sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O "Grupo de Amigos de Benfica"




Há alguns meses atrás, tinha sido amavelmente convidada por um dos nossos leitores, o Vítor Filipe, para participar num jantar de Natal do seu grupo de amigos de Benfica.

Um grupo de amigos, com idades compreendidas entre os 55 e os 65 anos, que costumava frequentar o "Nilo" e a "Carripana", nos anos 60, quase todos amantes do desporto automóvel e tendo alguns jogado hóquei em patins.

O jantar realizou-se esta noite e, infelizmente, devido a um outro importante compromisso profissional, acabei por não chegar ao referido jantar dos "amigos de Benfica". Ou melhor, dado que o jantar se encontrava em fase de término, parte dos convivas esperaram por mim no início da Rua Cláudio Nunes, onde ainda falámos bastante sobre Benfica (e o Carlos Cunha Pereira, o organizador deste jantar, me ofereceu algumas fotos da nossa freguesia).



Fotografia gentilmente cedida por Carlos Cunha Pereira



Fiquei com bastante pena de não ter conhecido os restantes "amigos de Benfica" e de não ter tido mais tempo para divagarmos sobre as memórias da nossa freguesia.

Mas fiquei mesmo muito contente quando me mostraram uma lista enorme de nomes e endereços de e-mails, dos tais "amigos de Benfica", que, brevemente, começarão também a receber o mailing do "Retalhos de Bem-Fica" e, talvez, venham, também, a contribuir para este blog.




Fotografia gentilmente cedida por Carlos Cunha Pereira




Como dizia, há algum tempo atrás, nos últimos 5 anos, tenho aprendido que um dos aspectos mais importantes no mundo dos blogs é, na verdade, o facto destes constituírem verdadeiros espaços de partilha.

E o mesmo tem sucedido com este "Retalhos de Bem-Fica", que se tem transformado, cada vez mais, num verdadeiro espaço comunitário, onde, todos juntos, temos vindo a descrever e a caracterizar a freguesia de Benfica através dos tempos.

Muito obrigada, por isso mesmo, a todos os leitores que (através do envio dos seus textos e fotos, dos comentários que aqui nos deixam nos posts e na "Caixa de Recados") nos têm auxiliado nesta tarefa!




quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Figuras de Benfica - 2



Falando em animais, no post anterior...

Envia-nos o Jorge Resende o seguinte texto, a propósito de um residente "ilustre" de Benfica.



Imagem disponível in "Os Anos de Ouro do Cinema Português"




"(...) gostava de lhe dizer que Benfica teve como morador uma figura pública que decerto muito a honrou. Refiro-me ao inesquecível toureiro
Manuel dos Santos, que nasceu em Lisboa em 1925, e faleceu a caminho da Goulegã, não frente a um touro, mas sim num brutal acidente de automóvel, em 1973.

Manuel dos Santos teve, nos anos 50 do século XX, uma carreira auspiciosa, interna e externamente, e entrou em alguns filmes com Amália Rodrigues 'Sangue Toureiro' e 'Sol e Toiros'.



"Estrada de Benfica, Nº 702" (1961)
Artur I. Bastos, in
Arquivo Municipal de Fotografia


"Estrada de Benfica, Nº 702" (1961)
Artur I. Bastos, in
Arquivo Municipal de Fotografia


Imagem disponível in "Google Street View"




Habitava esporadicamente um andar na Estrada de Benfica, para onde algumas vezes o vi entrar com sua família. O prédio, que se dizia ser seu, fica a caminho das Portas de Benfica, no seu lado direito, depois da entrada para as Pedralvas, frente ao bloco onde foi a segunda estação de correios de Benfica. Junto uma foto do toureiro retirada da net, e fotos do prédio.


