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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Granizo em Benfica... outra vez!




(por Alexandra Carvalho)



Esta manhã, por volta das 8h30, e no espaço de uma hora, caíram duas chuvadas de granizo intenso em Benfica.

Autocarros parados ao nível de São Domingos de Benfica (junto ao Palácio do Beau Séjour), devido ao congestionamento provocado pelo granizo. Bombeiros na Estrada de Benfica, a desentupirem sarjetas (que já deveriam ter sido limpas há muito tempo atrás!)...

Ainda assim, em Abril de 2011, o granizo foi maior!...






Rua Emília das Neves
Fotografia de Alexandra Carvalho (2014)


Av. Grão Vasco
Fotografia de Alexandra Carvalho (2014)


Av. Grão Vasco
Fotografia de Alexandra Carvalho (2014)


Av. Grão Vasco
Fotografia de Alexandra Carvalho (2014)


Alameda Padre Álvaro Proença
Fotografia de Isabel Ramos (2014)


Estrada de Benfica, junto ao Largo Conde do Bonfim (São Domingos de Benfica)
Fotografia de Tiago Custódio (2014)






"Não nevou, mas o granizo deixou zonas da Grande Lisboa cobertas de branco"

Por Marisa Soares, in "PÚBLICO", 17/01/2014 - 09:36


"Lisboa, Oeiras e Cascais foram os concelhos mais afectados pela forte queda de granizo ao início da manhã. Várias zonas da capital ficaram inundadas e o trânsito tornou-se caótico, com vários acidentes. A instabilidade mantém-se durante o dia.

Ainda não foi desta que nevou em Lisboa, mas o granizo que caiu, ao início da manhã desta sexta-feira, um pouco por toda a área metropolitana deixou algumas zonas cobertas por um manto branco. A forte precipitação causou inundações em várias zonas de Lisboa, onde a circulação rodoviária se tornou caótica, com vários acidentes motivados pela existência de lençóis de água nas estradas. Por causa do mau tempo, quase todo o país está sob aviso laranja.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) registou 270 ocorrências, a maioria das quais em Lisboa. Na capital, os Sapadores Bombeiros receberam 11 pedidos de auxílio em 20 minutos, entre as 8h30 e as 8h50, sobretudo na zona de Benfica, devido a inundações. A temperatura baixa e a forte queda de granizo deixaram as estradas na zona de Benfica cobertas por um manto branco de gelo — um cenário parecido com o que se verificou a 29 de Abril de 2011, quando uma tempestade de granizo se abateu sobre a cidade, como se de um nevão se tratasse. Ao PÚBLICO, nesta sexta-feira, chegaram relatos de leitores sobre inundações e estradas cortadas também em Telheiras, bem como sobre queda intensa de granizo na margem Sul do Tejo, no concelho de Sesimbra.

Fonte do gabinete de Relações Públicas do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP adiantou que o trânsito está a fazer-se com grande dificuldade particularmente nas zonas baixas da cidade, que são mais propícias a cheias. 
(...)

A forte precipitação deu origem à formação de lençóis de água nas zonas mais baixas, levando à ocorrência de vários acidentes e despistes, sobretudo com motociclos, e todos eles com feridos, segundo a PSP. Há registo de um despiste de motociclo na Segunda Circular, no sentido Benfica-Aeroporto, junto à Escola Superior de Comunicação Social. Também no IC19 ocorreu um acidente na zona do Estado Maior da Força Aérea, que condicionou fortemente o trânsito. Para piorar, a circulação de comboios na Linha de Sintra esteve interrompida temporariamente esta manhã devido à queda mortal de um homem, com cerca de 70 anos, na linha do comboio. 
(...)

Quem optou por circular nos autocarros da Carris não teve melhor sorte. A acumulação de granizo impediu a circulação dos autocarros, sobretudo na Estrada de Benfica, junto ao Largo do Conde de Bonfim, afectando as carreiras 716, 746, 754, 758 e 768. Segundo a empresa, foi necessária a intervenção dos bombeiros e a situação mantinha-se às 10h30, gerando perturbações no serviço da Carris noutras zonas de Lisboa.

Em comunicado, a transportadora informa que as fortes chuvadas provocaram também interrupções da circulação, designadamente em Alcântara e Junqueira, obrigando à suspensão temporária da circulação de eléctricos. "O temporal provocou, ainda, avarias nos semáforos, com consequências no congestionamento da circulação", acrescenta.

(...)

Na quinta-feira, a ANPC resolveu subir para amarelo o nível de alerta para todos os distritos de Portugal continental, entre as 20h desta quinta-feira e o meio-dia de sábado. Em comunicado, alertou para a possibilidade de queda de neve na serra do Gerês, Montesinho, Alvão, Montemuro e Estrela com maior intensidade entre a meia-noite desta quinta-feira e as 20h de sábado.

A ANPC prevê também, para o litoral Norte e Centro (entre as 0h e as 9h de sexta-feira) e para o Sul (entre as 9h e as 20h) precipitação intensa acompanhada de granizo, rajadas fortes de vento que podem variar entre os 60 quilómetros por hora (Km/h) e os 100 Km/h. "É expectável a ocorrência de fenómenos extremos de vento", sublinha.

Por sua vez, o IPMA colocou quase todo o país em aviso laranja, que pressupõe uma situação meteorológica de risco moderado a elevado. Faro, Beja, Setúbal, Lisboa e Leiria estão sob aviso laranja quer devido à forte precipitação quer devido à forte agitação marítima. O IPMA prevê "aguaceiros por vezes fortes e de granizo acompanhados de trovoada com possibilidade de ocorrência de fenómenos extremos de vento", durante todo o dia e até ao início de sábado.

