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segunda-feira, 10 de junho de 2013

A Quinta dos Lilases (o fascínio da casa encantada)





Todos os direitos reservados @ Fausto Castelhano, "Retalhos de Bem-Fica" (2013)



(por Fausto Castelhano)



O fascínio pela esbelta e tão singular casa encantada da Quinta dos Lilases permaneceu incólume no nosso imaginário transcorridas que foram tantas e tantas décadas, quando em criança e pela primeira vez, vislumbrámos o encantador edifício que logo nos impressionou sobremaneira e, a partir desse tempo já bastante recuado, exerceu sempre uma irresistível atracção que jamais se desvaneceu com o rolar dos anos…


O singular edifício de arquitectura romântica dos finais do século XIX e princípio do século XX da Quinta dos Lilases. 
(Foto de “Um olhar sobre o Património” dos alunos da Escola Secundária Seomara da Costa Primo) 


Chalé de arquitectura romântica edificado na transição dos séculos XIX e XX, a esplêndida silhueta pontiaguda da sedutora mansão destacava-se por entre as ramagens de árvores ornamentais ou de fruto, arbustos e flores da Quinta dos Lilases.


A Quinta dos Lilases desenvolvia-se em vários patamares a partir da Estrada Militar ou Estrada da Circunvalação (situada a um nível bastante superior) e a Estrada dos Salgados.
Foto de Fausto Castelhano (2012) 


Qual seria a agradável sensação de usufruir de uma tal moradia que logo nos desvanecia quando a mirávamos ao longe e dando-nos a imediata percepção de emergir d’um verdadeiro conto de fadas?


Estrada Militar (Estrada da Circunvalação) sobranceira à Quinta dos Lilases e bastante próximo do cruzamento da Calçada do Tojal / Estrada dos Salgados. 
Foto de Fausto Castelhano (1996) 


Herdade bastante antiga de média dimensão, a Quinta dos Lilases desenvolvia-se em patamares entre a Estrada dos Salgados e os taludes de protecção da Estrada Militar (Estrada da Circunvalação), cujo trajecto acompanhava os altos e robustos muros do Cemitério de Benfica) situada a um nível bastante superior em relação à área da propriedade…


Mós de azenha da Quinta dos Lilases adaptados em degraus de escadarias ou mesas de habitação anexa na propriedade. 
(in “Um olhar sobre o Património” dos alunos da Escola Secundária Seomara da Costa Primo) 


Supõe-se que, em tempos bastante remotos, a Quinta dos Lilases teria acolhido na sua superfície uma azenha movida, provavelmente pela correnteza duma linha d’água que atravessava o espaço da herdade ou moinho de vento tão tradicional na região saloia, uma vez que foram descobertas ruínas de estrutura edificada e várias mós em pedra que, mais tarde, foram adaptadas a degraus de escadarias e mesas de habitação anexa.



Extracto da Carta Militar de 1.949 do Instituto Geográfico do Exército. Quinta dos Lilases (amarelo/tracejado). Cruzamento do Caliça (1); Estrada dos Salgados (2); Estrada Militar/Estrada da Circunvalação (3); Calçada do Tojal (4); Rua Cláudio Nunes (5); Rua dos Arneiros, antiga Travessa dos Arneiros (6); Estrada dos Arneiros (7). 


O portão de entrada da herdade localizava-se no começo da Estrada dos Salgados (lado direito) ou seja, no prolongamento do termo da Calçada do Tojal e após o cruzamento com a Estrada Militar ou Estrada da Circunvalação, local conhecido por “Sítio do Caliça” ou “Cruzamento do Caliça” (1), o qual, ainda na década de 40 do século XX, continuava sob vigilância militar, embora já bastante atenuado, exercido por elementos do Regimento de Engenharia 1 aquartelados na Pontinha, mormente sobre o trânsito rodoviário.


Oliveiras da antiga Quinta dos Lilases.
Foto de Fausto Castelhano (2012) 


Próximo, precisamente no lado esquerdo da Estrada dos Salgados (2) existiu o famoso Retiro do Caliça, um dos locais históricos onde o Fado se assumia como atractivo incontornável (além de saborosos petiscos e vinhos das melhores procedências e sobretudo, animação a rodos e saudável convívio), a par dos Retiros das “Pedralvas”, o conceituado “Ferro de Engomar” (Cruz da Pedra) e “O Bacalhau” (à entrada da Venda Nova) e, acima de todos e a muito larga distância, o chiquérrimo “Charquinho”.


Terrenos e algumas oliveiras da antiga Quinta dos Lilases. Em segundo plano, os prédios de Alfornelos, Urbanização da Colina do Sol. 
Foto de Fausto Castelhano (2012) 


A abundância de água de nascente e poços abertos nos férteis solos da propriedade, encaminhada através de um sistema bem elaborado e eficaz de regueiras, canais e tanque de retenção de água em pedra trabalhada, proporcionava a irrigação de exuberante horta onde se cultivavam variadas espécies de leguminosas, além de árvores de fruta, olival e uma modesta área de milho de regadio. A população das redondezas beneficiava grandemente dos produtos produzidos na Quinta dos Lilases e abastecia-se directamente no próprio local.



