sábado, 17 de abril de 2010

"Arruada pelas Vilas"




Realizou-se esta manhã a tão aguardada "Arruada pelas Vilas", organizada pela UNISBEN - Universidade Intergeracional de Benfica, em colaboração com o Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura (informal e apartidário).





Vídeo de Mário Pires




Com ponto de encontro no Mercado de Benfica, ainda não eram 11h da manhã e já a entrada pela Rua João Frederico Ludovice estava animada, com o Grupo de Cavaquinhos da UNISBEN.

O trajecto Mercado, Estrada A-Da-Maia, Estrada de Benfica, Vila Ana e Vila Ventura foi acompanhado pela distribuição de folhetos de divulgação da nossa Causa pela preservação destas duas vilas centenárias, testemunho da memória histórica da nossa freguesia, assim como pela recolha de assinaturas na petição que lançámos no início do mês de Março.

O grupo era um pouco reduzido para Causa tão importante. Mas foi recompensador verificar que, ao longo do percurso, inúmeras pessoas se foram juntando a nós, até ao ponto final onde a "Arruada" foi encerrada, em frente à Pastelaria "Nilo".

A "Arruada" teve a cobertura jornalística do "Jornal de Notícias" (a quem agradecemos, desde já, o interesse manifestado!).







Fazemos parte de um país de "brandos costumes" onde, apesar da História intrínseca, o Povo parece não estar (ou não querer estar) habituado a lutar pelos seus direitos e por aquilo que é, realmente, importante.

Fazemos parte de um país onde, maioritariamente, o "Activismo" é exercido no sofá, de preferência em frente ao écran da televisão, enquanto se jorram da boca para fora umas quantas palavras agrestes contra este político ou aquele estado da nação.

Fazemos parte de um Povo que, na sua grande maioria, deixa para os outros, que possam vir atrás de si, o desempenho desta ou daquela acção tendentes a melhorar ou a lutar pelo bem-estar da sua casa, da sua rua, do seu bairro, da sua cidade e país... E, no final, apesar de não ter sequer agido, tem sempre uma palavra recriminatória a apresentar.

Fazemos parte de um país que, com um Povo assim, é um facto comprovado que não irá longe!...

Por isso mesmo, queria aqui deixar o meu agradecimento especial a todos aqueles que concederam parte da sua manhã de sábado à participação nesta Causa: à UNISBEN (nas pessoas do Prof. Carlos Consiglieri e do Fausto Castelhano, os verdadeiros mentores desta "Arruada"), ao seu Grupo de Cavaquinhos e aos seus alunos; aos 9 (de um total de 72) membros do Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura, que estiveram presentes e ajudaram à concretização desta iniciativa; aos leitores e redactores do "Retalhos de Bem-Fica" (os quais tive o agradável prazer de, finalmente, conhecer!), assim como aos fãs da sua página no Facebook; aos políticos e autarca da nossa freguesia e, sobretudo, às gentes de Benfica.

Esta manhã, a nossa freguesia fez-se ouvir falar mais alto (e forte), pela defesa do seu Património e memória colectiva!
Continuemos assim, motivados e empenhados nesta Luta!



Ver mais fotografias da "Arruada pelas Vilas", aqui.





terça-feira, 13 de abril de 2010

Uma Casa...




Uma Casa transporta consigo, através dos tempos, as vivências de quem nela morou.

Numa casa, mesmo que vazia, ficam entranhados, nas paredes, os vestígios das memórias de quem ali viveu.



"Vila Ana"
Fotografia gentilmente cedida por Teresa Henrique


"Vila Ana" (2009)
Fotografia de Alexandra Carvalho





"A 'Vila Ana' ainda existe em Benfica. Foi para aqui que a minha família se mudou quando a minha avó tinha 14 anos, depois de ter vivido na Avenida Almirante Reis (antiga Avenida Dona Amélia) e no Campo Grande. Aqui decorreu o namoro dos meus avós, ela em cima encostada ao gradeamento e ele na rua, montado num cavalo branco chamado "Carrão". Aqui nasceu a minha mãe."

Teresa Henrique, in "Testemunhos"



Foi com muito agrado que, na sequência da publicação da reportagem do "DN" sobre a Vila Ana e a Vila Ventura, descobri o blog da Teresa Henrique, cuja família viveu na Vila Ana.

Dois importantes testemunhos, na primeira pessoa, a serem lidos aqui e aqui.



"Os avós da Teresa numa quinta em Benfica, vendo-se atrás a torre da Igreja de Nossa Senhora do Amparo"
Fotografia gentilmente cedida por
Teresa Henrique




"A Teresa e a sua irmã na Mata de Benfica"
Fotografia gentilmente cedida por
Teresa Henrique






segunda-feira, 12 de abril de 2010

Figuras de Benfica - 6




A Luísa Pereira (do Clube de Patchwork da UNISBEN), que tive o prazer de conhecer muito recentemente, está, actualmente, a ler o "Livro do Desassossego" de Fernando Pessoa e enviou-nos, gentilmente, esta curiosa informação:



Fernando Pessoa visto por Almada Negreiros



"(...) é viajar, e para que serve viajar? Qualquer poente é o poente; não é mister ir vê-lo a Constantinopla. A sensação de libertação, que nasce das viagens? Posso tê-la saindo de Lisboa até Benfica, e tê-la mais intensamente do que quem vá de Lisboa à China, porque se a libertação não está em mim, não está, para mim, em parte alguma. "Qualquer estrada", disse Carlylé, "até esta estrada de Entepfuhl, te leva até ao fim do mundo." Mas a estrada de Entepfuhl, se for seguida toda, e até ao fim, volta a Entepfuhl; de modo que o Entepfuhl, onde já estávamos, é aquele mesmo fim do mundo que íamos a buscar. " **


(...)