As actividades no mar são fortemente desaconselhadas, tendo em conta a previsão de ondas de noroeste até seis metros, ou até sete metros no sábado de manhã. Toda a costa está sob aviso laranja.

Os distritos que não estão "pintados" de laranja — Portalegre, Viseu, Vila Real e Bragança — estão a amarelo, que representa risco para determinadas actividades dependentes das condições meteorológicas."





sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

(Re)Calcetar a Rua com Tricot






(por Alexandra Carvalho)




Sete Rios, saída do Metro 
Fotografia de neoFOFO (2013)



De quando em vez, somos surpreendidos por coisas (bem) bonitas, feitas por gente que gosta de embelezar a cidade em que vive (para si e para os Outros)... 
Gente que toma parte do seu tempo para dedicar a projectos de intervenção urbana na cidade, que não se resumem (apenas) a graffitis.

O neoFOFO é um desses projectos, que pretende, também, alertar para o mau estado da calçada portuguesa.

Patrícia Simões, uma das autoras do projecto, conta-nos que:
 "(...) em Benfica uma velhinha meteu conversa comigo, sem saber que era eu, e disse-me que os passeios ficaram giros e coloridos. Aconselhou-me a percorrer a Estrada de Benfica para ver mais calçada fofa."




Estrada de Benfica, 261 (paragem da Carris)
Fotografia de neoFOFO (2013)


Artigo "Calcetar a Rua com Novelos de Lã" - Jornal i, 02/01/14
Fotografia de neoFOFO (2013)




"Calcetar a Rua com Novelos de Lã" (Jornal i, 02/01/14)
Por Ágata Xavier


'Lisboa anda mais fofa desde as últimas eleições autárquicas e não é por causadas medidas implementadas. Há uma dupla de calceteiros que anda a dar cor à dicromática,e esburacada, calçada lusa.

No livro "Arranca-Corações", o escritor Boris Vian conta a história de uma mãe obcecada pela segurança dos filhos. Entre as várias estratégias para evitar que os trigémeos Joel, Noel e Citroën, se magoem nas quedas típicas da infância, Clémentine, a mãe, pondera alcatifar todo o jardim. Quem anda por Lisboa pode deparar-se com um cenário parecido, mas menos radical: pequenos quadrados de lã tricotada a cobrir os espaços que faltam da calçada portuguesa.

Por trás da ideia, que alerta para o mau estado do pavimento ao mesmo tempo que lhe dá cor, está a dupla formada por Patrícia Simões, arquitecta urbanística de 29 anos - responsável pela marca de granola portuguesa "doSEMENTE" -, e Tiago Custódio, um ano mais velho, que trabalha numa editora de livros. "Eu já tinha tido a ideia de colar corações tricotados em espaços públicos mas não quis que fosse em árvores, nem em bancos de jardim, porque disso já se vê muito", conta Patrícia. Este fenómeno de espalhar tricot, crochet ou outros materiais manufacturados é conhecido por yarnbombing, uma forma de arte urbana.

Por altura das últimas eleições autárquicas, o muro por onde Patrícia passa diariamente há várias anos, na Estrada de Benfica, foi pintado de cinzento. "Coloquei uma fotografia no Instagram onde lamentava ter perdido as frases que estavam escritas nessa parede, frases essas que, durante muito tempo, me acompanharam. Recebi de imediato respostas de amigos a perguntar se não estaria aqui a oportunidade de começar a colar os corações em espaços públicos", explica a jovem.

Foi nesta altura que o Tiago a contactou e o neoFOFO começou a tomar forma. "O Tiago estava a passear e ligou-me porque tinha visto uma falha na calçada que lembrava mesmo um coração. Nesse momento, a ideia de pormos a lã no chão, ao invés de em paredes ou árvores, pareceu-nos a melhor e, depois de vermos qual era a melhor técnica, passámos à acção", revela Patrícia.

"Começámos por colocar as peças à noite, mas, como isto implica martelar, acabávamos por fazer algum barulho. Por isso, passámos a fazê-lo de dia - e tem sido mais engraçado, porque assim conseguimos ver logo a reacção das pessoas. Há muitas que nos perguntam o que é que estamos a fazer e porquê", contam. E continuam: "Neste momento já temos 15 peças espalhadas por Lisboa e estamos a colocar essa informação num mapa que está disponível na nossa página do Facebook." Até agora a dupla tem recriado a calçada em falta nas zonas de Benfica, Belém, Chiado e Pena. Tiago aproveitou a época festiva para calcetar Almancil, de onde é natural, e espera conseguir alargar a sua calçada fofa a mais localidades.

Os quadrados de lã são tricotados por Patrícia e colados por Tiago num cubo de madeira. Esse cubo é depois preso ao chão com a ajuda de um prego. "Nós não tiramos pedras da calçada para colocar as nossas, preenchemos os buracos que já existem", explicam. "Algumas duram uns dias, outras poucas horas. Gostávamos muito de saber o que fazem as pessoas com as nossas peças. É por isso que vamos passar a assinar #neoFOFO. Assim, quem as levar pode procurar por esta referência nas redes sociais e, quem sabe, partilhar connosco o destino das pedras", dizem os autores.

A dupla de arte urbana revela que remendar a calçada que as pessoas levam está fora de questão. "Seria estranho, não pensamos nisso assim. É feito para durar o que tiver de durar, é uma característica da arte efémera", conclui Patrícia.'




