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terça-feira, 19 de março de 2013

Os vazios urbanos na freguesia de Benfica (5)





(por Vítor Vieira com Maria Cecília Carril)




Este espaço situa-se na Rua João Ortigão Ramos, junto ao cemitério de Benfica.


Fotografia de Vítor Vieira (2013)




Parece que ficou " órfão" em relação aos trabalhos efetuados há alguns anos naquela zona do cemitério.
E não se sabe ao certo o que está previsto para ali, sendo inegável que merecia, em jeito de continuidade, um tratamento idêntico.




Fotografias de Vítor Vieira (2013)



Em 2011, dois moradores da Rua João Ortigão Ramos decidiram plantar um minúsculo arbusto no meio daquele triste descampado, provavelmente, por já estarem fartos de vislumbrar o local nas condições em que se encontrava.

Seguindo-lhes o mote, lançámos, neste blogue, um apelo a todos os vizinhos daquela rua, para que se unissem e começassem a plantar os seus próprios arbustos ou plantas naquele espaço votado ao abandono (ficando, paralelamente, encarregues de regarem periodicamente as suas plantações); replicando, assim, as boas práticas e exemplos de outros jardins criados pelos próprios moradores, na nossa freguesia (ver aqui, aqui e aqui).

Este apelo surgiu por considerarmos que, enquanto cidadãos, todos nós temos direitos, mas, também, deveres cívicos que podemos (e devemos) exercer, de modo a criar uma melhor vida em sociedade (não só para nós próprios, como também para os outros!)…
Pelo que podemos tomar nas nossas mãos o destino dos espaços públicos em que habitamos, os quais, na grande maioria dos casos, são longamente votados ao abandono e deterioração pelas entidades que os deveriam reger.





Fotografias de Maria Cecília Carril (2013)



E foi com muito agrado que vimos serem plantadas algumas árvores e arbustos neste espaço vazio da nossa freguesia.
É mesmo caso para dizer que Benfica está mais verde
por acção dos seus moradores!
Qualquer que seja a utilização futura que venha a ser dada a este vazio urbano da nossa freguesia, fazemos votos para que este trabalho de jardinagem dos moradores não venha a ser comprometido (ou destruído).




terça-feira, 1 de novembro de 2011

Dia de Todos os Santos e Dia de Finados





(por Alexandra Carvalho)




Fotografia de Alexandra Carvalho (2006)




Durante 25 anos, morei na rua do Cemitério de Benfica.
Havia quem não compreendesse como ali conseguia viver, janelas a darem directamente para uma visão plena das campas e sarcófagos.
Apesar de não conseguir ainda aceitar o conceito de morte, a mim, sinceramente, nunca me fez impressão morar em frente ao Cemitério de Benfica, porque considero que é dos vivos (e não dos mortos) que temos que ter medo.

O Dia de Todos os Santos (a 1 de Novembro) e o Dia de Finados ou Dia dos Mortos (a 2 de Novembro), em que as pessoas vão aos cemitérios para rezar pelos seus mortos, é que sempre me fizeram alguma aflição, quando morava perto do Cemitério de Benfica, pela forma quase obrigatória com que me parecia que algumas pessoas ali se deslocavam (evitando lá ir no resto do ano).







quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Passeio por Benfica (2)




A Vítima


(texto e fotografia de JCDuarte)






“- Ora boa tarde! Então vossemecê foi enforcar o bicho? Que mal é que ele lhe fez, homem?
- Mal não me fez, mas desde que ali está os cabr*es dos melros nunca mais cá voltaram. Eles e o resto da passarada! Vai abanando, abanando e eu cá vou semeando e colhendo que é uma alegria.
- Então e importa-se que eu faça ali uma fotografia?
- Pois faça à-vontade, que já cá estiveram da televisão e tudo. Até cá esteve um filho-da-put* de um fiscal da câmara, que queria que eu tirasse daqui a vedação mais umas pedras que fui amontoando ali ao lado… Mas a senhora que vinha com ele piscou-me o olho, assim ‘tá a ver, e eu nem lhes liguei. E eles se quiserem a minha identificação, que vão lá à câmara, que têm lá a minha ficha. Trabalhei lá mais de quarenta anos e nunca faltei ou estive doente.”

Este diálogo aconteceu à tardinha, paredes-meias com o cemitério de Benfica, quase num beco atrás de uns prédios.
Confesso que, para além da conversa que ainda se esticou mais um pedacinho, ficou-me uma dúvida: Porque diabo hão-de murar os cemitérios? Quem lá está não vem para cá, quem cá está não quer ir para lá…?




