sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O "Jardim das Marias"



21/01/08

Originalmente publicado in "Palavras & Imagens"






"Sim, o homem é o seu próprio fim. E é o seu único fim.
Se quer ser qualquer coisa, tem de ser nesta vida. (...)
Os conquistadores são os que podem mais.
Mas não podem mais do que o próprio homem quando ele o quer."

Albert Camus, in "O Mito de Sísifo"





Fotografias de Alexandra Carvalho



De início, era um simples terreno vazio, que sobrara entre dois quarteirões de prédios de ruas vizinhas.
Nenhuma entidade responsável se decidira a fazer o que quer que fosse pelo dito cujo terreno. Até que os moradores vizinhos se uniram e meteram mãos à obra, transformando aquele espaço-de-ninguém num aprazível jardim comunitário.

Sabia da sua existência, mas nunca por ali havia passado...
Esta manhã, para encurtar caminho até à paragem de autocarro, decidi ir por ali. E o espanto foi imenso, quando vi o tamanho e a beleza daquele lugar.



Fotografia de Alexandra Carvalho



Comecei a tirar algumas fotos. Até que uma senhora, que por mim, passou indicou-me um outro local escondido naquele jardim, que "esse sim, merece a pena ser fotografado!", segundo as suas palavras.

Uma senhora de bata aos quadrados azuis e olhar terno de menina, sentada numa esplanada improvisada, dava de comida a uma gata, um dos dois felinos que habitam aquele jardim, segundo viria a descobrir mais tarde.




Fotografias de Alexandra Carvalho



Pausa na minha atribulada e atrasada manhã, para uma conversa com mais uma dessas pessoas que aqui no blog vou "coleccionando" (no bom sentido do termo, pelas suas interessantes histórias - ou momentos - de vida).
À despedida transmito-lhe os meus sinceros parabéns (extensivos a todos os seus vizinhos) pelo excelente trabalho que ali realizaram...
E prometo (a mim própria) ali regressar, muitas e muitas vezes, quando me apetecer desanuviar e pensar que me encontro longe do rebuliço da cidade.



Fotografia de Alexandra Carvalho



Surgiram nos E.U.A., durante os anos 70, quando um movimento de habitantes começou colectivamente a recuperar determinados espaços urbanos, dentro dos seus bairros, votados ao abandono, transformando-os em "jardins comunitários".
Cada um desses jardins cristalizava as aspirações do grupo de cidadãos que estivera na sua origem.

A primeira vez que vi algo semelhante a este jardim foi em Bayonne (França), num terreno junto ao rio, cedido pela Mairie, para que os habitantes mais desfavorecidos e excluídos de um determinado bairro da cidade pudessem ali ocupar os seus tempos livres.
O conceito era mais compartimentado e menos colectivo do que este jardim de Lisboa, uma vez que, em Bayonne, cada habitante tinha direito a uma pequena parcela de terreno, protegida com vedação... "rivalizando" cada um deles entre si, de modo a transformar a sua parcela em algo mais belo do que a do vizinho.

Espaços de solidariedade e troca, expressão de uma vitalidade social que ainda não está perdida nas grandes cidades...
Gostei deste conceito comunitário!


Mais informações sobre o "Jardim das Marias" aqui e aqui.






quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Paredes que Falam (3)




"Velharias"


Velharias
Fotografia de JCDuarte



"Ainda que possa aparentar o contrário, tanto estas letras aqui pintadas são originais como a fotografia foi feita agora.
E, a menos que esteja enganado, estas letras estão aqui pintadas desde 1975, ou parecido. Uma velharia para um graffity, convenhamos.

O que me leva a perguntar se o dono deste prédio, ali em Benfica, será coleccionador ou comerciante de antiguidades e estará a guardar esta pintura com intuitos de a vender por bom preço."





Fotografia e texto de JCDuarte (mais um amigo que se juntou ao "Retalhos de Bem-Fica" como redactor-fotógrafo).






domingo, 29 de agosto de 2010

Tentativa de assalto na Vila Ventura





Fotografia de Alexandra Carvalho





Esta madrugada (29/08/10) o R/c da Vila Ventura foi alvo de uma tentativa de entrada forçada e de assalto.