Estação Ferroviária de Sete Rios
Fotografia de neoFOFO (2013)


Fotografia de neoFOFO (2013)




Podem consultar aqui o mapa de locais onde o neoFOFO já deixou a sua marca e ir acompanhando este interessante projecto.

Consultar aqui o artigo no P3.




quinta-feira, 26 de maio de 2011

Os bons momentos que o Jardim Zoológico tem proporcionado...




(por Fausto Castelhano)



Junho de 1973 - No Jardim Zoológico com a avó Augusta e tia Maria
Fotografia de Fausto Castelhano


Junho de 1973 - Lena e Paula no no Jardim Zoológico
Fotografia de Fausto Castelhano


Junho de 1973 - Paula e Lena vão de elefante no Jardim Zoológico
Fotografia de Fausto Castelhano


Setembro de 1969 - Jardim Zoológico - A Paula
Fotografia de Fausto Castelhano


1969 - Paula no Zoo de Lisboa
Fotografia de Fausto Castelhano







O Jardim Zoológico de Lisboa festeja o seu 127º aniversário este Sábado...

De modo a assinalarmos esta data de uma forma simpática, que tal partilharmos fotografias antigas dos bons momentos que aí vivemos?

Enviem-nos as vossas fotografias para palavraseimagens@gmail.com, ou publiquem-nas na nossa página no Facebook.

Muito obrigada!







quarta-feira, 25 de maio de 2011

O ZOO faz 127 anos! - 28 de Maio




Direitos de autor do logótipo: Jardim Zoológico



O Jardim Zoológico de Lisboa celebrará, este Sábado (28 de Maio), 127 anos (ler aqui a sua história)!

Originalmente inaugurado em 1884, no Parque de São Sebastião da Pedreira, foi o primeiro parque com fauna e flora da Península Ibérica. Só em 1905 foram inauguradas as novas e definitivas instalações, onde actualmente se encontra, na Quinta das Laranjeiras.



"Jardim Zoológico" (1905)
Fotografia de Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa


"Jardim Zoológico de Lisboa, aldeia dos macacos" (?)
Fotografia de Luís Filipe de Aboim Pereira, in Arquivo Municipal de Lisboa



Nesta data tão especial, o Jardim Zoológico convida todos os visitantes a juntarem-se aos seus festejos, que contarão com muita animação, alegria e algumas ofertas:

- Na bilheteira, todas as pessoas que comemorem, também, nesse dia o seu aniversário serão presenteadas com uma entrada grátis (mediante apresentação de identificação válida);

- O 127º visitante também não pagará a entrada no Jardim Zoológico, neste dia de festa;

- Um grupo de crianças do Conservatório Regional de Setúbal alegrará a entrada no Jardim Zoológico com a sua música;

- O Jardim Zoológico vai, ainda, proporcionar um dia de alegria a cerca de 30 crianças da
"Acreditar" de Coimbra, que através de uma iniciativa da Fundação Rui Osório de Castro (FROC) - dedicada a apoiar os pais e amigos das crianças com cancro -, irão visitar os seus animais favoritos;

- Passatempo Aniversário do Jardim Zoológico (ganha entradas grátis).



Esta data vem marcar um longo percurso que o Jardim Zoológico tem desenvolvido, através de um trabalho exaustivo enquanto educador e promotor da conservação e preservação do mundo animal, sensibilizando para as ameaças e peculiaridades de cada espécie.

Celebre o aniversário do Jardim Zoológico com muita animação, aproveite para redescobrir as crias dos seus animais favoritos e passe um sábado em grande!








quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"Ainda há Poesia nas Cidades" -(1)





Gustav Adolf's Torg - Malmö (Suécia)
Fotografia de Alexandra Carvalho (2007)




Estação de metro "Jardim Zoológico", 19h30.

Um homem escondido, por detrás das colunas, espreita quem desembarca no cais. Fica parado, nervoso, todo o seu corpo desengonçado parece tremer.

Às tantas, em acção... segue apressado uma rapariga, que nem o pressente.

Alcança-a já depois da bilheteira, muito nervoso, com um toque no ombro. E oferece-lhe um ramo de gerberas.

Beijam-se e partem de mãos dadas pela Estrada de Benfica.

Cena digna de um filme, neste final de tarde fria, a provar que ainda há românticos (o que nos deixa sempre muito bem dispostos)... e Poesia nas nossas cidades e bairros!






quinta-feira, 27 de maio de 2010

V Feira do Animal de Estimação




Imagem de Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica





A Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica promove, de 28 a 30 de Maio a sua V Feira do Animal de Estimação, no parque de estacionamento junto ao Centro Comercial Fonte Nova.

Esta iniciativa pretende ter num único espaço algumas entidades que tentam esclarecer e educar as pessoas em relação à melhor forma de tratamento dos seus animais, nomeadamente a Associação de Defesa e Doação de Animais Zoopata, a Sociedade Protectora de Animais e a Associação Cinótecnica de Busca e Salvamento, que vai efectuar inúmeras exibições com cães no decorrer do evento.
Participam também as lojas de comércio de comida e acessórios para animais, Fish Planet e Equidog.

Se se sente responsável e preparado para adoptar um animal (com todas as implicações que esse acto envolve), visite a V Feira do Animal de Estimação e veja os diversos cães e gatos que as associações zoófilas lá terão disponíveis para doação.





quinta-feira, 6 de maio de 2010

Atentados ao Património



A casa oferecida pelo Sr. Grandela ao seu amigo Afonso Costa
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



30 anos depois...





