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terça-feira, 21 de maio de 2013

Aqui há gato... Poemas, histórias e afins (2)






(por Patrícia Azevedo) 




Fotografia de Alexandra Carvalho (2012) 
Concepção Gráfica do folheto de Patrícia Azevedo (2013) 

[clicar na imagem, para ampliar e ler]




Relembramos que a sessão de dia 18 de Maio foi anulada, por não termos recebido inscrições suficientes. 

Próxima sessão: 8 de Junho pelas 10h


Requer inscrição prévia através do email aquihagatoulmeiro@gmail.com ou pessoalmente na Livraria "Ulmeiro".








segunda-feira, 6 de maio de 2013

Aqui há gato... Poemas, histórias e afins



(por Patrícia Azevedo) 



Fotografia de Alexandra Carvalho (2012)
Concepção Gráfica do folheto de Patrícia Azevedo (2013)

[clicar na imagem, para ampliar e ler]




AQUI HÁ GATO… poemas, histórias e afins. Para miúdos e graúdos. Preparámos para a sua família, uma sessão cultural num espaço único em Benfica: a livraria Ulmeiro.

Entre as estantes carregadas de livros e de outros objectos, revelam-se segredos guardados na memória, em histórias e em poemas.

No final, desafiamos os miúdos a expressarem-se no papel com a ajuda dos graúdos.

O Salvador, o gato que adora estar entre os livros, fará as honras desta casa.

A primeira sessão será já no dia 18 de Maio, pelas 10h!

Venha passar uma manhã EM FAMÍLIA e sinta-se em casa entre livros, histórias, poemas e conversas!

INSCRIÇÕES: aquihagatoulmeiro@gmail.com ou pessoalmente na livraria. 






sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O Gato Salvador




(por José Antunes Ribeiro)



Fotografia de José Antunes Ribeiro (2012)



O gato Salvador é mesmo muito especial...

Centenas de pessoas já o viram nas mais diversas circunstâncias, crianças e velhos passam de propósito para lhe fazerem festas ou mesmo só para o verem!

Mas há um casal que vem quase todos os dias da Amadora para o visitar e trazer-lhe uma latinha de comida...
O Salvador sabe quando eles estão quase a chegar e é impressionante como os reconhece...

Como é impressionante saber que este casal de reformados vem de propósito da Amadora para estar com o gatinho Salvador...

Para quem não sabe habita na livraria alfarrabista da Av. do Uruguai, 13A, em Benfica...





Sua excelência o gato Salvador recebendo as suas visitas no alfarrabista da Av. do Uruguai, onde habita...
Fotografia de José Antunes Ribeiro (2012)




Fotografia de José Antunes Ribeiro (2012)


terça-feira, 4 de outubro de 2011

"Pequenas estórias de uma livraria de Benfica" (8)




"Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho

Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho"

"O Leãozinho",
de Caetano Veloso





O GATINHO SALVADOR NA PRIMEIRA PESSOA NO DIA MUNDIAL DOS ANIMAIS

(por José Antunes Ribeiro)





Vídeo: Retalhos de Bem-Fica (2011)
Fotografias: Alexandra Carvalho (2011)





"- O meu nome é Salvador. Acho que me chamaram assim porque antes de mim aqui habitou uma gatinha chamada Salva, ao que me dizem muito parecida comigo e que está hoje contente e feliz na casa dos meus donos.

Poderia até invejar a sorte dela, mas não é esse o caso. A minha vida aqui na loja é tudo menos monótona e mal tenho tempo para me coçar.

Como adoro que me façam festinhas coloco-me à entrada da porta e é um ver se te avias: crianças (algumas pouco maiores do que eu), rapazes, raparigas (adoro!), senhores, senhoras (adoro!)...
São variados e de todos os tamanhos e feitios aqueles que me passam a mão pelo pêlo... É mesmo assim: a mão pelo pêlo!... E gosto muito quando se metem comigo... desde que não exagerem, porque um gato não é de pau!

Já quando estou deitado na montra em cima dos livros (sempre se aprende qualquer coisinha por osmose, não é?) há pessoas simpáticas a fazerem-me sinais e há outras um bocado brutinhas (benza-as Deus!) que se põem a bater com força no vidro e a fazer barulho. Às vezes penso cá para o meu pêlo: ainda partem o vidro estes animaizinhos (claro, os humanos também são animais)...

