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domingo, 30 de maio de 2010

Despojos




Fotografia de Alexandra Carvalho



A velha Serralharia instalada, há mais de 30 anos, na confluência das traseiras da Rua Jorge Barradas e da Rua Cláudio Nunes, foi, finalmente, extinta.



Fotografias de Alexandra Carvalho



O contraste entre a imensidão de espaço vazio e os despojos ali deixados são evidentes e perturbadores.

Inicialmente, os moradores dos prédios contíguos pensaram que ali fosse nascer mais um moderno condomínio...
Mas a Dª. M., a quem já haviam falado em realojamento, ali permanece, resistindo (até quando?) na sua pequena habitação, no meio daquele espaço vazio, assistindo à mudança física daquele espaço que sempre conheceu.


Fotografia de Alexandra Carvalho



Ali mesmo ao lado, o estado de degradação acentuada de um outro "resistente", ainda habitado, parece indiciar que o futuro daquele espaço imenso já se encontra traçado.





quarta-feira, 3 de março de 2010

Anacronismo



"Se as pedras se deixam transportar...
Não é assim tão fácil modificar

as relações que se estabelecem entre os homens e as pedras".



Maurice Halbwachs
, "
La Mémoire Collective" (1950)








Foi ali colocado recentemente.
Como que para nos mostrar que, mais uma vez, quando o Homem quer, o lucro fácil e a extrapolação imobiliária imperam sobre outros valores (mais humanistas e sociais).

A fachada vai ser mantida... mas haveria mesmo necessidade de mais 300 habitações em Benfica, quando temos tanta necessidade de outros equipamentos infantis e culturais?

Com esta usurpação anacrónica, perdem-se todas as memórias da Fábrica Simões, essa que foi uma das maiores indústrias da nossa freguesia e o ganha-pão de tantos que nela trabalharam.

Talvez um dia, num futuro não muito longínquo, por detrás das pedras da sua fachada, apenas os mais antigos, sentados em bancos de jardim, se consigam ainda lembrar do significado que aquele edifício teve um dia para toda uma freguesia.





domingo, 31 de janeiro de 2010

Janelas de Benfica - V








Para o Pedro e o António Lobo Antunes Nolasco
e, também, para o Francisco Cannas Simões,

com um sincero e profundo agradecimento

por todo o auxílio que nos têm estado a dar!








De acordo com a nova toponímia, passou a ser o Nº 38 A da Rua Ernesto da Silva; mas, outrora, foi o Nº 3 da Calçada do Tojal, onde viveu a família Lobo Antunes, até a casa ser vendida a particulares nos anos 70.
Aparentemente, encontra-se ao abandono, com material de construção civil junto à entrada.

Um pouco mais abaixo, a casa dos Serpa foi, recentemente, demolida, encontrando-se um imenso terreno vazio, certamente, a aguardar que seja construído mais um prédio na nossa freguesia.







sábado, 6 de junho de 2009

Ainda não foi desta!...











Afinal, parece que ainda não foi desta que o Nº 44 da Rua Ernesto da Silva foi abaixo (como temíamos)!

O trânsito ficou, apenas, condicionado entre o lanço que vem da Rua dos Arneiros, que atravessa parta da Rua Cláudio Nunes e vem desembocar na Estrada de Benfica, precisamente ao lado desta casa, para se dar continuidade aos trabalhos de repavimentação das estradas de Benfica.

E os operários aproveitaram este local "idílico" (normalmente utilizado para estacionamento) para aí colocarem o seu "centro de operações".







quarta-feira, 27 de maio de 2009

"CALOR" - Crónica de uma Morte Anunciada





"(...) quando se vai da Ernesto da Silva para a Calçada do Tojal (...) que depois desce e liga para a Estrada de Benfica, há ali uma casa pequenina na esquina... que era a casa onde viviam os Serpas, os hoquistas. Eram os irmãos Serpa, que eram célebres, que eram formidáveis a jogar hóquei em patins! O Rudolfo, o Olivério e o Sidónio Serpa... eram formidáveis, jogadores formidáveis, mundialmente importantes esses três!"

