terça-feira, 26 de janeiro de 2010

"Tens vintes?"



E-mail recebido de uma amiga e vizinha de Benfica...



"(...)

Em relação ao seu blog sobre o Bairro de Benfica é sempre lido com muito entusiasmo por um amigo de infância, que já não o vejo há anos e que vive nos Açores. Está a fazer uma pós-graduação (acho que é) em Museologia.

E sobre uma das
[posts] que lhe enviei aqui fica o que ele me escreveu:

- 'E em que pé está
a luta pelas Vilas Ana e Ventura? É engraçada a coincidência.

Um dia, não há muito tempo, passei com um amigo diante dessas moradias e parámos para as ver melhor.
Já era noite e estranhámos que uma casa que, aparentemente estava em ruínas, tivesse
luz no último andar de uma torre.
E, na brincadeira, imaginámos histórias fantasmagóricas e sei lá mais o quê.

Outra coincidência é que
o surrealista Luiz Pacheco tivesse aí morado.
Conheço boa parte da sua obra e sou muito amigo do Bruno da Ponte, homem já quase com oitenta anos e que privou com ele e com o resto do grupo surrealista de Lisboa. Aparecem, aliás, no livro do Pacheco, 'Pacheco versus Cesarini', duas cartas do Bruno, a quem o mesmo Pacheco pedia vinte escudos, de vez em quando, de uma forma bastante pitoresca: - 'Tens vintes?'
Era uma das suas características andar com a algibeira vazia."




Em resposta ao amigo da Carla que vive nos Açores e, também, lê o "Retalhos de Bem-Fica", aproveitamos para informar que o Movimento de Cidadãos está a crescer cada vez mais, assim como a divulgação desta Causa.

Depois de um trabalho intenso de pesquisa histórica e genealógica, assim como muitas conversas com um dos antigos habitantes da Vila Ventura, conseguimos já estruturar toda a história destas Vilas (restando apenas a definição de um pequeno elemento em falta).

Aproveitamos para agradecer a todos aqueles que nos têm ajudado nestas andanças!

Outras diligências estão a ser tomadas, sobre as quais informaremos, muito em breve, todos os que já aderiram ao Movimento de Cidadãos.

Entretanto, aproveitamos para, mais uma vez, aqui reiterar que todas as sugestões, ideias e propostas de que se lembrem para ajudar a esta Causa serão muito bem vindas, assim como eventuais testemunhos de pessoas que tenham vivido na Vila Ana ou na Vila Ventura (podendo, para esse efeito, aqui deixar o vosso comentário ou enviar-nos um e-mail para palavraseimagens@gmail.com).



segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Campanha de Informação à População






Esta manhã, a Estrada de Benfica acordou repleta de informação...



[clicar para ampliar e ler]




Temos constatado, através de alguns comentários que nos são deixados na página da nossa Causa no Facebook e de alguns e-mails que nos enviaram, que a grande maioria das pessoas concorda com o facto de que a Vila Ana e a Vila Ventura deveriam ser preservadas e recuperadas, desconhecendo, porém, a história da origem destas casas e a sua importância para a nossa freguesia.

Nesse sentido, lançámos hoje uma Campanha de Informação à População, por via de panfletos de divulgação afixados nas ruas de Benfica.

Agradecemos a todos os que têm colaborado neste Movimento de Cidadãos e nos têm demonstrado o seu apoio a esta Causa.





domingo, 24 de janeiro de 2010

Escola Primária António Maria dos Santos




Fotografia de Fausto Castelhano



"(...)

Foi exactamente aqui, na Escola António Maria dos Santos, Estrada de Benfica, encostada ao centro Comercial Nevada, que se se desenrolou, tanto o meu exame da 3ª Classe, em 1949 (Exame do 1º Grau) como o exame da 4ªclasse, em 1950 (exame do 2º grau).


Pelo menos, todos os alunos da Escola Primária Elementar de Aplicação nº 47 aqui efectuavam os seus exames no final do Ano Lectivo.

Esta escola nº 47, que frequentei da 2ª classe até à 4ª Classe (depois de ter saído da Escola Primária Oficial nº 124, que funcionava no Patronato Paroquial de Benfica), localizava-se nas traseiras do edifício da Sopa dos Pobres da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. A 'Sopa do Sidónio' ou a 'Sopa do Barroso', como era também designada.


O edifício da Misericórdia de Lisboa localizava-se na Estrada de Benfica ao lado do antigo
Quartel dos Bombeiros. Todavia, entre o Quartel e esse edifício, existia um longo em caminho em "macadame" que, passando rés-vés com as traseiras da Fábrica Simões, nos levava, lá no alto, ao magnífico conjunto do Magistério Primário.
Toda a área da Cozinha dos Pobres e da Escola Primária Nº 47, já demolidos, ocupavam parte do espaço da que é, hoje, a Escola da Quinta de Marrocos.


