quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Muito obrigada...





"Modas Coelho"
Rua Cláudio Nunes, nº 17 A/B



"Livrarte"
Av. do Uruguai, 13 A





... a todos os comerciantes que, gentilmente, nos disponibilizaram espaço nas suas montras para divulgarmos o Movimento de Cidadãos pela Preservação da Vila Ana e da Vila Ventura (depois da campanha informativa que encetámos pelas principais artérias de Benfica).

Infelizmente, ainda não consegui ter tempo de ir pessoalmente agradecer a todos eles... mas prometo fazê-lo muito em breve e ir actualizando neste post as fotografias das montras dos nossos comerciantes locais que, assim, se juntaram também ao Movimento.

Um obrigada muito especial ainda ao Clube Futebol Benfica, na pessoa do seu presidente, Domingos Estanislau, que se juntou a este Movimento desde a primeira hora e nos tem ajudado também na divulgação do Movimento.





quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Benfica, infelizmente, também é isto...




"Enquanto o homem continuar a ser o destruidor
dos seres animados dos planos inferiores,

não conhecerá a saúde nem a paz.


Enquanto os homens massacrarem os animais,

eles se matarão uns aos outros.

Aquele que semeia a morte e o sofrimento

não pode colher a alegria e o amor".


(Pythagoras)








A quem interessar... a história deste animal encontra-se disponível aqui.





terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

1º "Junta-te ao Jazz, Benfica"





Créditos da imagem: "Junta-te ao Jazz, Benfica"




De 18 a 21 de Março, o Auditório Carlos Paredes, na Junta de Freguesia de Benfica, vai receber grandes nomes do Jazz nacional, no primeiro "Junta-te ao Jazz, Benfica".

Programação aqui.

Mais informações aqui.




Muito obrigada ao Pedro Limpo Rodrigues pelo envio da informação sobre este evento!






segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O "Paraíso de Benfica"





Para gáudio de muitos leitores e fãs, aqui vos deixamos hoje uma verdadeira relíquia...



Fotografia do Arquivo Mário Novais

(disponível na Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian)




Via Helena Águas (que é uma verdadeira detective nisto de descobrir fotos antigas).

Muito obrigada!




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Marijú, o Café esquecido






Todos os direitos reservados @ Fausto Castelhano, "Retalhos de Bem-Fica" (2010)





"Marijú, o Café esquecido"
(ou quando o “Calminhas” rachou a cachola ao Joãozinho)


(por Fausto Castelhano)




Tendo a Igreja de Nossa Senhora do Amparo como epicentro e num raio relativamente reduzido, era onde toda a vida social da comunidade se desenvolvia. O mundo da Freguesia de Benfica, o seu centro nevrálgico nas décadas de 50/60 resumia-se e situava-se, exactamente, ali.
A igreja, as missas e os seus inúmeros fiéis; o campo Francisco Lázaro e o ringue Fernando Adrião; a “praça de levante” na Avenida Grão Vasco;
O Teleclube, do padre Álvaro Proença, instalado no edifício do Patronato Paroquial;
As tascas, a do Sr. João (frente ao Chafariz Grande) e a outra, na Travessa do Rio (taverna/carvoaria onde, hoje, é o Restaurante “A Travessa"). Nesses recantos, jogavam-se os inevitáveis matraquilhos e o “negus” (uma variante de Snooker, mais pequeno, cinco buracos e um pivot);
O cinema no salão ou no ringue de patinagem (no Verão) da sede do Benfica (sempre com dois filmes, afora as Actualidades do famigerado SNI), na Avenida Gomes Pereira;



"Estrada de Benfica – Igreja – Vista panorâmica do centro da Freguesia" (1970)
Fotografia de João Brites Geraldes, in
Arquivo Municipal de Lisboa




Os cafés, mesmo ali, à discrição: o "Paraíso de Benfica", do Sr. Manuel Madureira e a "Adega dos Ossos" com a sua Junk-Box; eventualmente, e só para beber a “bica” ou bebericar a cervejola da ordem, no "Girassol" (com a sua pequeníssima esplanada no passeio); um pouco mais afastados, a Cervejaria "Estrela Brilhante" e a "Regional".