A via rápida CRIL/IC17 esventrou totalmente o espaço onde estava implantada a Quinta dos Lilases.
Foto de Fausto Castelhano (2012) 


A plantação de flores de esmerada qualidade e sempre com clientela segura, tirando partido da proximidade do Cemitério de Benfica quando, regularmente, amigos e familiares visitavam os entes queridos ali sepultados resultava, também, numa óptima fonte de rendimento.


Actualmente irreconhecível, local onde existiu a encruzilhada da Estrada Militar com a Estrada dos Salgados, o “Sítio do Caliça".
Foto de Fausto Castelhano (2012) 


Os proventos da herdade completavam-se, ainda, tanto na venda de leite proveniente de vacas leiteiras, como de ovos, criação de bico (patos e galinhas) e coelhos, fruta, etc. A engorda de suínos para uso exclusivo ou ainda destinada a abate para consumo geral, assegurava um certo desafogo aos detentores ou arrendatários da propriedade.



Renque de oliveiras da antiga Quinta dos Lilases.
Foto de Fausto Castelhano (2012) 


Varridas da paisagem rural da Alfornelos nos primórdios do século XXI, freguesia na qual estava integrada, a Quinta dos Lilases e a bela casa encantada deixaram de existir: demolidas, trituradas e engolidas pela brutal e avassaladora invasão da CRIL/IC17, o soberbo panorama que dali se avistava e que tanto nos extasiava o olhar, esfumou-se num ápice e encontra-se irreconhecível.


Panorâmica de Alfornelos e arredores obtida d’um local que desapareceu com a construção da CRIL/IC17.
Foto de Fausto Castelhano (2007)


E nem o marco geodésico que encimava uma das colinas de Alfornelos (e onde o João Tomás se empoleirou) logrou escapar ao avanço da CRIL/IC17.
Foto de Fausto Castelhano (2007)



Uma das últimas imagens da paisagem rural de Alfornelos antes da construção da CRIL/IC17. 
Foto de Fausto Castelhano (2000) 


Alertado in extremis presenciei, absolutamente impotente e coração despedaçado na companhia de alguns bons amigos, a mais um dramático acontecimento que não deixou ninguém indiferente.



O encantador chalé da Quinta dos Lilases, recentemente destruído na sequência da construção da CRIL/IC17. 
Foto do Blogue AlunosSeomara 


Actualmente restam, apenas, alguns espaços dispersos da antiga Quinta dos Lilases e meia dúzia de oliveiras… Não obstante, e agora num cenário profundamente alterado, basta cerrar os olhos por alguns momentos e um pouco de concentração mental, que logo se projectam, geradas num qualquer ponto da massa cerebral, os contornos nítidos do mítico local que a vertigem do tempo apagou do horizonte…



O núcleo populacional da Freguesia de Alfornelos (Colina do Sol) transformado numa ilha cercada de vias rápidas por todos os lados: a célebre Montanha Russa de Alfornelos.
Foto Wikipédia


Assim, acautelados por manhosos estudos de impactos ambientais e projectos de rodovias absolutamente absurdos e alterados a belo talante pelas entidades (in) competentes e quejandos, a Freguesia de Alfornelos acordou subitamente conspurcada e convertida numa autêntica ilha cercada por um emaranhado de vias rápidas por todos os lados…Viadutos e desvios, escadas e escadinhas, túneis ou valas a céu aberto, curvas e contracurvas, rotundas perigosas em que o trânsito rodoviário, em determinadas horas de ponta, se tornou caótico na barafunda do sobe-e-desce num circuito arrepiante onde os múltiplos acidentes diários são uma constante assustadora: a já célebre Montanha Russa de Alfornelos… 




Alfornel, Alfornelos 


Os registos da presença humana no lugar de Alfornelos (Alfornel) perdem-se no tempo, nomeadamente desde a conquista da cidade de Lisboa no ano de 1147 aos mouros e quando os “moçárabes” (e os “mouros forros”, através de “foral” de 1170) puderam continuar a viver nas terras do Termo. 

É muito provável que o nome de Alfornelos (Alfornel) tenha a sua origem no espaço essencialmente rural onde está inserido (e onde o cultivo de cereais predominava), o qual provém da expressão moçárabe Al-Forner, que significa forneiro, aquele que coze pão. 

Existe documentação, pelo menos desde 1220, e que refere o lugar de Alfornel (Alfornelos) como fazendo parte da Freguesia de Benfica, tal como sucede n’algumas anotações relativas aos séculos XIV, XV e XVI. 

