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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Notícias sobre a Obra do Sr. Grandela (1)




Já falámos, detalhadamente, neste blog sobre a obra de Francisco Grandela, sobejamente associada à freguesia de São Domingos de Benfica, assim como ao bairro construído para os operários que laboravam na sua fábrica.

Hoje, gostaria de vos deixar com algumas fotografias (datadas de 1980) e 4 artigos que espelham bem a importância do Bairro Grandela, assim como dos equipamentos sociais nele criados por Francisco Grandela.


A divisa: "Sempre por bom caminho e segue"
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



Um artigo relativo à inauguração da Creche do Bairro Grandela, e como se desenvolvia o trabalho da mesma...


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Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



Artigo onde se enaltecem as qualidades e importância do Bairro Grandela enquanto habitação operária...



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A antiga "Casa-Mãe" (Grandela) era no primeiro andar deste prédio
(o qual, posteriormente, foi, durante muitos anos, a "Esquadra de Benfica")
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



"No desejo de, por todas as formas, se estimular o pessoal e provar-se-lhe que é tido na mais alta consideração, resolveu o chefe da casa proporcionar-lhe um bairro modelo, uma verdadeira avenida, um mimo de arte, elegancia e conforto e onde cada qual possuisse uma propriedade sua em que vivesse e a qual lhe traduzisse todo o bem estar e o predispozesse para a alegria e lhe desse forças para luctar mais energicamente pela vida."


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A escola e a creche em 1980
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



Um magnífico artigo de 1912, onde se descreve pormenorizadamente a forma como o Bairro Grandela estava organizado...


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A casa oferecida pelo Sr. Grandela ao seu amigo Afonso Costa
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



Plantas do Bairro Grandela...


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O apeadeiro de São Domingos de Benfica
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)





Todas as fotografias e artigos utilizados neste post encontram-se disponíveis em:

"Uma perspectiva sobre a questão das 'Casas baratas e salubres' (1881-1910)"
Trabalho de Luísa Teotónio Pereira para a cadeira de 'História Contemporânea de Portugal' (1980)







Instantâneos: Passado - Presente (2)



3 primeiras fotos a preto e branco de Arquivo Municipal de Lisboa
Todas as restantes fotografias a preto e branco de Luísa Teotónio Pereira
Fotografias a cores de Alexandra Carvalho






Por último, gostaria de aqui deixar um agradecimento muito especial a Luísa Teotónio Pereira, que, em Janeiro de 2010 (quando nos encontrámos pela primeira vez), generosamente, me emprestou este seu trabalho para divulgação no "Retalhos de Bem-Fica".

Desde esse primeiro encontro, no início deste ano, a Luísa tem sido uma das pessoas que mais me tem auxiliado no que diz respeito à Causa pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura: foi ela a mentora da criação do nosso Movimento de Cidadãos e é, sem dúvida alguma, ela que, com os seus sábios conselhos e apoio prático (praticamente diário), me tem acompanhado mais de perto nesta Luta.

A Luísa Teotónio Pereira e ao seu Pai, o meu muito obrigada!





domingo, 22 de novembro de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

Biblioteca Museu República e Resistência








A Biblioteca Museu República e Resistência encontra-se, desde 1993, instalada no edifício da antiga Escola Primária do Bairro Grandela; dedicando-se, ao estudo e à investigação da História Contemporânea Portuguesa, em permanente articulação com as Universidades e as Associações Culturais.

Devido ao acréscimo do seu espólio, assim como à multiplicidade de iniciativas que dinamiza, tornou-se necessário ampliar o espaço disponível para esta Biblioteca, possuindo a mesma outro espaço no Bairro Social do Rêgo, junto à Av. das Forças Armadas (onde foram instaladas uma área destinada a exposições, três espaços para leitura, um anfiteatro com cerca de 80 lugares, um cyber-café, um restaurante, uma mini-loja e gabinetes para a administração e serviços).






