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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

domingo, 30 de maio de 2010

Despojos




Fotografia de Alexandra Carvalho



A velha Serralharia instalada, há mais de 30 anos, na confluência das traseiras da Rua Jorge Barradas e da Rua Cláudio Nunes, foi, finalmente, extinta.



Fotografias de Alexandra Carvalho



O contraste entre a imensidão de espaço vazio e os despojos ali deixados são evidentes e perturbadores.

Inicialmente, os moradores dos prédios contíguos pensaram que ali fosse nascer mais um moderno condomínio...
Mas a Dª. M., a quem já haviam falado em realojamento, ali permanece, resistindo (até quando?) na sua pequena habitação, no meio daquele espaço vazio, assistindo à mudança física daquele espaço que sempre conheceu.


Fotografia de Alexandra Carvalho



Ali mesmo ao lado, o estado de degradação acentuada de um outro "resistente", ainda habitado, parece indiciar que o futuro daquele espaço imenso já se encontra traçado.





segunda-feira, 5 de abril de 2010

Paredes que Falam (2)




Na Rua Cláudio Nunes, lado direito de quem sobe, junto ao restaurante da Dª. Graça...




Fotografias de Alexandra Carvalho








sábado, 9 de janeiro de 2010

Benfica e a Criminalidade




Nos últimos dias, a nossa freguesia tem aparecido na comunicação social pelos piores motivos possíveis!...

Entretanto, devido a este caso ter chegado aos mass medias, nas últimas semanas, as ruas de Benfica têm andado mais patrulhadas pela PSP.
Mas não foi isso que impediu que, no início desta semana, tivessem roubado o cartão multibanco aos meus avós em plena Estrada de Benfica (depois de os terem visto digitar o código na caixa multibanco no interior da dependência da CGD em frente ao Chafariz de Benfica).

Triste vai o nosso país quando aqueles que roubam para prover a necessidades básicas são admoestados por Tribunais e os que vilmente saqueiam pessoas de idade (que trabalharam toda a sua vida, para terem uma mísera reforma) continuam cá fora (a gozar com a vida dos outros)!...





"Em busca do violador de Benfica no descampado de todos os crimes"
por Rosa Ramos, Publicado em 07 de Janeiro de 2010
Jornal "i"



Fotografia de Filipe Casaca


O ano começou mal em Benfica, Lisboa. Na madrugada do dia 1 de Janeiro, António Santos chegou ao restaurante de que é proprietário pouco depois das oito da manhã. Quando encontrou a polícia à porta teve a certeza: tinha sido assaltado. Foi-lhe barrado o acesso às traseiras do restaurante e a polícia foi peremptória: "Aconteceu um crime." Pouco depois chegou a Polícia Judiciária (PJ). Afinal não tinha sido um roubo, "mas uma violação". A Rua Cláudio Nunes saltou para as páginas dos jornais. Três violações em seis dias. Em todas, o violador terá agido da mesma maneira. Esperou as mulheres na paragem de autocarros da Igreja de Benfica, seguiu-as e levou-as para um pequeno descampado, que dá acesso à rua através de um túnel.

Em Benfica, muitos moradores preferem encarar o caso com algum humor. Alguns comerciantes - na rua toda a gente se conhece - até já fizeram uma lista de suspeitos. E brincam com o assunto. "Não é caso para tanto alarmismo. Mas em Portugal só há espaço para este tipo de casos. Para isto, ou para debater o casamento entre homossexuais", atira o dono de uma frutaria. Mas há quem leve o assunto mais a sério, como a empregada de um estabelecimento que garante ter visto "um homem suspeito ao início de uma noite da semana passada". Agora só sai de dentro da loja se o marido a for buscar. O patrão conta que até já ameaçou despedir-se. E não dá a cara para contar o que viu.

Não há ninguém que não tenha histórias de crime para contar no bairro. Aurora da Graça, 84 anos, é rápida a desfiar uma lista interminável de tentativas de burla e assédio de que já foi vítima. "Há tempos, numa paragem de autocarro ali mais abaixo, um homem com um carro preto perguntou-me se queria boleia. E também já aconteceu a outras senhoras da minha idade", garante a octogenária.

A paragem de autocarro onde o suposto violador ataca está rodeada de bancos, restaurantes, cafés e quiosques. Há uma frutaria e o cabeleireiro Guida Maria. Apesar do movimento constante, os moradores convivem há muito com o crime. De noite ou de dia. "Já se perdeu a conta ao número de idosos assaltados junto ao banco", garante Jorge Sequeira, dono da Loja da Carne. Há histórias para todos os gostos. De assaltos por esticão, furtos em residências. De assédio. Por isso, a história do violador não impressiona a vizinhança.

