A 10/12/06, no meu blog pessoal "Palavras & Imagens", escrevi no post "Se (eu tivesse o hábito de jogar e) me saísse o Euromilhões", os seguintes dois parágrafos, que passo a citar:
"Nesta casa ainda vive uma velha senhora que, por vezes, observo a dar comida a alguns gatos vadios que lhe aparecem no pequeno quintal fronteiriço. Ponho-me logo a pensar como será a vida daquela velha senhora, que habita uma casa de 100 divisões… onde, antigamente, deveriam existir crianças a correr de um lado para o outro, empregadas nas suas lides diárias e festas e soirées de gala… e a velha senhora, agora, ali permanece com a imensa carga de transportar sozinha todo o seu passado."
De facto, em 2006, como sou acusada, eu referi que a velha senhora habitava uma casa de 100 divisões. Mas, nunca tendo eu entrado na Vila Ventura, antes da data que já referi neste blog, quando se lê um parágrafo destes, naturalmente, se deve compreender que eu aqui utilizei uma figura de estilo - uma metáfora.
"A casa do lado esquerdo (da qual, também, já aqui deixei registo fotográfico) está abandonada. Tendo, recentemente, sido apropriada a sua ala esquerda por alguns toxicodependentes da zona, para aí pernoitarem. Na sua ala direita, pelo menos desde o Mundial de Futebol deste ano, vive um “ocupa”-anónimo de meia idade, que vislumbrei, um dia destes, a pintar cuidadosamente a janela oeil de boeuf (provavelmente da divisão onde habita) e a porta de entrada. E a casa, aparentemente devoluta, parece ganhar uma vida muito própria quando, em dias de jogo do Sport Lisboa e Benfica, vemos hasteada na pequena janela redonda a sua bandeira, ou, quando se aproxima o Natal, e as iluminações também lá aparecem, colocadas na pequena janela. E eu e a minha imaginação acelerada ficamos sempre a fantasiar mil e uma histórias a propósito daquele estranho que ocupou, apenas, aquela pequena divisão da casa da Vila Ventura."
Tal como sou acusada, mea culpa, porque chamei de facto, em 2006, "ocupa"- anónimo (destaque-se o facto de o ter feito entre aspas, o que, para quem saiba ler e entender português, compreenderá o significado de tal utilização destes instrumento) ao pai da senhora que, desde ontem, me tem vindo a enviar inúmeros e-mails (alguns dos quais, por sinal, bastante ofensivos para mim e para outras pessoas).
Penso que não fui, de modo algum, incorrecta no que escrevi, muito pelo contrário, se se ler o texto até ao fim. E já me justifiquei anteriormente sobre a data em que soube mais informações sobre a "delicada" situação em que este inquilino se encontra.
De qualquer modo, apresento as minhas desculpas sinceras e públicas a quem se tiver sentido lesado com tal facto.
Aqui vos deixo, também, publicamente o esclarecimento sobre aquilo de que sou acusada de ter escrito no meu blog pessoal, em 2006; antes de ter iniciado aqui no "Retalhos de Bem-Fica", em 2008, as investigações históricas sobre as Vilas e os primeiros contactos por e-mail com a Câmara Municipal de Lisboa, assim como, em 2009, os primeiros contactos com alguns dos seus inquilinos e o Movimento de Cidadãos pela Preservação da Vila Ana e da Vila Ventura.
A cada um de vós de retirar as devidas ilações sobre este caso e se, de facto, vale a pena estarem a acusar-me por estes motivos, prolongando atitudes que em nada serão benéficas para a preservação da Vila Ana e da Vila Ventura (ou, sequer, dos objectivos pessoais que induziram a tal quem me fez estas acusações).
Muito obrigada!


