sexta-feira, 30 de abril de 2010

Moção Vilas - Assembleia de Freguesia de Benfica





A Assembleia de Freguesia de Benfica, na sua reunião de 29 de Abril de 2010, aprovou uma moção pela reabilitação da Vila Ana e da Vila Ventura (com texto idêntico à da aprovada pela Assembleia Municipal de Lisboa), com 17 votos a favor e uma abstenção.




quinta-feira, 29 de abril de 2010

A "Maratona Jubileu"





De terras nórdicas chega-nos a presente informação (que, desde já, muito agradecemos!)...
E ficamos a aguardar que algum dos nossos leitores ganhe coragem para participar nesta actividade desportiva! :)



Imagem de Jubilee Marathon



"Olá Alexandra....

Venho por este meio informar que no dia 14 de Julho de 2012 se efectuará em Estocolmo a 'Maratona Jubileu', com o mesmo percurso que a Maratona Olímpica de 1912, onde o nosso compatriota
Lázaro perdeu a sua jovem vida (80% nas mesmas estradas e nunca a mais de 100 metros do percurso original).

Para alguém que esteja interessado as inscrições abrirão no dia 14 de Julho de 2011.

Na página oficial encontram-se algumas interessantes fotografias e muitos dados: por exemplo, depois do desfecho do Jogos organizou-se um 'Sångardag' - 'Dia Cantante' no Estádio Olímpico, onde as verbas acumuladas verteram a favor da família do atleta. 14 000 Coroas foi o montante que se juntou, o que no dinheiro de hoje anda à volta dos 70 000 Euros....


Cumprimentos,

Júlio"





terça-feira, 27 de abril de 2010

1 Grande Vitória!




Uma grande vitória para o Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura e todos aqueles que têm lutado a nosso lado: - foi hoje aprovada por unanimidade uma Recomendação na Assembleia Municipal de Lisboa relativamente à preservação da Vila Ana e da Vila Ventura!

Link para o texto da recomendação.

Link para a Recomendação assinada unanimente por todos os Grupos Políticos.

Mas ainda estamos só no início da nossa Luta!...







sábado, 24 de abril de 2010

1º Jantar do "Retalhos de Bem-Fica"




Realizou-se esta noite, no Restaurante "Córsega", o 1º Jantar do "Retalhos de Bem-Fica".




Fotografias de José Lila (2010)



O grupo constituído por cerca de 25 pessoas (entre redactores e leitores do blog, o autor de um blog amigo e a sua filha, alunos da UNISBEN, assim como familiares e amigos) era muito animado e a noite foi extremamente interessante, como forma de consolidar laços entre pessoas que, maioritariamente, apenas se conheciam de uma forma virtual.

De realçar, também, as importantes iniciativas ligadas ao trabalho do "Retalhos de Bem-Fica" que se estruturaram e consolidaram durante neste jantar... e que, muito em breve, farão transpôr da internet para a vida real um conjunto de acções culturais bem dinâmicas e interessantes.



Fotografias de José Lila (2010)


No final da noite, e como forma de celebrar simbolicamente o 1º aniversário deste blog comunitário, os alunos da UNISBEN ofereceram à fundadora do "Retalhos de Bem-Fica", Alexandra Carvalho, uma pequena lembrança (a qual muito agradeço, sobretudo, pelo carinho demonstrado!).


Fotografia de José Lila (2010)



Resta-me, mais uma vez, agradecer a todos aqueles que estiveram presentes nesta nossa primeira iniciativa (fora da internet) - em particular à Luísa Pereira e ao Fausto Castelhano, pela ajuda na parte logística da organização do jantar.

E fazer votos para que, como dizia Domingos Estanislau, esta nossa comunidade se continue a conhecer melhor, a estreitar laços e, sobretudo, a implementar e dinamizar actividades sócio-culturais (de que a nossa freguesia tanta falta tem!).



Ver mais fotografias aqui.




sexta-feira, 23 de abril de 2010

O interior do 1º Cinema de Benfica




Um dos nossos leitores já nos tinha enviado, há alguns meses atrás, uma fotografia e testemunho sobre a importância do primeiro cinema da nossa freguesia.

Hoje deixamos aqui uma fotografia do interior desse mesmo Salão, onde, actualmente, funciona a Junta de Freguesia de Benfica.




"Um aspecto da assistência à matiné promovida pelo Cinéfilo no salão do Sport Lisboa e Benfica"

S/ identificação de autor. Data: 1934-06-09
In
Arquivo Nacional Torre do Tombo







quarta-feira, 21 de abril de 2010

Casas Devolutas




Numa pesquisa na internet, um pouco ao acaso, acabei recentemente por ir parar ao website de João Gomes Mota, que colaborava no projecto (aparentemente extinto) "Lisboa Abandonada", criado por Pedro Fonseca.

O objectivo desse projecto prendia-se com o retratar as casas devolutas e em ruínas espalhadas pela cidade de Lisboa.
Segundo o seu autor: "Este projecto pretende chamar a atenção para o grave problema das áreas urbanas expectantes - quantos de nós passamos todos os dias por prédios em ruínas sem os vermos?"

Infelizmente, tal projecto, que contava com o auxílio de diversos colaboradores (a nível da elaboração das fotos), parece não ter seguido adiante...
Resta-nos, no entanto, as fotos de algumas casas devolutas em Benfica que, entretanto, já foram demolidas - como este exemplo abaixo (da qual ainda me recordo, quando aí funciova uma Padaria).