In entrevista com João António Lamas (17/03/08), aqui.





"Rua Ernesto da Silva, 44 a 48"
Goulart, Artur (1965), in Arquivo Municipal de Lisboa




Os irmãos Serpa há já muito tempo que não moram no Nº 44 da Rua Ernesto da Silva. E as memórias da sua passagem pela freguesia, também, já não abundam.

A velha casa por ali foi ficando, votada ao abandono, como um pequeno enclave do Passado diante da modernidade.

Numa visão demasiado poética, dir-se-ia que apenas alguns dos escritos que lhe incrustaram parecem ainda querer recuperar o que há já muito tempo desapareceu daquela casa: "Calor"... e vida.



Esta tarde, ao passar por lá, deparei-me com este cenário...







Crónica de uma morte anunciada?







quarta-feira, 22 de abril de 2009

Contrastes Claustrofóbicos








Abre-se a janela das traseiras e somos violentamente submersos por uma estranha claustrofobia, que nos invade face ao peso que a modernidade e alguns "arranha-céus" de 12 ou mais andares ali instalaram.






Nas traseiras da Rua Cláudio Nunes, a casa do "americano" ainda por ali subsiste, isolada e vazia, como que teimando em fazer frente aos novos valores que imperam.






Por entre os seus quintais e logradouros, confluentes com a (nova) Rua Jorge Barradas, onde outrora existia a Quinta do Tojal, apenas subsiste agora mato... e, ao longe, a Igreja de Benfica.

Lembro-me, ainda, de em miúda passear com a minha mãe e o meu irmão por uma estrada de terra batida, ladeada por papoilas de um vermelho intenso. Alguns metros à frente, parávamos e ficávamos a olhar para o outro lado, para a janela da cozinha dos nossos avós. Por vezes, eles apareciam à janela e acenávamos (nessa altura, ainda não existiam os telemóveis; e, contudo, a comunicação parecia muito mais livre de constrangimentos e mal entendidos!).

Muitos anos mais tarde, a estrada velha das papoilas desapareceria, dando lugar à Rua Jorge Barradas.
A vista para a janela da cozinha dos meus avós desapareceu também, dando lugar a esse sentimento claustrofóbico sempre que agora os visito e me sinto cercada por prédios altaneiros que tentam obliviar um passado há muito esquecido.







Do outro lado, por entre os destroços de uma serralharia que persiste em funcionar num local inusitado, subsistem ainda três blocos de habitações antigas, provavelmente, vestígios daquela que foi a Quinta do Tojal.















quinta-feira, 9 de abril de 2009

Manobras Dissuasoras




aqui tinha falado sobre ele.

Hoje, ao passar de autocarro, depois de meio dia (com tolerância) de trabalho, vislumbrei ao longe uma placa escrita à mão e colocada no portão. Resolvi sair do autocarro para ir investigar.







O facto é que este antigo palacete rústico, depois de uma série de peripécias, esteve para venda (durante largos meses, na sua fachada principal, esteve colocado um letreiro com o contacto do vendedor).

Será que, agora, os novos donos pretendem cair no caricato de instalar um sistema de videovigilância num local que se encontra há uma série de anos em degradação? Ou serão, apenas, manobras dissuasoras (e de quem)?






quarta-feira, 8 de abril de 2009

Estrada de Benfica, Nº 408 a 416









Desde miúda, sempre achei fascinantes estes dois prédios na Estrada de Benfica, já para os lados de São Domingos.
O facto de serem consideravelmente altos (mas elegantes) para o tempo em que foram construídos, os magníficos frisos de azulejos que os compõem, assim como a descoordenação gráfica das janelas que possuem varanda, transformam-nos em exemplares únicos de uma autenticidade que, felizmente, ainda se vai mantendo.




"Azulejaria - Estrada de Benfica, 408" (1972),
Nuno Barros Roque da Silveira, in Arquivo Municipal de Lisboa




Segundo vim a descobrir, através do Arquivo Municipal de Lisboa, em tempos idos, ali bem ao lado, no Nº 432, existia um palacete (algo idêntico a este outro), separado deste conjunto de edifícios por um jardim.




