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sábado, 21 de setembro de 2013

Em ano de eleições... Vale tudo!!!




(por Alexandra Carvalho) 



Desde 2010 (ou seja, há já 3 anos), que uma das inquilinas da Vila Ana e da Vila Ventura vinha insistindo frequentemente, via telefone, com a Junta de Freguesia de Benfica, para que fosse efectuada a desmatação da fachada principal e das traseiras dos referidos edíficios (património histórico da freguesia de Benfica).

Contudo, a resposta que sempre lhe foi dada (à semelhança do que, também, fora referido pela própria Presidente da Junta de Freguesia de Benfica a membros do Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura), era de que, sendo os edifícios propriedade privada, esta entidade nada poderia fazer à revelia dos seus proprietários.

Ora, foi com agrado e, sobretudo, muita estupefação que, esta tarde, ao passarmos junto às Vilas, vimos um funcionário da Junta de Freguesia, acompanhado de trabalhadores da empresa "Teleflora" (a quem foi adjudicada, pela Junta de Freguesia, a manutenção duma série de espaços verdes em Benfica), que efectuavam a desmatação do local.




Fotografias de Alexandra Carvalho (2013)




O Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura, assim como o blogue comunitário "Retalhos de Bem-Fica" não podem deixar de saudar esta iniciativa da Junta de Freguesia de Benfica (sobretudo, pelo perigo para o qual, ao longo deste últimos 3 anos, vínhamos alertando ***).

No entanto, não podemos deixar, também, de lamentar que, apenas a uma semana das eleições autárquicas (numa atitude bastante populista, portanto!), a Junta de Freguesia de Benfica tenha perdido o receio de invadir propriedade privada (pois estamos certos que esta atitude não terá sido tomada em coordenação com os proprietários das Vilas).












*** De relembrar que a primeira desmatação efectuada nas Vilas, em 2010, esteve a cargo dos próprios moradores-inquilinos, juntamente com o Movimento de Cidadãos e alguns alunos da UNISBEN - Universidade Intergeracional de Benfica.
No ano seguinte, a desmatação foi efectuada por ordem dos proprietários. E, desde então, que tenhamos conhecimento, nada mais foi feito.








sábado, 9 de fevereiro de 2013

A Mata de Benfica reabriu






(por Alexandra Carvalho)



Fotografia de Alexandra Carvalho (2013)


FINALMENTE!... A Mata de Benfica reabriu ao público esta manhã.



****



"Mata de Benfica deverá reabrir sábado
Publicado em 2013-02-08 

PAULO LOURENÇO, in
"Jornal de Notícias"





Fotografia de PAULO LOURENÇO/JN




A população de Benfica, em Lisboa, tem protestado contra o encerramento prolongado do Parque Silva Porto, vulgo Mata de Benfica. Mas, como o JN constatou no local, a segurança dos visitantes não deixou alternativa. O espaço deve reabrir parcialmente este sábado. 

 "O temporal derrubou 11 árvores e mais 37 ficaram apenas seguras pelas copas de outras. Além disso, houve um talude, que até já estava sinalizado, que derrocou sobre a principal rua do parque", explica ao JN Inês Drummond, presidente da Junta de Freguesia de Benfica, que desde novembro tem a gestão daquele que é um dos pulmões verdes da capital. 

 Os efeitos da destruição provocado pelo vento forte de 19 de janeiro são ainda visíveis. Troncos de árvores de grande porte caídos entre a vegetação - um deles ficou mesmo inclinado sobre uma escola vizinha - bancos partidos e terras arrastadas do talude que cedeu para a rua que liga as duas entradas do espaço são alguns dos exemplos mais visíveis. 

"Tudo isto ditou a uma intervenção de grande complexidade, que obriga à movimentação de maquinaria e veículos pesados no interior do parque. Se o mantivéssemos aberto, seria muito perigoso ter crianças, e não só, a passear por aqui", justifica a autarca. 

 A presidente da Junta acrescenta que a parte mais difícil dos trabalhos já está concluída, e que conta amanhã poder reabrir o espaço ainda que com algumas restrições. "É preciso manter algumas zonas interditas por enquanto, para que os trabalhos decorram em segurança. Por isso, teremos técnicos no parque a explicar às pessoas o que ali aconteceu e o que está a ser feito", adianta. 



População vai plantar árvores novas


Relativamente às críticas da população, a autarca garante que compreende a vontade das pessoas em fruir de um dos pulmões verdes da cidade, mas sublinha que "a segurança tem de ser sempre a principal preocupação". "A mim também me custa imenso ver o parque fechado", confessa, apesar de facilmente se perceber que à Junta não restava alternativa.

A empreitada de reconstrução - orçada em 70 mil euros - deverá, no entanto, prolongar-se por mais algumas semanas. 