Fotografias de João Gomes Mota (2002)




Ficha da Casa na Estrada de Benfica, Nº 629 e 631.

Consultar o Índice das Casas Abandonadas por freguesia (criado por João Gomes Mota).





terça-feira, 20 de abril de 2010

Vila Ana e Vila Ventura no "Portugal em Directo" (RTP1)






Imagem de RTP1

Programa "Portugal em Directo" (RTP1), 20/04/10


[clicar na imagem para aceder à reportagem]





Muito obrigada a Inês Drummond (Presidente da Junta de Freguesia de Benfica), aos alunos da UNISBEN e a todos aqueles que estiveram presentes junto às Vilas, na manhã de 2ª feira (19/04/10), para a realização desta reportagem.

O apoio e participação de todos continuam a ser muito importantes nesta Luta!








sábado, 17 de abril de 2010

"Arruada pelas Vilas"




Realizou-se esta manhã a tão aguardada "Arruada pelas Vilas", organizada pela UNISBEN - Universidade Intergeracional de Benfica, em colaboração com o Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura (informal e apartidário).





Vídeo de Mário Pires




Com ponto de encontro no Mercado de Benfica, ainda não eram 11h da manhã e já a entrada pela Rua João Frederico Ludovice estava animada, com o Grupo de Cavaquinhos da UNISBEN.

O trajecto Mercado, Estrada A-Da-Maia, Estrada de Benfica, Vila Ana e Vila Ventura foi acompanhado pela distribuição de folhetos de divulgação da nossa Causa pela preservação destas duas vilas centenárias, testemunho da memória histórica da nossa freguesia, assim como pela recolha de assinaturas na petição que lançámos no início do mês de Março.

O grupo era um pouco reduzido para Causa tão importante. Mas foi recompensador verificar que, ao longo do percurso, inúmeras pessoas se foram juntando a nós, até ao ponto final onde a "Arruada" foi encerrada, em frente à Pastelaria "Nilo".

A "Arruada" teve a cobertura jornalística do "Jornal de Notícias" (a quem agradecemos, desde já, o interesse manifestado!).







Fazemos parte de um país de "brandos costumes" onde, apesar da História intrínseca, o Povo parece não estar (ou não querer estar) habituado a lutar pelos seus direitos e por aquilo que é, realmente, importante.

Fazemos parte de um país onde, maioritariamente, o "Activismo" é exercido no sofá, de preferência em frente ao écran da televisão, enquanto se jorram da boca para fora umas quantas palavras agrestes contra este político ou aquele estado da nação.

Fazemos parte de um Povo que, na sua grande maioria, deixa para os outros, que possam vir atrás de si, o desempenho desta ou daquela acção tendentes a melhorar ou a lutar pelo bem-estar da sua casa, da sua rua, do seu bairro, da sua cidade e país... E, no final, apesar de não ter sequer agido, tem sempre uma palavra recriminatória a apresentar.

Fazemos parte de um país que, com um Povo assim, é um facto comprovado que não irá longe!...

Por isso mesmo, queria aqui deixar o meu agradecimento especial a todos aqueles que concederam parte da sua manhã de sábado à participação nesta Causa: à UNISBEN (nas pessoas do Prof. Carlos Consiglieri e do Fausto Castelhano, os verdadeiros mentores desta "Arruada"), ao seu Grupo de Cavaquinhos e aos seus alunos; aos 9 (de um total de 72) membros do Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura, que estiveram presentes e ajudaram à concretização desta iniciativa; aos leitores e redactores do "Retalhos de Bem-Fica" (os quais tive o agradável prazer de, finalmente, conhecer!), assim como aos fãs da sua página no Facebook; aos políticos e autarca da nossa freguesia e, sobretudo, às gentes de Benfica.

Esta manhã, a nossa freguesia fez-se ouvir falar mais alto (e forte), pela defesa do seu Património e memória colectiva!
Continuemos assim, motivados e empenhados nesta Luta!



Ver mais fotografias da "Arruada pelas Vilas", aqui.





terça-feira, 13 de abril de 2010

Uma Casa...




Uma Casa transporta consigo, através dos tempos, as vivências de quem nela morou.

Numa casa, mesmo que vazia, ficam entranhados, nas paredes, os vestígios das memórias de quem ali viveu.



"Vila Ana"
Fotografia gentilmente cedida por Teresa Henrique


"Vila Ana" (2009)
Fotografia de Alexandra Carvalho





"A 'Vila Ana' ainda existe em Benfica. Foi para aqui que a minha família se mudou quando a minha avó tinha 14 anos, depois de ter vivido na Avenida Almirante Reis (antiga Avenida Dona Amélia) e no Campo Grande. Aqui decorreu o namoro dos meus avós, ela em cima encostada ao gradeamento e ele na rua, montado num cavalo branco chamado "Carrão". Aqui nasceu a minha mãe."

Teresa Henrique, in "Testemunhos"



Foi com muito agrado que, na sequência da publicação da reportagem do "DN" sobre a Vila Ana e a Vila Ventura, descobri o blog da Teresa Henrique, cuja família viveu na Vila Ana.

Dois importantes testemunhos, na primeira pessoa, a serem lidos aqui e aqui.