Quando estou à porta já fora de horas e os meus donos já não estão por aqui, há pessoas que inventam tudo para se meterem comigo: metem papéis, cordéis, folhas de papel, por baixo da porta, para ver se me apanham a brincar. Deveriam ter mais cuidado com alguns papéis quando chegam do multibanco aqui ao lado e dá para ver que a crise já chegou com todo o seu esplendor...

Queria aproveitar também esta oportunidade para agradecer aos meus donos que me acolheram na loja e também a todas as pessoas que se vão lembrando de mim e me ajudam trazendo comida...
Até estou preocupado porque não largo o meu dono e parece que não se deve comer em excesso!

Em relação à minha dona todos os dias lhe dou miminhos especiais porque foi ela que me acolheu na loja depois de ter sido abandonado numa paragem de autocarro em Alcântara dentro de um cestinho e de ter ficado uma série de horas a miar por socorro!...

Quero também pedir a todos os que me lerem para apoiarem o BAZAR DOS RONRONS da minha amiga Alexandra Carvalho e já que hoje é o DIA MUNDIAL DOS ANIMAIS quero fazer um pedido especial para que não se esqueçam dos 128 cães e dos 40 gatinhos do Sr. Henrique Nunes, amigo do meu dono Zé Ribeiro! É assim que ele gosta de ser tratado, tenho a certeza.

O que é que vos posso pedir mais? Nunca se esqueçam que homens e animais partilhamos uma Natureza imensamente rica na sua diversidade e que a Harmonia e a Felicidade deverá ser o destino de todos nós!...

Mais um pedido aos meus donos: livrem-se de fechar a loja em Benfica porque é aqui na Av. do Uruguai que já tenho muitas centenas de fãs de todas as idades.
E já agora tragam a gatinha Salva para fazer uma foto comigo aqui no meio dos livros. Eu gostava muito até para saber quem de nós é o mais bonito... Sim, porque o mais culto sou eu! Também não é de admirar com todos estes livros...".

(JAR)












terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"Pequenas estórias de uma livraria de Benfica..." (1)







Fotografia de José Antunes Ribeiro (2010)




Em 2009 entrou-nos pela porta da livraria um gatinho. Baptizou-se com o nome "Salvador". Mas tratava-se de uma gatinha e passou a ser a "Salva"...

Durante todo o tempo que viveu na livraria criou uma enorme empatia com centenas de adultos e crianças que a viam na montra, nas mesas, nas estantes!
A sua imagem a dormir na montra é ternurenta e inesquecível. Estabeleceu laços até com pessoas que nunca entraram na loja.

A gatinha "Salva" vive hoje tranquilamente na nossa (e sua!) casa. Um dia decidiu mudar-se. Estava à porta da rua e entrou... comigo no elevador!

São inúmeras as crianças e adultos que continuam passado todo este tempo a tentar saber dela, onde está, como está, enfim... deixou muitas saudades.

A nossa amiga Xana (do "Bazar dos Ronrons") foi (é) a madrinha que a apoiou desde a primeira hora e a tornou conhecida. São dela as primeiras fotos. São dela os textos que circulam na internet.

Esta gata, nesta livraria, foi um muito bom sinal... Coincidiu com mudanças que eram inevitáveis e que ainda estão em curso...

Diz-se que os gatos têm sete vidas. Nós acreditamos que sim... Por isso vamos continuar com mais energia!...
E saudamos todos os nossos amigos desejando-lhes um 2011 com muita ... Saúde... e alguns trocos para gastos...



(JAR)






sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A "Salva" mudou de casa






[clicar para ampliar e ler o comunicado assinado pela gatinha "Salva"]




De nada serviu que, durante meses a fio, a tentássemos colocar dentro da transportadora, para a levar ao veterinário e/ou para casa... porque conseguia sempre fintar-nos e evitar tal propósito.
Os tratamentos acabaram por ser todos feitos na loja, pela única pessoa que, nessa altura, lhe conseguia tocar.

Como muito bem dizia a Lúcia, a gatinha "Salva" era livre naquele espaço, naquela loja que escolheu como porto de abrigo... e nada a demovia dessa mesma liberdade.