No final, a Junta de Freguesia vai convidar a população e os amigos do parque a participarem na plantação conjunta de mais de 100 árvores novas para compensar a destruição causada pelo temporal."







quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

"Antigo "palácio da droga", em Benfica, dá lugar a jardim sustentável"




"Antigo 'palácio da droga', em Benfica, dá lugar a jardim sustentável"

(por Agência LUSA)



"Um conjunto de edifícios emparedados no bairro Santa Cruz, Benfica, Lisboa, conhecido como o ‘palácio da droga’, deram lugar a um jardim auto-sustentável, inaugurado hoje, onde são reutilizadas terras, água e materiais envolvidos na sua construção.





Vídeo de Câmara Municipal de Lisboa (2012)



A Câmara de Lisboa inaugurou hoje o Jardim do Bairro Santa Cruz de Benfica, onde “durante mais de 20 anos dois edifícios albergaram toxicodependentes, sem-abrigo, prostitutas”, descreveu a presidente da Junta de Benfica, Inês Drummond.

A autarca socialista recordou que os edifícios foram demolidos em agosto de 2009, e que o presidente de câmara, António Costa, “prometeu construir um jardim enquanto não se decidisse o que fazer” naquele espaço.

Aos jornalistas, o autarca disse hoje que não há outro projeto para aquela zona e que o jardim manter-se-á naquele espaço “pelo menos pelo período das nossas vidas”.

O presidente de câmara lembrou que das primeiras vezes que visitou os dois edifícios emparedados - uma obra da Segurança Social que não estava concluída - ficou “impressionado” com a “degradação humana” do “centro de consumo e tráfico de droga” do também conhecido como ‘bunker de Santa Cruz’.

“Era hora de almoço, fiquei impressionado com a quantidade de pessoas a entrar e a sair, a injetarem-se e a cair no chão. Era uma situação insuportável que era importante derrubar, para construir alguma coisa ali para que nunca mais voltasse a ser o que era”, descreveu.

António Costa afirmou que “aquele edifício podia ter sido substituído por outro, mas o que era importante para o bairro era o jardim” e que a câmara “não quis fazer dinheiro”, mas “criar um espaço de fruição da população”, que há muito pedia a demolição do ‘bunker’.

O autarca socialista defendeu que “não se pode ficar parado a chorar a crise” e que “esta é uma altura de viver de forma diferente”, sendo que “em vez das grandes obras há espaço para as pequenas que mudam a qualidade de vida da população”.

Assim, o novo jardim, que vai ser “autossustentável a longo prazo”, como definiu o engenheiro agrónomo responsável pela obra, Francisco Manso, devido às espécies autóctones de Lisboa, o aproveitamento da água de uma nascente local - onde foi construído um pequeno lago - e o reaproveitamento dos materiais da própria demolição dos edifícios “que modelou o jardim”, explicou. Também terras de obras da CRIL foram aproveitadas.

Para “não ser necessário recorrer a corta-relvas” e “poupar no dióxido de carbono”, uma ovelha vai ser “adotada pelos moradores assim que for construído um abrigo com materiais recicláveis”, informaram Francisco Manso e Inês Drummond.

A manutenção do espaço vai ser feita por um grupo de voluntários do bairro.

O jardim está a ser avaliado para ser o primeiro, a nível nacional, certificado pela World Sustainability Society."






domingo, 27 de novembro de 2011

"Ainda há Poesia nas Cidades" -(2)






(por Alexandra Carvalho)



Fotografia de Alexandra Carvalho (2011)



Os jardins da nossa freguesia estão cada vez mais bonitos... e, também, muito originais (ainda há quem, anonimamente, lhes confira um toque de Poesia)!

Esta tarde, na Alameda Padre Álvaro Proença, junto aos "Jardins de Benfica".







sexta-feira, 8 de julho de 2011

Parque Silva Porto - Revisitar a Mata de Benfica, 40 anos depois…






(por Fausto Castelhano)






Vídeo de Alexandra Carvalho (2011)
Fotografias: Fausto Castelhano, Arquivo Municipal de Lisboa e outros.





Largamente propagandeado nos órgãos de Comunicação Social, jornais, rádio, televisão, além de folhetos, cartazes e, ainda, nas Redes Sociais que se apresentam, nos dias de hoje, como veículo de enorme divulgação de notícias, acontecimentos, etc., foi solenemente inaugurado, às 15.00 horas do dia 8 de Julho de 2011, o tão badalado Extreme Adventure, vulgo, Parque Aventura, na Freguesia de Benfica e localizado no Parque Silva Porto, mais conhecido pela população local por Mata de Benfica.