Porém, subitamente, algo se alterou na pacatez do burgo. E qual era a espectacular novidade que tanto alvoraçou as gentes do povoado?
Um novo e atraente Café (onde, hoje, é o Estabelecimento "Fica-Bem"), mesmo ao lado do adro da igreja: “Café Marijú”.
Ena, pá! Que nome tão catita…
Esplanada à porta (ocupando parte do passeio frontal), provida de mesas e cadeiras (novinhas em folha) e, a toda a largura da fachada, um toldo modernaço onde estava escarrapachado: “Marijú”… Tudo, tudo, “nos conformes”!... Um local “barilaço”, escolhido a dedo!... Era o máximo, na verdadeira acepção da palavra…

Ponto estratégico, por excelência, para quem pretendia, com olhinhos de ver, apreciar às miúdas que por ali passavam, especialmente as que frequentavam a Igreja, assistiam às missas ou pertenciam às Juventudes Católicas. Moças muito requestadas. Com muita delicadeza, lançavam-se os piropos da ordem. E, àquelas que desciam dos “amarelos” (a paragem da carreira Nº 1 era em frente da esplanada) eram, também, contempladas com o mesmo tratamento. E neste importante pormenor, éramos muito delicados, respeitadores e… nenhuma jovem era discriminada…



"O cruzeiro do Adro da Igreja de Benfica" (s/ data)
Fotografia de Judah Benoliel, in
Arquivo Municipal de Lisboa




Na verdade, o “Marijú” era outra loiça! Da “finaça”… está claro…
Largueza de espaço, empregados muito compinchas (alguns eram do Café "Paraíso de Benfica", já que o Sr. Manuel Madureira era, também, o proprietário do “Marijú”) e depois, um grandessíssimo estoiro: bilhares! Nem mais! Aquelas mesas de madeira polida com os correspondentes panos verdes, aveludados, e as bolinhas luzidias, oh! Uma raridade de “encher o olho”.
Enfim, era um luxo desmedido que nos deixava, a todos, estarrecidos e de cara à banda…Realmente, para quem estava afeito aos matraquilhos, a extravagância era, efectivamente, um requinte de arromba… E depois, aquele toque de bizarria ao besuntar a ponta do taco com o cubinho azul, uma espécie de giz!... Aí, sim… Era a quinta essência da barbatana! Sim, senhor! Benfica, finalmente, acertava o passo com a modernidade…Já não era sem tempo!

Resolvemos arriscar e… fomos experimentar…
Desajeitados, não se conseguia acertar uma. Não era, decididamente, o nosso “métier”. Uma lástima, não obstante, aguentava-se por distracção, saudável convivência (acima de tudo), e aproveitava-se a oportunidade para rever os últimos acontecimentos.

“Calminhas” era de estatura franzina. Tinha “repentes”. Imprevisível! Em mim próprio, deixou a sua marca indelével, na cabeça e num braço. Ainda na Primária, atirou-se ao Victor Louro como gato a bofe e… afinfou-lhe uma brutal dentada na bochecha. Assim, tal e qual… Não falhava!

Naquele malfadado dia era a vez do “Calminhas” segurar o taco e praticar aquela novíssima arte… O taco devia ser zarolho. De cada vez que “tacava”, a bolinha escapava-se à toa, ou então, falhava redondamente colocando, em sérios riscos, o pano verde… Não havia jeito de engrenar… Bom, depois, à volta da mesa de jogo, rebentava a risada geral. Gozava-se o prato… em grande!

Joãozinho, jovem como nós, vivia com a avó na Travessa dos Arneiros. Gente fina, da melhor linhagem do povoado. O moço não tinha nada a ver com o naipe de matulagem que se divertia por qualquer laracha que lançassem para o ar. Porém, tal como outros jovens, aproximava-se, contagiado com tanta alegria e boa disposição daquela “gajada porreiraça”. Galhofávamos, à “fartazana”, açambarcando as atenções de todo aquele espaço de jogatina.



"Estrada de Benfica, Nº 662" (1961)
Fotografia de Artur Inácio Bastos, in
Arquivo Municipal de Lisboa

Café Marijú – Ao lado do
Adro da Igreja onde, hoje, está o Estabelecimento Fica-Bem. A paragem do eléctrico da Carreira nº 1 era em frente ao café. A esplanada com as cadeiras, mesas e o toldo.