Fotografias de Raquel Serrão (2010)



A 05/05/10, esta casa, que se fazia parte do Bairro Grandela (abrangido na Zona Especial de Protecção - ZEP do Património da "Quinta do Beau-Séjour / Quinta das Campainhas", sendo, também, Património Técnico-Industrial Classificado desde 1984) começou a ser demolida... tendo o "trabalho" sido concluído hoje.

De referir, também, noutras paragens, a triste notícia sobre a Vila Martins, nos Anjos, que derrocou ontem, depois de tantas queixas e chamadas de atenção dos seus habitantes e moradores da freguesia.

Até quando vamos continuar a deixar que o Património da nossa cidade seja destruído, para sermos persistentemente emparedados por prédios???








quarta-feira, 7 de abril de 2010

LEMBRETE: 1º Jantar do "Retalhos de Bem-Fica"





Sábado (24/04/10), 19h30

Restaurante "Córsega"
Estrada Benfica 717-A/B,
1500-088 LISBOA
(junto à Pastelaria "Nilo")

Tel. 217 604 415




No final de Fevereiro, lançámos aqui o repto aos nossos redactores, amigos, leitores, membros do Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura (e a todos os outros habitantes de Benfica ou de outras freguesias e concelhos) que se juntassem a nós no 1º Jantar do "Retalhos de Bem-Fica".

A iniciativa de organizarmos este jantar prende-se com as sugestões que vinham sendo avançadas por diversas pessoas e, também, com a comemoração do 1º aniversário deste nosso blog, cada vez mais comunitário... E, sobretudo, porque como dizia, um destes dias, o Domingos Estanislau, "Esta comunidade tem que se conhecer melhor. Tem que estabelecer laços. Tem que ter melhores afectos."

Agradecemos a todos os que já se inscreveram neste nosso 1º Jantar do "Retalhos de Bem-Fica" e como temos que efectuar a reserva de mesa num dos restaurantes sugeridos pelo Fausto Castelhano ("Solar do Louro" na Buraca ou o "Restaurante de Montes Claros" em Monsanto), pedimos a todos os que também queiram estar presentes neste simpático momento de confraternização, que nos enviêm, até dia 17/04/10, um e-mail para palavraseimagens@gmail.com, indicando o seu nome, se levarão acompanhante/s ao jantar e qual a sua ligação a Benfica e/ou a este blog (esta última questão é, apenas, por curiosidade e para irmos conhecendo um pouco melhor quem por aqui passa).





sábado, 3 de abril de 2010

INVENTÁRIO DE IMÓVEIS (2)




Há uma semana atrás, lançámos aqui uma nova rubrica, que partira de uma sugestão do Mário Pires, quando se prontificou a colaborar com o "Retalhos de Bem-Fica": o Inventário de Imóveis (inventariar edifícios que se podem vir a perder e sobre os quais não haverá qualquer testemunho).

Ficámos (positivamente) surpreendidos com a elevada adesão que esta rubrica teve... e o nosso amigo Mário partiu logo para o terreno, de máquina fotográfica na mão, para responder aos pedidos dos nossos leitores.




[clicar na imagem para aceder às fotografias
do "Inventário de Imóveis"]




Os resultados práticos do Inventário de Imóveis podem ir sendo consultados numa página especialmente criada para o efeito no Flickr, ou, também, no nosso Grupo de Fotos de Benfica.

Esperamos, sinceramente, que os nossos leitores fiquem tão satisfeitos com os resultados finais como nós ficámos; e, sobretudo, que esta actividade colectiva de inventariação da nossa freguesia possa contribuir para o recuperar da nossa memória colectiva enquanto grupo - o que, sem dúvida alguma, nos torna mais solidários.









Entretanto, o formulário para nos remeterem as vossas sugestões de património com interesse a fotografar (vide imagem acima), continua disponível neste blog - bastando para o efeito que o preencham neste mesmo post, ou procurem o link "Património a Fotografar: Faça Sugestões" (na barra lateral direita deste blog).

Em caso de dúvidas mais técnicas quanto à utilização deste formulário, dêem-nos uma "apitadela" para: palavraseimagens@gmail.com

Contamos com os vossos contributos, neste trabalho de inventariação da nossa freguesia!
Muito obrigada!







sexta-feira, 2 de abril de 2010

Notícias sobre a Obra do Sr. Grandela (1)




Já falámos, detalhadamente, neste blog sobre a obra de Francisco Grandela, sobejamente associada à freguesia de São Domingos de Benfica, assim como ao bairro construído para os operários que laboravam na sua fábrica.

Hoje, gostaria de vos deixar com algumas fotografias (datadas de 1980) e 4 artigos que espelham bem a importância do Bairro Grandela, assim como dos equipamentos sociais nele criados por Francisco Grandela.


A divisa: "Sempre por bom caminho e segue"
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



Um artigo relativo à inauguração da Creche do Bairro Grandela, e como se desenvolvia o trabalho da mesma...


[clicar na imagem para abrir o documento]



Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



Artigo onde se enaltecem as qualidades e importância do Bairro Grandela enquanto habitação operária...



[clicar na imagem para abrir o documento]



A antiga "Casa-Mãe" (Grandela) era no primeiro andar deste prédio
(o qual, posteriormente, foi, durante muitos anos, a "Esquadra de Benfica")
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



"No desejo de, por todas as formas, se estimular o pessoal e provar-se-lhe que é tido na mais alta consideração, resolveu o chefe da casa proporcionar-lhe um bairro modelo, uma verdadeira avenida, um mimo de arte, elegancia e conforto e onde cada qual possuisse uma propriedade sua em que vivesse e a qual lhe traduzisse todo o bem estar e o predispozesse para a alegria e lhe desse forças para luctar mais energicamente pela vida."