Fim ou início


(texto e fotografia de JCDuarte)





Bem que sabia eu!
Que algures na cidade haveria de estar o início ou o fim dos trilhos de bicicleta.
Pintados no asfalto, a direito nos passeios ou atalhando pelos parques, vamos vendo estas vias ciclaveis que, diria eu, mais são cartões de visita eleitorais que outra coisa.
Não que não sejam úteis ou bonitos. Mais, o seu piso é óptimo para caminhar. Mas, diga-se em abono da verdade, é particularmente raro ver um ciclista a usá-las.
Ou porque há poucos ciclistas em Lisboa, ou porque os traçados são os mais cómodos para políticos, engenheiros de secretária e empreiteiros com olho para o negócio, verdade verdadinha é que nem em dias úteis nem nos inúteis os vejo.
Mas esse incrincado politicamente correcto haveria de começar (ou acabar) nalgum lugar. E é aqui, neste jardim que ombreia com hortas, couves, searas, poços e até uma nora.
Por cima das árvores podemos ver um dos novos hospitais privados da cidade. Se olhássemos para a direita, veríamos um dos templos do consumo, um centro comercial de grandes dimensões. Atrás à esquerda, um bairro residencial e de comércio, com vida própria e tradições na cidade. Atrás à direita, depois do cruzamento desnivelado de duas artérias de grande movimento, um estádio de futebol.
Onde estou? Em Benfica, pois claro.






sábado, 20 de fevereiro de 2010

A Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica e o velho Cemitério da Freguesia





Todos os direitos reservados @ Fausto Castelhano, "Retalhos de Bem-Fica" (2010)




"(...) Hoje, vamos trazer à liça a Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica, o velho e o novo Cemitério, as ossadas e, se calhar, almas do outro mundo.

Espero que os nossos amigos que têm desenvolvido um notável trabalho de pesquisa no que diz respeito à Sociedade Euterpe, não se sintam melindrados com as manigâncias dos dirigentes desse tempo que, pelos vistos, tentaram dar uma pequena golpaça à Irmandade do Santíssimo Sacramento. Se fosse hoje, a Comunicação Social tinha ali pano para mangas para duas ou três semanas.

A amiga Alexa não imagina o gozo que me deu (e à minha mulher) ao desenterrar este saborosíssimo episódio.

Como pode verificar na legenda da foto do coreto, o edifício é o mesmo de hoje porém, a rua não tinha o nome que tem hoje (Rua Ernesto da Silva). Na realidade, no tempo em que foi implantado o coreto, era a Rua do Espírito Santo. Brevemente, farei um pequeno texto sobre esta questão.


Fausto Castelhano"





A partir do século XVIII e com o aumento demográfico da Freguesia Benfica, após a descoberta destes pitorescos e aprazíveis lugares de veraneio colocou-se, a breve trecho, a questão de construir uma nova igreja que comportasse o enorme número de paroquianos que, ao templo, afluíam.
Essa ideia deve ter sido aceite com bastante entusiasmo e, naturalmente, já devia estar na mente dos paroquianos desde muito tempo atrás.

João Frederico Ludovice, que passava a época de Verão na sua casa apalaçada, no sítio da Alfarrobeira, deve ter desempenhado um importantíssimo papel na realização do projecto. É dele a primeira traça da construção e toda a capela-mor.

A 29 de Agosto de 1750, começaram os trabalhos da construção da nova igreja. Porém, provavelmente por falta de recursos, a obra parou em Dezembro de 1754.




Prédios da Rua Ernesto da Silva, que, à data do coreto da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica, já existiam.

(Fotografia de Fausto Castelhano - 2010)



Só muitos anos depois, destacados paroquianos unidos a João Frederico Ludovice, arquitecto e valido de el-rei D.José I (que ofereceu o projecto para a restante obra), lançaram mãos à obra no intuito de a terminarem. Eram eles: Joaquim dos Reis e Francisco António, ambos mestres das Águas Livres; Bernardo António da Silva, escrivão da Junta das mesmas Águas; João Gomes, paroquiano e mestre-de-obras e que já havia construído a Real Obra da Memória, na Ajuda. Foram eles que tiveram uma influência decisiva no recomeço da obra em 28 de Março de 1780.
A obra avançou, com altos e baixos e com períodos de maior ou menor entusiasmo.

Então, a 12 de Dezembro de 1809 e num ambiente de extraordinário entusiasmo da população, tiveram início as cerimónias da sagração da Comunidade Paroquial de Nossa Senhora do Amparo de Benfica as quais, se prolongaram até à festa da Padroeira, em 18 de Dezembro.




Os edifícios da Rua Ernesto da Silva, que, à data da implantação do coreto no adro poente da Igreja Paroquial de Benfica, já existiam.

