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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Estrada dos Salgados




"A Estrada dos Salgados era uma das principais vias que dava acesso à Falagueira e à Porcalhota (hoje Amadora).

Logo no início da longa estrada dos Salgados existiu, durante os finais do século XIX e ao longo de muitas décadas do século XX,
um dos Retiros de referência de Benfica e dos seus limítrofes, a par dos retiros das Pedralvas, do Bacalhau (na Venda Nova), do Ferro de Engomar (da Cruz da Pedra, do pai do meu amigo João Perez) mas, sobretudo, o Charquinho, o maior e o mais afamado de todos eles: o Retiro do Caliça.

(...)




"Grupo a almoçar no Retiro do Caliça, situado na Estrada dos Salgados, arredores de Benfica" (c. 1904),
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa




O Retiro do Caliça situava-se num pequeno desvio à esquerda de quem entrava na Estrada dos Salgados logo que se atravessava a Estrada Militar vindo de Benfica.




"Grupo a almoçar no Retiro do Caliça, situado na Estrada dos Salgados, arredores de Benfica" (c. 1904),
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa



Recentemente, devido às obras do final da CRIL, parte da Estrada dos Salgados foi completamente arrasada, incluindo o local onde, outrora existia o Retiro do Caliça.

A magnífica Quinta dos Lilazes, que lhe ficava próxima (do outro lado da Estrada dos Salgados), também não escapou ao camartelo.




"Portas de Benfica - Pedralvas" (s/ data),
Eduardo Portugal, in Arquivo Municipal de Lisboa



(...)

A Quinta das Pedralvas já não existe. Nela foi construída a Urbanização das Pedralvas.

O edifico da foto [acima] tem muito interesse pois nele foi instalado o Lar do Benfica, na década de 60 do século XX.
O treinador brasileiro Otto Glória, quando veio para treinador do Benfica (onde pontificavam o Mário Coluna, José Augusto, Costa Pereira, Eusébio e outros), concentrou os jogadores neste edifício (os solteiros permanentemente e os casados nas vésperas dos jogos ou noutros outros estágios).

O BLOG cada vez está melhor.



Um abraço de muita amizade do Fausto Castelhano"







domingo, 14 de junho de 2009

"Domingo irei para as hortas"




"Domingo irei para as hortas na pessoa dos outros.
[...] Haverá sempre alguém nas hortas ao domingo."


Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa),
Anos 30.





"Retiro do Caliça, arredores de Benfica" (c. 1904),
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa





Nas antigas hortas, o fado foi rei e senhor, ao lado do jogo do chinquilho, dos bailaricos e das pataniscas de bacalhau com salada - salada fresca de alface, donde os lisboetas receberam, para sempre, a sua alcunha de "alfacinhas".

Foi forte a tradição das hortas, para onde marchava a fidalguia, a burguesia e a ralé.
De Arroios a Sacavém, os retiros acompanhavam os viajantes, que em qualquer deles se podia deleitar com o peixe frito na frigideira, pastéis de bacalhau, sardinha assada, coelho guisado - e a imprescindível salada que se queria, como dizia o rifão, "temperada por um cego e mexida por um doido". Tudo, evidentemente, bem regado.

Ia-se para as hortas de tipóia ou de caleche - e a pé, quando o dinheiro não dava para mais, começando a temporada na segunda-feira de Pascoela.
Era o divertimento preferido dos lisboetas que, de certo, nunca pensaram em vê-las desaparecer um dia. (*)




"Grupo a almoçar no Retiro do Caliça, situado na Estrada dos Salgados, arredores de Benfica" (c. 1904),
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa




Em Benfica, os retiros mais conhecidos eram o das Pedralvas e o do Charquinho.

Nos seus arredores, na Estrada dos Salgados (onde hoje se situa a Falagueira - Amadora), um de elevado renome era o Retiro do Caliça, lugar afamado de boa comida e vinho onde cantava o marialva e foram "descobertos" muitos grandes nomes do fado dessa época. (**)





"Retiro do Caliça. Em 2º plano vê-se o Cemitério de Benfica" (c. 1904),
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa



A cidade foi crescendo, alargando-se, expropriavam-se terrenos para construção de novos bairros - e os prazeres bucólicos dos domingos campestres perderam-se para sempre. (**)







Bibliografia consultada para elaborar este post:

(*) VIEIRA, Alice; FERREIRA, António Pedro.
Esta Lisboa. Lisboa: Leya, 1993. 200 p.

(**) CARMO, José Pedro. "As hortas", In:
Evocações do passado: o fado, touradas, tipos populares das ruas, bailes campestres, o carnaval, as hortas, as feiras e teatros. Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1943. - p. 115-138.

(**) LEAL, Gomes. "As hortas", In:
Histórias de Lisboa: antologia de textos sobre Lisboa / compil. Marina Tavares Dias. - 1ª ed. - Lisboa : Quimera, 2002. - p. 178-179

CONSIGLIERI, Carlos. "A cultura dos retiros". In: Olisipo : boletim do Grupo Amigos de Lisboa. - Lisboa. - S. 2, nº 3 (1996), p. 73-77