[clicar na imagem para abrir o documento]


A escola e a creche em 1980
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



Um magnífico artigo de 1912, onde se descreve pormenorizadamente a forma como o Bairro Grandela estava organizado...


[clicar na imagem para abrir o documento]


A casa oferecida pelo Sr. Grandela ao seu amigo Afonso Costa
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



Plantas do Bairro Grandela...


[clicar na imagem para abrir o documento]



O apeadeiro de São Domingos de Benfica
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)





Todas as fotografias e artigos utilizados neste post encontram-se disponíveis em:

"Uma perspectiva sobre a questão das 'Casas baratas e salubres' (1881-1910)"
Trabalho de Luísa Teotónio Pereira para a cadeira de 'História Contemporânea de Portugal' (1980)







Instantâneos: Passado - Presente (2)



3 primeiras fotos a preto e branco de Arquivo Municipal de Lisboa
Todas as restantes fotografias a preto e branco de Luísa Teotónio Pereira
Fotografias a cores de Alexandra Carvalho






Por último, gostaria de aqui deixar um agradecimento muito especial a Luísa Teotónio Pereira, que, em Janeiro de 2010 (quando nos encontrámos pela primeira vez), generosamente, me emprestou este seu trabalho para divulgação no "Retalhos de Bem-Fica".

Desde esse primeiro encontro, no início deste ano, a Luísa tem sido uma das pessoas que mais me tem auxiliado no que diz respeito à Causa pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura: foi ela a mentora da criação do nosso Movimento de Cidadãos e é, sem dúvida alguma, ela que, com os seus sábios conselhos e apoio prático (praticamente diário), me tem acompanhado mais de perto nesta Luta.

A Luísa Teotónio Pereira e ao seu Pai, o meu muito obrigada!





quinta-feira, 25 de março de 2010

INVENTÁRIO DE IMÓVEIS




O Mário Pires é fotógrafo e, no início de Março, ofereceu a sua colaboração ao "Retalhos de Bem-Fica", por considerar, segundo as suas palavras, que este "blog está a criar uma comunidade de pessoas locais que, dessa forma, podem contribuir para uma Benfica melhor".

Essa colaboração delineou-se, inicialmente, através da rubrica "Pintando Benfica com Luz". E revelamos hoje, em primeiríssima mão, qual a grande surpresa fotográfica que envolverá a colaboração de todos os que nos lêem, sobre a qual já vos tínhamos falado aqui.

Outro dos contributos que o Mário nos sugeriu para este blog prende-se com o registo fotográfico de edifícios com interesse em Benfica (e, acrescento eu, em São Domingos de Benfica também - dado que ambas as freguesias constituíram uma só, há muitos anos atrás), como forma de inventariar edifícios que se podem vir a perder e sobre os quais não haverá qualquer testemunho.

Da sugestão à forma prática, o Mário elaborou este formulário que incluímos mais abaixo, onde todos os nossos leitores poderão deixar as suas sugestões de edifícios importantes para este nosso Inventário Fotográfico; comprometendo-se, do seu lado, o Mário a fotografar os mesmos e mais alguns que considere interessantes.

O sistema é, assim, muito simples, caros leitores!...
Bastará que, há medida que forem encontrando e/ou lembrando-se de edifícios com interesse, preencham este formulário e o submetam (clicando no botão em baixo, do lado esquerdo) com as vossas sugestões (por cada edifício terão que preencher um novo formulário).
Posteriormente, irão encontrar, na barra lateral direita deste blog, um ícone onde poderão clicar para aceder directamente a este formulário.

Em caso de dúvidas mais técnicas quanto à utilização deste formulário, dêem-nos uma "apitadela" para: palavraseimagens@gmail.com









O excelente (e importante) trabalho de recolha do património edificado que o Mário Pires tem vindo a desenvolver pode ir sendo apreciado, neste álbum online.


sábado, 13 de março de 2010

Azinhagas (2)





Todos os direitos reservados @ Fausto Castelhano, "Retalhos de Bem-Fica" (2010)



Ler a 1ª parte aqui.




Antigos caminhos da Freguesia de Benfica


(por Fausto Castelhano)


Com este 2º e último apontamento terminamos a incursão às Azinhagas, antigas vias que, no seu todo ou em parte, integravam o território da Freguesia de Benfica.




Azinhaga da Fonte


Com o piso em “macadame”, era um dos principais itinerários de acesso a Carnide. Tinha o seu começo no Nº 458 da Estrada de Benfica, no mesmo local onde tem início a Avenida do Colégio Militar, e desembocava na Rua da Fonte (Largo da Luz) em Carnide, mesmo em frente à Igreja de Nossa Senhora da Luz e paredes meias com os edifícios do Colégio Militar.



Trecho da Azinhaga da Fonte (1960)
João H. Goulart, in Arquivo Municipal de Lisboa



A actual configuração da Avenida do Colégio Militar corresponde, sensivelmente, ao traçado da antiga Azinhaga da Fonte até à zona do Centro Comercial Colombo e do novo Estádio da Luz. Aí, a nova avenida deriva um pouco para a esquerda e vai terminar junto ao chamado Chafariz da Luz (Rua da Fonte).