"Os avós da Teresa numa quinta em Benfica, vendo-se atrás a torre da Igreja de Nossa Senhora do Amparo"
Fotografia gentilmente cedida por
Teresa Henrique




"A Teresa e a sua irmã na Mata de Benfica"
Fotografia gentilmente cedida por
Teresa Henrique






segunda-feira, 12 de abril de 2010

Figuras de Benfica - 6




A Luísa Pereira (do Clube de Patchwork da UNISBEN), que tive o prazer de conhecer muito recentemente, está, actualmente, a ler o "Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa e enviou-nos, gentilmente, esta curiosa informação:



Fernando Pessoa visto por Almada Negreiros



"(...) é viajar, e para que serve viajar? Qualquer poente é o poente; não é mister ir vê-lo a Constantinopla. A sensação de libertação, que nasce das viagens? Posso tê-la saindo de Lisboa até Benfica, e tê-la mais intensamente do que quem vá de Lisboa à China, porque se a libertação não está em mim, não está, para mim, em parte alguma. "Qualquer estrada", disse Carlylé, "até esta estrada de Entepfuhl, te leva até ao fim do mundo." Mas a estrada de Entepfuhl, se for seguida toda, e até ao fim, volta a Entepfuhl; de modo que o Entepfuhl, onde já estávamos, é aquele mesmo fim do mundo que íamos a buscar. " **


(...)


"Se eu fora outro, penso, este seria para mim um dia feliz, pois o sentiria sem pensar nele. Concluiria com uma alegria de antecipação o meu trabalho normal - aquele que me é monotonamente anormal todos os dias. Tomaria o carro para Benfica, com amigos combinados. Jantaríamos em pleno fim de sol, entre hortas. A alegria em que estaríamos seria parte da paisagem, e por todos, quantos nos vissem, reconhecida como de ali.
Como, porém, sou eu, gozo um pouco o pouco que é imaginar-me esse outro. Sim, logo ele-eu, sob parreira ou árvore, comerá o dobro do que sei comer, beberá o dobro do que ouso beber, rirá o dobro do que posso pensar em rir. Logo ele, eu agora. Sim, um momento fui outro: vi, vivi, em outrem, essa alegria humilde e humana de existir como um animal em mangas de camisa. Grande dia que me fez sonhar assim! É tudo azul e sublime no alto como o meu sonho efémero de ser caixeiro de praça com saúde em não sei que férias de fim de dia." **


**
Fernando Pessoa, in "Livro do Desassossego"





"Avenida Gomes Pereira no início do século XIX"In "Benfica - A nossa Junta: Instalações, Serviços e Equipamentos",
Edição Especial da Revista "Benfica Viva" - Lisboa: Junta de Freguesia de Benfica, Julho 2005.




Casas Lisboetas onde Fernando Pessoa morou




• Largo de S. Carlos, número 4, 4 esquerdo. Desde o nascimento (1888) até 1893.
• Rua de S. Marçal, número 104, 3 andar. De 1893 a 1896. Em Janeiro de 1896 parte com a mãe para a África do Sul.
• Rua de Pedrouços (provavelmente uma das transversais, número desconhecido). Em 1901, durante férias de Verão em Lisboa. Com a mãe, o padrasto e os irmãos. De novo em 1905, quando regressa sozinho da África do Sul e vai morar com uma tia-avó.
• 1902, altura em que Avenida D. Carlos, número 109, 3 direito. Entre o final de 1901 e meados de regressa, com a família, à África do Sul.
• Rua de S. Bento, número 19, 2 esquerdo. Em 1905. Com a Tia Anica (Ana Luiza Pinheiro Nogueira, irmã da mãe).
• Calçada da Estrela, número 100, 1 andar. De Outubro a Dezembro de 1906. Com a mãe, o padrasto e os irmãos.
• Rua da Bela Vista à Lapa, número 17, 1 andar. Em 1906; de novo a partir de Janeiro de 1907 e ainda, temporariamente, em 1910. Com a avó paterna (Dionísia Estrella Seabra) e duas tias-avós (Rita Xavier Pinheiro e Maria Xavier Pinheiro da Cunha).
• Rua da Glória, número 4, r/c. Entre o final de 1907 e 1908 (?). Próximo da empresa Ibis (tipografia e editora), por si fundada, cuja existência é breve.
• Largo do Carmo, número 18, 1 esquerdo. Entre 1908 (?) e 1912. Num quarto alugado.
• Rua Passos Manuel, número 24, 3 esquerdo. Entre 1912 e 1914. Na nova casa da Tia Anica.
• Rua Pascoal de Melo, número 119, 3 direito. De 1914 a 1915. Com a Tia Anica.
• Rua da D. Estefânia, número 127, r/c direito. Entre 1915 e 1916. Em quarto alugado a uma engomadeira.
• Rua Antero de Quental, número desconhecido. Em 1916.
• Rua Almirante Barroso, número 12, sobreloja. Em 1916. Na zona anexa a uma leitaria.
• Rua Cidade da Horta, número 48, 1 esquerdo (edifício já demolido). Entre 1916 e 1917. Numa "parte da casa" alugada a um conhecido.
• Rua Bernardim Ribeiro, número 11, 1 andar. Entre 1917 e 1918.
• Rua de Santo António dos Capuchos, número desconhecido. Em 1918.
• Alto da Boavista (Benfica). Em 1919.
• Avenida Gomes Pereira, número desconhecido. Entre 1919 e 1920.