E, já agora e como recordação desses belos tempos, o nome das quatro professoras dessa escola: Dª. Isaura, Dª. Maria do Céu, Dª. Tomásia e Dª. Maria Mateus (as duas últimas, foram minhas professoras). Todas elas muitíssimas competentes mas, muito bravas.

Era o tempo em que por cada erro no ditado se era contemplado com duas ou três valentíssimas réguadas e, como complemento, repetir vinte ou trinta vezes a palavra errada.



Um abraço de muita amizade
,

Fausto Castelhano"







sábado, 23 de janeiro de 2010

Resposta ao pedido de fotos da 'Metalúrgica de Bemfica'




Em resposta ao pedido de fotografias que o nosso leitor João Botelho de Miranda nos tinha feito, responde hoje um outro leitor...

Aproveito para destacar o contentamento que tive em saber que o "Retalhos de Bem-Fica" proporcionou mais outro reencontro familiar, como abaixo descrito.




"Rua das Garridas - à direita 'Metalúrgica de Bemfica'" (s/data)
Artur Goulart, in
Arquivo Municipal de Lisboa



"Alexandra,

Encontrei no
Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa [link permanente na barra lateral direita deste blog] estas fotos e reconheci nelas partes da antiga 'Metalúrgica de Benfica'.

Dentro do Arquivo, pedi Rua das Garridas e surgiram várias fotos de casas do meu Bairro de Santa Cruz, entre elas as que lhe envio para quando puder e se as quiser trabalhar, claro!




"Rua das Garridas, cruzamento com a rua General Morais Sarmento" (1970)
Em frente, restos da
'Metalúrgica de Bemfica'
Arnaldo Madureira, in Arquivo Municipal de Lisboa



Graças ao seu blog, encontrei outro primo, João Paulo Botelho de Miranda, primo afastado, mas a quem corre nas veias o sangue da nossa família.

Foi uma alegria este reencontro com um parente que era um menino de 8 anos quando o conheci, no início dos anos 70 e hoje é casado, pai, e também tal como eu e você, gosta de Benfica porque ali viveu alguns anos.




"Rua das Garridas, Nº 77" (1970)
Em frente, parte da 'Metalúrgica de Bemfica'
Arnaldo Madureira, in Arquivo Municipal de Lisboa



A 'Metalúrgica de Benfica', onde o pai do meu referido primo trabalhou como engenheiro nos anos sessenta e setenta do século passado, era uma unidade industrial, nascida em 1920 na Estrada das Garridas, mesmo nas traseiras do Chafariz de Benfica, em paralelo com o muro do Laboratório Veterinário.
Arquitectonicamente falando não tinha nada de especial, tinha um portão e por dentro era um enorme espaço de oficinas. Foram ali fundidos materiais para os candeeiros da Praça dos Restauradores segundo li na 'net'.


Com o mesmo nome, 'Metalúrgica de Benfica', existe uma fábrica que labora em Sintra, penso que é a seguidora da anterior, que deu emprego a muitos habitantes de Benfica. Em arqueologia Industrial deve haver mais sobre a Metalúrgica mas não tenho como lá chegar.




"Bairro de Benfica, zona oriental" (1961)
À esquerda a 'Metalúrgica de Bemfica'
Artur Inácio Bastos, in Arquivo Municipal de Lisboa



(...)

O Arquivo de Fotografia de Lisboa, ao fim e ao cabo, tem fotos de 1960/1961 que repõem a Estrada de Benfica com os seus edifícios quase desde Sete Rios às Portas de Benfica.

Se no site do Arquivo Fotográfico de Lisboa da Câmara Municipal de Lisboa os seus leitores clicarem em 'PESQUISA' e inscreverem apenas 'Benfica', irão percorrer 2.300 fotos sobre Benfica, se quiserem diminuir a busca, inscrevem em 'Pesquisa' 'Estrada de Benfica' e surgem 84 páginas cheias de fotos dos mesmos locais.

Foi uma informação para os seus leitores que, tal como eu, pretendam formar um arquivo a seu gosto.

Um abraço,

Jorge Resende"




Acrescento, ainda, à simpática informação que o Jorge Resende deixou a todos os leitores que, no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa também se podem efectuar, na sua localização física, pedidos de reprodução das fotografias que se encontram disponíveis online.





sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Em busca da 'Euterpe de Benfica'




O Pedro Macieira (do blog "Rio das Maçãs") contactou-nos, há algum tempo atrás, pedindo auxílio na busca que empreendeu pelo destino do legado da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica, onde o seu avô - Eugénio Germano Baptista - foi músico e director do jornal da Euterpe.

Junto anexamos mais alguns documentos enviados pelo Pedro Macieira, os quais, para além de nos contextualizarem muito bem uma época, poderão, também, ajudar-nos a compreender melhor a relação da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica com o futebol em Benfica (assunto que Domingos Estanislau, também, demonstrou muito interesse em investigar).