O cura João Lima em 1680 também menciona a localidade e, no ano de 1712, o padre António Carvalho da Costa descrevia os vários lugares que compunham a Paróquia de Benfica nestes termos:  “…Bom Nome, Correia, onde estão duas casas que lhe chamam da Costa, Alfornel, Penedo que é um casal que fica no alto do mesmo lugar”… E um pouco mais à frente, o padre António Carvalho da Costa continua: “E da banda esquerda, vindo da Porcalhota para a igreja, fica a Venda Nova, e da mesma parte outra quinta que chamam o Salgado, e junto a ela estão umas casas que chamam Montinel; e caminhando-se para a igreja, antes de chegar a ela, estão duas casas, que chamam de Vale de Tereza, e defronte outras duas que chamam o Tojal”

Em 1758, também o cura João da Matta faz especial referência ao lugar de Alfornel (Informação paroquial arquivada no Dicionário Geográfico, Vol.VI, a fls. 661). Segundo os registos do Livro das Almas da Paróquia de Benfica, o número de fogos existentes em Alfornel evoluíram do seguinte modo: 1703 (12); 1790 (17); 1834 (11); 1856 (9); 1884 (9).

Com a Reforma Administrativa de 1855 e os novos limites da Cidade de Lisboa, as povoações situadas além da Estrada Militar (Estrada da Circunvalação (extra/muros), serão absorvidos por concelhos vizinhos. Assim aconteceu com o lugar de Alfornelos: será integrado nos concelhos de Oeiras (1885), Sintra (1895) e em 1898, novamente, Oeiras até ao dia 11 de Setembro de 1979, aquando do nascimento do Concelho da Amadora, onde ficará incluído na área da Freguesia da Brandoa composta pelos seguintes aglomerados populacionais: Brandoa, Azinhaga dos Besouros, Casal de Alfornelos, Rua de Alfornelos, Urbanização de Alfornelos (Colina do Sol), Quinta da Lage e Bairro 11 de Março.




Brasão de Armas da Junta de Freguesia de Alfornelos. 
(in site da Junta de Freguesia de Alfornelos) 



Em 1911, o lugar de Alfornel (Casal de Alfornel) já se encontrava ocupado por 32 habitantes, facto que poderá ser considerado o primitivo núcleo urbano do local. Pouco a pouco, o espaço rural (áreas de cultivo de cereais e quintas), vai sendo substituído por diversas habitações. Assim, nas últimas quatro décadas assiste-se a um incremento massivo na construção de prédios de habitação onde residem, actualmente, um número superior a 10.000 habitantes. 

O lugar de Alfornelos adquire autonomia administrativa apenas em 1997, com a criação da Freguesia de Alfornelos e resultou da cisão de parte do território da Freguesia da Brandoa. No plano geográfico, Alfornelos encontra-se situado nos limites do Concelho da Amadora e encontra-se confinado com os concelhos de Lisboa e Odivelas. 

Alfornelos, cujo principal aglomerado populacional é conhecido por Colina do Sol (designação dada pelo construtor da urbanização), alberga no seu espaço territorial várias instituições e equipamentos dignos de menção, além de zonas verdes, tais como jardins, praças ou pracetas: O Centro Social e Paroquial e a respectiva Igreja; o Centro de Saúde que permite o atendimento, mais próximo da comunidade; Escolas; Equipamentos Colectivos Desportivos e Culturais onde se destaca o Auditório de Alfornelos (Teatro Passagem de Nível); Esquadra de Polícia de Segurança Pública e edifício da Junta de Freguesia com os respectivos serviços de apoio aos cidadãos. Aberta ao público em 15 de Maio de 2.004, a Freguesia de Alfornelos é servida pela Linha Azul do Metropolitano de Lisboa com estação própria localizada entre as estações da Pontinha e Amadora-Este (Falagueira). Várias carreiras de Transportes Públicos da LT interligam Alfornelos a outras localidades ou Estações do Metropolitano de Lisboa. 




A “Festa das Ervas” de Alfornel 


A antiquíssima e tradicional Festa das Ervas da região saloia vem de tempos muito antigos e ocorria no terceiro Domingo do mês de Maio. Arrastava verdadeiras multidões que animavam os campos do lugar de Alfornel numa autêntica romaria do mundo campestre.



A Festa das Ervas de 19 de Junho 1898 mencionada no livro de Gabriel Pereira “Pelos subúrbios e vizinhanças de Lisboa”. 
Foto extraída do livro “Pelos subúrbios e vizinhanças de Lisboa” 


Os forasteiros apetrechavam-se com os seus farnéis devidamente aviados, comiam, bebiam, cantavam e dançavam e, em esfusiante clima festivo e de confraternização, espalhavam-se pelos campos de Alfornel na colheita de plantas medicinais com que preparavam os remédios e as mezinhas caseiras, tomando por base as receitas e os “saberes” de povos ancestrais e transmitidas ao longo de gerações. 