Um abraço,
JResende"





NOTA:

De salientar que a autora deste blog é, tacitamente, contra as touradas e todo e qualquer tipo de violência exercida contra animais (movido por que motivos forem).






quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

“Castiço”, o fabuloso boi de cobrição





Todos os direitos reservados @ Fausto Castelhano, "Retalhos de Bem-Fica" (2010)




(Por Fausto Castelhano)



Augusto Castelhano era um homem bom. Oriundo da região de Aveiro, à beirinha do Antuã e do esteiro de Salreu, cedo emigrara para Lisboa onde fora acolhido por um irmão mais velho, o ti’Manel Castelhano (que se dedicou, com sucesso, à agricultura) e onde também vivia a irmã, a tia Palmira. Ambos viviam na zona de Carnide.

Foi apanhado pelo vendaval da 1ª Guerra Mundial de 1914/1918 e onde a fome, o frio e todas as desgraças que uma guerra possa acarretar, o marcaram para o resto da vida. “Se soubessem o que era fome, até cornos comiam”, dizia ele aos filhos quando, fartos ou enfastiados, deixavam algo no prato. Regressou da Flandres com uns escassos 45 quilitos. Um verdadeiro esqueleto andante. Abandonados à sua sorte pelo governo de então, só regressaram a Portugal muito depois da guerra ter terminado.



França 3 de Novembro de 1917

Fotografia gentilmente cedida por Fausto Castelhano



Depois, casou com a “prometida”, a namorada que namoriscava antes de ter rumado para as lonjuras de França integrado no C.E.P. (Corpo Expedicionário Português).
Fumava cigarro de enrolar: mortalha “Conquistador” e onça de tabaco “Superior”. Era leitor assíduo do "Diário de Notícias" que comprava todos dias. De quando em vez, assobiava a Marselhesa.

Depois, estabeleceu-se como agricultor na Quinta de Montalegre (ou da D. Leonor), em Carnide. Enorme, encostada ao Colégio Militar mas, vinha por ali abaixo até à Estrada da Luz e à Azinhaga dos Soeiros e, por outro lado, até à Azinhaga da Fonte (hoje, Avenida do Colégio Militar).
Era uma quinta fantástica antes de ser abocanhada pela construção do Estádio de S.L.Benfica. As searas de trigo; os dois mil pés de oliveira (azeite de primeira); os campos de aveia; a habitação onde nasceram os filhos, junto à Azinhaga dos Soeiros; a belíssima horta que fornecia todo o género de hortaliças (de excelente qualidade) para todo o lado; os poços, a mina de água, a cascata monumental junto à Azinhaga da Fonte e o caminho ladeado de choupos que nos levava até lá. Foi tudo na voragem.



1941 - Quinta de Montalegre ou da D. Leonor

(Augusto Castelhano com os hortelões na horta. Eu próprio ao colo do tio Augusto.
Em segundo plano, o primeiro do lado esquerdo, é o ti’Conde, o vaqueiro. Em primeiro plano, o primeiro à esquerda é o António Russo - vive na Rua dos Arneiros -; o segundo é o Godinho)

Fotografia gentilmente cedida por Fausto Castelhano




Depois, havia o gado. Bois de trabalho para a lavra, as carroças de transporte da erva, das hortaliças para o mercado, dos molhos ou fardos de palha depois da ceifa, do grão extraído pela debulhadora, etc.
Ah! As vacas leiteiras. Uma bela vacaria com o Sr. Conde, o dedicado vaqueiro de muitos anos. Agora, mungir cerca de 50 vacas, vergado pelos rins, sentado num banquinho junto às tetas da vaca e levando, de vez em quando, uma vergastada nas ventas quando o animal resolvia sacudir as moscas com o rabo, era tarefa bastante árdua. Duas ordenhas diárias com início às duas da matina e depois do almoço, às 14 horas.

Esta vida nos campos, na agricultura e toda a actividade inerente a esta actividade, não era nenhum “mar de rosas” e estava muito condicionada pelos caprichos da mãe natureza, pelas agruras do tempo incerto, do calor e das chuvas, das geadas e do frio…

Augusto Castelhano enviuvou cedo e depois voltou a casar levando, consigo, quatro rebentos do primeiro matrimónio e, deste novo enlace, resultaram mais quatro rapazes. Depois, por desavenças com a dona da quinta, zarpou e estabeleceu-se numa outra herdade, com muito piores condições, na área da freguesia de Benfica.