Pedimos, mais uma vez, a todos os nossos leitores que tenham informações sobre estes dois pontos acima mencionados que nos remetam essa informação (por e-mail ou deixando comentário neste blog).

Muito obrigada!






"Olá bom dia, Alexandra,

Vi ontem a reportagem da revista do CM, sobre Benfica, com a referência ao seu blogue. Blogue que tenho acompanhado com interesse, face aos resultados que apresenta e à forma como as pessoas têm aderido.

Hoje e recomeçando a minha tentativa de saber o que aconteceu à Euterpe de Benfica, envio-lhe duas fotos das/da sala(s) de festas da antiga Euterpe de Benfica.
As fotos de hoje, do meu avô Eugénio Germano Baptista, não têm grande qualidade nem estão datadas mas serão do início do séc. XIX.




"Sala(s) da Euterpe de Benfica" (início século XIX)

Digitalizações cedidas por Pedro Macieira,
in Arquivo de Eugénio Germano Baptista



(...)

Envio-lhe também uma página do Jornal da Euterpe, "A Filarmónica" de 13 de Abril de 1912 - "Número único comemorativo do 53º aniversário da Sociedade Filarmonica Euterpe de Bemfica" em que está um interessante artigo sobre a relação da Euterpe e do "Foot-ball de Bemfica"- assunto tratado no seu blogue recentemente (existe uma falta de texto entre a linha 18ª e 22ª por um pequeno corte na página do jornal, mas não cria nenhum problema de leitura).




"Jornal 'A Filarmónica'" (13/04/1912)

Digitalizações cedidas por Pedro Macieira,
in Arquivo de Eugénio Germano Baptista

[clicar para ampliar]




Também para utilizar da forma que achar mais útil a informação da contra capa de outro número da "A Filarmónica (13 de Abril de 1923). Também número único comemorativo do 64º aniversário da Euterpe - que dá uma panorâmica do comércio de Benfica nessa altura.



"Jornal 'A Filarmónica - contra capa'" (13/04/1923)

Digitalizações cedidas por Pedro Macieira,
in Arquivo de Eugénio Germano Baptista

[clicar para ampliar]





(...)

Envio-lhe um programa dos 'Festejos ao glorioso mártir S. Sebastião', que se realizou nos 'dias 3, 4 e 5 de Agosto de 1901 em Bemfica', abrilhantada 'no novo coreto' pela 'Philarmonica Euterpe de Bemfica'.


"Programa de Festejos" (1901)

Digitalizações cedidas por Pedro Macieira,
in Arquivo de Eugénio Germano Baptista

[clicar para ampliar]




Um abraço,

Pedro Macieira"




Face à sua pertinência para o contexto desta busca pelo legado da Euterpe de Benfica, incluímos ainda neste post um texto que nos foi remetido por Domingos Estanislau.




"A Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica, foi fundada em 1859, no edifício onde hoje se situa o Restaurante 'David da Buraca', por cima da porta da antiga taberna onde nasceu aquele Restaurante. Está lá uma placa que assinala essa data.

Mais tarde a Sede da Euterpe muda-se para o Nº 30 da
Rua Cláudio Nunes. Salão amplo, considerado por muitos o melhor Salão de Lisboa. Veio a pertencer ao Clube Futebol Benfica, depois de 1933 e após a reorganização do Grupo Futebol Benfica.



"Primeiro Presidente do Clube"

Imagem cedida por Domingos Estanislau



"Primeiros Corpos-Gerentes do Clube"

Em 23 de Março de 1933 realizou-se a Assembleia Geral que assinala a reorganização do Grupo Futebol Benfica (designação esta do Clube Futebol Benfica até essa data). Por força da Constituição da altura o Clube viu-se obrigado a retirar a palavra Grupo e passou a chamar-se Clube Futebol Benfica.

Imagem cedida por Domingos Estanislau





Contou-me, há muitos anos, o Sr. Norberto, sobrinho do Francisco Lázaro, que a Filarmónica passava por dificuldades e, aos poucos, começou a 'desmoronar-se' e Caleya Ribeiro, Presidente do Futebol Benfica deu por um dos elementos a penhorar um dos instrumentos e, em face disso, foi fácil a dissolução e aquele vasto Salão passou a ser pertença do Futebol Benfica.

Tornou-se depois uma Sala de Baile afamada, onde se realizavam aos Sábados e Domingos Matinés e Soirés bastante concorridas, hoje ainda bem recordadas por pessoas da minha idade.

Daquele local descia também a Marcha de Benfica, para embarcar no Carro Eléctrico, que esperava ao fundo da
Rua Cláudio Nunes em plena Estrada de Benfica para levar ao Pavilhão dos Desportos a Marcha representativa do Bairro nas Festas da Cidade.
Velhos tempos!


Domingos Estanislau"