António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa na ousada e espectacular escalada de 2 metros, inaugura o 1º Parque Aventura da Cidade de Lisboa na Mata de Benfica ou Parque Silva Porto.
(Foto CML)




Pomposamente anunciado como o 1º Parque Aventura da Cidade de Lisboaseria, certamente, iniciativa espaventosa e de encher o olho ao mais incauto mas que, entretanto, vai desviando o povoléu dos problemas verdadeiramente essenciais e dramáticos com que, hoje em dia, infelizmente, se vai debatendo a população lusa…











sábado, 11 de junho de 2011

Requalificação do Jardim do Mercado de Benfica




(por Alexandra Carvalho)







Vídeo de "Retalhos de Bem-Fica" (2011)





Sendo Benfica uma freguesia com tão poucos espaços verdes, é de saudar a iniciativa da Junta de Freguesia de Benfica no que diz respeito à requalificação do Jardim do Mercado de Benfica, na Rua João Frederico Ludovice.

Depois de quase um ano de trabalhos, podem agora observar-se as melhorias efectuadas neste jardim, das quais constaram:

- a reconfiguração dos seus pavimentos (com a criação de "pistas" para as muitas pessoas que praticam a caminhada ou o jogging);
- a aquisição de novas espécies herbáceas e arbustivas;
- a requalificação dos nove canteiros envolventes e construção do sistema de rega;
- a colocação de relva nova em toda a zona central do jardim;
- a criação de uma zona de sombreamento, com novos bancos e mesas;
- a aquisição de um sanitário público portátil;
- a aquisição de novos bebedouros públicos;
- a colocação de uma placa sinalizadora e "educadora" relativamente aos dejectos caninos.


Esperemos, agora, que os habitantes de Benfica saibam usufruir plena e condignamente deste espaço verde reestruturado, respeitando o direito à livre e apropriada fruição deste Jardim por todos!...






domingo, 8 de maio de 2011

Vamos replicar os bons exemplos: PLANTA UM ARBUSTO!!!



(por Maria Cecília Carril)



Fotografia de Maria Cecília Carril (2011)



O parque de estacionamento para automóveis localizado junto ao Cemitério de Benfica, na Rua João Ortigão Ramos, foi construído para ajudar a solucionar, em parte, o problema de estacionamento da zona.

O objectivo inicial seria, também (penso!), criar um espaço verde agradável no meio desta zona tão poluída. Tendo para isso, aquando da sua construção, sido plantadas árvores e algumas alfazemas nos canteiros inseridos dentro do perímetro do parque de estacionamento.

O espaço exterior ao parque de estacionamento, junto à parede do Cemitério, teve direito à colocação de algumas (poucas) árvores, não se podendo dizer o mesmo da parte lateral, que ficou completamente votada ao abandono.



Fotografia de Maria Cecília Carril (2011)



Em Agosto de 2010, uma empresa contratada pela Câmara Municipal de Lisboa procedeu à demolição e reconstrução da parede do Cemitério, que ameaçava ruir.

Obras imprescindíveis? Claro que sim, mas também teria sido uma boa oportunidade para dar um pouco mais de dignidade a toda aquela zona… o que nunca foi feito!



Fotografia de Maria Cecília Carril (2011)



A quem terei que atribuir responsabilidades por este "esquecimento"? À Junta de Freguesia de Benfica ou à Câmara Municipal de Lisboa?
Sinceramente, não sei, uma vez que todo o espaço do parque de estacionamento e zonas envolventes se encontram retalhados entre a pertença às duas entidades, não sabendo o mais comum dos moradores onde começa a pertença a uma e à outra entidade.



Fotografia de Maria Cecília Carril (2011)




Esta manhã, o espaço adjacente ao parque de estacionamento, junto à parede do Cemitério, coberto de terra batida, pedregulhos e sobras de material de obras, acordou mais florido...

Dois moradores da Rua João Ortigão Ramos - a quem, desde já, felicito (tencionando fazê-lo, também, pessoalmente) -, pela calada da noite, como se estivessem a cometer um crime, decidiram plantar um minúsculo arbusto no meio daquele triste descampado… provavelmente, por, também, já estarem fartos de vislumbrar o local nas condições em que se encontra.

Enquanto cidadãos, todos nós temos direitos, mas, também, deveres cívicos que podemos (e devemos) exercer, de modo a criar uma melhor vida em sociedade (não só para nós próprios, como também para os outros!)…

Daí que este acto de cidadania ambiental de dois vizinhos me fez surgir uma ideia: - Vamos replicar este bom exemplo e criar um espaço agradável, do qual todos possamos usufruir!
Apelo, assim, a todos os moradores da Rua João Ortigão Ramos que estejam interessados, que se unam e comecem a plantar os seus próprios arbustos ou plantas naquele espaço votado ao abandono. Ficando, paralelamente, encarregues de regarem periodicamente as suas plantações.