Homem de grandes brios, tinha um enorme orgulho na excelente água-pé que fabricava com uva da região de Torres Vedras e que batia aos pontos, por larga margem, toda aquela que existia nas quintas em redor e que, por vezes, não passava de uma miserável zurrapa.
Porém, onde ele não transigia, era no gado leiteiro. Frequentemente visitava as Feiras da Malveira (onde, numa casa de pasto, almoçava grão com bacalhau, sempre), da Moita e do Pinhal Novo, onde tentava adquirir os melhores exemplares que por ali aparecessem através dos comerciantes de sua inteira confiança. E vinham, na maioria das vezes, à experiência. Se, porventura, produziam abaixo da fasquia de 20 a 25 litradas de leite, eram logo recambiadas. Comer e não produzir, não encaixava.



1948 – Quinta do Charquinho

(Augusto Castelhano com o “Castiço”, o fabuloso boi de cobrição)

Fotografia gentilmente cedida por Fausto Castelhano



Todavia, onde Augusto Castelhano se perdia de amores era com o “boi de cobrição”. Era uma cisma que lhe estava entranhada na cachimónia. E se eles custavam uma nota preta…Alimentados com rações de excepção levavam uma rica vida. Folgada, os mariolas…Perigosos, marravam que se fartavam…Escoucinhar a torto e a direito, era com eles e só acalmavam quando lhes cheirava a fêmea por perto. Ficavam logo de focinheira no ar. Para os dominar com uma certa segurança furavam-lhes o focinho com um ferro em brasa e logo, sem contemplações, era-lhes colocado um arganel metálico. Aí era presa uma corda ou uma arreata de couro. Só com estas condições, muito bem estudadas, se podia dominar tão perigosos animais...

Mas o “Castiço”, entre todos, foi um boi de cobrição de excepção, de altíssimo gabarito e com um notável desempenho que a todos deixava de bocarra aberta. A fama do “Castiço” chegou longe e Augusto Castelhano fazia-se cobrar de acordo com a extraordinária eficácia de tão belíssimo animal. Cinquenta escudos por cada fecundação garantida, na década de 40 do século XX, era uma boa maquia. Durante alguns anos e pela constante e renovada afluência de clientela, a verba acumulada, “à pala” do extraordinário “Castiço” foi, deveras, muito significativa.

Com a idade, “Castiço” amochou e perdeu qualidades, esgotado, coitado. Assim, foi despachado p’ró talho, p’ra bifes. Entretanto, vieram outros para a mesma função mas, como aquele possante bicharoco, jamais houve algum que lhe chegasse aos cascos. Uma imensa, imensa saudade…

A quinta, que tão boas recordações nos deixou pela vida fora foi, paulatinamente, declinando a partir da década de 60 do século passado devido, sobretudo, à mecanização dos trabalhos agrícolas, aos novos meios de produção mas, também, a doença grave de Augusto Castelhano. Vendeu tudo. Alfaias agrícolas, as pipas do vinho e a prensa, o gado. Abalou para a terra que o viu nascer contudo, a saúde atraiçoou-o aos poucos. Foi piorando cada vez não obstante, sempre que pressentia o padre Canelas (o pároco da freguesia) a rondar-lhe a casa, a convite da esposa Augusta, exaltava-se e praguejava bravamente. Resistiu estoicamente, e até ao último sopro, que lhe fosse ministrado o sacramento da Extrema-Unção. Por fim cedeu e… apagou-se serenamente.
É até é de presumir que, o derradeiro pensamento de Augusto Castelhano antes de entregar a alma ao Criador, fosse para o seu querido e fabuloso “Castiço”, que ele tanto adorava, o boi de cobrição que espantava o mundo com as suas inesgotáveis façanhas e que lhe enchia o peito de tanto e merecido orgulho…
Penso que foi o último dos grandes “bois de cobrição” que Benfica teve a honra de acolher no seu regaço e que pisou terra da nossa freguesia. E bem se pode orgulhar do nosso insaciável “Castiço” pois este, jamais deixou os seus créditos por mãos alheias. Guardemos, pois, a sua memória…








terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Em busca de... - VII



Em resposta ao desafio do Domingos Estanislau, responde hoje o Pedro Macieira (do blog "Rio das Maçãs")...




