sexta-feira, 11 de setembro de 2009

"CALOR" - O Fim (2)









Após a sua anunciada morte e o trágico fim, será que ficou melhor assim, votada ao abandono, parcialmente vedada e amontoando lixo a cada dia que passa?







sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Palácio "Beau Séjour"










A Quinta do Beau-Séjour ou Quinta das Campainhas é uma propriedade na freguesia de São Domingos de Benfica em Lisboa, onde está edificado o Palácio Beau-Séjour.

Em 1849, a futura Viscondessa da Regaleira, adquiriu a quinta das Loureiras para ai construir uma casa segundo os modelos românticos ingleses, assim como um exótico jardim romântico - o Beau Séjour.

Dez anos mais tarde, em 1859, a sua sobrinha e herdeira, a viscondessa, vendeu a quinta ao seu amigo de vários anos, o Barão da Glória, que fizera fortuna no Rio de Janeiro e regressara ao seu país natal, Portugal. Este empreendeu várias obras de embelezamento na quinta e, principalmente, nos famosos e elegantes jardins, tendo revestito as fachadas do edifício a azulejo de estampilha, aumentado o lago que emblezava o jardim e, também, espalhado esculturas pelos pátios.

Quando este faleceu em 1876, os seus sobrinhos, José Leite Guimarães e Maria da Glória Leite, começaram uma campanha de obras para enriquecimento artístico, tanto na casa como no jardim: destacando-se o trabalho de Columbano, irmãos Bordalo Pinheiro, entre outros.

A Quinta das Campainhas, como é apelidada popularmente, foi legada à família Dias de Almeida, tendo permanecido nesta família até ao início dos anos 70, quando foi vendida a uma congregação de Irmãos Maristas.
E nos anos 80, foi adquirida pela Câmara Municipal de Lisboa, que aí instala o Gabinete de Estudos Olissiponenses, em 1992.

Em 1992, os jardins foram recuperados segundo a traça original neoclássica, pela arquitecta Maria Luiza Ferraz de Oliveira, constituindo um belo exemplar de um jardim romântico com todo o ambiente exótico que o caracteriza. O jardim é marcado pela presença de tanques, ilhotas, lagos, coretos e caramanchões, conseguindo grandes jogos de luz/sombra entre as clareiras e a densa vegetação.

O palácio está aberto ao público, juntamente com os seus famosos jardins, na cidade de Lisboa.





quarta-feira, 2 de setembro de 2009

As (novas) Hortas de Benfica




À semelhança doutros tempos, a ruralidade de Benfica desponta ainda em algumas "ilhas verdes", escondidas pelos meandros da freguesia...




Fotografia de António Pedro Ferreira


"Há 25 anos que Fernando Mendes, agente da PSP, tem uma horta a dois passos do Colombo, com vista para o Estádio da Luz". (*)




Fotografia de António Pedro Ferreira


"Estrada de Benfica. Há quase 30 anos que António Barroqueiro e outros seis hortelãos amanham uma ilha de verde encaixada entre duas fileiras de prédios (...) meio hectare de terreno, onde há de tudo, como no campo - incluindo convívio." (*)





Um excelente artigo de Katya Delimbeuf, publicado na Revista "Única", a ler na íntegra aqui.






(*) Texto de Katya Delimbeuf




segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Gente de Benfica - III





Fotografia da autoria de Luís Resende




Jorge Resende, 62 anos, nascido na véspera de Natal, no 1º andar do Nº 13 do Largo Ernesto da Silva, passou grande parte da sua infância e juventude na freguesia de Benfica.

O seu avô materno era vigilante da Escola Normal de Lisboa (hoje Escola Superior de Educação de Lisboa), tendo à falta dum ordenado, a permissão de instalar nos terrenos anexos as habitações para a sua numerosa família e os seus gados. Manuel, seu avô, alcunhado de "Pastor" era muito respeitado em Benfica desses tempos; vivia da exploração leiteira e vendia leite e queijos de porta a porta, como era costume à época.

Jorge Resende foi filho de operários: o seu pai laborou na Fábrica Grandella (Empresa de Fiação e Tecidos de Benfica) e a sua mãe na Fábrica Simões, à porta da qual Jorge se lembra de a ir esperar.

Da Fábrica Simões & Companhia Limitada Jorge Resende relembra, com uma réstia de saudade infantil embargada nas suas palavras, a importância de que se revestiam as festas de Natal promovidas pela mesma. Onde o "Patrão Gabriel" e o "Patrão Simões", como benesse da consoada, ofereciam, com toda a pompa e circunstância (nas quais se incluía o direito a uma visita ao alfaiate), roupas novas aos operários e às suas famílias.