Subia às árvores quando queria, estirava-se no passeio ou por debaixo dos carros a dormir... e voltava à loja quando muito bem lhe apetecia, para as suas sessões de estrelato, diante dos seus fãs e amigos (e não há dúvida que "Salva" adorava esse estrelato, sendo a gata mais fotogénica que conhecemos).

Com o passar dos meses, "Salva" foi ganhando mais espaço de manobra, aventurando-se pela rua das traseiras da loja e pelo outro lado da movimentada avenida... atravessando-se desvairada à frente dos automóveis que seguiam a velocidade furiosa. Quantas vezes não nos deixando a todos em cuidado pelo que lhe pudesse vir a acontecer.
Mas sempre protegida por todos os vizinhos e lojistas, que a passaram a vigiar, como se também fosse um pouco sua aquela gatinha dourada, que trouxe mais humanidade aos dias daquele bairro.

Digam o que disserem, a gatinha "Salva" entrou naquela loja com um objectivo muito definido, bem mais vasto, etéreo e importante do que os pensamentos terrenos (e mesquinhos) de todos aqueles que possam desconfiar que esta gatinha nunca teve privacidade ou que foi infeliz naquela loja.

Mas só quem, na verdade, consegue captar o âmago da essência dos gatos, poderá compreender (e conhecer) a beleza desta história!...





sexta-feira, 21 de agosto de 2009

"Salva", a gatinha dourada





"The city of cats and the city of men
exist one inside the other,
but they are not the same city".

(Italo Calvino, in "As Cidades Invisíveis")




(por Alexandra Carvalho)



Naquele bairro, a Cidade dos Gatos misturava-se todas as manhãs, através do vidro, com a Cidade dos Homens.

Qual estátua de divindade egípcia, serena e imperturbável, por detrás da montra, fazia as delícias de todos os que por ali passavam naquelas manhãs agitadas... Roubando-lhes algum tempo aos seus afazeres diários e fazendo-os parar, ficando ali especados, durante largos minutos, embevecidos a admirarem-na. Relembrando-lhes, assim, que a vida tem muito mais do que se lhe diga do que uma simples e constante correria na busca permanente de algo...


Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


Aparecera naquela rua há cerca de oito meses atrás, completamente encharcado pela água da chuva e com um ar muito adoentado.
Por ali deambulara algumas horas e, provavelmente (devido ao frio que se fazia sentir), havia saído do tubo de escape de um dos carros dos vizinhos, onde, certamente, procurara abrigo. Viram-no passar perto da paragem do autocarro, junto à cafetaria. E não mais souberam o paradeiro de tal gato (à semelhança de tantos outros felinos que nascem, crescem e acabam por morrer nas ruas das cidades).

Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


No dia seguinte, quando Lúcia abriu a porta da sua loja, eis senão quando, vislumbrou um vulto dourado a passear-se por cima da bancada central repleta de livros. Sem que ninguém se apercebesse, e aproveitando-se da infinidade de livros aninhados pelo chão como camuflagem, o gatito escapulira-se por entre a porta aberta e ali pernoitara, bem ao quentinho.

Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)



Lúcia apelidou-o de "Salvador". E ele, por ali, foi ficando...

Serenamente, calcorreando os estreitos corredores criados pelas bancadas; onde, também, se costuma esconder airosamente, para realizar investidas a inimigos imaginários, ou apenas para se escapulir às festas carinhosas e aos humanos que ainda temia. Espraiando-se delicadamente ao sol quente das manhãs em cima das molduras antigas e dos livros que compõem a montra daquela livraria-alfarrabista.



Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


Certo dia, Lúcia descobriu que, afinal de contas, "Salvador" era uma gatinha (estranho e raríssimo facto para um felino de pelagem completamente laranja)... e diminuindo-lhe o nome pelo qual já respondia, passou a tratá-la por "Salva".


Foto e concepção gráfica de Alexandra Carvalho para o "Bazar dos Ronrons" (2009)



Nessa altura, foi necessário pensar na esterilização da gatinha "Salva", devido ao primeiro cio que se aproximava e aos seus frequentes passeios pela rua.

Graças à generosidade de muitos vizinhos, e a uma iniciativa fora do comum, a "Salva" foi esterilizada a 22/01/09.

Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)



Não se tratou de nenhum golpe de publicidade, nem tão pouco de uma imitação de Dewey, o famoso gato da Biblioteca americana...
Mas a verdade é que os transeuntes começaram, cada vez mais, a ser atraídos pela pacatez das sestas de "Salva" na montra daquele alfarrabista.