Aos poucos, a Festa das Ervas e Plantas Medicinais de Alfornel foi perdendo influência e, tal como é referida nas pág. 97 e 98 do livro de Gabriel Pereira “Pelos Subúrbios e vizinhanças de Lisboa”, a decadência foi de tal modo que no ano de 1.898, a popular festa já se encontrava-se em pleno e irreversível declínio e pressentia-se, a curtíssimo prazo, a sua completa extinção… 



Notas:


1 - Encruzilhada do Caliça 

O cruzamento da Estrada Militar (Estrada da Circunvalação) com a Estrada dos Salgados/Calçada do Tojal encontrava-se controlado, permanentemente, até finais dos “anos 40” do século anterior, principalmente ao trânsito rodoviário (sujeito a multa), por Forças do Exército do Quartel do Regimento de Engenharia 1 da Pontinha.


Estrada da Pontinha, Estrada Militar, autocarro da Carris e Quartel do Regimento de Engenharia 1.
Foto de Artur Goulart, 1960 - in Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa



2 - A Estrada doa Salgados 

Permitia a ligação directa e fácil entre a Amadora (antiga Porcalhota) e a parte alta da Freguesia de Benfica (Tojal, Arneiros), além de outros locais como Poço do Chão, Carnide, Pontinha, etc.


A Estrada da Brandoa que partia da Estrada dos Salgados. Em segundo plano, o cabeço e algumas habitações da Brandoa.
Foto de Gil Carlos, anos 60 do século XX


A Estrada dos Salgados entroncava, ainda, com as vias de ligação aos lugares de Alfornelos e Brandoa.









*** O autor não respeita as normas do Novo Acordo Ortográfico








quarta-feira, 6 de outubro de 2010

APELO: Pelo Projecto "Ruin'Arte" (e pelo Gastão)




O meu amigo Gastão de Brito e Silva é um daqueles (poucos) teimosos que ainda persistem, de alma e coração, na luta pela preservação do nosso património edificado.



Vila Ana e Vila Ventura - Estrada de Benfica, Nº 674
Fotografia de Gastão Brito e Silva





Falámos pela primeira vez ao telefone por causa das Vilas, que ele quis logo fotografar, quando teve conhecimento do Movimento de Cidadãos que por elas se batia em Benfica...

Mais tarde, conhecemo-nos numa incursão fotográfica pela Quinta do Pombeiro (num outro projecto que, também, me diz muito, mas em termos profissionais)...

Como fiel amigo e defensor desta nobre Causa do património, o Gastão esteve também presente, como orador, na festa de comemoração dos 100 anos da Vila Ventura...



Palacete rústico - Estrada de Benfica
Fotografia de Gastão Brito e Silva



Caminho da Feiteira - Benfica
Fotografia de Gastão Brito e Silva





Ao fim de quase 2 anos à frente do seu Projecto "Ruin'Arte", chamando a atenção para a degradação do património arquitectónico deste País, mostrando o lado romântico que cada ruína transporta… O meu amigo Gastão de Brito e Silva precisa de ajuda!
E disse-o, de uma forma sincera e bem disposta (como é seu apanágio), neste seu magnífico post...

O caso é verdadeiramente sério, uma vez que o Gastão foi assaltado e perdeu todo o material de trabalho que tinha, não podendo agora dar continuidade ao seu Projecto "Ruin'Arte" ou à sua profissão.

Para além do material de trabalho que lhe foi roubado, o Gastão precisa também de:

- um agente (que o auxilie a gerir mais eficazmente o seu trabalho em termos financeiros);

- galerias (que queiram expôr o seu trabalho fotográfico);

- mecenas e investidores (que queiram apostar no seu excelente trabalho);

- um editor (que veja não só um bom investimento financeiro, quanto cultural, na publicação do trabalho resultante do seu Projecto "Ruin'Arte").



Num panorama nacional que se afiança cada vez mais negro, é pena que não se valorizem ou se deixem cair projecto como o que o Gastão de Brito e Silva desenvolve no "Ruin'Arte".

Nesse sentido, aqui apelo a todos os nossos leitores para que divulguem este caso junto dos vossos contactos, tentando ajudar este nosso grande amigo do Património e de Benfica.
Muito obrigada!



(Alexandra Carvalho)




terça-feira, 28 de setembro de 2010

Contrastes Fotográficos

(textos e fotografias de JCDuarte)




"Ser Bonito"






