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quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dia da Espiga











Fotografia de Alexandra Carvalho (2010)



"O Dia da Espiga, coincidente com a Quinta-feira da Ascensão, é uma data móvel que segue o calendário litúrgico cristão.

Mas, se actualmente poucas são as pessoas que ainda vão ao campo nessa quinta-feira, abandonando as suas obrigações, para apanhar a espiga, ou que se deslocam às igrejas para participar nos preceitos religiosos próprios da data, tempos houve em que, de norte a sul do país, esta foi uma data faustosa, das mais festivas do ano, repleta de cerimónias sagradas e profanas, que em muitas zonas implicava mesmo a paragem laboral.
A antiga expressão “no Dia da Ascensão nem os passarinhos bolem nos ninhos” deriva dessa tradição. 


A origem gaudiosa deste dia é, contudo, muito anterior à era cristã. Este dia é um herdeiro directo de rituais gentios, realizados durante séculos, por todo o mundo mediterrâneo, em que grandiosos festivais, de intensos cantares e danças, celebravam a Primavera e consagravam a natureza. 

Para os povos arcaicos, esta data, tal como todos os momentos de transição, era mágica e de sublime importância. Nela se exortava o eclodir da vida vegetal e animal, após a letargia dos meses frios, e a esperança nas novas colheitas. 

A Igreja de Roma, à semelhança do que fez com outras festas ancestrais pagãs, cristianiza depois a data e esta atravessa os tempos com uma dupla acepção: como Quinta-feira de Ascensão, para os cristãos, assinalando, como o nome indica, a ascensão de Jesus ao Céu, ao fim de 40 dias; e como Dia da Espiga, ou Quinta-feira da Espiga, esta traduzindo aspectos e crenças não religiosos, mas exclusivos da esfera agrícola e familiar. 

O Dia da Espiga é então o dia em que as pessoas vão ao campo apanhar a espiga, a qual não é apenas um viçoso ramo de várias plantas - cuja composição, número e significado de cada uma, varia de região para região –, guardado durante um ano, mas é também um poderoso e multifacetado amuleto, que é pendurado, por norma, na parede da cozinha ou da sala, para trazer a abundância, a alegria, a saúde e a sorte. 
Em muitas terras, quando faz trovoada, por exemplo, arde-se à lareira um dos pés do ramo da espiga para afastar a tormenta. 

Não obstante as variações locais, de um modo geral, o ramo de espiga é composto por pés de trigo e de outros cereais, como centeio, cevada ou aveia, de oliveira, videira, papoilas, malmequeres ou outras flores campestres. 
E a simbologia de cada planta, comumente aceite, é a seguinte: o trigo representa o pão; o malmequer o ouro e a prata; a papoila o amor e vida; a oliveira o azeite e a paz; a videira o vinho e a alegria; e o alecrim a saúde e a força. 

Além destas associações basilares ao pão e ao azeite, a espiga surge também conotada com o leite, com as proibições do trabalho e ainda com o poder da Hora, isto é, com o período de tempo que decorre entre o meio-dia e a uma hora da tarde, tomando mesmo, nalguns sítios do país a designação de Dia da Hora. 
Nas localidades em que assim é entendida esta quinta-feira, acredita-se que neste período do dia se manifestam os mais sagrados e encantatórios poderes da data e nas igrejas realiza-se um serviço religioso de Adoração, após o qual toca o sino. 
Diz a voz popular que nessa hora “as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e até as folhas se cruzam”
Nalgumas povoações era também do meio-dia à uma que se colhia a espiga." *** 







*** Bibliografia consultada:

OLIVEIRA, Ernesto Veiga - Festividades Cíclicas em Portugal. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1984. 357 p.(Colecção Portugal de Perto n.º 6).







terça-feira, 1 de novembro de 2011

Dia de Todos os Santos e Dia de Finados





(por Alexandra Carvalho)




Fotografia de Alexandra Carvalho (2006)




Durante 25 anos, morei na rua do Cemitério de Benfica.
Havia quem não compreendesse como ali conseguia viver, janelas a darem directamente para uma visão plena das campas e sarcófagos.
Apesar de não conseguir ainda aceitar o conceito de morte, a mim, sinceramente, nunca me fez impressão morar em frente ao Cemitério de Benfica, porque considero que é dos vivos (e não dos mortos) que temos que ter medo.