• Rua Coelho da Rocha, número 16, 1 direito. Entre 1920 e 1935.





domingo, 11 de abril de 2010

Mensagem a quem de direito...




Como poderá ser facilmente perceptível, as informações sobre as iniciativas e acções que têm vindo a ser empreendidas pelo Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura, assim como demais documentação respeitante a todo este processo, não são integralmente tornadas públicas neste blog.

Existe muito mais informação/acção que mantemos devidamente privada, face aos próprios objectivos desta nossa Luta.

Nesse sentido, gostaríamos, apenas, de esclarecer que a informação que vai sendo publicada neste blog e na página da nossa Causa no Facebook é efectuada de forma parcimoniosa, controlada e regulada por timmings, de modo a servir os nossos próprios intentos.

Muito obrigada pela atenção dispensada!




sábado, 10 de abril de 2010

Em busca de... - VIII





Fotografia de Mário Pires



Rezam as memórias de algumas pessoas que viveram há muitos, muitos anos em Benfica, que esta casa, situada nos números 580 a 584 da Estrada de Benfica (sobre a qual já falámos aqui), seria um imóvel de origem medieval.

Mas não temos nem certezas, nem confirmações sobre tal facto!...



Fotografia de Mário Pires



O Mário Pires, nosso amigo e fotógrafo aqui do "Retalhos de Bem-Fica", já a compilou no "Inventário de Imóveis"...

Mas gostávamos de saber algo mais sobre este edifício. Confirmar se é a tal casa medieval de que nos falaram, quem aqui viveu...

Quem nos pode ajudar, em busca da história desta Casa?



Actualização de 20/02/11:

O nosso amigo Pedro Macieira descobriu recentemente quem viveu nesta Casa... ler aqui.



Ver aqui outras fotografias do
"Inventário de Imóveis", em fase de elaboração pelo Mário Pires, com a ajuda de todos os que queiram contribuir.





sexta-feira, 9 de abril de 2010

O antigo Patronato Paroquial da Freguesia de Benfica





Todos os direitos reservados @ Fausto Castelhano, "Retalhos de Bem-Fica" (2010)




(por Fausto Castelhano)



O Patronato Paroquial da Freguesia de Benfica, obra emblemática da nossa Freguesia, foi um louvável projecto lançado pelo pároco Francisco Maria da Silva (prior da Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica) e que presidiu aos destinos da paróquia ao longo dos anos de 1922 a 1934.

Esta venerável instituição já foi objecto de algumas referências neste Blog e que, por vezes, tem pecado por ser pouco rigorosa. Não só quanto ao local onde estava edificado, as suas dimensões e limites, o aspecto do próprio edifício, os objectivos que presidiam ao seu funcionamento, etc., enfim, a sua história.



7 de Maio de 1950 – A Estrada de Benfica e, ao centro da foto, o edifício do Patronato Paroquial da Freguesia de Benfica. À direita, o prédio da Farmácia Marques e, à esquerda, o Laboratório de Patologia Veterinária (hoje, Laboratório Nacional de Investigação Veterinária).

Foto cedida pelo Sr. João Paulo Fontan



Eu próprio, já “botei faladura” sobre o assunto em breves intervenções no espaço livre que os "Retalhos de Bem-Fica" proporciona a todos quantos nele queiram participar.

O padre Francisco Maria da Silva era um homem mui talentoso e possuído de enorme humildade e dinamismo. Assim, além de várias obras efectuadas na própria igreja da paróquia (foram abertos nichos nas colunas entre os altares laterais, a capela-mor ficou protegida por uma teia de madeira, etc.), o pároco resolveu, no ano de 1933, alugar o prédio e toda a área envolvente situados na Estrada de Benfica, 703 e 705, mais conhecida pela Quinta do Caldas.

E, já agora e de raspão, uma curiosidade. Uma boa parte dos terrenos que constituíam esta propriedade foi, pouco tempo depois, subalugada ao Clube Futebol Benfica para aí instalar as suas instalações desportivas: o Campo de Futebol Francisco Lázaro, o Ringue de Patinagem Fernando Adrião, o campo de basquetebol (encostado ao muro da Estrada das Garridas e junto do canavial que ladeava o rio (ou caneiro, como alguns teimam em lhe chamar), as bancadas em madeira do campo de futebol, os balneários das equipas e dos árbitros, etc.



7 de Maio de 1950 – O Patronato Paroquial ao centro da foto. O muro, após o edifício principal, prolongava-se até à esquina. Depois, fazia um recanto (em ângulo recto) até aos Estabelecimentos Simões de Carvalho e, daí, continuava até à esquina da Av. Grão Vasco (como actualmente). Era aí, nesse cantinho, que existia a entrada para o Campo de Jogos do Clube Futebol Benfica através de um portão e de duas portas (uma de cada lado do portão). Para lá do muro que se observa na foto, encontrava-se o espaço de recreio das crianças do Patronato, mas os últimos metros (não mais que 10 ou 15 metros) já correspondiam ao recinto do Clube Futebol Benfica, isto é, logo que se transpunha a entrada do recinto de jogos. Era como se fosse, grosso modo, um átrio em terra batida. A fachada principal do Patronato correspondia ao lado norte da propriedade e, pelo lado sul, o Patronato estava protegido por um muro idêntico, mais baixo. Então sim, a partir daí e até ao rio (Ribeira de Alcântara), estava implantado o Campo de Jogos do Clube Futebol Benfica. Ou seja, o Campo de Jogos encontrava-se entalado entre duas barreiras: o Patronato (muro) e o rio. No sentido da largura, claro está.