Ser bonito, ou feio, não é uma característica intrínseca do que quer que seja: gestos, pessoas, objectos.
Depende, antes sim, de quem vê, dos conceitos que tem e da interpretação do que vê ou analisa.
Dirão alguns que este prédio é feio. O revestimento, se bem que prático e, em tempos, na moda dos construtores civis, não será aquilo que os estetas chamarão de belo. A uniformidade com que a parede está rasgada por aquilo a que damos o nome de janela é também algo que só o Homem produz: a natureza não quer nada com simetrias e regularidades. Também, dirão alguns, não é bonito exibir (ou ver) a roupa a secar ao sol, quantas vezes roupa que mais valeria estar escondida. Por seu lado, os simulacros de jardim ou, em o preferindo, o faz de conta de não se viver aereamente, serão bons de ver em estando perto e não a esta distância.
Mas, caramba, eu gosto de ver isto! Cada uma destas janelas, e dos vasos, e da roupa, e das persianas, até das antenas parabólicas e da ferrugem que escorre pelos azulejos e estendais, me fala de quem lá vive, dos pequenos nada que constituem cada uma das vidas de quem atrás das vidraças vive e dorme, de quem aquele vestuário usa, de quem aquelas plantas rega.
E se o Ser Humano, na forma como existe enquanto indivíduo ou grupo, não é belo, então o conceito de beleza não existe, mais não sendo que pretexto para justificar os enquadramentos sociais, regras e consumos impostos.
Este prédio é bonito, pelo que é e pelo que significa.




"Pequenas Preciosidades"






Esta imagem poderia ter sido feita numa qualquer vila ou mesmo cidadezinha deste país.
Casas de piso térreo, com o beiral do telhado decorado singelamente, a roupa a secar ao sol, sem medos ou pudores, o asfalto que não chegou ao fim do arruamento, um poste de madeira…
Mas não! Esta imagem foi feita na Rua do Açougue, ali mesmo em Benfica.
Claro que estas edificações de fachadas mais ou menos arranjadas, têm as traseiras em péssimo estado, deixando mesmo perceber em quão mau estado estão os telhados. E, com eles, a restante estrutura.
Claro, também, que estas edificações, todo este quarteirão, terá os dias contados, que o centímetro quadrado nesta zona da cidade vale fortunas nas mãos dos construtores civis.
Teremos que ser nós, cidadãos, a decidir se queremos que estes vestígios da cidade se mantenham ou que sejam engolidos por megatérios, como os que se encontram a escassas dezenas de metros das costas deste fotógrafo e nesta data.






quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Tem dias assim!







Fotografia e Texto de JCDuarte




Tem dias em que nada sai certo!

Saí eu de casa domingo, com o decidido intuito de ir recolher imagens para ilustrar um tema. Versava ele as alterações arquitectónicas na utilização de frente e traseiras de prédios.
Como elas são menos bem cuidadas quando viradas para um logradouro fechado, tanto no desenho como na utilização por parte dos residentes, e como tudo muda quando o lado oposto à entrada principal do edifício está virado para um espaço público, eventualmente um jardim ou rua. Os estendais de roupa e o acumular de tralha nas varandas é muito menos notório e até mesmo as cortinas e vasos na janelas são mais bonitos.

Para consubstanciar esta minha teoria, escolhi o bairro de Benfica. Tem ele de tudo, desde edificações do início do séc. XX até às bem recentes, já do séc. XXI. Logradouros fechados, jardins e espaços públicos como interior de quarteirões, prédios concebidos em “T”, sem que se possa bem definir qual a frente qual a traseira. Em Benfica há de tudo para esta minha tese.

Acontece, porém, que devido ao calor, ou a um almoço mais pesado, ou a um qualquer outro motivo que desconheço, não consegui fazer em fotografia o que me ia na cabeça. Lá fotografias fiz, agora que fizessem jus ao que pensava… As coisas estão lá na câmara, mas não me agradam.

Fazendo uma pausa junto da igreja para me refrescar na esplanada, constato que os sinos tocam e a porta se abre. “Bem”, pensei, “se isto não me está de feição, vou dar ali uma olhada, que acho que nesta nunca entrei.”

Sou agnóstico convicto, pelo que as igrejas ou templos mais me falam dos seus utilizadores que de deuses. E isso é sempre algo que me interessa. Fui dar uma olhada.
Fiquei boquiaberto! A missa das 17 horas de domingo (eu, que pensava que aos domingos de tarde as igrejas fechavam…) encheu por completo o templo. A ponto de, além de já não haver lugares sentados, as coxias laterais estarem repletas, bem como o espaço junto à porta, onde me quedei.

Fiquei um pouco, tentando com a minha presença não perturbar quem ali estava, observei espaço e fieis e aproveitei uma pausa entre a leitura e o sermão para sair.
A coisa – a enchente de gente num domingo de tarde – ficou a cucutar-me. Os hábitos dos estendais e dos dias para lavar e estender a roupa já não são o que eram, tal como a hora de ir à missa ao domingo. Nem bom, nem mau. Apenas diferente, ajustando-se ao mudar dos tempos.

Eu é que não estava de maré e não consegui fazer uma imagem que fosse que se aproveitasse sobre o tema. Ainda andei de volta da igreja, tentando tirar partido da bonita luz que havia, mas nada. Há dias assim!