"Salva" tinha cerca de 7 meses, quando por ali apareceu. Muito franzina e ainda arisca, o mais curioso era o facto de, simultaneamente, ser a gata mais fotogénica que já conheci até hoje... não tendo sequer receio da aproximação da objectiva, apesar de, nessa altura, ainda não se deixar tocar.


Fotografias de Alexandra Carvalho (2009)



Para além de, muito rapidamente, se ter transformado no "Ai Jesus da Avenida" e vedeta da casa, fazendo as delícias dos clientes e amigos (tendo mesmo constituído um séquito de fãs que, diariamente, entram na loja apenas para a verem ou demandarem novas do seu estado), "Salva" encontrou também um apaixonado (que chegava mesmo a tentar entrar para procurar a sua amada).


Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)



De início, "Salva" costumava andar muito fora e dentro, numa liberdade que espelhava bem a sua alma felina... mas regressando sempre à Casa-Mãe.

Naturalmente, com os seus protectores foi tecendo uma relação de maior proximidade: à Lúcia concedeu o privilégio da autorização para lhe serem feitas as primeiras festinhas, sendo à voz do Zé que mais responde com ternurentos miados e ronronadelas.

O tempo foi passando e "Salva" cresceu. Fruto de tanto carinho e mimo, tem vindo a tornar-se mais dócil, permitindo mesmo a alguns amigos fazerem-lhe festas.


Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)



Naquele mundo forrado de utopias passadas - que se transformou no seu -, "Salva" movimenta-se como se sempre ali pertencera e dele fizesse parte há uma infinidade.

Na cave daquela loja, onde noutros tempos se lutava por Causas nobres, passou a reinar a gatinha "Salva", aninhando-se dentro de gavetas de móveis de séculos passados, brincando por entre os trajes guardados num imenso baú... escondendo-se entre as pilhas de livros e as molduras antigas.

Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


"Salva", a gatinha que apareceu na "Ulmeiro/Livrarte" quando esta loja está prestes a celebrar o seu 40º aniversário, parece sempre ali ter vivido... e sabido porque aí tinha de regressar.

Por ali apareceu como uma pequena estrela, dando alento e novo ânimo a todos. Comprovando que, quando o Homem quer, tudo é possível... E um pequeno gesto ainda pode ser sinónimo da solidariedade a nascer entre todos (mesmo num bairro onde a vida corre mais veloz e todos nos vamos transformando em perfeitos anónimos).


Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


A Cidade dos Homens, naquele bairro, ficou diferente desde a chegada de "Salva".

Ao alterar as formas, cruzando a imagem daquela pequena gata com a de todos os que paravam a observá-la, o vidro da montra daquela loja criara como que uma espécie de metamorfose entre a gata e o Homem... transformando a grande maioria dos indivíduos em seres mais afáveis, solidários e humanos.



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Fotografia de Alexandra Carvalho (2009)


Se tiver curiosidade em visitar a "Ulmeiro/Livrarte" por causa da gatinha "Salva", aproveite também alguns dos seus minutos para ver com mais tranquilidade e atenção esta loja... e pode ser que aí descubra preciosidades que o encantem ou estórias importantes de outros tempos.
Vai ver que não se arrependerá!

A "Ulmeiro/Livrarte" é uma verdadeira caixinha de surpresas!...

De cada vez que lá entramos, descobrimos algo de novo, algo que se encontrava escondido e que as mãos da Lúcia colocaram em relevo, de uma forma muito bela, na montra ou numa estante.

Esta é uma daquelas pequenas pérolas escondidas do comércio local, onde nos voltamos a sentir como que impregnados daquele espírito infantil de tudo ali querer descobrir e ver, de tudo procurar como se se tratassem de pequenos tesouros e mistérios ancestrais.

Mas os maiores tesouros desta Casa, talvez, sejam mesmo a Lúcia e o Zé Ribeiro... que nos recebem sempre com um sorriso no rosto e tantas (mas mesmo tantas) estórias importantes da nossa História, para nos contarem.
O tempo por ali não parece passar, quando nos pomos na conversa e esta flúi livremente, numa amena troca de ideias (e de ideais).

Ali sentimo-nos como que em casa, tamanha é a sensação de serenidade que emana desta "família" (por afinidade)!...