Foto cedida pelo Sr. João Paulo Fontan



A notável ideia do padre Francisco Maria da Silva, uma nobre iniciativa deste bom e generoso homem seria instalar, num mesmo complexo, as obras católicas e assistenciais existentes na paróquia de Benfica, extremamente importantes no apoio a parte substancial de uma população pobre e muito carenciada de todos os meios para uma existência digna desse nome. Assim, ou por iniciativa particular, da igreja ou do Estado aparecem, aqui e ali, núcleos de auxílio às famílias desprotegidas e às suas crianças: a Creche das Fábricas Grandella, no lugar da Alfarrobeira, inaugurada em 8 de Junho de 1906 e a sua ampliação em 5 de Outubro de 1912; a “Sopa dos Pobres” que funcionou num barracão no adro poente da Igreja; a “Sopa do Sidónio” (ou “Sopa do Barroso”) da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, etc.



7 de Maio de 1950 – Estrada de Benfica - A paragem dos autocarros das carreiras 15 e 29 junto ao edifício do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária, 701 (antigo Laboratório de Patologia Veterinária e onde, em 1890, esteve instalado o Hotel Mafra). A carreira 29 tinha o seguinte percurso: Portas de Benfica, Monsanto, Montes Claros, Cemitério da Ajuda, Belém e Algés. Hoje, a carreira 29 prolonga-se até ao Bairro do Padre Cruz (1) - ver nota no fim do texto

Foto cedida pelo Sr. João Paulo Fontan



Por alvará, os estatutos do Patronato Paroquial são aprovados em 31 de Março de 1930; uma Comissão de Senhoras angaria uma elevada quantia para obras de adaptação das instalações e do arranque do empreendimento e, em 1942, já todos os organismos assistenciais que exerciam a sua valiosa actividade estavam a laborar em pleno: Patronato, creche, escola, dispensário.

E depois desta breve resenha a propósito do antigo Patronato Paroquial da Freguesia de Benfica vamos, sem demora, deitar uma olhadela a um conjunto seis fotografias, verdadeiramente notáveis, que nos foram proporcionadas pelo nosso amável conterrâneo, Sr. João Paulo Fontan obtidas, exactamente, na tarde de 7 de Maio de 1950 e que contemplam, nem mais nem menos, que o antigo Patronato Paroquial da Freguesia de Benfica: o edifício, o local…

Assim, será possível descrever com um rigor mais apurado esta tão digníssima instituição de referência da nossa Freguesia e onde, de permeio e nas legendas das fotografias, vou acrescentando alguns pormenores que o meu imaginário conseguiu reter com toda a nitidez…

Vamos, então, retornar cerca de sessenta anos, à tarde primaveril de 7 de Maio e apreciar estas verdadeiras relíquias dum passado já longínquo e da movimentação verificada no sítio em apreço.




7 de Maio de 1950 – O largo do Chafariz de Benfica das Águas Livres (onde a água corria, abundantemente, pelas duas bicas), a vendedeira de fruta com o seu triciclo, a carroça com o burro. Ao lado, o largo portão de madeira que dava entrada para um pátio de dimensões razoáveis o qual, permitia o acesso aos moradores das várias casas habitação (rés-do-chão, 1º andar e águas furtadas) e do próprio Patronato Paroquial (por uma porta lateral) por onde entravam os alunos, o pessoal de serviço, etc.
Numa sala do rés-do-chão duma dessas habitações funcionou a Secção de Escuteiros e a JOC (Juventude Operária Católica) da Freguesia de Benfica.
A porta mais pequena (a seguir ao portão), era a entrada principal do edifício por onde, mais tarde, se podia aceder ao salão do Teleclube e cujas janelas (após a porta principal) se podem observar nesta foto.

Foto cedida pelo Sr. João Paulo Fontan



No edifício principal do Patronato Paroquial que estamos a descrever, também funcionou uma Escola Primária (para meninos e meninas), uma secção de pré-primária e, desde 1955, um jardim infantil entre os 3 e os 6 anos. No ano lectivo de 1946/47, eu próprio e o meu irmão Carlos, frequentámos a Escola Primária do Patronato Paroquial durante a primeira classe com a excelente professora Maria Helena Bento.



7 de Maio de 1950 – Outro aspecto do Patronato Paroquial e das suas imediações

Foto cedida pelo Sr. João Paulo Fontan



Mais tarde, no início das emissões de Televisão da RTP1 com origem do Centro Emissor de Monsanto (23 de Março de 1957), e por feliz iniciativa do pároco Álvaro Proença (e a colaboração, certamente, de outros paroquianos) funcionou, no salão do rés-do-chão (o antigo refeitório da escola), um Teleclube. Assim, mediante o pagamento de uma pequena quota, os associados podiam assistir aos programas que a RTP nos enviava através das ondas hertezianas.

Eu próprio tive uma ligação muito afectiva a esta respeitável instituição. A Escola Primária (na 1ª Classe), os Escuteiros (por escasso tempo. Depressa me apercebi que não fazia parte daquele filme); a JOC (Juventude Operária Católica) embora, ao tempo, fosse estudante, mas o padre Álvaro Proença nunca viu com “bons olhos” as reuniões daqueles jovens…Com alguma razão…(a maioria já estava inserida no mundo laboral e, os problemas com que se defrontavam, no dia a dia, nos seus locais de trabalho eram, ali, abertamente debatidos); o Teleclube, de que fui um dos associados.