Só muitos anos mais tarde, Jorge Resende teve consciência da exploração laboral praticada pela Fábrica Simões, onde, apesar disso, de uma forma dir-se-ia quase paternalista, os patrões "estimulavam a aprendizagem no refeitório da Fábrica, para os operários obterem o diploma da quarta classe (...) Havia equipas desportivas (...) e cerca de 1954, nos terrenos do refeitório, nasceu uma creche para os filhos dos operários (...)".
Mas, para quem, em criança, apenas teve como brinquedo um cavalo de cartão, que pertenceu à Família Lobo Antunes (oferecido, assim, em segunda mão por uma das suas criadas), as festas de Natal promovidas pela Fábrica Simões, eram, de facto, uma benesse dos céus.

Por entre as lembranças dos importantes marcos do comércio local (como a mercearia "Vale do Rio", a "Adega dos Ossos", o "Paraíso de Benfica" e a Foto "Nice"), das idas a pé até à Feira da Luz em Carnide e à praia em Algés, das "casas muito bonitas" que os seus olhos fotografavam e de alguns dos personagens da Benfica desses tempos; o discurso de Jorge Resende é entre cortado pelos momentos de índole mais pessoal, como o da emigração dos seus tios (com quem viveu grande parte da sua infância, primeiro em Benfica e, mais tarde, na Venda Nova) para o Canadá, no final dos anos 50, ou o do seu insucesso escolar e ingresso no mundo do trabalho ainda adolescente com treze anos e meio.

Em 1958, Jorge Resende regressa a Benfica com a sua família, para habitar uma casa no novo Bairro de Santa Cruz, gerido pela Caixa de Previdência.
É, precisamente, neste bairro de "casas económicas" que Jorge Resende mais sentiu a cisão social que existia na freguesia, ou seja, "(...) entre as duas partes do Bairro, ou seja, os moradores do Bairro da parte de trás da Mata estavam ligeiramente deslocados de Benfica, como se de um gueto se tratasse. E havia um pormenor interessante na arrumação social até dentro de cada rua. (...) dum lado construíram uma banda de casas (...) que ou por acaso ou fatalidade, eram habitadas geralmente por agregados mais modestos. Do outro lado da rua, construíram vivendas com bastantes divisões, geminadas, em que os moradores geralmente eram de profissões ou liberais ou quadros de empresas, funcionários do Estado, “gente bem”, e que dava a impressão que estavam ali para, com os seus exemplos de vida, também servirem para “educar” os pobres que lhes calharam em frente das suas portas."

Em criança, Jorge Resende desejava ser professor primário, pois via naquela profissão "(...) uma forma de mudar de lugar constantemente, qual caixeiro viajante ou saltimbanco que andava de terra em terra (...)"... Acabou por trabalhar, mais de 30 anos, como Controlador Planeador de Escalas de Tripulantes de Voo na TAP, onde os seus sonhos continuaram a voar.

A sua história de vida é o fiel retrato de uma época, vivida pelas classes mais baixas, do operariado, na freguesia de Benfica. É, sobretudo, a história de um homem cujas agruras de uma vida difícil lhe incutiram, desde muito cedo, um forte sentido crítico perante as diferenciações sociais existentes e contra elas, mais tarde, tentou activamente lutar.

Apesar das agruras provocadas por uma vida modesta, Jorge Resende recorda com carinho uma "vila" de Benfica agradável, "(..) uma lista enorme de gente simples, humilde, entrosados com outros de posições económico-sociais diferentes, mas que conviviam, como se Benfica fosse um pátio em que todos se conheciam."
Uma Benfica que "(...) começou a desaparecer no início dos anos sessenta, com a construção desenfreada de novos prédios (...)", mas que ele próprio gostaria de ver transposta para "(...) uma exposição de fotografias que “falem” de tempos passados, e que muitas e muitas obras nasçam que possam marcar o futuro daquela freguesia."

Actualmente, reformado, Jorge Resende, juntamente com aquela que, há muitos anos atrás, lhe vendeu uma entrada vitalícia para a Festa do Avante, contempla agora a sua neta de 1 ano crescer na ilha da Madeira. Onde o gosto pela leitura o continua a comandar para que se dedique, ainda, a redigir as memórias da sua família para as gerações vindouras.




Pode ler esta história de vida na íntegra aqui (a qual faz parte de um projecto mais abrangente que desenvolvemos numa rubrica intitulada "Gente de Benfica").