O Dia de Todos os Santos (a 1 de Novembro) e o Dia de Finados ou Dia dos Mortos (a 2 de Novembro), em que as pessoas vão aos cemitérios para rezar pelos seus mortos, é que sempre me fizeram alguma aflição, quando morava perto do Cemitério de Benfica, pela forma quase obrigatória com que me parecia que algumas pessoas ali se deslocavam (evitando lá ir no resto do ano).







terça-feira, 18 de outubro de 2011

40º aniversário do Mercado de Benfica





(por Alexandra Carvalho)




O Mercado de Benfica faz amanhã, dia 19 de Outubro, 40 anos.

Para celebrar esta bonita data, os comerciantes do Mercado convidam todos os seus clientes a degustarem um bolo de aniversário (no dia 19) e oferecem-lhes uma noite de fado (no dia 22, às 21h).




Direitos de autor: Junta de Freguesia de Benfica, Associação dos Comerciantes e Empresários de Benfica

[clicar no cartaz para ampliar e ler]




"Visita do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, França Borges, às obras do novo mercado de Benfica em construção" (1970)
Armando Serôdio, in Arquivo Municipal de Lisboa




A construção do Mercado de Benfica iniciou-se em 1970, tendo sido o último mercado municipal a ser inaugurado antes do 25 de Abril de 1974.
Abriu as suas portas ao público no dia 19 de Outubro de 1971.

Nos seus primórdios, o local onde viria a ser construído este mercado era composto por 12 casas térreas pertença da Câmara Municipal; as quais conviviam, num misto de ruralidade ancestral, com uma vacaria pertença da Quinta da Casquilha.





segunda-feira, 13 de junho de 2011

Santo António de Lisboa





"Quem não pode fazer grandes coisas,
faça ao menos o que estiver na medida de suas forças;

certamente não ficará sem recompensa."


Santo António





Vídeo de Câmara Municipal de Lisboa (1995)








segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 de Abril...




"A 24 de Abril de 1974 a polícia política tinha 2626 funcionários. A PIDE/DGS ocupava 39 edifícios do Estado e arrendava 60 outros.

Nalguns desses edifícios, portugueses torturavam portugueses.

É difícil de imaginar o que será passar 31 dias e 31 noites sem dormir, sob a tortura do sono."
**





Reportagem intitulada "24 de Abril",
transmitida pela SIC a 24/04/11 na "Grande Reportagem".





Para te conhecer...
Para te nomear...

LIBERDADE





Fotografia de Alexandra Carvalho (2011)




Ler aqui um excelente testemunho histórico, de Fausto Castelhano, sobre os eventos do 25 de Abril de 1974 que tiveram lugar na nossa freguesia de Benfica.






** In Reportagem intitulada "24 de Abril", transmitida pela SIC a 24/04/11 na "Grande Reportagem".








segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Abertura Oficial do Ano Lectivo de 2010/2011 e recepção solene aos alunos na Stimuli/Unisben


No passado dia 15 de Outubro de 2010 e num ambiente de verdadeira amizade e confraternização, a Stimuli/Unisben procedeu à abertura oficial do Ano Lectivo de 2010/2011 e à recepção solene aos alunos.








A comemoração teve início com a Tuna Académica da Stimuli/Unisben, sob a direcção de Guilherme Cancelinha, que desceu à rua com a sua música e cantares. Desfilou pela Avenida do Uruguai e actuou junto à Livraria "Ulmeiro" sob o entusiasmo da população que aí se concentrou.

No espaço da Stimuli/Unisben, actuou um conjunto de jovens do Grupo de Percussão Bombrando da vizinha Freguesia da Brandôa com os seus bombos, tambores e gaita-de-foles e sob a orientação do Prof. António Neves... Um espectáculo!
A completar a parte musical, a Tuna Académica da Stimuli/Unisben entrou em cena... Em cheio!

Procedeu-se à abertura do ano Lectivo de 2010/2011 com uma pequena intervenção do Prof. Carlos Consiglieri, Presidente do Conselho Directivo/Pedagógico da UNISBEN - Universidade Intergeracional de Benfica.
Breves intervenções da Presidente da Junta de Freguesia de Benfica, Inês Drumond, Presidente da Assembleia de Freguesia de Benfica, Ricardo Saldanha e Jorge Trigo do Departamento da Hemeroteca da Câmara Municipal de Lisboa que nos honraram com a sua presença.

Depois, seguiu-se um beberete em grande... Um dia inesquecível...





terça-feira, 5 de outubro de 2010

Centenário da República




"Viva a Cidade de Lisboa! Viva a Republica Portugueza!"