Este respeitável edifício não resistiu à onda avassaladora do cimento armado dos inícios dos anos 60 do século XX. A vaga foi de tal ordem que, de alto a baixo transfigurou, de um modo irreversível, a nossa Freguesia restando, apenas, pequenos núcleos do antigo povoado.
À data da sua demolição, a velha instituição da paróquia ainda albergava, em regime de semi-internato, uma centena de crianças.



7 de Maio de 1950 – Prédio da esquina da Estrada de Benfica com a Rua dos Arneiros (antiga Travessa dos Arneiros). Por acaso, ainda lá está, inteirinho e remodelado depois de sofrer obras de conservação. Então, vamos lá identificar este imóvel…Mesmo à esquina, era a taberna do Sr. João com uma entrada pela Estrada de Benfica, 648 C (a entrada principal fazia-se pela Travessa dos Arneiros, 2 (actualmente, Rua dos Arneiros); depois, a janela que dava para uma salinha onde se jogavam os matraquilhos; a porta com o número 648 B é o barbeiro e, logo após, a entrada do prédio, 648 A. A Farmácia Marques, com as duas montras a ladear a porta, vem logo a seguir.

Foto cedida pelo Sr. João Paulo Fontan



1947 - Chafariz de Benfica das Águas Livres e que proporcionava o abastecimento de água à população da Freguesia de Benfica quando a água (potável) jorrava pelas duas bicas. Nesse tempo, os cantoneiros da Câmara Municipal de Lisboa mantinham o chafariz (regularmente e com todo o desvelo) limpo, asseado, em perfeitas condições higiénicas. No Verão, o tanque era a piscina dos meninos pobres da nossa freguesia. A garotada atirava-se lá p’ra dentro, nus ou em cuecas… Porém, e sem tempo para reagir, um conhecidíssimo actor de teatro e das telenovelas da nossa praça, também mergulhou no tanque… mas todo aperaltado… Tal e qual! O “Calminhas” tinha os seus “repentes”. Era daqui, também, que à noite “cuscávamos” a Grega, que habitava o 1º andar, por cima da Farmácia Marques. Um pormenor: para lá dos prédios que se observam na imagem, ficava o campo de jogos do Clube Futebol Benfica.

Foto de Fernando Martinez Pozal (1947), in Arquivo Municipal de Lisboa



Agora, sessenta anos volvidos, vamos regressar ao presente e observar as alterações que, entretanto, aconteceram no local onde existia o Patronato Paroquial da Freguesia de Benfica.



Abril de 2010 – O espaço (a partir do largo do Chafariz, à esquerda) que correspondia à antiga propriedade do Patronato Paroquial de Benfica e ao seu prolongamento até à esquina da entrada do Campo de Jogos do Clube Futebol Benfica. Actualmente, essa enorme fatia de terreno inclui várias urbanizações que se prolongam até ao jardim do Bairro de Santa Cruz e que ocuparam as áreas do antigo Patronato Paroquial (os anexos e recreio), o Campo Francisco Lázaro, o ringue de Patinagem Fernando Adrião, o rio (Ribeira de Alcântara) e a “Metalúrgica de Benfica”. Entre este bloco de apartamentos e a outra urbanização por detrás desta (que corresponde, sensivelmente à antiga “Metalúrgica de Bemfica”), fica a Rua da República Peruana. Por aí passava o rio (Ribeira de Alcântara) que, na década de 60 do século passado, foi encanado.

Foto de Fausto Castelhano



Abril de 2010 – O velho Chafariz de Benfica da Águas Livres de Benfica – A água, e já lá vão muitos anos, deixou de jorrar pelas suas bicas. O seu aspecto é, realmente, bastante degradante. O tanque, a antiga piscina das crianças pobres da nossa freguesia, foi adulterado. Uma verdadeira lástima…

Foto de Fausto Castelhano



Abril de 2010 – A fachada principal do prédio da Estrada de Benfica, 248. A partir da esquerda: o Restaurante “O Chafariz, o cabeleireiro de homens “Freixinho”, a entrada do edifício e a Farmácia Marques. Este edifício sofreu obras de beneficiação, o que muito o valorizou.

Foto de Fausto Castelhano



Abril de 2010 – O bonito edifício da esquina da Estrada de Benfica, 648 com a Rua dos Arneiros, 2. As janelas de guilhotina, as belíssimas e bem lançadas águas-furtadas e as varandas em ferro forjado (um pormenor importante). A taberna do Sr. João também se actualizou. Actualmente, é o Restaurante “O Chafariz”.

Foto de Fausto Castelhano



Abril de 2010 – A Farmácia Marques mantém-se, mas modernizou-se. As portas e as janelas de madeira foram substituídas pelas incaracterísticas estruturas em alumínio O barbeiro acompanhou os novos tempos. Agora, dá pelo nome de “Freixinho”, cabeleireiro de homens. No 1ºandar sobre a Farmácia Marques morava a “Grega”, uma senhora muito bela e cujos atributos físicos eram, efectivamente, de “parar o trânsito”.

Foto de Fausto Castelhano




Abril de 2010 – O magnífico prédio do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária e onde existia a paragem dos autocarros da Carris das carreiras 15 e 29.