"(...)

A foto publicada do primeiro “team do Grupo Football Bemfica” é muito interessante e tem a particularidade do segundo jogador em pé à esquerda ser o meu avô Eugénio Germano Baptista, elemento activo em diversos cargos da
Euterpe de Benfica, como já mencionei em outras oportunidades, já publicados anteriormente nos "Retalho de Bem-Fica", filho do também antigo director da Euterpe e tesoureiro João Germano Baptista e ambos músicos da Filarmónica.

Outra curiosidade é que tenho uma outra foto da mesma altura que envio.




Fotografia cedida por Pedro Macieira,
in Arquivo de Eugénio Germano Baptista



Também sobre o Foot-ball de Bemfica, “Fundado numa época em que os amadores sportivos se contavam por dezenas, num meio hostil, lutando com mais vontade, ele conseguiu firmar-se” referia o jornal da Euterpe de Benfica “Filarmónica” de 13 de Abril de 1912 (já publicado nos Retalhos de Bem-Fica)– é referido também que “Composto na sua quasi totalidade por sócios da Sociedade Euterpe, em 1911 pedia autorização, prontamente concedida, de juntar ao seu antigo titulo , Foot-ball de Bemfica, o sub-titulo de Grupo Sportivo da Sociedade Euterpe, servindo-se, ao mesmo tempo, e enquanto não tivesse sede própria, das salas da Sociedade, era legalisar uma situação, simplesmente, porquanto sempre tivera essas regalias.”

Razão porque as duas colectividades, viviam na altura como sendo uma única.


Daí a actividade do meu avô, músico, director e articulista do Jornal da Euterpe e desportista no “Foot-ball de Bemfica”, como demonstram as fotos que envio, uma já publicada anteriormente.





Fotografia cedida por Pedro Macieira,
in Arquivo de Eugénio Germano Baptista



Sobre o “Foot-ball de Bemfica” posteriormente enviarei mais elementos sobre a história da colectividade, após reunir documentação existente no espólio de meu avô.

Sobre as fotos a primeira o meu avô está no lado esquerdo-na segunda já publicada pela Alexandra numa data anterior em pé com boina junto da equipa.



Um abraço,

Pedro Macieira"







segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Em busca do nascimento do Clube




Na nossa rubrica "Em busca de...", procuramos descobrir a história de locais, edifícios e outros ligados à nossa freguesia (que desconhecemos ou, para os quais algum dos nossos leitores nos pediu ajuda).

Contamos, nesta tarefa, com o vosso precioso auxílio. Se souberem mais informações sobre algum dos casos que já colocámos nesta rubrica, deixem pff. comentário no respectivo post ou escrevam-nos para palavraseimagens@gmail.com.




Imagem gentilmente cedida por Domingos Estanislau



O nosso leitor Domingos Estanislau (Presidente do Clube Futebol Benfica) procura saber se alguém terá mais informações (fotos, recortes de jornais, etc.), datadas da época em que o Clube nasceu:


"Esta fotografia é a mais antiga existente no Clube. Sabe-se, contudo, que o Futebol Benfica é anterior a esta época.
Creio que o jornal da Euterpe podia ajudar a descobrir ou a confirmar aquilo que para nós significa o nascimento do Clube, isto é, 1895."


Será que o nosso amigo Pedro Macieira - que, também, anda em busca de algo (o legado da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica) - nos consegue auxiliar nesta tarefa?

Muito obrigada!