domingo, 3 de maio de 2009

"BENFICA - ateliê de jornalismo digital"










Enquanto espaço de partilha (e intervenção) sobre a freguesia de Benfica, gostaria de aqui vos deixar hoje um link para um blog de jornalismo digital que descobri recentemente.

No "BENFICA - ateliê de jornalismo digital", tudo começou devido a uma disciplina laboratorial, onde foi solicitado aos alunos que compusessem materiais sobre a freguesia de Benfica para um exame num curso de Ciências da Comunicação.

Os resultados finais são tão bons, que não podíamos deixar de aproveitar para realçar a história do dono do Café "Califa", as memórias do famoso restaurante "O Jugo do Lavrador" ou o que as paredes de Benfica têm a discorrer sobre tantos e tantos assuntos.

Temas singelos e corriqueiros de uma vida (com características ainda) de bairro, sobre os quais já tantas vezes ficámos a ponderar (como este aqui), que fazem do "BENFICA - ateliê de jornalismo digital" um blog a descobrir.









sábado, 2 de maio de 2009

O Abate




Lisboa, 01 de Maio
(MYDM Lusa)






'Moradores de Benfica manifestaram-se hoje contra o abate de árvores no bairro, conseguindo suspender a acção que desencadeou críticas da Junta de Freguesia ao vereador da Câmara Municipal de Lisboa José Sá Fernandes.






Em declarações à agência Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Benfica, Domingos Pires (PSD), considerou "lamentável" e um "ataque ecológico" esta acção "desencadeada pelo vereador Sá Fernandes", que não informou a Junta do que se iria passar.
"Estava em Setúbal com a minha família quando um dos moradores me telefonou a contar o que se estava a passar", acrescentou.
O autarca afirmou que não compreende a decisão de abater as árvores, principalmente as quatro derrubadas na Av. do Colégio Militar, que "em nada interferem com a via ciclável".
Domingos Pires disse ainda que se trata de uma acção "premeditada", aproveitando o facto de hoje ser feriado, "para que pudessem mais facilmente proceder ao abate das árvores sem a interferência de ninguém".





A manifestação de moradores contou com cerca de 50 participantes, obrigando à presença de "agentes policiais que estavam a proteger os cortadores", referiu o presidente da Junta.






Contactado pela Lusa, o vereador Sá Fernandes (ex-BE) afirmou que "se as árvores estavam a ser abatidas é porque tinham de ser. Para abater as árvores há sempre uma justificação".
"Só uma pessoa com má vontade é que diz esses disparates todos", reagiu o vereador do ambiente da Câmara Municipal de Lisboa perante as declarações do presidente da Junta de Benfica.
Relativamente ao facto de não ter informado a Junta de Benfica sobre esta acção, Sá Fernandes explicou que "não tem conhecimento" e que "essas coisas são tratadas pelos serviços".'







Para que as árvores que restam na Av. do Colégio Militar não venham a sofrer o mesmo fim, esta 4ª feira (06/05/09) haverá uma reunião pública na Junta de Freguesia de Benfica, às 19h30, para debate sobre este assunto.

Participa!












quinta-feira, 30 de abril de 2009

Outras Paragens







Não é em Benfica...





... mas por lá, também, existe um mercado...





... e gentes simples nas ruas, com quem dá mesmo vontade de parar e conversar, para saber um pouco mais das suas histórias de vida (não fora o facto de, na sua grande maioria, praticamente ninguém falar Inglês).

O motivo da minha ausência (em trabalho) nestes últimos dias, por aqui o partilho convosco, meio ao jeito de testemunho fotográfico... porque vim de lá completamente rendida aos encantos desta maravilhosa e, por vezes, enigmática cidade.










quarta-feira, 22 de abril de 2009

Contrastes Claustrofóbicos








Abre-se a janela das traseiras e somos violentamente submersos por uma estranha claustrofobia, que nos invade face ao peso que a modernidade e alguns "arranha-céus" de 12 ou mais andares ali instalaram.






Nas traseiras da Rua Cláudio Nunes, a casa do "americano" ainda por ali subsiste, isolada e vazia, como que teimando em fazer frente aos novos valores que imperam.






Por entre os seus quintais e logradouros, confluentes com a (nova) Rua Jorge Barradas, onde outrora existia a Quinta do Tojal, apenas subsiste agora mato... e, ao longe, a Igreja de Benfica.

Lembro-me, ainda, de em miúda passear com a minha mãe e o meu irmão por uma estrada de terra batida, ladeada por papoilas de um vermelho intenso. Alguns metros à frente, parávamos e ficávamos a olhar para o outro lado, para a janela da cozinha dos nossos avós. Por vezes, eles apareciam à janela e acenávamos (nessa altura, ainda não existiam os telemóveis; e, contudo, a comunicação parecia muito mais livre de constrangimentos e mal entendidos!).

Muitos anos mais tarde, a estrada velha das papoilas desapareceria, dando lugar à Rua Jorge Barradas.
A vista para a janela da cozinha dos meus avós desapareceu também, dando lugar a esse sentimento claustrofóbico sempre que agora os visito e me sinto cercada por prédios altaneiros que tentam obliviar um passado há muito esquecido.







Do outro lado, por entre os destroços de uma serralharia que persiste em funcionar num local inusitado, subsistem ainda três blocos de habitações antigas, provavelmente, vestígios daquela que foi a Quinta do Tojal.















segunda-feira, 20 de abril de 2009

O Pedro







No dia em que esta fotografia foi tirada, festejava os seus primeiros 7 meses de vida.
Segundo a família embevecida, com tão tenra idade, era já um óptimo dançarino.
Nasceu em Portugal e é neto da dona da loja chinesa aqui do meu bairro. Nessa tarde ouvimos músicas de embalar, cantadas em mandarim.

Passados dois anos, o Pedro ganhou um irmão. E, segundo soube hoje, quando fui à loja e vi a sua mãe muito agoniada, um terceiro irmão (ou irmã) já vem a caminho, daqui a sete meses.

Em termos étnicos e culturais (defeito profissional), há dois pormenores nesta estória que considero interessantíssimos: - o facto de grande parte dos chineses comerciantes que conheço darem nomes portugueses aos seus filhos (quem sabe, se não procurando dessa forma integrarem-se mais rapidamente na sociedade portuguesa); - o facto de, longe do seu país de origem, inúmeros cidadãos chineses poderem deixar de se reger pela Lei do Filho Único e disporem de liberdade para terem o número de filhos que assim entenderem (contribuindo para a "regeneração" de uma Europa cada vez mais envelhecida).