Mas impressionou António Vieira, 70 anos, que também deu com a polícia na madrugada do dia 1, quando ia passear o cão, como de costume, para o descampado onde terão acontecido as violações. Oferece-se para servir de guia no local. Primeiro mostra a tábua onde o crime terá sido cometido - e onde, a escassos dois metros, jaz, ironicamente, um preservativo cor-de-rosa. Usado.

O descampado não tem mais de cem metros, mas, segundo os vizinhos, é uma fonte "interminável" de criminalidade. "Costuma cá estar, à noite, um grupo de prostitutas romenas e é local de droga e assaltos frequentes", garante o morador.

Num dos extremos do descampado alguém reaproveitou as ruínas de uma pequena casa: lá dentro há seringas, roupa e até uma impressora. À porta, Lurdes Estrela, outra moradora, construiu um abrigo para as dezenas de gatos abandonados que habitam o local. Aproveita o descampado para passear os dois cães e alimenta diariamente os gatos. E nem o facto de ter sido "apedrejada por um grupo de adolescentes" a demove. Segura a coleira dos cães com as duas mãos e atravessa o descampado, alheia a garrafas partidas, embalagens de pílulas e invólucros de preservativos que cobrem o chão. "É incrível que a Câmara de Lisboa, ou alguém, não tenha mão nisto, apesar dos problemas que aqui acontecem", reclama António Vieira.

O terreno pertence à Câmara, mas a Paróquia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica quer construir no local, há mais de dez anos, um lar de idosos. O cónego José Traquina admite que "existiram conversações há 12 anos e que foram recentemente retomadas". Mas nem sequer existe projecto.

Entretanto, os moradores evitam o local. Graça Pão Mole, que tem uma loja a poucos metros, jura que nunca lá pôs os pés. Do violador, diz que não sabe nada, mas apressa-se a contar que anteontem teve um dia difícil. Primeiro, um casal de carteiristas resolveu atacar na loja. "Ela deixou cair moedas para o chão, ele fingiu que as ia apanhar e entretanto tentou roubar a carteira a um cliente." Foi apanhado e fugiram. Mais tarde, às 19 horas, ficou às escuras com uma cliente. "Quando saí à rua para ir ver do quadro eléctrico, vi um sujeito de cor a masturbar-se à esquina", garante.

Das violações a PJ não fala. Admite apenas que está "a investigar o caso".

Com Augusto Freitas de Sousa





quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

sábado, 15 de agosto de 2009

Passadeiras novas









Os cruzamentos da Rua Cláudio Nunes e Rua Ernesto da Silva "ganharam" esta madrugada passadeiras de peões novas, em locais em que os moradores já nem se recordavam que algum dia as mesmas tivessem existido... mas onde já muitos acidentes haviam ocorrido ao longo destes últimos anos.














sexta-feira, 29 de maio de 2009

Janelas de Benfica - III




(por Alexandra Carvalho)






Nos tempos áureos da fotografia analógica, ter o rosto impresso em formato A5 papel brilhante no escaparate promocional da varanda do 1º andar esquerdo do Nº 6 da Rua Cláudio Nunes, era , sem dúvida alguma, o supra sumo da vida de qualquer criança nascida na década de 70.

Nesse andar funcionava (e penso que ainda funciona, mas com menos frequência) a "Foto - Águia de Ouro", uma verdadeira "instituição" na freguesia de Benfica, onde todas as crianças eram religiosamente levadas, em particular, pelos seus avós, para tirarem aquelas fotografias da praxe na época dos baptizados, aniversários, comunhões solenes, crismas e outros eventos que tais.

Recordo-me que, na minha família, essa tradição de perpetuar em formato papel as nossas memórias chegou ao cúmulo de, todos os anos, por altura do meu aniversário e do meu irmão, termos que visitar a "Foto - Águia de Ouro", para irmos "tirar o retrato".

A tradição, neste contexto específico, assumiu, assim, durante anos a fio, o travo de uma agonizante e amarga experiência, uma vez que nenhum dos dois gostava de ser fotografado... Em especial quando nos pediam, insistentemente, para que colocássemos a cabeça nesta ou naquela posição, e esboçássemos o sorriso idealmente perfeito (de acordo com os parâmetros da senhora de meia idade, cabelo alvo e sorriso extremo, que nos fazia permanecer minutos a fio estáticos em frente ao enorme chapéu-de-chuva prateado de onde saía o flash que nos encandeava os olhos).