(Fotografia de Fausto Castelhano - 2010)



Acabada a construção e aberto o culto a todos os fiéis, verificou-se que o novo templo possuía duas belíssimas entradas com escadarias de pedra trabalhada e um enorme adro dividido em duas partes. Do lado nascente, existia já um belo cruzeiro, muito antigo e majestoso. Do lado poente, o adro tinha ainda maior amplidão e, segundo o cura João Cipriano de Assis e Morais pensava-se implantar, naquele espaço, um cruzeiro igual ao do adro do lado nascente.




Cemitério de Benfica
Augusto de Jesus Fernandes, in Arquivo Municipal de Lisboa

Portão em frente da Rua dos Arneiros. O muro em gaveto, à direita, pertencia à antiga Quinta das Palmeiras. A foto deve ter sido tirada antes de 1960.




Este projecto, porém, não reuniu os consensos necessários. O adro do lado poente, que confinava com a igreja velha, iria ser vedado com um muro que iria fechar o antigo adro de tal maneira que, toda a zona antiga será utilizada como cemitério. Tanto o velho templo, como o terreno do adro poente, irão ser utilizados com esse fim.

Assim, no ano de 1846, fizeram-se obras no cemitério novo com o objectivo de alargar o cemitério local que já existia. Demoliram a antiga igreja, já muito arruinada, mas de um valor incalculável, com portais góticos e uma antiquíssima capela de S. Roque que seria, provavelmente, as ruínas da antiga Igreja Paroquial. O cemitério passou a abranger uma área que rondava os 1250 metros quadrados e capacidade de enterramento de cerca de 90 corpos por ano.

O novo Cemitério de Benfica que, inicialmente se chamou Cemitério dos Arneiros, foi mandado construir no ano de 1869, na sequência da extinção dos antigos cemitérios paroquiais de Benfica e Carnide (localizado junto à Igreja de S. Lourenço). Para este espaço, foram trasladadas as ossadas identificadas existentes nos cemitérios paroquiais, e, nalguns casos, as próprias lápides originais das sepulturas.




O coreto construído pela Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica no adro poente da Igreja Paroquial de Benfica. O prédio que se observa em segundo plano, ainda lá está. Porém, a rua tinha outro nome… Rua do Espírito Santo.

(Imagem cedida por Fausto Castelhano)



Em 1880, o Cemitério dos Arneiros recebia as ossadas desenterradas do antigo cemitério, junto à Igreja de Benfica. Foi um levantamento muito descuidado pois, muito mais tarde e, em pleno século XX, na construção do Centro Paroquial, apareceram ossadas até dizer chega…Creio que o nome da Adega dos Ossos deriva desse mesmo facto. Aliás, era voz corrente que, na escavação inerente à construção dos estabelecimentos (onde estava a Adega dos Ossos) nos baixios do próprio cemitério, apareciam ossadas em grandes quantidades.

Construído para servir freguesias rurais, a grande expansão urbanística da cidade obrigou a sucessivas ampliações do seu espaço sendo, actualmente, o terceiro maior cemitério de Lisboa. O seu projecto inicial, de pequeno cemitério, é patente na entrada principal estreita, em nada condizente com o tamanho e movimento do Cemitério.

Chegados aqui, e depois de tanto paleio, é inteiramente justo que os nossos amigos se interroguem: - "E o que é que tem a ver a Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica com o antigo cemitério da freguesia?"
Tem e muito, como vamos já ver! Assim, socorrendo-me das memórias do pároco Álvaro Proença (que conheci muito bem e, se calhar, até bem demais…), aqui vai:

“A 1 de Outubro de 1880, tendo por juiz o Marquês de Fronteira, a Irmandade do Santíssimo Sacramento autorizou, por ofício, a Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica, a construir um coreto no adro poente da igreja ficando, para todos os efeitos, na posse da Irmandade. Tão estúpida autorização, foi votada por unanimidade e, nem sequer uma voz com bom senso, se elevou contra tal construção no antigo cemitério e de onde se haviam levantado, apenas, algumas ossadas.



Entrada do Cemitério de Benfica
(Fotografia de Fausto Castelhano - 2010)



O célebre coreto só veio a ser construído em 1900 pela tal Sociedade Filarmónica e custou, 760$345 reis. Teve uso frequente para as festarolas saloias no adro da Igreja, ou seja, no antigo cemitério. Pertencendo à Irmandade, em 1907, a tal Sociedade Filarmónica, pedia-lhe que mandasse pintar o coreto que se encontrava em estado vergonhoso. E o pedido era reforçado com a argumentação de que o coreto pertencia à Irmandade uma vez que, estava em terreno seu e lhe havia sido entregue. Portanto, os cuidados com a conservação do coreto também lhe pertenciam em boa justiça.”

