfermagem ao cuidado dum enfermeiro, Sr. Gabriel, aulas para iniciarem ou prosseguirem a
escolaridade obrigatória (4º ano), nos anos 50 do século passado tinham em funcionamento uma creche, havia uma classe de ginástica feminina e masculina e um grupo excursionista.




"Cartão do Grupo Excursionista da Fábrica Simões" (1942)
Imagem gentilmente cedida por Jorge Resende




Talvez nenhuma das crianças e jovens que a foto mostra, tenha chegado aos bancos de qualquer uma universidade (apenas chegaram àquela que a vida proporciona), e talvez nenhuma tivesse posto os pés em algum liceu do país.

Era assim naqueles tempos sombrios do Estado Novo. As mais desfavorecidas pela sorte, as filhas de um deus menor (se é que existem deuses...) tinham de se fazer depressa mulheres e fazer-se à vida, carregar com os filhos quantas vezes em berços, sobre a cabeça, e cumprir os horários nas fábricas em redor.


Mas também as menos atingidas pelas segregações não tinham os horizontes muito expandidos, pois havia que aprender lavores femininos, ajeitar os dedos pelas teclas de pianos com professores pagos à hora para lhes ministrarem conhecimentos de francês, geografia, português e matemática, noções de cozinha e corte-costura pois em breve iriam ter a enorme responsabilidade e não peso menor de serem mães, esposas devotadas sem direitos políticos, (não votavam), sem hipóteses de serem parte activa como Chefes de Família (papel destinado aos homens), tudo com a bênção divina dos diversos poderes dirigentes e religiosos deste país.


A maioria das Revoluções nascem, para se virarem contra tiranias, e na História Contemporânea deste País, tal aconteceu por vezes. Sempre se dividiram as opiniões sobre os benefícios que restaram depois das poeiras causadas por esses abanões na sociedade assentarem.

Da 1ª República, o forte impulso da rede de escolas públicas fazia crer que o acesso ao ensino seria uma verdade. Com a revolução de Maio e com o advento do Estado Novo muita coisa regrediu.


Mas para a mulher portuguesa, quer queiramos quer não, quer gostemos ou não da Revolução de Abril de 1974, as portas abriram-se e puderam sim fazer sonhar e cumprir sonhos.

Abriram-se as portas da Magistratura, das Forças Armadas e de Segurança, das Cátedras do Ensino Superior, da Investigação dos ofícios que se dizia serem apenas para homens.


No Estado Novo, as telefonistas, enfermeiras, assistentes de bordo (hospedeiras) e mulheres com outras profissões não podiam casar, e se o desejassem fazer teriam que abandonar as suas profissões.

Abril terminou com essa tirania, e, no caso das assistentes de bordo, regressaram de novo à Tap muitas que tiveram que se despedir porque ousaram decidir casar e terem a nobreza de serem mães.


As mulheres passaram a ocupar lugares de chefia, passaram a trabalhar ombro a ombro com homens nas suas mais diversas profissões, tais como condutoras de táxi, de transportes públicos, enfim, foi reposta a dignidade ou pelos menos alguma, no campo dos horizontes profissionais e sociais.


Encho-me de orgulho sempre que dou por mim a pensar nestas profundas mudanças. E tenho a certeza que mesmo aqueles que são contra os ventos que Abril trouxe, ficam felizes quando olham para uma filha ou neta ou parente e a sabem Investigadora, Juíza, Oficial ou Sargento das Forças Armadas, Oficial de Polícia ou simples agente das Forças de Segurança... Lá no seu íntimo felizes ficam, só que têm receio de mostrar a alegria contida!


E tudo isto por causa de fotografias de Benfica e do seu blog, Alexandra, mais uma vez....


Desejo ardentemente que qualquer homem ou mulher do meu país não seja mais impedido de realizar os seus sonhos ou até de sonhar.

Que quem discorde, não seja mais enviado para campos de S. Nicolau, do Tarrafal, também para os exílios, para Angola ou Moçambique como sucedeu no passado, que não sejam mais impedidos de ser cientistas, artistas, professores, padres ou bispos, enfim, que jamais alguém perca o seu ganha-pão só por terem tido a ousadia de discordarem, sendo para bem longe enviados e mandados encerrar.


Que a foto de grupo que anexo seja sempre um grito de alerta, Gedeão disse "O sonho comanda a vida", e aquelas crianças e jovens foram impedidas de sonhar. Certamente!


A criança que está ao cimo da foto de grupo em quarto lugar, transformou-se numa linda mulher, minha tia Lourdes, foi um ser maravilhoso, daqueles seres que quando partem jamais deles nos iremos esquecer.



"Lourdes" (1948)
Fotografia gentilmente cedida por Jorge Resende



Desculpe o tempo que lhe roubo com estes escritos nem sempre alegres, mas as memórias não se devem apagar. Nunca.


Cumprimentos,


Jorge Resende"