Acabei por esquecer o que a cabeça me dizia e deixar-me levar apenas pelo que os olhos me mostravam. Isto, a poucos metros!
Não tem que ver com estendais, traseiras ou templos. Mas está intimamente relacionado com o domingo ser um dia bonito, em que as coisas bonitas se mostram e se vêem. Por dentro e por fora!

Tem dias assim.







segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Casa do Adro




Fotografia e texto de JCDuarte







Claro que, em havendo um “Adro da Igreja”, teria que haver uma “Casa do Adro”.
... E se dermos com o primeiro, encontrar a segunda é mesmo só uma questão de rodar a cabeça, que lhe fica logo ao lado.

Bem cuidada de paredes, muros e jardim, cujas frondosas sombras falam da idade do edifício, este azulejo (vermelejo? amarelejo?) de singelo que é só pode ser bonito. Pena é que este, como tantos outros por esse país fora, deixem no anonimato o autor do desenho e a fábrica.

No entanto, aqui por estes lados não se deixam os créditos do que têm em mãos alheias. Passear nestas ruas velhas de Benfica de câmara fotográfica na mão, apontando para aqui e para ali, é quase que como ter um cartaz nas costas pedindo indicações. Numa mesma tarde, e com pouco mais de uma hora de intervalo, dois velhotes (que fizeram questão de não se deixar fotografar) trataram de me ir indicando algumas preciosidades do seu bairro. Quer fossem apontados com o boné, tirado para limpar a careca, quer fossem apontados com a bengala, que a outra mão segurava o saco de pão fresco da tarde, não deixaram de me ir dizendo que fosse fotografando antes que no lugar de azulejos, cornijas ou águas furtadas viessem apartamentos, garagens e escritórios.

Não conheço o bairro o suficiente para saber se tem uma “Transportadora Ideal” ou um “Café Central”. E sei que a única “Rua Direita” de Lisboa fica ali para os lados do Paço do Lumiar, agora com o nome de “Qualquer Coisa, Antiga Rua Direita”.
Mas espero que neste bairro de Benfica, bem como em todos os outros, não surjam placas com “Antiga…”, deixando aos seus residentes os tesoiros que possuem e de que se orgulham.




domingo, 5 de setembro de 2010

O Jardim Escola "Carrocel"




Bem perto do "Jardim das Marias", no Nº 682D da Estrada de Benfica, fica o Jardim Escola "Carrocel".

Quando nos deparamos com o actual estado de conservação e utilização da grande maioria das casas testemunhos da memória histórica da freguesia de Benfica, bem podemos dizer que o edifício onde funciona o Jardim Escola "Carrocel" é um verdadeiro oásis.



Fotografia de Alexandra Carvalho



Recentemente, a 18 de Agosto, fruto de alguns trabalhos de pinturas de conservação, foi com alguma surpresa que vimos serem apagados os graffitis de uma das suas fachadas laterais, que tão harmoniosamente conjugavam esta vivenda com o "Jardim das Marias" e o espaço envolvente.



Fotografia de Alexandra Carvalho



Passados alguns dias, o resultado do trabalho do artista de graffiti Nomen e do crew LGN era já visível (ver vídeo mais abaixo), dando nova vida e cor a esta vivenda centenária.

Num desses finais de tarde de uma semana agitada, foi com alegria que me deparei com um casal de pessoas idosas, sentados num dos bancos laterais da vivenda, usufruindo plenamente daquele espaço.
O que me deixou, pelo menos, mais recomposta com o facto da enorme formiga (de que eu tanto gostava) da fachada lateral ter sido apagada.








Gostaríamos de aqui deixar uma palavra de grande apreço à Direcção do Jardim Escola "Carrocel", por tão bem saber conjugar novas formas de arte na preservação de um espaço de utilização comunitária, não deixando assim morrer o mesmo ou votá-lo ao abandono (como, infelizmente, tantos exemplos temos na nossa freguesia), mas transformando-o antes em algo de belo e que dá vida à nossa freguesia!





sábado, 10 de abril de 2010

Em busca de... - VIII





Fotografia de Mário Pires



Rezam as memórias de algumas pessoas que viveram há muitos, muitos anos em Benfica, que esta casa, situada nos números 580 a 584 da Estrada de Benfica (sobre a qual já falámos aqui), seria um imóvel de origem medieval.

Mas não temos nem certezas, nem confirmações sobre tal facto!...



Fotografia de Mário Pires



O Mário Pires, nosso amigo e fotógrafo aqui do "Retalhos de Bem-Fica", já a compilou no "Inventário de Imóveis"...

Mas gostávamos de saber algo mais sobre este edifício. Confirmar se é a tal casa medieval de que nos falaram, quem aqui viveu...

Quem nos pode ajudar, em busca da história desta Casa?



Actualização de 20/02/11:

O nosso amigo Pedro Macieira descobriu recentemente quem viveu nesta Casa... ler aqui.