"Se eu fora outro, penso, este seria para mim um dia feliz, pois o sentiria sem pensar nele. Concluiria com uma alegria de antecipação o meu trabalho normal - aquele que me é monotonamente anormal todos os dias. Tomaria o carro para Benfica, com amigos combinados. Jantaríamos em pleno fim de sol, entre hortas. A alegria em que estaríamos seria parte da paisagem, e por todos, quantos nos vissem, reconhecida como de ali.
Como, porém, sou eu, gozo um pouco o pouco que é imaginar-me esse outro. Sim, logo ele-eu, sob parreira ou árvore, comerá o dobro do que sei comer, beberá o dobro do que ouso beber, rirá o dobro do que posso pensar em rir. Logo ele, eu agora. Sim, um momento fui outro: vi, vivi, em outrem, essa alegria humilde e humana de existir como um animal em mangas de camisa. Grande dia que me fez sonhar assim! É tudo azul e sublime no alto como o meu sonho efémero de ser caixeiro de praça com saúde em não sei que férias de fim de dia." **


**
Fernando Pessoa, in "Livro do Desassossego"





"Avenida Gomes Pereira no início do século XIX"In "Benfica - A nossa Junta: Instalações, Serviços e Equipamentos",
Edição Especial da Revista "Benfica Viva" - Lisboa: Junta de Freguesia de Benfica, Julho 2005.




Casas Lisboetas onde Fernando Pessoa morou




• Largo de S. Carlos, número 4, 4 esquerdo. Desde o nascimento (1888) até 1893.
• Rua de S. Marçal, número 104, 3 andar. De 1893 a 1896. Em Janeiro de 1896 parte com a mãe para a África do Sul.
• Rua de Pedrouços (provavelmente uma das transversais, número desconhecido). Em 1901, durante férias de Verão em Lisboa. Com a mãe, o padrasto e os irmãos. De novo em 1905, quando regressa sozinho da África do Sul e vai morar com uma tia-avó.
• 1902, altura em que Avenida D. Carlos, número 109, 3 direito. Entre o final de 1901 e meados de regressa, com a família, à África do Sul.
• Rua de S. Bento, número 19, 2 esquerdo. Em 1905. Com a Tia Anica (Ana Luiza Pinheiro Nogueira, irmã da mãe).
• Calçada da Estrela, número 100, 1 andar. De Outubro a Dezembro de 1906. Com a mãe, o padrasto e os irmãos.
• Rua da Bela Vista à Lapa, número 17, 1 andar. Em 1906; de novo a partir de Janeiro de 1907 e ainda, temporariamente, em 1910. Com a avó paterna (Dionísia Estrella Seabra) e duas tias-avós (Rita Xavier Pinheiro e Maria Xavier Pinheiro da Cunha).
• Rua da Glória, número 4, r/c. Entre o final de 1907 e 1908 (?). Próximo da empresa Ibis (tipografia e editora), por si fundada, cuja existência é breve.
• Largo do Carmo, número 18, 1 esquerdo. Entre 1908 (?) e 1912. Num quarto alugado.
• Rua Passos Manuel, número 24, 3 esquerdo. Entre 1912 e 1914. Na nova casa da Tia Anica.
• Rua Pascoal de Melo, número 119, 3 direito. De 1914 a 1915. Com a Tia Anica.
• Rua da D. Estefânia, número 127, r/c direito. Entre 1915 e 1916. Em quarto alugado a uma engomadeira.
• Rua Antero de Quental, número desconhecido. Em 1916.
• Rua Almirante Barroso, número 12, sobreloja. Em 1916. Na zona anexa a uma leitaria.
• Rua Cidade da Horta, número 48, 1 esquerdo (edifício já demolido). Entre 1916 e 1917. Numa "parte da casa" alugada a um conhecido.
• Rua Bernardim Ribeiro, número 11, 1 andar. Entre 1917 e 1918.
• Rua de Santo António dos Capuchos, número desconhecido. Em 1918.
• Alto da Boavista (Benfica). Em 1919.
• Avenida Gomes Pereira, número desconhecido. Entre 1919 e 1920.

• Rua Coelho da Rocha, número 16, 1 direito. Entre 1920 e 1935.





domingo, 11 de abril de 2010

Mensagem a quem de direito...




Como poderá ser facilmente perceptível, as informações sobre as iniciativas e acções que têm vindo a ser empreendidas pelo Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura, assim como demais documentação respeitante a todo este processo, não são integralmente tornadas públicas neste blog.

Existe muito mais informação/acção que mantemos devidamente privada, face aos próprios objectivos desta nossa Luta.

Nesse sentido, gostaríamos, apenas, de esclarecer que a informação que vai sendo publicada neste blog e na página da nossa Causa no Facebook é efectuada de forma parcimoniosa, controlada e regulada por timmings, de modo a servir os nossos próprios intentos.

Muito obrigada pela atenção dispensada!