Acta da Sessão Extraordinária da Câmara Municipal de Lisboa de 5 de Outubro de 1910
In Hemeroteca Digital

[clicar para ampliar as imagens]









quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dia da Espiga




(por Alexandra Carvalho)






Fotografias de Alexandra Carvalho (2010)



O Sr. António Cortez tem uma horta "ali para os lados do Colégio Militar, um pouco antes de chegar ao Colombo", como me explica.

Levantou-se bem cedo esta manhã, para conseguir um dos melhores pontos para a sua venda, mesmo em frente à Igreja de Benfica, junto ao quiosque de jornais.

Cada raminho a 1€ e as vendas correm de feição. "Se tivesse trazido mais, ao fim do dia não sobrava nenhuma, pode crer!", explica-me.

E as pessoas passam, param e escolhem... miram e remiram... e não se contentam com o primeiro ramo que o Sr. Cortez lhes propõe e continuam a mexer e remexer, procurando o "melhorzito, que tenha tudo" e lhes traga algo de bom para todo o ano.

O Sr. Cortez sorri quando lhe peço para tirar uma foto e diz-me que com sol seria melhor, que "hoje o dia não está famoso".




Fotografias de Alexandra Carvalho (2010)




Quarenta dias depois da Páscoa, na quinta feira de Ascensão, festeja-se o Dia da Espiga.

A origem deste dia é, contudo, muito anterior à era cristã. Este dia é um herdeiro directo de rituais pagãos, realizados durante séculos, por todo o mundo mediterrâneo, em que grandiosos festivais, de intensos cantares e danças, celebravam a Primavera e consagravam a natureza.
Para os povos arcaicos, esta data, tal como todos os momentos de transição, era mágica e de sublime importância. Nela se exortava o eclodir da vida vegetal e animal, após a letargia dos meses frios, e a esperança nas novas colheitas. Crê-se que esta celebração tenha origem nas antigas tradições pagãs e esteja ligada à tradição dos Maios e das Maias.

A Igreja de Roma, à semelhança do que fez com outras festas ancestrais pagãs, cristianiza depois a data e esta atravessa os tempos com uma dupla acepção: como Quinta-feira de Ascensão, para os cristãos, assinalando, como o nome indica, a ascensão de Jesus ao Céu, ao fim de 40 dias; e como Dia da Espiga, ou Quinta-feira da Espiga, esta traduzindo aspectos e crenças não religiosos, mas exclusivos da esfera agrícola e familiar.

O Dia da Espiga celebrava-se, noutros tempos, com um passeio matinal, em que se colhiam espigas de vários cereais, flores campestres e raminhos de oliveira para formar um ramo, a que se chama de espiga.
Segundo a tradição o ramo deve ser colocado por detrás da porta de entrada, e só deve ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte. Traz(ia) abastança, sorte e saúde aos donos da morada.

As várias plantas que compõem a espiga têm um valor simbólico profano e um valor religioso.
A simbologia por detrás das plantas que formam o ramo de espiga:

* Espiga – pão;
* Malmequer – ouro e prata;
* Papoila – amor e vida;
* Oliveira – azeite e paz;
* Videira – vinho e alegria e
* Alecrim – saúde e força.


O dia da espiga era também o "dia da hora" e considerado "o dia mais santo do ano", um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas se cruzam". Era nessa hora que se colhiam as plantas para fazer o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais. Em dias de trovoadas queimava-se um pouco da espiga no fogo da lareira para afastar os raios. ***






*** Bibliografia utilizada:

OLIVEIRA, Ernesto Veiga. "Festividades Cíclicas em Portugal". Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1984. 357 p. (Colecção Portugal de Perto n.º 6).






segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

"Benfica em Festa!"




Recebi, recentemente, um e-mail do Domingos Estanislau que me deixou muito entusiasmada e com a cabeça já a fervilhar de ideias...

E tenho quase a certeza que, também, vai deixar muitos dos nossos leitores no mesmo estado!






Fotografia do Clube Futebol Benfica (2008)
Arranjos gráficos de Alexandra Carvalho




"Como todos sabem Junho é o mês das festas da nossa cidade.

As Marchas Populares, são porventura, o expoente máximo dessas comemorações, que atrai tanta gente à cidade de Lisboa e é a expressão mais genuína da cultura popular de Lisboa.


Organizar e pôr de pé uma Marcha é uma tarefa complicada e naturalmente trabalhosa, mas trata-se de um evento a preservar porque aí está explanado o sentimento genuíno de um povo que não esquece as suas tradições e culturas.