Sairemos todos beneficiados: - os moradores terão um espaço verde criado pelas próprias mãos (à semelhança de outros que já existem em Benfica), ajudando, em simultâneo, as autoridades competentes, que ficarão com menos um problema para se preocuparem!

TOMEMOS NAS NOSSAS MÃOS O DESTINO DOS ESPAÇOS PÚBLICOS EM QUE HABITAMOS!










sábado, 26 de fevereiro de 2011

Primavera nas Vilas





(por Alexandra Carvalho)





Vídeo de "Retalhos de Bem-Fica" (2011)




O que a desmatação das Vilas (realizada a 22 e 23 de Fevereiro) teve de positivo, para além da considerável melhoria do impacto visual de dois edifícios centenários (património histórico da freguesia de Benfica), foi, sem dúvida alguma, o ter tornado visíveis alguns aspectos que desconhecíamos nos edifícios (como por exemplo, o caminho existente do lado esquerdo da Vila Ana e o que resta do muro sobranceiro ao mesmo, ou as escadas do 1º andar Dto. da Vila Ventura que davam acesso à antiga quinta)...



Logradouro da Vila Ventura - Antes e Depois
Fotografias de Alexandra Carvalho (Novembro 2010 e Fevereiro 2011)

[clicar na imagem para ampliar]



Vista geral das traseiras da Vila Ana e da Vila Ventura - Antes e Depois
Fotografias de Alexandra Carvalho (Novembro 2010 e Fevereiro 2011)

[clicar na imagem para ampliar]




A desmatação das Vilas tornou, também, mais flagrante o estado perigoso em que se encontram algumas zonas, sobretudo ao nível do muro dos logradouros ainda existentes na Vila Ventura e do telhado de uma das arrecadações).

Enquanto isso, o contentor onde foram recolhidos os detritos vegetais resultantes desta desmatação, continua a permanecer no local!...




Mais uma vez, o Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura saúda a iniciativa tomada pela empresa proprietária das Vilas de desmatar os terrenos envolventes às mesmas (situação para a qual já vínhamos alertando há largos meses).

Continuando, todavia, a aguardar mais desenvolvimentos e, sobretudo, transmissão de informação sobre as negociações que têm sido empreendidas pela CML junto do Dr. Henrique de Polignac Barros (director da empresa proprietária das Vilas), no que diz respeito ao cumprimento da intimação para a realização de obras de conservação (tal como nos havia sido prometido pela Vereadora da Habitação, Arqª. Helena Roseta na Reunião descentralizada da CML, realizada em Benfica, a 02/12/10).








terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

É ver para crer!...




(por Alexandra Carvalho)



Depois de um longo e perigoso Verão, esta tarde as fachadas principais e as traseiras da Vila Ana e da Vila Ventura foram integralmente desmatadas, por ordem do seu proprietário.





Fotografias de Alexandra Carvalho (2011)




O Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura saúda esta iniciativa, que considera extremamente positiva.

Continuando, todavia, a aguardar mais desenvolvimentos sobre este caso, em particular no que diz respeito ao cumprimento da intimação para a realização de obras de conservação nestes dois imóveis, património histórico da freguesia de Benfica.








sábado, 15 de janeiro de 2011

Recantos de Benfica




(por Alexandra Carvalho com Fausto Castelhano)





Imagine um Futuro,
onde cada espaço vazio e inutilizado,
nas grandes cidades,

seria utilizado para fazer nascer novos espaços verdes...





Vídeo de "Retalhos de Bem-Fica" (2011)




Os dois exemplos apresentados no vídeo acima são, de facto, bastante contrastantes!...

Mas o repto que aqui lançámos aos moradores é sincero, porque acreditamos que, independentemente da existência de instituições (que tutelam ou são responsáveis por determinadas situações), os cidadãos não se podem (nem devem) dirimir de participar na melhoria do seu quadro de vida, contribuindo directamente para a mesma (sobretudo, através da implementação de iniciativas de carácter comunitário).

Neste sentido, os jardins comunitários representam muito mais do que um simples passatempo, constituem, sobretudo, movimentos alternativos, independentes e colectivos, que lutam pela preservação do meio ambiente e da própria sociedade (como resposta à urbanização massiva e à crise de valores sociais); estimulando, em paralelo, o desenvolvimento dos próprios bairros (por via do qual se pode devolver às pessoas a representatividade e unidade de outrora).

Fruto da iniciativa cívica, os jardins comunitários podem, por isso mesmo, ser entendidos como locais através dos quais os habitantes conseguem conquistar o direito à cidade, ou seja, o direito a uma melhor qualidade de vida urbana.