Trecho da Azinhaga da Fonte (1960)
João H. Goulart, in Arquivo Municipal de Lisboa


Esta oportuna alteração na nova via, permitiu que a instituição Colégio Militar conseguisse alargar os seus domínios e conquistasse espaço onde, outrora, existia a parte final da Azinhaga da Fonte.
Tanto assim é que, foi necessário demolir o último edifício (do lado esquerdo) da Azinhaga o qual, fazia gaveto com a Rua da Fonte (em Carnide, claro está) como se pode observar na foto.


Prédio na esquina da Azinhaga da Fonte com a Rua da Fonte e que foi demolido para permitir que a Avenida do Colégio Militar se desviasse mais para a esquerda em relação ao traçado da Azinhaga da Fonte (1961)
Augusto de Jesus, in Arquivo Municipal de Lisboa


Ao longo da Azinhaga da Fonte e do lado esquerdo (no sentido Benfica-Carnide), existiam várias casas de habitação e quintas de várias dimensões e, entre estas e o murete desta via, corria uma pequena ribeira cujo volume de água, na época das chuvas, era bastante considerável. Este curso de água desaguava junto ao local onde está edificado o Centro Comercial Fonte Nova, na chamada Ribeira de Alcântara (o meu rio, que teimam, injustamente, em chamar de “caneiro”) o qual, atravessava a nossa freguesia desde a fronteira da Estrada Militar na Damaia/Venda Nova.



Chafariz da Rua da Fonte, em Carnide (1960)– Para lá do muro e dos edifícios em segundo plano e que foram demolidos, passava a Azinhaga da Fonte. Agora, nesse espaço, passa a Avenida do Colégio Militar. Do outro lado da Avenida, o complexo do Colégio Militar
Artur Goulart, in Arquivo Municipal de Lisboa



Era aí, na confluência desses cursos de água (junto ao Fonte Nova), que a nossa grande ribeira seguia o seu curso natural em direcção a Sete-Rios e, finalmente, através do Vale de Alcântara, desaguava em pleno rio Tejo.
Do lado direito da Azinhaga da Fonte existiam as seguintes quintas:
Quinta do Luís da Granja, nº 8
Quinta de Montalegre, nº 22 (a quinta onde nasci, com a Cascata Monumental de que muita gente fala mas…nunca a toparam).
Quinta dos Belgas ou de Santo António, nº 24 e 26
Quinta do Alves Martins ou de Santo António, nº 36
Do lado esquerdo:
Quinta da Granja de Baixo, nº 1 e 3
Quinta do Guimarães, nº 11 (Anexa à Quinta Grande)
Quinta do Conde de Carnide nº 13
Quinta das Flores, nº 27
Os números de 1 a 15 e 2 a 22 pertenciam à Freguesia de Benfica. Os números 17 a 24, pertenciam à Freguesia de Carnide.



Azinhaga da Fonte – As ruínas da Cascata da Quinta de Montalegre.
À direita, em segundo plano, um dos edifícios do Colégio Militar.
Foto de Fausto Castelhano (1985)


Pois bem, depois de ansiosas diligências entre matagais e arruinados barracões, conseguimos encontrar o que pretendíamos: o que sobrou da velha Azinhaga da Fonte estava ali, à nossa vista. A placa toponímica lá está, para que não haja engano possível e, além do mais, algumas dessas antigas habitações conseguem resistir e… estão habitadas.



A placa toponímica da Azinhaga da Fonte ainda lá está.
Foto de Fausto Castelhano (2010)


O pouco que resta da antiga Azinhaga da Fonte
Foto de Fausto Castelhano (2010)



Assim, e antes que arrasem, definitivamente, o pequeno troço da Azinhaga que ainda consegue subsistir, por um casualíssimo prodígio, tratámos de obter os respectivos registos fotográficos.
O que resta da antiga via está bloqueada entre a 2ª Circular (do lado de Benfica) e, da parte correspondente a Carnide, o troço existente termina entre algumas velhas habitações e altos muros que não conseguimos descortinar a quem pertencem. De qualquer modo, não tem saída.



Troço da Azinhaga da Fonte do lado de Carnide
Foto de Fausto Castelhano (2010)



Apesar do que nos foi dado observar, com muita curiosidade e deleite, tínhamos que nos apressar. Provavelmente, um dia voltaremos com mais vagar…Mas, a extraordinária odisseia não terminava ali…
Próximo investida: Rua dos Soeiros…



Azinhaga da Fonte do lado de Benfica – Ao fundo, o topo do Estádio do Sport Lisboa e Benfica
Foto de Fausto Castelhano (2010)





Rua dos Soeiros


A antiga Rua dos Soeiros começava no Nº 360 da Estrada de Benfica, no sítio da Cruz da Pedra, um pouco antes do Hospital da Cruz Vermelha (para quem vem de Benfica) e terminava no Nº 177 da Estrada da Luz. Assim, metemos os “cascos” p’rá Estrada da Luz, agora com prédios gigantescos e, mais ou menos defronte das chamadas “Torres de Lisboa”, lá estava a placa que nos assinalava a antiga Rua dos Soeiros. A velha casa de gaveto (da Estrada da Luz com a Rua dos Soeiros) onde vivia a D. Isaura (tia das minhas irmãs do primeiro matrimónio do meu pai), foi completamente arrasada, tal como tudo quanto por ali existia, casas, quintas e quintarolas. Por ali acima, dum lado e doutro da Rua dos Soeiros, procederam a uma radical alteração. Fiadas de enormes prédios e ausência de qualquer sentido estético, tipo gaiola, claro está...



