terça-feira, 6 de abril de 2010

Arqueologia Industrial/Rural na Freguesia de Benfica





Todos os direitos reservados @ Fausto Castelhano, "Retalhos de Bem-Fica" (2010)




(por Fausto Castelhano)



As nossas andanças pelos caminhos rurais do passado…




Caminho rural do passado. Vamos à nora…



A nora! Ainda lá está…



Coluna com inscrição…



Já lá vão 91 anos…Uma bonita idade…



Os maquinismos…



Oratório? Cruzeiro? Mistério…



O sistema de rodas dentadas…



O tambor por onde giravam os alcatruzes…que já se foram há muito, muito tempo…



A vegetação vai vencer a nora…e derrubá-la…



O poço…Uma farturinha de água… A figueira nasceu na parede interior do poço e… dá figos…Outro mistério…




Nota: A nora é um engenho utilizado para retirar água dos poços ou cisternas e é constituído por uma roda com pequenos reservatórios que se denominam de alcatruzes.

De certo modo, as noras vieram substituir as picotas e as cegonhas que, segundo os entendidos nesta matéria, foram introduzidas na Península Ibérica pelos árabes.

O maquinismo é constituído por haste horizontal que está acoplada a eixo vertical. Este, por sua vez, está ligado a um sistema de rodas dentadas. Esta engrenagem faz circular um conjunto de alcatruzes entre o fundo do poço e a superfície exterior. Os alcatruzes vão descendo vazios até mergulharem na água e, rodando, regressam cheios. Quando atingem a posição mais elevada começam a verter a água numa calha que a conduz ao seu destino. O ciclo de ida e volta dos alcatruzes para tirar a água do poço mantém-se enquanto rodar a haste vertical e o poço tiver água.

Tradicionalmente, as noras são engenhos de tracção animal.



(Todas as fotografias de Fausto Castelhano - 2010)





segunda-feira, 5 de abril de 2010

Paredes que Falam (2)




Na Rua Cláudio Nunes, lado direito de quem sobe, junto ao restaurante da Dª. Graça...




Fotografias de Alexandra Carvalho








domingo, 4 de abril de 2010

"Lisboa cor de rosa e cinza"




"Nasci na Estrada de A-da-Maia em Benfica.
Em Agosto de 1958 mudámo-nos para o Bairro de Santa Cruz. Eu tinha dois anos, a minha irmã 9 meses e o meu irmão viria a nascer nessa casa cor de rosa - o 17 da rua 8 - em 1960.


Lisboa foi para mim, durante muitos anos, aquele Bairro de famílias com filhos, pequena aldeia abrigada e segura, a nossa ilha. E a
Mata, manchazinha de Monsanto ali mesmo ao pé de casa...




Fotografia de Helena Águas



Lisboa eram os jogos da cabra-cega, do elástico e da macaca, as ameixas, os limões e os alperces, os miúdos à chinchada pela calada da noite e o meu pai a espantá-los como pardais, o homem do pitrolino com o seu cavalo e carroça de traquitanas, belo cigano de chapéu de aba larga 'ai Jesus' das criadas (naquele tempo havia criadas, raparigas que moravam connosco como família), o velhote dos gelados no triciclo motorizado há frutas ou chocolate, cone de bolacha normal ou especial e chocmint!, o senhor Vitorino com as hortaliças e sempre uma cenoura para oferecer ao “amigalhaço”, o menino lá da casa, jogos de futebol de portão a portão (e o menino brilhava) muda aos 5 acaba aos 10, limpa-chaminés enfarruscados, grandes cordas e escadotes como na Mary Poppins, a mulher robusta vendia o peixe à porta da cozinha, canasta pesada e grandes saias compridas, o homem do leite, o jarro maior e medidas de quarto, de meio, de litro, e os pregões!!

“Há praí traaapos, jornaais e garraafas para vendeer?”...


“Há figuiinhos maduriinhos! Quem quer fiiigos quem quer almoçaaar?!”...


O “Amoladooore!” de flauta de pã, dizia a minha mãe que o amolador anunciava a chuva


e nós “um dó li tá cara de amendoá um secreto coloreto um dó li tá quem está livre livre está!” e


“um aviãozinho militar atirou uma bomba ao ar a que terra foi parar?” e


“que linda falua que lá vem lá vem/ é uma falua que vem de Belém/ que vem de Belém que vem de Benfica/ é uma falua que lá vem cá fica./ vou pedir ao senhor barqueiro que me deixe passar/tenho filhos pequeninos não os posso sustentar...”


Às vezes rebanhos de ovelhas lá no Bairro. Havia quintas. Na Estrada de Benfica havia eléctricos de duas carruagens e autocarros com entrada atrás, verdes, de dois andares. Eu lá em cima a espreitar por cima dos muros das quintas. Havia uma Quinta das Rosas na Estrada de Benfica...