Sim, senhor…Uma belíssima argumentação!

E aqui está como a Filarmónica Euterpe desenvolvia a sua notável obra de ensino e divulgação da música, mas via-se confrontada em assuntos de antigos cemitérios, ossadas, pinturas de coretos e… o que mais houvera…

Esta curiosíssima história não terminou aqui. Em 1938, a Irmandade do Santíssimo Sacramento conseguiu uma sentença favorável às suas pretensões. Isto é, a reivindicação da posse dos adros de que havia sido arbitrariamente esbulhada. Nesse ano, conseguiu a cessão da posse dos adros e igreja, em uso e administração que, em 1940, através da Concordata com a Santa Sé, se transformou em reconhecimento de posse definitiva.



Capela do Cemitério de Benfica
(Fotografia de Fausto Castelhano - 2010)



Nota: Sou um apaixonado pelas Bandas Filarmónicas. Como membro dos Corpos Sociais da STIMULI/UNISBEN tivemos, recentemente e na Freguesia de Benfica (a convite da nossa Associação) a presença da excelente Banda Filarmónica Comércio e Indústria da Amadora sob a direcção do experiente maestro Joaquim Carlos Alves Rodrigues. Desfilaram por algumas ruas da nossa Freguesia seguindo-se, um magnífico concerto de música clássica nas nossas instalações. E, se a memória não me falha, um acontecimento desta envergadura, já não se verificava na Freguesia de Benfica, pelo menos, há volta de 50 anos.
Este ano, pensamos repetir a extraordinária experiência com a presença desta categorizada Banda de Música.

Um abraço de muita amizade
Fausto Castelhano





quinta-feira, 25 de junho de 2009

[RESOLVIDO]- APELO: "Gata encontrada em Benfica - Deve ter dono..."




Actualização de 04/07/09:

Os donos desta gatinha nunca chegaram a aparecer, apesar de toda a divulgação que foi sendo feito por quem a encontrara.

No entanto, esta menina ganhou uns novos donos, pois a Marisa, que a recebeu em FAT (Família de Acolhimento Temporário), rendeu-se aos seus encantos e já não a deixa sair de sua casa.

É muito bom saber que ainda existem finais felizes! :)










Esta gatinha tem aproximadamente 6 meses e foi encontrada a deambular (com coleira) na zona do Cemitério de Benfica, há cerca de 2 dias.

Poderá estar perdida ou ter fugido de casa, ou, simplesmente, ter sido abandonada.

Pedimos a todos os nossos leitores que divulguem este apelo junto dos vossos contactos residentes na freguesia de Benfica, pois os donos desta gatinha poderão andar preocupados à sua procura.

A pessoa que recolheu esta gatinha não pode ficar com ela porque já tem outros animais, pelo que, caso alguém se possa disponibilizar a servir de Família de Acolhimento temporário (FAT) a este animal, enquanto os seus donos não aparecem, seria também muito útil.










domingo, 15 de fevereiro de 2009

Cemitério de Benfica a duas cores





(por Alexandra Carvalho)


03/04/08



"Une promenade au cimetière est une leçon de sagesse presque automatique.
Moi-même, j'ai toujours pratiqué ce genre de méthodes;
ça ne fait pas très sérieux, mais c'est relativement efficace...
Si vous avez la conscience du néant,
tout ce qui vous arrive garde ses proportions normales
et ne prend pas les proportions démentes
qui caractérisent l'exagération du désespoir."



Emil Cioran






Muro lateral do Cemitério de Benfica
(Outono/2006)





Cemitério de Benfica...

Tal como em muitos outros pontos da cidade, uma senhora alimentava, religiosa e diariamente, diversos gatos que viviam ou deambulavam dentro do cemitério, protegidos pela serenidade natural daqueles que já não habitam este mundo.


Um dia, há cerca de alguns anos atrás, esta senhora faleceu.

Uma história igual a tantas outras, não fora o facto de, no dia do seu funeral, quando o carro da agência funerária onde o seu corpo era transportado fez uma breve paragem à entrada do tal cemitério, como é tradição...

Primeiro surgiu um gato, depois aproximou-se outro, logo a seguir mais um... e, ao fim de alguns segundos apenas, uma dezena de gatos, sentados hirtos que nem estátuas de mármore, olhavam circunspectos o carro funerário, à entrada do Cemitério de Benfica.

Conta quem viu esta cena inédita (e verídica) que os animais pareciam estar a despedir-se...