Estrada Luz, 181. Esta casa fazia esquina com a Rua dos Soeiros (do lado direito). Nela vivia a Dª. Isaura, tia das minhas irmãs (do primeiro matrimónio do meu pai).
João H. Goulart (1967), in Arquivo Municipal de Lisboa



Ao cimo da rampa, quando a estrada curva à esquerda e onde existia um portão que dava entrada para a Quinta de Montalegre, a Rua dos Soeiros muda de nome. Assim, se vão perdendo, aos poucos, a memória desses lugares que me eram tão queridos.



Rua dos Soeiros - Quinta do Bensaúde
Foto de Fausto Castelhano (2010)



Então, aparece-nos a Rua de João de Freitas Branco a qual, abocanhou um bom pedação da Quinta de Montalegre porém, à esquerda, o velho itinerário estava lá, quase todo inteirinho todavia, crismado de Rua João Hogan. E lá estavam os velhos muros das quintas, a do Bensaúde, à esquerda e, à direita, apenas restaram as ruínas das Quintas de Montalegre e do Zé Antunes. A casa onde nasci (e os meus irmãos) já não existe, nem o poço, o grande tanque junto à horta…Nada!
Mais abaixo, no grande espaço da quinta de Montalegre (ou da Dª. Leonor) e defronte do Centro Comercial Colombo, o novo Estádio do Sport Lisboa e Benfica (a "Catedral"), inaugurado em 25 de Outubro de 2003. Este, veio substituir o antigo Estádio da Luz o qual, tinha sido aberto ao público no dia 1 de Dezembro de 1954.



Entrada da Quinta com a inscrição de 1787 e um belíssimo painel de azulejos
Foto de Fausto Castelhano (2010)



Um pouco mais à frente, o infalível camartelo encarregou-se da avassaladora missão e…arrasou tudo. Estão a florescer, como cogumelos, urbanizações a preços proibitivos…Sem espaços verdes, zonas de lazer e…tudo o mais…À fina!



A inscrição de 1787 no portal da quinta
Foto de Fausto Castelhano (2010)



É a tal modernidade que nos andam a impingir a toda a hora, no seu magnífico esplendor…Por ali, o cimento armado é rei e senhor: é o chamado Alto dos Moinhos, servida pela respectiva estação do Metropolitano. No seu interior, alojaram o Museu da Música. Ao menos, valha-nos a louvável iniciativa…Pela raridade, às vezes somos surpreendidos que… nem queremos acreditar!



O magnífico painel de azulejos, no interior da quinta. O portão estava escancarado… Não perdemos a oportunidade.
Foto de Fausto Castelhano (2010)



O empedrado de basalto, tão característico destes fabulosos caminhos, fora substituído por alcatrão.
A agradável caminhada ao longo do percurso foi, na verdade, um encantamento que não vamos esquecer tão depressa. O chilrear da passarada, as milheirinhas, os pintassilgos e um casal de melros, deram-nos as boas vindas…Estamos na época de acasalamento e em plena construção dos ninhos... Uma maravilha… Meus amigos, vão lá e observem a amenidade, o pitoresco dos sítios de tempos que já não voltam mais...



Portão de quinta na Rua dos Soeiros
Foto de Fausto Castelhano (2010)



Com uma sorte fantástica, deparámos com o portão da Quinta do Bensaúde escancarado e, logo ali, zás! Um extraordinário painel de azulejos, muitíssimo bem conservado… Lindíssimo…
O trajecto da Rua dos Soeiros, perdão, Rua João Hogan, bastante aprazível, é um pouco compridote, mas ainda bem que assim é… Desfrutámos, à farta, a amenidade duma ambiência única... Com muita pena nossa, tem o seu termo num verdadeiro descampado, virado para a Cruz da Pedra e no cruzamento com a Azinhaga do Ramalho.



Rua Cidade de Rabat, 5 (Antiga Rua dos Soeiros) - Quinta Nova da Conceição
Foto de Fausto Castelhano (2010)



Assim, aproveitámos a vizinhança da Azinhaga do Ramalho e fomos deitar uma olhadela ao que restava do velho caminho…
Mas, primeiramente, apontámos a mira para o outro lado da Rua dos Soeiros, isto é, o trajecto que, iniciando-se na Estrada de Benfica, arrancava por ali acima até à Quinta de Montalegre…Passei por ali, milhares de vezes, de eléctrico ou a pé ou, um pouco mais tarde, utilizando o autocarro, a caminho da Escola Pedro de Santarém, da Escola Industrial Machado de Castro, das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico de Alverca ou do Aeródromo Base nº1, depois de frequentar a Escola Militar…
Para nossa surpresa usurparam, indecentemente, o nome à Rua dos Soeiros que, agora, tomou uma nomenclatura muito mais pomposa. Nem mais! Rua Cidade de Rabat…Assim mesmo…Sim, senhor! Gente espertalhona, minada de ideias mirabolantes que conseguem sacar das profundezas da cacholeira e que, por bastas vezes, têm destes desaforos…sabe-se lá por mor de quem!