Da última vez que estivéramos no Bairro Grandela, o espaço da Biblioteca Museu República e Resistência encontrava-se completamente enfaixado de lonas de obras.

Foi por isso com muito agrado que, esta manhã, nos apercebemos que as obras, finalmente, terminaram e que a Biblioteca já tem na porta o seu novo horário de Verão.

Numa freguesia tão populosa como a de Benfica, é, verdadeiramente, lamentável que algumas promessas não tenham sido cumpridas, que outras infraestruturas não tenham sido re-aproveitadas enquanto equipamentos culturais para a população e que os moradores continuem a ter que se deslocar à freguesia vizinha em busca de um pouco de cultura!...







sábado, 14 de março de 2009

Bairro Grandela






Fotografia disponível in IPPAR




A fundação e construção do Bairro Grandela está ligada ao desenvolvimento industrial da cidade de Lisboa entre meados do século XIX e as primeiras décadas do século XX, e o consequente crescimento social que daí adveio.










Construído por iniciativa de Francisco de Almeida Grandela, entre 1902 e 1904, na antiga Quinta dos Loureiros (junto à Estrada de Benfica e à ribeira de Alcântara), o bairro destinava-se à habitação dos operários e empregados da Sociedade Algodoeira do Fomento e dos Armazéns e Fábricas Grandela.

Este complexo encontra-se estrategicamente colocado junto à linha férrea (facilitando a circulação de pessoas e mercadorias) e à ribeira de Alcântara, que então corria a céu aberto. Saliente-se que, nos finais do século XIX, quando Francisco Grandela adquiriu a propriedade (limitada pela Estrada de Benfica e pela linha de caminho-de-ferro), esta era ainda uma área periférica, de características rurais, marcada pela existência de hortas, quintas e casas de veraneio de famílias abastadas.







O bairro, terminado em 1910, é constituído por um conjunto de 70 habitações, dispostos em dois grandes corpos edificados que formam igual número de quarteirões.

Estes corpos dividem-se em dois pisos, nos quais a habitação superior tem acesso directo à rua através de escada com alpendre.








Numa outra zona dos quarteirões foram edificadas as moradias unifamiliares, destinadas a alojar funcionários hierarquicamente superiores (os encarregados da fábrica).

No topo de cada um destes blocos, foram construídos dois edifícios de grandes proporções, cuja fachada é precedida por escadaria, possuindo pórtico apoiado em seis colunas, com frontão decorado com a insígnia de Francisco Grandela: "Sempre Por Bom Caminho e Segue".
Estes espaços estavam destinados primitivamente à escola primária e à creche dos filhos dos operários da Fábrica Grandela.







Na viragem do século, os Armazéns Grandela, com as suas 40 secções, ofereciam ao consumidor uma larga variedade de artigos acessíveis a todas as bolsas.
Os grandes armazéns democratizaram o comércio da moda, pouco a pouco impuseram ao conjunto da população os seus modelos de vestuários, os seus gostos através de campanhas de publicidade, nomeadamente dos catálogos.

No Bairro Grandela também muitas famílias, especialmente as mulheres que durante o dia trabalhavam na fábrica, faziam serão nas suas casas, à luz do candeeiro de petróleo, costurando as peças que já traziam talhadas das oficinas.








O Bairro Grandela encontra-se abrangido na Zona Especial de Protecção (ZEP) do Património da "Quinta do Beau-Séjour / Quinta das Campainhas", sendo, também, Património Técnico-Industrial Classificado desde 1984.








O Bairro Grandela perdeu há muito tempo as suas funções iniciais; persistindo ainda, todavia, muitas formas de vida e de partilha comunitária naquele espaço.







Ver mais informação sobre os pátios e vilas operárias na cidade de Lisboa aqui.

Sobre Francisco Grandella consultar:
A.A.V.V. – Grandela e o Comércio de Lisboa: As inovações numa sociedade tradicional, in "Grandella", Maria Goretti Matias, CML, 1994