sábado, 21 de fevereiro de 2009

"Bonecos" de São Domingos de Benfica











Desenhos de Tiago Silva





O Tiago é um amigo de longa data (já lá vão mais de 14 anos desde a Fac.), que reside em São Domingos de Benfica (freguesia que, em tempos idos, também pertenceu a Benfica).

No seu interessantíssimo blog "Poder e Instituições no Antigo Regime", mantém uma rubrica relativa ao bairro em que mora, com desenhos tão bons como os apresentados acima.

Um blog (e trabalho) a descobrir aqui.








sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cidadania LX









A freguesia de Benfica vai passar a estar também um pouco mais presente aqui, no "Cidadania LX", um blog em que a única preocupação é a de "uma Lisboa pelos lisboetas e para os lisboetas".

Muito obrigada ao Paulo Ferrero pelo convite!







A Farmácia União








É uma das mais antigas de Benfica (juntamente com a Farmácia Marques, quase ali ao seu lado) e fica bem perto destas habitações, no Nº 592 da Estrada de Benfica.

É uma das minhas farmácias preferidas, não só pela simpatia e atenção dos funcionários, mas, sobretudo, porque dá mesmo gosto entrar neste pequeno edifício!




"Estrada de Benfica, Nº 592"
Fotografia de Augusto de Jesus Fernandes,
in
Arquivo Municipal de Lisboa






Bem preservada na sua fachada exterior, mantendo a traça de séculos passados, o que lhe confere um certo misticismo e nos faz recordar (sempre que lá entramos) aqueles potes de cerâmica utilizados nas farmácias antigas.

A Farmácia União foi muito recentemente remodelada no seu interior: design consideravelmente mais moderno e minimalista no que diz respeito aos seus balcões e expositores; cores que dão luz e vida a um lugar onde, por norma, apenas vamos quando não nos sentimos bem.







quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Salvem a Fábrica Simões!









"A Fábrica Simões é um dos últimos e importantes edifícios industriais na cidade de Lisboa e uma peça de referência do património edificado que existe em Benfica.
Era uma fábrica têxtil, foi fundada em 1907, e ali chegaram a trabalhar mais de mil pessoas."
*

Para alojar algumas dos seus funcionários, a Fábrica de Malhas Simões possuía um bairro operário, sobre o qual já aqui falámos.

"Mas há já mais de 20 anos que a zona se encontra abandonada e degradada. É um espaço enorme que podia ser usado em benefício da população de Benfica e não só." *




Para que esta antiga fábrica seja requalificada garantindo no seu imenso espaço a criação de equipamentos colectivos e sociais para usufruto da população (e evitando-se assim a construção desenfreada), dê o seu contributo e assine esta petição.

Divulgue esta petição junto dos seus contactos, pff.

Muito obrigada!



Informações interessantes sobre o passado da Fábrica Simões a ler aqui.





* In Texto da Petição








quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Os Saloios de Benfica





"A uma légua de Lisboa,
e como escondido mais adiante do contacto de povoações,

se nos apresenta um valezinho

que, por frescura de fontes,

alegria de árvores e amenidade de terreno,

mereceu, naturalmente, o nome de Benfica."



Brito Aranha, in "Archivo Pittoresco"


(por Alexandra Carvalho)



Benfica de outros tempos é descrita como uma localidade onde as quintas se seguiam umas às outras: a verdadeira horta de Lisboa. Entre as quintas mais famosas encontravam-se a das Pedralvas, Tojal e Charquinho.

Depois da fundação da nacionalidade, toda a zona do termo da cidade de Lisboa ficou habitada por rurais mouros que aí se mantiveram, sujeitos à dominação cristã.

O termo de Lisboa foi o lugar de fixação do "velho saloio" realizada sobretudo em tempos de D. João I, até como recompensa pela maneira como os seus habitantes haviam colaborado e lutado pela defesa de Lisboa contra Castela. Muitas terras reais foram então distribuídas por doação.





A presença muçulmana fez-se notar em Benfica sobretudo pelas características "saloias" que os habitantes manifestavam até ao século XVIII.
O "saloio" deriva do "çahroi" (= habitante do campo), designação dada com desdém pelos mouros aos habitantes dos arrabaldes.

Também os colonos francos e flamengos, aí chegados na época do povoamento, contribuíram para a formação do tipo clássico do "saloio".





Sendo o "saloio" descendente do moçárabe, foi da cultura arábica que herdou muitos dos seus usos e costumes, inclusive a arquitectura, como se nota nas formas e proporções daquele que é o seu tecto habitual:

"Imprimia o Saloio à sua habitação a robustez física e de carácter que o individualizaram. Sendo evidente que a casa saloia se insere no tipo de casa tradicional do Sul do País, ela possui um quê distintivo que logo a singulariza na Estremadura."

Maria Micaela Soares, in 'A Mudança na Cultura Saloia', Artigo inserto em "Loures, Tradição e Mudança" (vol. I, pág. 170. Loures, 1986).


A construção saloia, habitualmente com o seu lagar, fornos, adega, estábulos e curral, reflecte sobretudo a actividade agrícola do homem "saloio", que continua como os seus antepassados a ser o "çahroi" da época muçulmana, isto é, o trabalhador do campo.







Os "saloios" de Benfica deslocavam-se a Lisboa para venderem frutos, legumes e flores. Sendo às Portas de Benfica que se efectuava a pesagem dos produtos que entravam na cidade, servindo este edifício como ponto de apoio para a cobrança do imposto atribuído à entrada de mercadorias em Lisboa.






Com a inauguração do Aqueduto, surgiram algumas das profissões mais típicas da cidade de Lisboa, como as lavadeiras e os famosos aguadeiros.
Estes últimos, na sua maioria de origem galega, carregavam barris de água que vendiam a quem passava pelas ruas de Lisboa. Abasteciam-se nos vários chafarizes (entre os quais o de Benfica), sendo também obrigados a dar auxílio à população em caso de incêndio.

A designação "alfacinha" que, tradicionalmente, se atribuía aos lisboetas ficou como uma ténue lembrança de uma época há muito desaparecida e que evoca a proximidade rural da cidade e dos tempos de lazer dos seus habitantes.







Os saloios de Benfica eram, em suma, “figuras típicas (…) que circulavam por toda a cidade", tal como as varinas da Madragoa e os fadistas da Mouraria, de acordo com Graça Índias Cordeiro.

"Figuras" que deram, posteriormente, origem a identidades culturais concebidas, através das especificidades de cada freguesia (incluindo a de Benfica), em diversos planos, relacionais e simbólicos; que, a um nível mais global, contribuíram para a construção identitária de uma cidade popular, pitoresca e bairrista (da qual as Marchas Populares são o exemplo-vivo).








Para a redacção deste texto contribuiu a inspiração dos seguintes retalhos:

- Junta de Freguesia de Benfica (online)- Maria Micaela Soares, in 'A Mudança na Cultura Saloia', Artigo inserto em "Loures, Tradição e Mudança" (vol. I, pág. 170. Loures, 1986).

- Graça Índias Cordeiro, in "Uma certa ideia de cidade: popular, bairrista, pitoresca".

- Jorge Marcelo; Maria Margarida Lima; Maria Rita Coelho da Mota Dias Pinheiro, in Trabalho para a cadeira de História da Arquitectura, "O Lugar de Benfica" (Fevereiro 1989).