Depois tínhamos que aguardar uma semana inteira para que saíssem as provas das fotografias, correndo o risco de termos que repetir semelhante experiência, caso tivéssemos ficado a "fazer boquinhas", como a tal senhora costumava dizer, ou o sorriso não estivesse em condições... e a fotografia não pudesse, dessa forma, ser exposta na varanda da loja, a todos os vizinhos e transeuntes que por ali passassem.

Resta dizer que, apesar de, actualmente, considerar que esta tradição familiar foi bastante interessante como conceito (já que, ao fim de um certo tempo, dava para irmos verificando as nossas transformações físicas, através de todos os retratos tirados), o facto é que a ela e à
"Foto - Águia de Ouro" se ficou a dever o meu completo desagrado em ser, hoje em dia, fotografada.

Apesar disso, relembro com muito carinho a atenção e interesse que já nessa altura sentia por toda a parafernália de equipamento técnico que a arte da Fotografia envolvia: de entre os quais destaco os infindáveis fundos matizados, que se escondiam por detrás de um exímio sistema de estore articulado, que a senhora manejava sempre com enorme perícia, perante o nosso olhar incrédulo.

Esta tarde, quando passei em frente à varanda do 1º andar da "Foto - Águia de Ouro", ao ver aquelas 8 fotografias de crianças, desvanecidas pelo sol, senti uma réstia de saudade por esses outros tempos, pela sensação de ansiedade com que ficávamos a aguardar, durante quase uma semana, pela visualização de uma simples fotografia.





quinta-feira, 7 de maio de 2009

A Casa de Penhores








Ao fundo da Rua Cláudio Nunes, do lado esquerdo de quem desce, desembocando já na Estrada de Benfica, existiu em tempos idos uma casa de penhores (no exacto local onde hoje funciona uma das agências da Caixa Geral de Depósitos).

Lembro-me que era uma loja algo sombria e pouco convidativa, com o seu incomensurável balcão de madeira escura, por detrás do qual nos olhava um senhor de idade avançada e "ar de poucos amigos".

Segundo o que o meu avô me explicava, as pessoas, sobretudo, durante os anos seguintes à II Guerra Mundial, iam ali deixar os seus pertences mais valiosos em troca de dinheiro; podendo mais tarde, quando saciassem os seus problemas financeiros, voltar a essa loja para reaverem os seus bens em troca de um pagamento em dinheiro.
Era criança e, para mim, sempre me soou como um negócio demasiado obscuro para o meu inocente entendimento.

Alguns anos mais tarde, essa antiga casa de penhores encerrou as suas portas ao público; e não mais se soube da existência de comércio semelhante por aquelas paragens (apesar de ter sido substituída no mesmo local por uma dependência bancária, cujos princípios reguladores obscuros acabam por ser semelhantes aos que eu imaginava em criança!).

Este ano, há alguns meses atrás, abriu em plena Estrada de Benfica, depois do Chafariz, uma nova "Casa de Penhores e Comércio de Jóias".
As grades da montra estão sempre corridas para baixo e, por detrás dos vidros espelhados, antevemos um balcão enorme de madeira, consideravelmente mais iluminado do que o de outrora.

Sinais dos tempos de crise que vivemos, até o "comércio" se adapta às necessidades dos clientes!...









quarta-feira, 22 de abril de 2009

Contrastes Claustrofóbicos








Abre-se a janela das traseiras e somos violentamente submersos por uma estranha claustrofobia, que nos invade face ao peso que a modernidade e alguns "arranha-céus" de 12 ou mais andares ali instalaram.






Nas traseiras da Rua Cláudio Nunes, a casa do "americano" ainda por ali subsiste, isolada e vazia, como que teimando em fazer frente aos novos valores que imperam.






Por entre os seus quintais e logradouros, confluentes com a (nova) Rua Jorge Barradas, onde outrora existia a Quinta do Tojal, apenas subsiste agora mato... e, ao longe, a Igreja de Benfica.