Estes locais abertos a todos, favorecem os encontros entre diferentes gerações, culturas e classes sociais, permitindo tecer e estreitar laços dentro da comunidade, através da re-apropriação e reconfiguração do espaço exterior.


“O nosso jardim é um meio
de combater por uma sociedade mais justa.
Mas não é apenas o jardim em si mesmo,
mas, também, a organização que está por detrás dele,
e a forma como nos auto-organizamos."


Nadja, Community Garden, Buenos Aires





****



A cidade de Nova Iorque foi pioneira neste domínio, vendo aparecer nos anos 70 os primeiros "jardins partilhados" sob o nome de "community gardens".
É neste contexto de industrialização, de urbanização e de morosidade densa que a artista Liz Christy e o seu Movimento, baptizado "Green Guerrillas" decidem agir: plantar árvores, tratar dos terrenos, pintar as fachadas de verde, tornam-se as suas acções quotidianas.
Estes jardins comunitários nascem, assim, da iniciativa de alguns habitantes em conflito com a urbanidade, que deliberadamente se apropriam de terrenos abandonados no centro da cidade, por aí fazer os seus jardins comunitários.
Actualmente são cerca de 1.000 jardins comunitários que embelezam Nova Iorque e o Movimento "Green Guerrillas" continua activo para proteger este património foram do comum.

Actualmente, este fenómeno expandiu-se largamente por todos os países e cidades do mundo.

O governo Cubano, por exemplo, via nestes jardins comunitários uma solução original, eficaz e durável para alimentar a população e lutar contra a fome, após a queda da União Soviética; tendo mesmo incentivado e enquadrado o desenvolvimento desta agricultura urbana ao inscrevê-la na sua política oficial.

No Japão, de há alguns anos a esta parte, os "jardins partilhados" têm nascido, sobretudo, nos telhados de Tóquio... Uma forma original de oferecer um pulmão verde a esta megalópole que não pára de crescer. Para os japoneses, estes jardins são assimilados a uma verdadeira fonte de paz e de tranquilidade em pleno coração da cidade.

Na Alemanha, o jardim comunitário também surge em toda a sua originalidade. Em Kreuzberg, bairro popular de betão em Berlim, os habitantes cultivam um jardim partilhado apelidado de "Prinzessinnengarten" (Jardim das Princesas), onde as plantas e vegetais crescem em garrafas de plástico, enquanto no "Gartencafé" (café do jardim), os visitantes são servidos com iguarias confeccionadas com produtos do jardim.

Em França, o primeiro "jardim partilhado" nasceu em Lille, em 1997. Estes jardins de bairro têm como antepassados os "jardins familiares", cultivados depois da 2ª Guerra Mundial; tendo o seu desenvolvimento, em França, sido realizado graças à iniciativa de algumas associações.
Em 2003, a Mairie de Paris, tomou a iniciativa de encorajar o desenvolvimento destes jardins colectivos através do programa "Main Verte", que regularizou e enquadrou esta nova forma de agricultura urbana.

A ideia dos jardins comunitários é, na verdade, bem mais antiga, pois já no século XIX, existiam os chamados "jardins familiares" na Alemanha. Tendo, em França, no final do século XIX, algumas ordens religiosas introduzido uma espécie de jardim comunitário, como forma de apoiar as famílias mais carenciadas com produtos hortícolas.











quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mata de Benfica - para quando a requalificação e revitalização?




(por Alexandra Carvalho com Mário Pires)



Foi em 1880 que João Carlos Ulrich, proprietário da antiga quinta e palácio da Feiteira, mandou plantar o bosque que hoje corresponde à área de pouco mais de 4 hectares do Parque Silva Porto.

Em 1910, este espaço foi cedido à Câmara Municipal de Lisboa (CML), para ali ser instalado um parque público (o qual começou a ser construído a 23/07/1911, numa cerimónia abrilhantada pela presença da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica).





Vídeo de "Retalhos de Bem-Fica" (2011)
Música: "Rue des Cascades", de Yann Tiersen




O Parque Silva Porto, mais conhecido por Mata de Benfica, faz parte das (boas) memórias de diversas gerações de Benfica e não só (conforme podemos ver nos testemunhos apresentados aqui, aqui e aqui).

Infelizmente, a nossa sociedade ao desenvolver-se, dando preferência a uma série de outras infraestruturas, não teve por este espaço de verde (único na nossa freguesia!) o respeito que o mesmo merecia (e que, civicamente, os habitantes de Benfica deveriam exigir da autarquia!)...

Durante anos a fio, a Mata de Benfica tem estado votada ao completo abandono, com uma série de carências e flagelos, que fazem com que o público pouca vontade tenha de aí regressar.