Foto de Fausto Castelhano



Abril de 2010 – O Edifício do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (antigo Laboratório de Patologia Veterinária e onde esteve instalado o Hotel Mafra no final do século XIX) na esquina da Estrada de Benfica com a Estrada das Garridas e junto ao Chafariz das Águas Livres de Benfica.

Foto de Fausto Castelhano




O novo Centro Paroquial de Benfica


Entretanto, e já em 1956, teve início o peditório para a construção dum novo Centro Paroquial no adro poente da Igreja de Nossa Senhora do Amparo (local onde existiu, até 1880, o cemitério da Freguesia de Benfica) e que se encontrava ao abandono desde à muitos anos. Pelo meio do extenso matagal em que se tinha transformado o adro, ainda se encontravam as ruínas do antigo coreto, o tal da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica.

Após inesperadas vicissitudes relacionadas com o projecto inicial e que sofreu várias alterações ao longo de alguns anos (o Gabinete de Urbanização da Câmara Municipal de Lisboa rejeitou três projectos já que, prendia edificar um Jardim público no espaço do adro poente da igreja), a construção da primeira fase do empreendimento arrancou “em força” no ano de 1958 depois de corrigidos e aprovados alguns pormenores do projecto (o lado fronteiro sobre a Estrada de Benfica, devia ficar livre) e, nos inícios do ano de 1959, finalmente, a empreitada teve o seu termo num tempo relativamente curto.



Abril de 2010 – Um aspecto da fachada das lojas do adro poente depois da remodelação de que foi alvo na década de 60 do século XX. Estas portas correspondiam ao café/pastelaria “Adega dos Ossos”.

Foto de Fausto Castelhano



Abril de 2010 – O adro poente da Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, as lojas e parte dos edifícios do Centro Paroquial de Benfica. No espaço deste adro e até 1880, estava instalado o antigo cemitério da Freguesia de Benfica.

Foto de Fausto Castelhano



É um belo complexo que muito engrandeceu a Paróquia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica: residência paroquial destinada ao pároco e a mais dois coadjutores, Cartório Paroquial, salas para reuniões, Secretariado Paroquial e uma grande sala-roupeiro e de costura para os pobres, seis salas de aulas seriam ocupadas no ensino da catequese, gabinete para a Assistência Social, salão-biblioteca, sala-cartório da Irmandade de Nossa Senhora do Amparo e uma outra destinada à Irmandade do Santíssimo Sacramento etc.

Todavia, havia que dar continuidade ao exaltante cometimento. Assim, o peditório continuou com o objectivo da construção da 2ª fase do Centro Paroquial. Em 29 de Maio de 1963, teve início a construção do segundo pavilhão e da total reestruturação da frente do adro poente e das respectivas lojas que aí estavam instaladas.



Abril de 2010 – Um aspecto do Centro Paroquial de Nossa Senhora do Amparo.

Foto de Fausto Castelhano



A questão da propriedade dos adros da Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica tem uma história bastante atribulada e que se arrastou durante larguíssimos anos, segundo os registos do padre Álvaro Proença (in "Benfica através dos tempos"). De facto, e depois da mudança de regime político no nosso país em 1910, a Irmandade do Santíssimo Sacramento viu-se espoliada da propriedade dos adros em 1914 e, o próprio Ministério da Justiça resolveu conceder, a uma Sociedade Comercial, a fachada do adro poente para aí construir e instalar um conjunto de lojas.



A Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica, a escadaria do lado poente e a Adega dos Ossos com o toldo (logo ali, à nossa espera).

Foto de Judah Benoliel (195..), in Arquivo Municipal de Lisboa



Porém, em 1938, a Irmandade conseguiu que uma sentença do tribunal lhe fosse favorável na reivindicação da posse dos adros da Igreja de que havia sido espoliada uns bons anos antes.
Em 1940 e através da Concordata estabelecida entre a Santa Sé e o governo de então, a Igreja alcançou, finalmente, o que à tanto tempo almejava: o reconhecimento definitivo da posse “em uso e administração” dos adros e da Igreja.

Mas esta querela não ficou por aqui. Seguiu-se um longo pleito judicial com a Sociedade Comercial que ocupara, com as suas lojas, uma boa parte do adro poente. Mais tarde, e interpretando as boas razões da Irmandade do Santíssimo Sacramento nas suas pretensões, o Tribunal marcou o ano de 1960 como a data definitiva em que as lojas teriam de ser removidas do local e onde exerciam a sua actividade comercial.

Esta data, bate certo com o registo do meu imaginário no que se refere à “Adega dos Ossos”. Em 1958 e 1959, ainda frequentava (e os meus amigos) o tão falado café/pastelaria e aí se namoriscava. Esperavam-se as namoradas ao fundo da escadaria do lado poente da Igreja, após a missa das 11:00 horas… A “Adega dos Ossos”estava, logo ali, à nossa espera…



Abril de 2010 – Parte do complexo do Centro Paroquial de Nossa Senhora do Amparo de Benfica.

Foto de Fausto Castelhano




A 2ª fase da construção do Centro Paroquial, ficou concluída em 1964. O novo pavilhão tem entrada pela Rua Ernesto da Silva a qual, dá acesso ao Centro de Caridade. Inclui sala de espera onde seriam servidas refeições volantes a crianças pobres. O refeitório tem capacidade para cerca de 150 pessoas. A escadaria do lado poente dá acesso ao óptimo Salão Paroquial, com palco, 360 lugares sentados e apetrechado com aparelhagem de som e projecção de imagem.