Apesar dos tempos serem outros, o povo de Lisboa, não deixa morrer as suas raízes e por isso , com empenho e dedicação, vem para a rua no dia 12 de Junho e manifesta-se de forma saudável, acarinhando e saudando os representantes dos seus bairros que garbosamente e com alegria desfilam na Avenida da Liberdade.


BENFICA, mais uma vez vai estar presente nesta grande manifestação popular, de cor, alegria e vivacidade.
A nossa Marcha, a de BENFICA, mais uma vez vai estar presente.

Gostaríamos que o mês de Junho fosse também um reavivar de memórias e, como tal, embalados pelos eventos que em Lisboa por essa altura das Festas de Lisboa vão acontecer, estamos empenhados em fazer reviver os Santos Populares na nossa Freguesia.


A Junta de Freguesia, através do Pelouro da Cultura e o Executivo, mostram também empenho em que BENFICA se encontre com o seu passado e venha para a rua mostrar as suas tradições.


O Clube Futebol Benfica, vai empenhar-se nesta árdua tarefa e lança desde já e a partir daqui, a todos os habitantes da freguesia e também ao Comércio local ou outras Entidades um desafio: BENFICA EM FESTA, isto pressupõe sugestões e o que fazer.


Este blogue pode ser, efectivamente, um meio importante para uma grande realização que tenha em vista uma grande FESTA POPULAR no mês de Junho, por ocasião das FESTAS DA CIDADE.


Pela nossa parte os dados estão lançados.

Esperamos agora as vossas sugestões. Esta comunidade tem que se conhecer melhor. Tem que estabelecer laços. Tem que ter melhores afectos.

VAMOS A ISTO!


Domingos Estanislau"





Caros Amigos e Leitores do "Retalhos de Bem-Fica",

Na sequência do texto do Domingos Estanislau, podem remeter-nos as vossas sugestões para este "Benfica em Festa!" através de comentários aqui no blog, ou enviando e-mail para palavraseimagens@gmail.com.

Todas as sugestões serão devidamente reencaminhadas para o Domingos Estanislau, com quem contamos ter um encontro muito em breve, para falar melhor sobre esta iniciativa e linhas de acção da mesma.

Muito obrigada!






quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

FELIZ ANO NOVO!




Não se esqueçam que a (verdadeira) magia se esconde sempre nos locais (e nos personagens) mais improváveis (e esquecidos) das "nossas" cidades...






Este ano que agora finda foram todos vocês (que, diariamente, lêem, enviam comentários e/ou sugestões e foram entrevistados) que me ajudaram a "construir" este blog... pelo que aqui vos queria agradecer de uma forma muito sentida.

Votos de um excelente 2010 a todos os amigos e leitores do "Retalhos de Bem-Fica"... e que o novo ano permita que continuemos este bom caminho!





sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

"Poema de Natal"





Paris, Janeiro 2003



"Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados

Para chorar e fazer chorar

Para enterrar os nossos mortos —

Por isso temos braços longos para os adeuses

Mãos para colher o que foi dado

Dedos para cavar a terra.


Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer

Uma estrela a se apagar na treva

Um caminho entre dois túmulos —

Por isso precisamos velar

Falar baixo, pisar leve, ver

A noite dormir em silêncio.


Não há muito o que dizer:

Uma canção sobre um berço

Um verso, talvez de amor

Uma prece por quem se vai —

Mas que essa hora não esqueça

E por ela os nossos corações

Se deixem, graves e simples.


Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre

Para a participação da poesia

Para ver a face da morte —

De repente nunca mais esperaremos...

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas

Nascemos, imensamente."




Vinícius de Moraes




quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

"As Festas de Nª Senhora do Cabo na Terrugem"




Graças ao contributo do nosso leitor Carlos Vieira (a quem, desde já, agradecemos!), ficámos a conhecer uma tradição secular, cujos festejos tinham também lugar na freguesia de Benfica: as Festas de Nossa Senhora do Cabo na Terrugem.

A esse propósito junto anexamos quatro antiquíssimas e preciosas fotografias relativas à entrada da Nossa Senhora do Cabo em Benfica, a 5 de Agosto de 1894.











Fotografias da colecção particular de Eugénio Germano Baptista de autor não identificado

Disponíveis no blog "
Rio das Maçãs"










sexta-feira, 12 de junho de 2009

domingo, 12 de abril de 2009