No Verão passado, surgiu a notícia de que o Café e Esplanada da Mata de Benfica viriam a ser explorados pelo Clube Futebol Benfica, num acordo realizado com a CML... Infelizmente, foi sol de pouca dura, na medida em que, ao empreender as diligências necessárias para a abertura do Café, esta instituição desportiva esbarrou com uma série de problemas burocráticos com determinados serviços, o que veio a inviabilizar que, nessa altura estival, este equipamento tenha proporcionado agradáveis momentos aos habitantes da freguesia.

No passado dia 22/12/10, na 57.ª Reunião da Câmara Municipal de Lisboa, ia ser aprovada a Proposta n.º 749/2010 (subscrita pelo Sr. Vereador Manuel Brito e pela Sr.ª Vereadora Graça Fonseca), que visava o aditamento ao Protocolo de Delegação de Competências na Junta de Freguesia de Benfica e respectiva transferência de verba para a realização de obras no Parque Silva Porto.

Esperemos que a mesma se venha a concretizar... E que, muito em breve, a Mata de Benfica, requalificada e com actividades que lhe dêem vida, possa voltar a ser um dos ex-libris da nossa freguesia!










domingo, 2 de janeiro de 2011

Os Jardins de Benfica são uma prioridade (2)




(por Alexandra Carvalho)



Em Julho de 2010, os munícipes de Benfica receberam nas suas caixas do correio este ofício assinado pela Senhora Presidente da Junta de Freguesia, sensibilizando para a necessidade do envolvimento e responsabilização dos moradores no que diz respeito à manutenção dos jardins públicos, de modo a que o Executivo pudesse avançar adequadamente com uma das suas prioridades: - recuperar os jardins de Benfica.



Fotografia de Sónia Ferreira (Julho/2010)



Em Julho de 2010, depois de alguns largos meses desactivados, os bebedouros do jardim junto ao Mercado de Benfica e Clube Futebol Benfica foram substituídos por novos modelos, de design mais arrojado (esperemos que, ainda assim, devidamente funcionais para o público).



Fotografia de Mário Pires (Setembro/2010)



Em Setembro de 2010, no mesmo jardim, começou a ser montada uma estrutura em ferro, junto aos assentos de pedra... quiçá, para criação se zonas de sombreamento (?).




Fotografias de Alexandra Carvalho (Dezembro/2010)



Antes do ano se findar, em Dezembro passado, ainda no mesmo jardim citado acima, começaram alguns trabalhos no solo (possivelmente, fruto da aprovação da Proposta n.º 729/2010 - para o aditamento ao Protocolo de Delegação de competências com a Junta de Freguesia de Benfica com vista à reconfiguração dos pavimentos no Jardim do Mercado de Benfica, na Rua Frederico Ludovice, e respectiva transferência de verba - na 57.ª Reunião da Câmara Municipal de Lisboa, a 22/12/10).



Tendo em linha de conta o conteúdo do ofício emitido aos moradores pela Junta de Freguesia de Benfica, em Julho de 2010, e com vista a uma profícua utilização dos jardins da nossa freguesia por todos os cidadãos, o "Retalhos de Bem-Fica" gostaria de aqui deixar como sugestão (caso ainda possamos ir a tempo para esse efeito) a implementação de algo semelhante ao que a Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica já efectua em alguns dos seus jardins (ver fotografias abaixo)...



W.C. Canino no Jardim da Rua Padre Francisco Álvares
Fotografias de Alexandra Carvalho (Dezembro/2010)



Seguramente que a implementação de um "utilitário" deste género continuaria a exigir o civismo e educação de todos os donos de cães, assim como uma manutenção por parte dos serviços de limpeza; mas, certamente, que seria bastante mais eficiente do que a inexistente fiscalização de quem quer que seja, que continua a permitir que, independentemente de existirem coimas para a não limpeza de dejectos caninos, os mesmos persistam em multiplicar-se a olhos vistos, não só nos jardins, mas, sobretudo, nas ruas de Benfica!






sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O "Jardim das Marias"



21/01/08

Originalmente publicado in "Palavras & Imagens"






"Sim, o homem é o seu próprio fim. E é o seu único fim.
Se quer ser qualquer coisa, tem de ser nesta vida. (...)
Os conquistadores são os que podem mais.
Mas não podem mais do que o próprio homem quando ele o quer."

Albert Camus, in "O Mito de Sísifo"





Fotografias de Alexandra Carvalho



De início, era um simples terreno vazio, que sobrara entre dois quarteirões de prédios de ruas vizinhas.
Nenhuma entidade responsável se decidira a fazer o que quer que fosse pelo dito cujo terreno. Até que os moradores vizinhos se uniram e meteram mãos à obra, transformando aquele espaço-de-ninguém num aprazível jardim comunitário.