"Estrada de Benfica, 408 a 432" (1968),
João Goulart,
in Arquivo Municipal de Lisboa



O palacete desapareceu há muito tempo atrás, mas o seu jardim ainda persiste, nestas condições...









- "Sabe, menina, isto está assim já há uma data de anos." - diz-me uma transeunte, ao ver-me parar, olhar para os edifícios e tirar a máquina fotográfica da mala.
E continua: - "Veja bem que até aquele jornalista muito famoso, o Fernando Pessa, fez uma reportagem sobre isto, ele já morreu há não sei quantos anos e isto ainda continua assim!"















terça-feira, 7 de abril de 2009

Manifestação de Intenção de Intimação à Conservação





A Vila Ana e a Vila Ventura fazem parte do património municipal de Lisboa e encontram-se, há anos, votadas ao abandono.

Depois de uma longa troca de e-mails com uma série de entidades (com o intuito de fazer algo pela preservação destes dois palacetes), até chegar finalmente ao Departamento da Câmara Municipal de Lisboa responsável pela reabilitação urbana de edifícios particulares... Depois de uma vistoria realizada no mês passado...

A Câmara Municipal de Lisboa vai manifestar a intenção de intimar os proprietários à realização de obras de conservação.








Será que vai dar em alguma coisa, toda esta luta?




quarta-feira, 4 de março de 2009

Palacete Rústico






Fotografia disponível in IPPAR




Fotografia disponível in IPPAR




No Nº 384 da Estrada de Benfica, na freguesia de São Domingos de Benfica, fica localizado um dos mais belos e misteriosos palacetes da ancestral Benfica.

Desconhecem-se quem foram os primeiros proprietários deste palacete rústico, datado de meados do século XIX, um dos último vestígios de
um momento na História em que algumas importantes famílias da capital procuraram estabelecer a sua residência em zonas da periferia, onde desfrutavam da calma e qualidade do campo.







Há alguns anos atrás, este palacete votado ao abandono serviu de residência a um desses grupos de adolescentes "ocupas" (os quais têm ainda muito que aprender com os movimentos semelhantes no estrangeiro, que chegam até a restaurar e a reabilitar os edifícios em que se instalam).

Para os retirar daquele espaço, apareceu a PSP e, mais tarde, foi instalado um letreiro gigantesco, anunciando que naquele espaço seria instalada brevemente uma qualquer delegação do Ministério da Cultura.






Os anos foram passando, e o palacete por ali continuava, votado ao abandono, sem que qualquer delegação ou sub-delegação cultural ali se instalasse.

Supostamente, este edifício encontrava-se, em 1994, em vias de classificação enquanto Património arquitectónico, abrangido na Zona Especial de Protecção (ZEP) do "Bairro Grandela; Quinta do Beau-Séjour / Quinta das Campainhas".






E por ali continuava em vias de degradação o palacete rústico do século XIX.
Até que, em meados do ano passado, surgiu numa das suas altaneiras janelas um anúncio de venda. Com a crise económico-social, até os proprietários de património arquitectónico, são obrigados a vendê-lo (quando nunca fizeram nada por ele)!...








segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Estrada de Benfica, Nº 584 a 588





"Estrada de Benfica, Nº 584 a 588"
Fotografia de Artur Goulart,
in Arquivo Municipal de Lisboa



"Estrada de Benfica, Nº 584 a 588"
Fotografia de Artur Goulart,
in Arquivo Municipal de Lisboa



Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...

De casa de habitação foi convertida, após obras com consideráveis alterações, em loja de venda de colchões e divãs.





Hoje em dia, transformou-se numa espécie de drograria/supermercado, reconvertida por comerciantes de origem indiana (que muito têm contribuído para a preservação daquelas pequenas casas de um único andar, enfileiradas em frente aos novos edifícios com garagem).




Ali mesmo ao lado, persiste aquela que se vai já fundindo com a própria natureza, em estranhos e inusitados enlaces.