Lembro-me, ainda, de em miúda passear com a minha mãe e o meu irmão por uma estrada de terra batida, ladeada por papoilas de um vermelho intenso. Alguns metros à frente, parávamos e ficávamos a olhar para o outro lado, para a janela da cozinha dos nossos avós. Por vezes, eles apareciam à janela e acenávamos (nessa altura, ainda não existiam os telemóveis; e, contudo, a comunicação parecia muito mais livre de constrangimentos e mal entendidos!).

Muitos anos mais tarde, a estrada velha das papoilas desapareceria, dando lugar à Rua Jorge Barradas.
A vista para a janela da cozinha dos meus avós desapareceu também, dando lugar a esse sentimento claustrofóbico sempre que agora os visito e me sinto cercada por prédios altaneiros que tentam obliviar um passado há muito esquecido.







Do outro lado, por entre os destroços de uma serralharia que persiste em funcionar num local inusitado, subsistem ainda três blocos de habitações antigas, provavelmente, vestígios daquela que foi a Quinta do Tojal.















segunda-feira, 13 de abril de 2009

Janelas de Benfica - II





"Um gato, em casa sozinho,
sobe à janela para que, da rua, o vejam.

O sol bate nos vidros e
aquece o gato que, imóvel,
parece um objecto.

Fica assim para que o
invejem - indiferente
mesmo que o chamem.

Por não sei que previlégio,
os gatos conhecem a
eternidade."


Nuno Judíce









Desde bebé que aquele Skogkatt ali permanecia todas as tardes, à janela, espraiando-se aos raios de sol e mirando os transeuntes que por ali passavam.

Na janela daquela cozinha térrea, o gato era admirado por todos os que passavam.



Outros gatos à janela, aqui.






sábado, 11 de abril de 2009

O Oratório passa de casa em casa









Em criança, ficava sempre extasiada quando aquela caixinha de madeira chegava a casa dos meus avós.

Vinha fechada e era entregue pelas mãos de alguma vizinha, normalmente, à noite.
Na minha imaginação infantil, aquela pequena casa de madeira, tratava-se de um misterioso estojo, que guardava segredos aos quais apenas alguns tinham acesso.
Daí o zelo com que acompanhava sempre a cerimónia de abertura daquela caixa, realizada em simultâneo com o rito de alumiar uma candeia de azeite, que se colocava à frente dela.

E a pequena caixa de madeira, com as figuras da Sagrada Família no seu interior, ali permanecia em casa dos meus avós até à noite seguinte, quando, consultando a listagem nas costas da mesma, a iam entregar à vizinha seguinte.

O culto da Sagrada Família não é apanágio da freguesia de Benfica, uma vez que se desenvolve em inúmeras outras paróquias de Lisboa e de outras cidades.

No entanto, para mim que tive uma educação católica (apesar de não ser "praticante" e acreditar em Tudo um pouco à minha maneira especial), muito mais do que um culto, a passagem do Oratório da Sagrada Família de casa em casa, afigura-se-me muito mais como uma forma de perpetuar certos ritos de solidariedade entre a vizinhança... o que, na freguesia de Benfica, onde cada rua parece ter a sua vivência muito peculiar, transforma, de facto, esta pequena caixa de madeira numa misteriosa caixa de segredos e partilhas, como o que eu, em criança, acreditava ser o seu significado.








terça-feira, 3 de março de 2009

A Respigadora







06/08/06



Domingo à tarde. Ar quente e irrespirável e um sol tórrido que lhe queimava a pele.

Descia a Rua Cláudio Nunes a custo, auxiliada pela sua bengala, quando se deparou com dois grandes sacos de entulho. "Lixo" de outros, que renovavam uma qualquer parte de sua casa.

De repente, dei por ela toda entretida a vasculhar um dos sacos.

Pegou num azulejo amarelado pelo tempo, onde ainda se vislumbravam encantadores desenhos traçados a azulão. Virou, revirou e disse com uma voz demasiado comovida, que lhe parecia sair das profundezas do coração: - "Ai, a minha casa vai ficar tão linda!".





Sobre este assunto, ver/ler também:


"As Respigadoras", de Jean-François Millet (1857)

"Les Glaneurs et la Glaneuse", de Agnès Varda (2000)








domingo, 15 de fevereiro de 2009

Azulejos




(por Alexandra Carvalho)


14/03/08





Fotografias de Alexandra Carvalho (2008)


Anacronismo visual?
Ou necessidade que alguém sentiu de preservar o Passado a todo o custo?



Rua Cláudio Nunes, Nº 45(incluído no Inventário de Património Municipal)

Fotografia de Alexandra Carvalho (2008)