Sabia da sua existência, mas nunca por ali havia passado...
Esta manhã, para encurtar caminho até à paragem de autocarro, decidi ir por ali. E o espanto foi imenso, quando vi o tamanho e a beleza daquele lugar.



Fotografia de Alexandra Carvalho



Comecei a tirar algumas fotos. Até que uma senhora, que por mim, passou indicou-me um outro local escondido naquele jardim, que "esse sim, merece a pena ser fotografado!", segundo as suas palavras.

Uma senhora de bata aos quadrados azuis e olhar terno de menina, sentada numa esplanada improvisada, dava de comida a uma gata, um dos dois felinos que habitam aquele jardim, segundo viria a descobrir mais tarde.




Fotografias de Alexandra Carvalho



Pausa na minha atribulada e atrasada manhã, para uma conversa com mais uma dessas pessoas que aqui no blog vou "coleccionando" (no bom sentido do termo, pelas suas interessantes histórias - ou momentos - de vida).
À despedida transmito-lhe os meus sinceros parabéns (extensivos a todos os seus vizinhos) pelo excelente trabalho que ali realizaram...
E prometo (a mim própria) ali regressar, muitas e muitas vezes, quando me apetecer desanuviar e pensar que me encontro longe do rebuliço da cidade.



Fotografia de Alexandra Carvalho



Surgiram nos E.U.A., durante os anos 70, quando um movimento de habitantes começou colectivamente a recuperar determinados espaços urbanos, dentro dos seus bairros, votados ao abandono, transformando-os em "jardins comunitários".
Cada um desses jardins cristalizava as aspirações do grupo de cidadãos que estivera na sua origem.

A primeira vez que vi algo semelhante a este jardim foi em Bayonne (França), num terreno junto ao rio, cedido pela Mairie, para que os habitantes mais desfavorecidos e excluídos de um determinado bairro da cidade pudessem ali ocupar os seus tempos livres.
O conceito era mais compartimentado e menos colectivo do que este jardim de Lisboa, uma vez que, em Bayonne, cada habitante tinha direito a uma pequena parcela de terreno, protegida com vedação... "rivalizando" cada um deles entre si, de modo a transformar a sua parcela em algo mais belo do que a do vizinho.

Espaços de solidariedade e troca, expressão de uma vitalidade social que ainda não está perdida nas grandes cidades...
Gostei deste conceito comunitário!


Mais informações sobre o "Jardim das Marias" aqui e aqui.






quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"O Novo Parque de Bemfica"




"A revista 'Ilustração Portugueza',
na sua edição de 7 de Agosto daquele ano
[1911]
,
noticiava o começo da obra,
no "lugar da Feitoria" (sic),
que classificava de
'grande melhoramento para a população'
(...)"






Em referência ao nosso post de ontem, onde deixámos um artigo da revista "Benfica Viva", a propósito da história do Parque Silva Porto (mais conhecido por "Mata de Benfica"), recebemos hoje por e-mail estas preciosíssimas imagens da revista "Ilustração Portugueza", que nos dão conta do início dos trabalhos de criação deste parque, em 1911.

Um grande bem-haja ao nosso leitor Carlos Vieira por este importante contributo!






[clicar nas imagens para as ampliar]



Imagens da revista "Ilustração Portugueza" - nº 285 de 7 Agosto de 1911,
gentilmente cedidas por Carlos Vieira.





quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Parque Silva Porto




aqui tínhamos deixado um testemunho muito pessoal sobre a famosa Mata de Benfica.
E hoje deixamos um artigo da revista da Junta de Freguesia de Benfica, que nos contextualiza melhor a história deste espaço verde.




[clicar nas imagens para ampliar]


Artigo disponível in Revista "Benfica Viva"
(ano II, Nº 8, II série, Outubro/07, págs. 14 e 15)





quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Diário Fotográfico do nascimento de um Jardim




A nossa leitora Conceição Alves e o seu marido têm acompanhado bem de perto as obras de reabilitação da Quinta da Granja, que deram origem a um novo espaço verde na freguesia de Benfica.

Aqui vos deixamos hoje algumas das fotografias que eles tiveram a amabilidade de partilhar com o "Retalhos de Bem-Fica".







Fotografias de João Gomes de Almeida





Aproveitamos, ainda, para informar que, no que diz respeito ao Projecto "Casa Grande", a casa que vai ser recuperada destina-se a jovens de ambos os sexos, com idades compreendidas a partir dos 16 anos e com o 9º ano de escolaridade.