Helena Águas"







(com um agradecimento muito especial à Lena D'Água, por nos ter deixado aqui partilhar este seu testemunho)




sábado, 3 de abril de 2010

INVENTÁRIO DE IMÓVEIS (2)




Há uma semana atrás, lançámos aqui uma nova rubrica, que partira de uma sugestão do Mário Pires, quando se prontificou a colaborar com o "Retalhos de Bem-Fica": o Inventário de Imóveis (inventariar edifícios que se podem vir a perder e sobre os quais não haverá qualquer testemunho).

Ficámos (positivamente) surpreendidos com a elevada adesão que esta rubrica teve... e o nosso amigo Mário partiu logo para o terreno, de máquina fotográfica na mão, para responder aos pedidos dos nossos leitores.




[clicar na imagem para aceder às fotografias
do "Inventário de Imóveis"]




Os resultados práticos do Inventário de Imóveis podem ir sendo consultados numa página especialmente criada para o efeito no Flickr, ou, também, no nosso Grupo de Fotos de Benfica.

Esperamos, sinceramente, que os nossos leitores fiquem tão satisfeitos com os resultados finais como nós ficámos; e, sobretudo, que esta actividade colectiva de inventariação da nossa freguesia possa contribuir para o recuperar da nossa memória colectiva enquanto grupo - o que, sem dúvida alguma, nos torna mais solidários.









Entretanto, o formulário para nos remeterem as vossas sugestões de património com interesse a fotografar (vide imagem acima), continua disponível neste blog - bastando para o efeito que o preencham neste mesmo post, ou procurem o link "Património a Fotografar: Faça Sugestões" (na barra lateral direita deste blog).

Em caso de dúvidas mais técnicas quanto à utilização deste formulário, dêem-nos uma "apitadela" para: palavraseimagens@gmail.com

Contamos com os vossos contributos, neste trabalho de inventariação da nossa freguesia!
Muito obrigada!







sexta-feira, 2 de abril de 2010

Notícias sobre a Obra do Sr. Grandela (1)




Já falámos, detalhadamente, neste blog sobre a obra de Francisco Grandela, sobejamente associada à freguesia de São Domingos de Benfica, assim como ao bairro construído para os operários que laboravam na sua fábrica.

Hoje, gostaria de vos deixar com algumas fotografias (datadas de 1980) e 4 artigos que espelham bem a importância do Bairro Grandela, assim como dos equipamentos sociais nele criados por Francisco Grandela.


A divisa: "Sempre por bom caminho e segue"
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



Um artigo relativo à inauguração da Creche do Bairro Grandela, e como se desenvolvia o trabalho da mesma...


[clicar na imagem para abrir o documento]



Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



Artigo onde se enaltecem as qualidades e importância do Bairro Grandela enquanto habitação operária...



[clicar na imagem para abrir o documento]



A antiga "Casa-Mãe" (Grandela) era no primeiro andar deste prédio
(o qual, posteriormente, foi, durante muitos anos, a "Esquadra de Benfica")
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



"No desejo de, por todas as formas, se estimular o pessoal e provar-se-lhe que é tido na mais alta consideração, resolveu o chefe da casa proporcionar-lhe um bairro modelo, uma verdadeira avenida, um mimo de arte, elegancia e conforto e onde cada qual possuisse uma propriedade sua em que vivesse e a qual lhe traduzisse todo o bem estar e o predispozesse para a alegria e lhe desse forças para luctar mais energicamente pela vida."


[clicar na imagem para abrir o documento]


A escola e a creche em 1980
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



Um magnífico artigo de 1912, onde se descreve pormenorizadamente a forma como o Bairro Grandela estava organizado...


[clicar na imagem para abrir o documento]


A casa oferecida pelo Sr. Grandela ao seu amigo Afonso Costa
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)



Plantas do Bairro Grandela...


[clicar na imagem para abrir o documento]



O apeadeiro de São Domingos de Benfica
Fotografia de Luísa Teotónio Pereira (1980)





Todas as fotografias e artigos utilizados neste post encontram-se disponíveis em:

"Uma perspectiva sobre a questão das 'Casas baratas e salubres' (1881-1910)"
Trabalho de Luísa Teotónio Pereira para a cadeira de 'História Contemporânea de Portugal' (1980)







Instantâneos: Passado - Presente (2)



3 primeiras fotos a preto e branco de Arquivo Municipal de Lisboa
Todas as restantes fotografias a preto e branco de Luísa Teotónio Pereira
Fotografias a cores de Alexandra Carvalho






Por último, gostaria de aqui deixar um agradecimento muito especial a Luísa Teotónio Pereira, que, em Janeiro de 2010 (quando nos encontrámos pela primeira vez), generosamente, me emprestou este seu trabalho para divulgação no "Retalhos de Bem-Fica".

Desde esse primeiro encontro, no início deste ano, a Luísa tem sido uma das pessoas que mais me tem auxiliado no que diz respeito à Causa pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura: foi ela a mentora da criação do nosso Movimento de Cidadãos e é, sem dúvida alguma, ela que, com os seus sábios conselhos e apoio prático (praticamente diário), me tem acompanhado mais de perto nesta Luta.

A Luísa Teotónio Pereira e ao seu Pai, o meu muito obrigada!