segunda-feira, 13 de abril de 2009

Janelas de Benfica - II





"Um gato, em casa sozinho,
sobe à janela para que, da rua, o vejam.

O sol bate nos vidros e
aquece o gato que, imóvel,
parece um objecto.

Fica assim para que o
invejem - indiferente
mesmo que o chamem.

Por não sei que previlégio,
os gatos conhecem a
eternidade."


Nuno Judíce









Desde bebé que aquele Skogkatt ali permanecia todas as tardes, à janela, espraiando-se aos raios de sol e mirando os transeuntes que por ali passavam.

Na janela daquela cozinha térrea, o gato era admirado por todos os que passavam.



Outros gatos à janela, aqui.






domingo, 12 de abril de 2009

sábado, 11 de abril de 2009

O Oratório passa de casa em casa









Em criança, ficava sempre extasiada quando aquela caixinha de madeira chegava a casa dos meus avós.

Vinha fechada e era entregue pelas mãos de alguma vizinha, normalmente, à noite.
Na minha imaginação infantil, aquela pequena casa de madeira, tratava-se de um misterioso estojo, que guardava segredos aos quais apenas alguns tinham acesso.
Daí o zelo com que acompanhava sempre a cerimónia de abertura daquela caixa, realizada em simultâneo com o rito de alumiar uma candeia de azeite, que se colocava à frente dela.

E a pequena caixa de madeira, com as figuras da Sagrada Família no seu interior, ali permanecia em casa dos meus avós até à noite seguinte, quando, consultando a listagem nas costas da mesma, a iam entregar à vizinha seguinte.

O culto da Sagrada Família não é apanágio da freguesia de Benfica, uma vez que se desenvolve em inúmeras outras paróquias de Lisboa e de outras cidades.

No entanto, para mim que tive uma educação católica (apesar de não ser "praticante" e acreditar em Tudo um pouco à minha maneira especial), muito mais do que um culto, a passagem do Oratório da Sagrada Família de casa em casa, afigura-se-me muito mais como uma forma de perpetuar certos ritos de solidariedade entre a vizinhança... o que, na freguesia de Benfica, onde cada rua parece ter a sua vivência muito peculiar, transforma, de facto, esta pequena caixa de madeira numa misteriosa caixa de segredos e partilhas, como o que eu, em criança, acreditava ser o seu significado.








quinta-feira, 9 de abril de 2009

Manobras Dissuasoras




aqui tinha falado sobre ele.

Hoje, ao passar de autocarro, depois de meio dia (com tolerância) de trabalho, vislumbrei ao longe uma placa escrita à mão e colocada no portão. Resolvi sair do autocarro para ir investigar.







O facto é que este antigo palacete rústico, depois de uma série de peripécias, esteve para venda (durante largos meses, na sua fachada principal, esteve colocado um letreiro com o contacto do vendedor).

Será que, agora, os novos donos pretendem cair no caricato de instalar um sistema de videovigilância num local que se encontra há uma série de anos em degradação? Ou serão, apenas, manobras dissuasoras (e de quem)?