As actividades a desenvolver no âmbito deste projecto são as seguintes:

- Obras de adaptação do edifício;
- Realização de acções de formação;
- Funcionamento dos serviços de reprografia, impressão e multimédia;
- Funcionamento dos serviços de lavandaria, engomadoria e costura;
- Abertura e funcionamento duma cafetaria e duma cozinha;
- Exploração do quiosque implantado no jardim.


De acordo com Conceição Alves (que não se encontra ligada a este projecto, mas tem uma amiga interessada em auxiliar o mesmo), todos nós podemos contribuir para a concretização deste projecto, bastando para isso contactar a APSA - Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger - geral@apsa.org.pt




segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Projecto "Casa Grande"





(por Alexandra Carvalho)




Fotografia de João de Almeida


Amanhã (06/10/09), às 15h, tem lugar uma cerimónia de início simbólico da recuperação da "Casa Grande" (sita na Quinta da Granja de Baixo).

Através de um protocolo celebrado com a APSA - Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger, nascerá, brevemente, neste edifício da antiga quinta, um espaço de formação e de emprego temporário, favorecendo a integração social e a construção de um projecto de vida futuro, com maior autonomia para indivíduos portadores da Síndrome de Asperger.
Neste espaço, aberto também à comunidade circundante funcionará uma cafetaria e uma esplanada, assim como lojas e ateliers (de entre os quais destacamos um Alfarrabista e uma oficina de recuperação de livros).

No Jardim da "Casa Grande" existirá uma Estufa, Viveiros, Hortas e um pomar biológico.

Em relação ao jardim, que já tínhamos aqui referido, será inaugurado na quarta-feira pelo Dr. Antonio Costa, às 10h.



Muito obrigada à nossa leitora, Conceição Alves, pelo envio desta informação!






domingo, 13 de setembro de 2009

A "Nova" Quinta da Granja







A notícia já corria há algum tempo, mas ainda eram muitos os habitantes que duvidavam da mesma!...







Fotografias de Tiago Carvalho



Afinal, as obras na Quinta da Granja começaram mesmo (os primeiros tapumes apareceram logo depois da repavimentação da estrada na Av. do Colégio Militar e, desde então, o processo tem sido célere), para dar origem ao Parque Urbano da Quinta da Granja.





Fotografias disponíveis em
Câmara Municipal de Lisboa



Nos terrenos da Quinta da Granja de Baixo, propriedade municipal, vai nascer, até ao final de 2009, um Parque Urbano destinado ao lazer e às práticas de ar livre, dotado de uma ampla área verde e mobiliário urbano adequado. Deste Parque partirá um corredor pedo-velocipédico, que atravessará uma zona de hortas no fundo do vale (que serão mantidas e requalificadas), permitindo a peões e ciclistas a ligação a outros espaços verdes do Parque Periférico, nas zonas de Carnide e do Lumiar.

Como em tudo na vida, já existem alguns moradores descontentes com o facto de os montes que ali "nasceram" (ver fotos nº 5 e 6) irem permanecer mesmo assim (altos e junto aos prédios), invocando que quem estiver em cima deles conseguirá ver tudo para dentro das suas casas (no 1º andar).
Mas, sinceramente, perante a hipótese de ter ali mesmo à porta de casa um espaço verde, há coisas às quais nem se devia ligar (só mesmo nós, portuguesinhos, nos lembramos de ir espreitar para as janelas dos outros, quando na Holanda e noutros países europeus nem sequer usam cortinas e é ver o tamanho das suas amplas janelas)!

De saudar, também, a iniciativa que, contra ventos e marés, continua a ser mantida na Quinta da Granja de Cima pela família Canas da Silva.






domingo, 10 de maio de 2009

Jardim Comunitário das Pedralvas - 2









Durante anos a fio, do outro lado da estrada, num pequeno descampado perto do papelão e de uma garagem improvisada, apenas uma flor de haste alta persistia, teimando em vingar por entre um monte de escombros.
Por vezes, a flor desaparecia, talvez cortada por alguém que por ali passava e se rendia aos seus encantos.







De repente, numa tarde do Verão passado, as "hortelãs" vieram e tomaram o poder sobre mais um espaço de ninguém, votado ao abandono e deterioração.







Os meses foram passando, e as incertezas quanto à qualidade daquela terra e se o jardim ali vingaria iam sendo cada vez maiores.

Felizmente, elas não esmoreceram, e conseguiram transformar mais este espaço num pequeno paraíso comunitário (idêntico ao trabalho de reabilitação urbano-ambiental que já aqui tinham realizado).





Por entre um jardim construído em socalcos, a flor de haste alta impera agora, altaneira e imperturbável, sem que ninguém tema que venha a ser cortada.

Apenas a infindável quantidade diária de automóveis ali estacionados era, de facto, dispensável!...