Ver aqui outras fotografias do
"Inventário de Imóveis", em fase de elaboração pelo Mário Pires, com a ajuda de todos os que queiram contribuir.





quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A 1ª estação de Correios de Benfica




Graças a uma fotografia que nos foi enviada pelo Jorge Resende, conseguimos vislumbrar parte de uma casa antiga de Benfica, sobre a qual tínhamos uma enorme curiosidade...





"Estrada de Benfica" (1961)
Artur Inácio Bastos, in
Arquivo Municipal de Lisboa




"(...)

Os correios mesmo velhos eram ao lado da Vila Ventura. Os velhos eram aí.
Há aquela descida da Calçada do Tojal para a Estrada de Benfica, à direita logo, onde agora há assim uns prédios, aí era um jardim grande, maior do que o da Vila Ventura, e no fim havia uma casa onde era precisamente o correio.
Aí é que era o primeiro correio quando eu fui para lá, era pegado connosco.

Até aí, por acaso, é engraçado porque nessa casa, no primeiro andar dessa casa que tinha o correio em baixo, vivia a Maria Lamas, a escritora
Maria Lamas.
Mas é engraçado, porque não nos era nada! Maria Lamas, ela era casada com um senhor que se chamava Alfredo da Cunha Lamas. O meu pai chamava-se José da Cunha Lamas e não tinham nada
[a ver] um ao outro!
Ela tinha duas filhas, uma de um primeiro casamento… Ela foi casada primeiro com um aviador, Ribeiro da Fonseca, um oficial de aviação. E depois é que casou com esse tal senhor Alfredo da Cunha Lamas, que creio que era não sei bem de que partido, não sei.

(...)

E depois do outro lado, então, era essa Maria Lamas, que tinha 2 filhas, uma do primeiro casamento e outra do segundo.
E a segunda filha, a ‘Bissu’, não sei o nome dela, era a ‘Bissu’. A mais velha não me lembro como se chamava. E a mais nova, que era a ‘Bissu’, essa era Lamas, a outra não, a outra era Ribeiro da Fonseca.
E essa ‘Bissu’ tinha uma coisa que nos fazia uma impressão horrorosa, porque estava a brincar connosco, não é, enfim, nós dávamo-nos… Estava a brincar connosco e, de repente, fazia assim e agarrava
[Encena os gestos, demonstrando impressão] com um olho que saía da órbita e ela tinha que meter o olho lá para dentro… Uma coisa, fazia-nos uma impressão horrorosa! Tínhamos 7, 8 anos, isto faz uma impressão horrorosa, não é… Horrorosa!"


In Entrevista ao Engº. João António Lamas (projecto "Gente de Benfica"), 18/03/08.






domingo, 31 de janeiro de 2010

Janelas de Benfica - V








Para o Pedro e o António Lobo Antunes Nolasco
e, também, para o Francisco Cannas Simões,

com um sincero e profundo agradecimento

por todo o auxílio que nos têm estado a dar!








De acordo com a nova toponímia, passou a ser o Nº 38 A da Rua Ernesto da Silva; mas, outrora, foi o Nº 3 da Calçada do Tojal, onde viveu a família Lobo Antunes, até a casa ser vendida a particulares nos anos 70.
Aparentemente, encontra-se ao abandono, com material de construção civil junto à entrada.

Um pouco mais abaixo, a casa dos Serpa foi, recentemente, demolida, encontrando-se um imenso terreno vazio, certamente, a aguardar que seja construído mais um prédio na nossa freguesia.







sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Largo Ernesto da Silva, Nº 6





"Largo Ernesto da Silva, nº 6" (1970),
Arnaldo Madureira, in Arquivo Municipal de Lisboa




O Largo Ernesto da Silva, escondido por detrás do rebuliço da Estrada de Benfica, é um pequeno nicho que nos relembra tempos antigos da freguesia de Benfica.

Neste largo, as casas de traça antiga da freguesia têm vindo a ser exemplarmente preservadas, quase nos fazendo entoar a frase célebre do blog Lisboa S.O.S.: - "É que podia estar tudo assim!"





No número 6 do Largo Ernesto da Silva, durante anos votado ao abandono, as obras de recuperação começaram já há largos meses.



"Largo Ernesto da Silva, nº 6" (1970),
Arnaldo Madureira, in Arquivo Municipal de Lisboa





Desde então, os progressos têm vindo a ser significativos!...

E, apesar de se notarem algumas diferenças entre o Passado e o Presente (pelo menos, "nasceu" mais uma janela no sótão), a verdade é que o resultado é bastante satisfatório, particularmente, no que diz respeito à preservação da fachada de azulejos.








sexta-feira, 19 de junho de 2009

"CALOR" - O Fim










Acreditámos que a sua morte anunciada, poderia estar mais longe do que pensáramos...

Afinal, a casa que outrora pertenceu aos irmãos Serpa, os famosos hoquistas, tombou hoje, dia 19 de Junho de 2009.