Nos dias de hoje, o Centro Paroquial desenvolve uma excepcional obra social digna de todos os encómios, prestando assistência às famílias mais carenciadas da nossa Freguesia.
Engloba importantes sectores, além doutros: Centro Social (Creche, Jardim Infantil, Actividades de Tempos Livres, Apoio domiciliário, Serviço dos Pobres, Dispensário Médico e Farmacêutico);
Sector Litúrgico (Acólitos e Meninos de Coro, Irmandade de Nossa Senhora do Amparo, Irmandade do Santíssimo Sacramento); Sector de Evangelização.

E pronto… Espero ter contribuído, de alguma forma, face às fotos que me foram cedidas pelo Sr. João Paulo Fontan (a quem expresso os meus agradecimentos), a um melhor conhecimento do antigo Patronato Paroquial de Benfica e ao sítio onde se encontrava implantado. Não sei se consegui esse desiderato.

Fausto Castelhano





(1) O bairro do Padre Cruz foi construído entre os anos de 1959 e 1960 com o objectivo de realojar a população afectada por obras de renovação urbanística da cidade de Lisboa e que eram oriundos de diversos locais, nomeadamente, dos moradores da Quinta da Calçada os quais, foram desalojados dum núcleo de habitações que ali existiam aquando da construção da Cidade Universitária.
Porém, ao longo dos anos, o Bairro do Padre Cruz foi crescendo com o realojamento de populações doutros lugares como, por exemplo, habitantes do Bairro de Alcântara devido à construção da Ponte 25 de Abril (antiga Ponte Salazar) sendo, nos dias de hoje, considerado o maior Bairro Social da Península Ibérica.







quarta-feira, 7 de abril de 2010

LEMBRETE: 1º Jantar do "Retalhos de Bem-Fica"





Sábado (24/04/10), 19h30

Restaurante "Córsega"
Estrada Benfica 717-A/B,
1500-088 LISBOA
(junto à Pastelaria "Nilo")

Tel. 217 604 415




No final de Fevereiro, lançámos aqui o repto aos nossos redactores, amigos, leitores, membros do Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura (e a todos os outros habitantes de Benfica ou de outras freguesias e concelhos) que se juntassem a nós no 1º Jantar do "Retalhos de Bem-Fica".

A iniciativa de organizarmos este jantar prende-se com as sugestões que vinham sendo avançadas por diversas pessoas e, também, com a comemoração do 1º aniversário deste nosso blog, cada vez mais comunitário... E, sobretudo, porque como dizia, um destes dias, o Domingos Estanislau, "Esta comunidade tem que se conhecer melhor. Tem que estabelecer laços. Tem que ter melhores afectos."

Agradecemos a todos os que já se inscreveram neste nosso 1º Jantar do "Retalhos de Bem-Fica" e como temos que efectuar a reserva de mesa num dos restaurantes sugeridos pelo Fausto Castelhano ("Solar do Louro" na Buraca ou o "Restaurante de Montes Claros" em Monsanto), pedimos a todos os que também queiram estar presentes neste simpático momento de confraternização, que nos enviêm, até dia 17/04/10, um e-mail para palavraseimagens@gmail.com, indicando o seu nome, se levarão acompanhante/s ao jantar e qual a sua ligação a Benfica e/ou a este blog (esta última questão é, apenas, por curiosidade e para irmos conhecendo um pouco melhor quem por aqui passa).





terça-feira, 6 de abril de 2010

Arqueologia Industrial/Rural na Freguesia de Benfica





Todos os direitos reservados @ Fausto Castelhano, "Retalhos de Bem-Fica" (2010)




(por Fausto Castelhano)



As nossas andanças pelos caminhos rurais do passado…




Caminho rural do passado. Vamos à nora…



A nora! Ainda lá está…



Coluna com inscrição…



Já lá vão 91 anos…Uma bonita idade…



Os maquinismos…



Oratório? Cruzeiro? Mistério…



O sistema de rodas dentadas…



O tambor por onde giravam os alcatruzes…que já se foram há muito, muito tempo…



A vegetação vai vencer a nora…e derrubá-la…



O poço…Uma farturinha de água… A figueira nasceu na parede interior do poço e… dá figos…Outro mistério…




Nota: A nora é um engenho utilizado para retirar água dos poços ou cisternas e é constituído por uma roda com pequenos reservatórios que se denominam de alcatruzes.

De certo modo, as noras vieram substituir as picotas e as cegonhas que, segundo os entendidos nesta matéria, foram introduzidas na Península Ibérica pelos árabes.

O maquinismo é constituído por haste horizontal que está acoplada a eixo vertical. Este, por sua vez, está ligado a um sistema de rodas dentadas. Esta engrenagem faz circular um conjunto de alcatruzes entre o fundo do poço e a superfície exterior. Os alcatruzes vão descendo vazios até mergulharem na água e, rodando, regressam cheios. Quando atingem a posição mais elevada começam a verter a água numa calha que a conduz ao seu destino. O ciclo de ida e volta dos alcatruzes para tirar a água do poço mantém-se enquanto rodar a haste vertical e o poço tiver água.

Tradicionalmente, as noras são engenhos de tracção animal.



(Todas as fotografias de Fausto Castelhano - 2010)