Rua Cidade de Rabat (Antiga Rua dos Soeiros)
Foto de Fausto Castelhano (2010)



Porém, observámos uma outra fantasia…A antiga via (a actual Rua Cidade de Rabat), percurso natural de mercadorias, gado, carroções carregadinhos de produtos agrícolas ou hortícolas e de toda uma infatigável actividade rural, nem sequer tem ligação directa com a Estrada de Benfica. A rua foi trancada, em definitivo, pelo passeio que, por mero acaso, pavimentaram em calçada portuguesa…Vá lá… Podia ser muito pior…



Rua Cidade de Rabat (Antiga Rua dos Soeiros) – Uma casa de tempos muito antigos
Foto de Fausto Castelhano (2010)



E pronto, palmilhámos a Rua Cidade de Rabat a qual, corresponde ao início do antigo caminho da Rua dos Soeiros… A Quinta Nova da Conceição ainda lá está com o Nº 5, alguns edifícios antigos permanecem intactos, embora degradados… Logo ali, obtivemos os respectivos registos. Galgámos a rua até ao desvio do Alto dos Moinhos e fomos lá acima. Ao ponto mais elevado do local! O magnífico panorama que dali se desfruta em toda a sua extensão é, na verdade, magnífico…Depois, foi sempre a descer…Um pouco extenuados pelo valente estirão, retornámos a Benfica, o último destino da nossa romagem…




Azinhaga do Ramalho


Vamos, então, retornar um pouco à Azinhaga do Ramalho a qual, tinha o seu começo na Estrada da Luz, nº 71 e terminava, sensivelmente, a meio da Rua dos Soeiros. Este trecho da Azinhaga do Ramalho (que tinha início a partir da Estrada da Luz) foi literalmente desmantelado e a totalidade do espaço circundante está ocupado por diversas urbanizações, de gosto muito duvidoso, e que não acrescentaram nada de novo.



Azinhaga do Ramalho, Nº3 junto à Estrada da Luz (1971)
Nuno Barros Roque da Silveira, in Arquivo Municipal de Lisboa



Portanto, da vertente virada para a Estrada da Luz, tirámos o cavalinho da chuva pois, não havia nada a fazer. Assim, explorámos do outro lado deste velho caminho, isto é, pelo desvio que, da Rua dos Soeiros, nos introduz na Azinhaga do Ramalho. Talvez a sorte nos batesse à porta. E lá fomes, a “mata cavalos”…



Azinhaga do Ramalho – Os muros das quintas (do lado esquerdo)
Foto de Fausto Castelhano (2010)



Na “ganga da maviosa” e sobre o empedrado original, percorremos a antiga e encantadora azinhaga, estreitinha, serpenteando por entre velhos barracões arruinados e pelos característicos muros das quintas… Abruptamente, deparámos com o final do percurso junto ao portão da Quinta do Furão. Não existe saída possível… Ali, num pequeno terreiro sobre a Estrada da Luz e a Estrada das Laranjeiras, matagal e uma belíssima lixeira! Um mimo…



O empedrado original da Azinhaga do Ramalho
Foto de Fausto Castelhano (2010)



Resolvemos continuar… O fim de tarde aproximava-se...



Azinhaga do Ramalho – Portão da Quinta do Furão
Foto de Fausto Castelhano (2010)



Travessa da Granja


Depois da Rua Cidade de Rabat (Rua dos Soeiros), conseguimos aguentar a pedalada…O melhor que nos foi possível!
A Estrada de Benfica é demasiado custosa após tantos quilómetros no papo! Porém, tinha que ser e… já! Ou era agora, ou então, jamais nos iríamos enfiar, novamente, em tamanha enrascada! Assim, lográmos perfazer o trajecto que nos restava da Estrada de Benfica até à Travessa da Granja.


A placa toponímica da Travessa da Granja, ainda permanece.
Foto de Fausto Castelhano (2010)



A Travessa da Granja iniciava-se no Nº 464 da Estrada de Benfica, um pouco antes da Azinhaga da Fonte e, através do seu empedrado de basalto, ladeada pelos muros das Quintas da Granja de Baixo e da Quinta da Granja de Cima, dava acesso directo à Quinta da Granja de Cima e ao palacete da Família Canas.



Travessa da Granja, a caminho da Quinta da Granja de Cima
Foto de Fausto Castelhano (2010)



Nos dias de hoje, ainda persiste um pequeno troço da dita travessa (devidamente assinalada) que, na realidade, possuía as características essenciais que definem uma azinhaga. Agora, esta via começa na Rua Dr. José Baptista de Sousa e no cruzamento com a Rua Mestre Lima de Freitas. Localiza-se exactamente, nas barbas da nossa Associação de Artes e Cultura – Stimuli/Unisben.



Empedrado original da Travessa da Granja
Foto de Fausto Castelhano (2010)



O empedrado primitivo ainda se mantém. Meu pai e eu próprio, algumas vezes, trilhámos este caminho com o objectivo de negociar a compra da forragem para o nosso gado leiteiro.



Travessa da Granja
Foto de Fausto Castelhano (2010)


A velha nora da Quinta da Granja de Cima com inscrição de1919 gravada na pedra duma das colunas
Foto de Fausto Castelhano (2010)



E pronto, a viagem ao passado, no que às azinhagas diz respeito, terminou. Cansados, mas com um sentimento de indefinível prazer e do dever cumprido. Fizemos o melhor que pudemos e soubemos respeitando, acima de tudo, o rigor dos sítios e das alterações que, entretanto e ao longo de décadas, alteraram profundamente e de modo irreversível, a fisionomia da nossa freguesia. Esperamos, sinceramente, que estes singelos apontamentos contribua para um conhecimento mais preciso da nossa terra e que, entusiasme os nossos amigos e amigas a que, um dia qualquer, partam à aventura pelos caminhos e lugares de tempos remotos que, felizmente, na nossa Freguesia de Benfica e, também, na Freguesia de Carnide, estão à nossa espera…


Com um abraço de muita amizade

Fausto Castelhano