Joãozinho teve muito azar e nunca imaginou o sarilho “das arábias” onde se foi enfiar.
Quando o “Calminhas” falhou mais uma tacada, Joãozinho desatou na risota convencido, talvez, que estaria entre os seus amigos de confiança. Repentinamente, “Calminhas” ficou com as tripas do avesso”. Cerrou a dentuça, empunhou o taco como se fora uma cachaporra e, com uma violência inaudita descarregou, com a parte mais robusta daquela arma, uma valentíssima bordoada na cachola do infeliz Joãozinho que, de certeza absoluta, até viu as estrelas do firmamento. O sangue, sem “tardança”, espirrou aos borbotões e não havia nada que o detivesse.

No interior do Café "Marijú" levantou-se, de imediato, um formidável burburinho que, de chofre, alcançou a rua. Clamava-se pela polícia numa tremenda berraria e as gentes, atarantadas, corriam num desatino sem saber como agir…

Completamente atordoado, Joãozinho foi cuidadosamente amparado e levado em braços… "Calminhas”, pé ligeiro como era, saíu disparado porta fora e ninguém lhe conseguiu deitar a unha. O taco ficou rachado e a “matula” deu de “frosques” enquanto o “diabo esfregou um olho”.
Ainda aparvalhado com a inaudita agressão, Joãozinho foi socorrido e levou uma série de pontos na carola.

O Sr. Madureira, como é óbvio, entrou, aceleradamente, em parafuso com tão degradante espectáculo. A reputação do Café "Marijú", não podia ser posta em causa “à pala” dum bando de safados!

Entretanto, “Calminhas” desapareceu da circulação durante uns dias (era useiro e vezeiro na táctica) e Joãozinho, durante algum tempo, ostentou um bonito escrito na cabeçorra de razoáveis dimensões.
“Calminhas”, às tantas, reaparece com uma descarada descontracção passeando-se, à vontade, como se não tivesse nada a ver com tão melindroso assunto. Ele era assim, sem tirar nem pôr! Não há notícia de, alguma vez, ter sido incomodado… Tinha artes de se safar, sorrateiramente!




"Estrada de Benfica - Igreja" (s/ data)
Fotografia de Eduardo Portugal, in
Arquivo Municipal de Lisboa

Café Marijú – E lá estão as cadeiras, as mesas e o toldo. A tabuleta da paragem do eléctrico da Carreira nº 1, está lá, quase no topo da copa da árvore (ulmeiros).






Aos poucos, “Calminhas” começou a entrar no Marijú, nas calmas e ar escarninho, como se fosse um rapazinho de coro sem qualquer mácula. Os empregados, bons rapazes, miravam-no um bocado de través… aguardando qualquer cena de faca e alguidar. “Calminhas” assobiava p’ró lado e… fazia-se desentendido…



Estabelecimentos "Fica-Bem"
Fotografia de Fausto Castelhano (2010)

Era, exactamente aqui, que existiu o tão badalado Café "Marijú".




Para nós, o bilhar terminou naquele dia, mas estou em crer que o encanto do Café "Marijú" acabou por se perder sem a assídua presença, a alegria contagiante e a irreverência daquela “malta brava” à qual, eu próprio, tive a enorme felicidade de pertencer.

Durante algum tempo, o Sr. Manuel Madureira interpelava-me no sentido do “Calminhas” pagar o conserto do taco todavia, nunca soube se, algum dia, acertaram as contas ou não… Tenho a convicção que, mais tarde, acabaram por fazer as pazes…

O Café "Marijú" não teve existência muito longa. Com a revolução urbanística operada na nossa freguesia, julgo que o Café "Marijú" encerrou portas antes da década de 70 do século XX.

Este rocambolesco episódio e outros do mesmo jaez, jamais foram esquecidos e ficaram profundamente gravados, para sempre, no nosso imaginário.
Já lá vão mais de cinquenta anos porém, ao evocarmos a palpitante cena a que nos foi dado assistir garanto, a pés juntos, não resistimos às memórias que nos são tão caras… Nos nossos rostos, é fatal… aflora-nos um largo sorriso de orelha a orelha pela nostalgia dos tempos idos e pelo protagonismo de que fomos eméritos actores…
Uma inconsolável e imensa saudade…