sexta-feira, 19 de junho de 2009

"CALOR" - O Fim










Acreditámos que a sua morte anunciada, poderia estar mais longe do que pensáramos...

Afinal, a casa que outrora pertenceu aos irmãos Serpa, os famosos hoquistas, tombou hoje, dia 19 de Junho de 2009.

No seu lugar aparecerá, certamente, mais um prédio a inundar a Benfica antiga, que é pena não ser melhor preservada, à semelhança do que alguns têm feito.





Nota Explicativa:

A freguesia de Benfica, à semelhança de outras freguesias de Lisboa, é ainda constituída por um núcleo histórico, datando do século XIX, o qual se estende desde o Largo Ernesto da Silva, passando pelos edifícios remanescentes da antiga Quinta do Tojalinho, nas traseiras da Igreja de Benfica, prolongando-se em seguida pela Rua Ernesto da Silva.

Alguns destes edifícios encontram-se incluídos no "Inventário Municipal de Património" da Câmara Municipal de Lisboa (vide in págs. 113 e 114) - ou seja, apesar de não serem pertença do município, são considerados exemplares arquitectónicos históricos dignos de importância (entre os quais se incluêm, a título de exemplo, o Pátio Ripamonti e a Vila Ana e Vila Ventura).

No que diz respeito ao caso concreto do edifício mencionado no presente post, o mesmo não se encontrava incluído nesse Inventário, tal como a casa térrea ao lado da que foi demolida (foto nº 2) e a casa de dois andares nas suas traseiras (foto nº 3 - por sinal, foi nesta casa que viveu o patriarca dos Lobo Antunes - bisavô da geração actual -, antes de se ter mudado para esta outra - verificar informação mais detalhada nesta entrevista) também não se encontram.

No entanto, à semelhança do que felizmente já vai sendo feito em alguns pontos desse núcleo mais antigo de Benfica, talvez, fosse interessante que estes conjuntos habitacionais fossem preservados e mantidos (como forma de perpetuar a história de Benfica), podendo mesmo ser utilizados para serviços comunitários (como Bibliotecas, Centros de Dia, Creches, etc.).










segunda-feira, 15 de junho de 2009

[URGENTE]- Pedido de Testemunhos sobre o Cinema Turim





No âmbito do trabalho que temos vindo a desenvolver neste blog fomos, muito recentemente, contactadas por um estudante de Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social (sita em Benfica), que nos solicitou ajuda para a elaboração de um trabalho que terá de realizar na cadeira de "Rádio".




(Clicar na imagem para ampliar)





Para este trabalho jornalístico, o Hugo Jorge gostava de recolher alguns testemunhos de pessoas que tenham vivido os tempos áureos do mítico Cinema Turim.

Consideramos que este é um trabalho extremamente interessante, sobretudo, numa altura de transição, em que esse espaço se encontra em obras, para dar lugar, brevemente, a uma outra forma de arte.

Nesse sentido, pedimos a todos os nossos leitores que estejam interessados em dar o seu testemunho para este trabalho que contactem, com a maior brevidade possível (o prazo e entrega do trabalho avizinha-se), o Hugo Jorge por e-mail para:
hugojorge89@gmail.com

Ficamos muito contentes de saber que este nosso blog pode também transformar-se num espaço activo de partilha e comunicação entre aqueles que nos vão lendo diariamente e os que chegam até nós por mero acaso!

E fazemos votos para que o trabalho do Hugo decorra pelo melhor e que, no final, ele nos deixe aqui publicar alguns excertos do mesmo.







domingo, 14 de junho de 2009

"Domingo irei para as hortas"




"Domingo irei para as hortas na pessoa dos outros.
[...] Haverá sempre alguém nas hortas ao domingo."


Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa),
Anos 30.





"Retiro do Caliça, arredores de Benfica" (c. 1904),
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa





Nas antigas hortas, o fado foi rei e senhor, ao lado do jogo do chinquilho, dos bailaricos e das pataniscas de bacalhau com salada - salada fresca de alface, donde os lisboetas receberam, para sempre, a sua alcunha de "alfacinhas".

Foi forte a tradição das hortas, para onde marchava a fidalguia, a burguesia e a ralé.
De Arroios a Sacavém, os retiros acompanhavam os viajantes, que em qualquer deles se podia deleitar com o peixe frito na frigideira, pastéis de bacalhau, sardinha assada, coelho guisado - e a imprescindível salada que se queria, como dizia o rifão, "temperada por um cego e mexida por um doido". Tudo, evidentemente, bem regado.

Ia-se para as hortas de tipóia ou de caleche - e a pé, quando o dinheiro não dava para mais, começando a temporada na segunda-feira de Pascoela.
Era o divertimento preferido dos lisboetas que, de certo, nunca pensaram em vê-las desaparecer um dia. (*)




"Grupo a almoçar no Retiro do Caliça, situado na Estrada dos Salgados, arredores de Benfica" (c. 1904),
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa




Em Benfica, os retiros mais conhecidos eram o das Pedralvas e o do Charquinho.

Nos seus arredores, na Estrada dos Salgados (onde hoje se situa a Falagueira - Amadora), um de elevado renome era o Retiro do Caliça, lugar afamado de boa comida e vinho onde cantava o marialva e foram "descobertos" muitos grandes nomes do fado dessa época. (**)





"Retiro do Caliça. Em 2º plano vê-se o Cemitério de Benfica" (c. 1904),
Paulo Guedes, in Arquivo Municipal de Lisboa



A cidade foi crescendo, alargando-se, expropriavam-se terrenos para construção de novos bairros - e os prazeres bucólicos dos domingos campestres perderam-se para sempre. (**)







Bibliografia consultada para elaborar este post:

(*) VIEIRA, Alice; FERREIRA, António Pedro.
Esta Lisboa. Lisboa: Leya, 1993. 200 p.

(**) CARMO, José Pedro. "As hortas", In:
Evocações do passado: o fado, touradas, tipos populares das ruas, bailes campestres, o carnaval, as hortas, as feiras e teatros. Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1943. - p. 115-138.

(**) LEAL, Gomes. "As hortas", In:
Histórias de Lisboa: antologia de textos sobre Lisboa / compil. Marina Tavares Dias. - 1ª ed. - Lisboa : Quimera, 2002. - p. 178-179

CONSIGLIERI, Carlos. "A cultura dos retiros". In: Olisipo : boletim do Grupo Amigos de Lisboa. - Lisboa. - S. 2, nº 3 (1996), p. 73-77









sábado, 13 de junho de 2009

Depois do Abate







Depois do abate, a ciclovia está quase concluída e três novas árvores foram plantadas no local das que dali desapareceram.







E será que alguém me consegue explicar porque é que as três árvores mais antigas foram, de facto, cortadas?

É porque, a julgar pelas fotografias acima, apesar do ponto de onde ambas foram tiradas não ser o mesmo, constatamos que as árvores se encontravam alinhadas ao mesmo nível do poste de electricidade onde se encontra um caixote do lixo... a alguma distância da dita ciclovia (e onde agora foram re-plantadas as jovens árvores da mesma espécie das anteriores).





Felizmente, para o negócio da venda de jornais por ali existente, conseguiram a proeza de realizar a dita obra sem sequer a removerem do seu local (ou abaterem)... apesar das pedras da calçada a continuarem a deixar numa situação periclitante.







sexta-feira, 12 de junho de 2009