No seu lugar aparecerá, certamente, mais um prédio a inundar a Benfica antiga, que é pena não ser melhor preservada, à semelhança do que alguns têm feito.





Nota Explicativa:

A freguesia de Benfica, à semelhança de outras freguesias de Lisboa, é ainda constituída por um núcleo histórico, datando do século XIX, o qual se estende desde o Largo Ernesto da Silva, passando pelos edifícios remanescentes da antiga Quinta do Tojalinho, nas traseiras da Igreja de Benfica, prolongando-se em seguida pela Rua Ernesto da Silva.

Alguns destes edifícios encontram-se incluídos no "Inventário Municipal de Património" da Câmara Municipal de Lisboa (vide in págs. 113 e 114) - ou seja, apesar de não serem pertença do município, são considerados exemplares arquitectónicos históricos dignos de importância (entre os quais se incluêm, a título de exemplo, o Pátio Ripamonti e a Vila Ana e Vila Ventura).

No que diz respeito ao caso concreto do edifício mencionado no presente post, o mesmo não se encontrava incluído nesse Inventário, tal como a casa térrea ao lado da que foi demolida (foto nº 2) e a casa de dois andares nas suas traseiras (foto nº 3 - por sinal, foi nesta casa que viveu o patriarca dos Lobo Antunes - bisavô da geração actual -, antes de se ter mudado para esta outra - verificar informação mais detalhada nesta entrevista) também não se encontram.

No entanto, à semelhança do que felizmente já vai sendo feito em alguns pontos desse núcleo mais antigo de Benfica, talvez, fosse interessante que estes conjuntos habitacionais fossem preservados e mantidos (como forma de perpetuar a história de Benfica), podendo mesmo ser utilizados para serviços comunitários (como Bibliotecas, Centros de Dia, Creches, etc.).










sábado, 6 de junho de 2009

Ainda não foi desta!...











Afinal, parece que ainda não foi desta que o Nº 44 da Rua Ernesto da Silva foi abaixo (como temíamos)!

O trânsito ficou, apenas, condicionado entre o lanço que vem da Rua dos Arneiros, que atravessa parta da Rua Cláudio Nunes e vem desembocar na Estrada de Benfica, precisamente ao lado desta casa, para se dar continuidade aos trabalhos de repavimentação das estradas de Benfica.

E os operários aproveitaram este local "idílico" (normalmente utilizado para estacionamento) para aí colocarem o seu "centro de operações".







domingo, 31 de maio de 2009

Em Recuperação...





O ano passado, encontrava-se assim, completamente votada ao abandono, revestida apenas pelas ervas que dela se iam apoderando...






Há alguns meses, começou a ser recuperada, à semelhança do que noutras casas daquele largo (da Benfica antiga) já se vai fazendo.





Pena é que os automóveis (e os seus donos), numa ânsia cega por estacionamento, continuem a tudo invadir!...






quarta-feira, 27 de maio de 2009

"CALOR" - Crónica de uma Morte Anunciada





"(...) quando se vai da Ernesto da Silva para a Calçada do Tojal (...) que depois desce e liga para a Estrada de Benfica, há ali uma casa pequenina na esquina... que era a casa onde viviam os Serpas, os hoquistas. Eram os irmãos Serpa, que eram célebres, que eram formidáveis a jogar hóquei em patins! O Rudolfo, o Olivério e o Sidónio Serpa... eram formidáveis, jogadores formidáveis, mundialmente importantes esses três!"

In entrevista com João António Lamas (17/03/08), aqui.





"Rua Ernesto da Silva, 44 a 48"
Goulart, Artur (1965), in Arquivo Municipal de Lisboa




Os irmãos Serpa há já muito tempo que não moram no Nº 44 da Rua Ernesto da Silva. E as memórias da sua passagem pela freguesia, também, já não abundam.

A velha casa por ali foi ficando, votada ao abandono, como um pequeno enclave do Passado diante da modernidade.

Numa visão demasiado poética, dir-se-ia que apenas alguns dos escritos que lhe incrustaram parecem ainda querer recuperar o que há já muito tempo desapareceu daquela casa: "Calor"... e vida.



Esta tarde, ao passar por lá, deparei-me com este cenário...







Crónica de uma morte anunciada?







quinta-feira, 9 de abril de 2009

Manobras Dissuasoras




aqui tinha falado sobre ele.

Hoje, ao passar de autocarro, depois de meio dia (com tolerância) de trabalho, vislumbrei ao longe uma placa escrita à mão e colocada no portão. Resolvi sair do autocarro para ir investigar.







O facto é que este antigo palacete rústico, depois de uma série de peripécias, esteve para venda (durante largos meses, na sua fachada principal, esteve colocado um letreiro com o contacto do vendedor).

Será que, agora, os novos donos pretendem cair no caricato de instalar um sistema de videovigilância num local que se encontra há uma série de anos em degradação? Ou serão, apenas, manobras dissuasoras (e de quem)?