Felizmente, o/s ladrões não conseguiram entrar. Mas os Moradores-Inquilinos estão com muito receio sobre a possibilidade de uma nova investida.

Depois de o Movimento de Cidadãos e os Moradores-Inquilinos já terem alertado por diversas vezes a C.M.Lisboa, a Assembleia Municipal de Lisboa e a Esquadra de Benfica sobre a gravidade da situação em que se encontram estas duas Vilas (bem como sobre a entrada forçada nas traseiras da Vila Ana, depois desta ter sido entaipada), esperamos, sinceramente, que a partir de agora, em particular a PSP tenha mais atenção a esta situação (ou então, melhore o seu Programa de Policiamento de Proximidade, sobre o qual já falámos aqui).




sexta-feira, 27 de agosto de 2010

"Farmácia impedida de continuar aberta 24 horas por dia"




27.08.2010 - Por Romana Borja-Santos
In "Público"


Infarmed proibiu o horário após queixa da concorrência. Mas em 2008 deu o seu acordo tácito ao pedido de alteração que recebeu.



Fotografia de Sara Matos, in artigo do "Público"



A Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) proibiu uma farmácia de Lisboa de continuar aberta entre as 24h e as 6h. O estabelecimento estava aberto 24 horas por dia desde 1 de Janeiro de 2009, tendo para tal comunicado aao regulador, quase seis meses antes, que ia proceder a uma alteração do horário, tornando-se na primeira farmácia de oficina com este horário, e sem cobrar taxa por isso. Em 2008 o Infarmed não respondeu à carta, dando assim o seu acordo tácito, como está previsto na lei. Mas após uma inspecção desencadeada na sequência de uma queixa de um grupo de farmácias concorrentes na zona, impediu o estabelecimento de continuar a funcionar neste horário alargado. Contudo, o PÚBLICO sabe que há várias farmácias abertas 24 horas na zona de Lisboa.

A decisão do Infarmed contraria a política anunciada há dois anos pelo primeiro-ministro no âmbito da liberalização da propriedade, com o objectivo de incentivar as farmácias a "ficarem abertas até mais tarde, de acordo com os interesses das pessoas". Uma das medidas, recorde-se, foi a abertura 24 horas por dia das farmácias hospitalares. O PÚBLICO questionou o ministério com esta situação que remeteu explicações para o Infarmed. O instituto que regula o sector não esclareceu, porém, a sua alteração de posição, afirmando apenas que na inspecção foram "identificadas irregularidades no cumprimento da legislação aplicável aos horários de funcionamento de uma farmácia" e que o estabelecimento acatou a ordem, pois, "caso a farmácia persistisse no ilícito, o Infarmed procederia ao encerramento coercivo" da mesma.

A acção do Infarmed relativa à farmácia Uruguai, em Benfica, e que pertence ao grupo da Associação de Farmácias de Portugal, aconteceu em Junho e surge depois das seis farmácias, que pertencem à Associação Nacional de Farmácias, terem interposto em Maio uma providência cautelar no Tribunal Administrativo de Lisboa contra a Uruguai e contra o Infarmed.

As farmácias Benfica, Benfiluz, União, Santa Cruz, Lavinha e Gouveia, através da sociedade de advogados PLMJ, alegam que a Uruguai viola o horário máximo estipulado na lei [ver caixa] e acusam o Infarmed de não ter reposto a legalidade, depois de uma carta da ANF ter alertado para o efeito ainda em Abril de 2009 e de as seis farmácias terem feito o mesmo em Março deste ano. O grupo que apresentou a queixa insiste que a concorrente só pode estar aberta entre as 6h e as 24h e que o horário alargado causou "enormes prejuízos às requerentes que se localizam territorialmente na mesma zona de influência da farmácia Uruguai e cumprem escrupulosamente" a lei. Com efeito, o PÚBLICO confirmou que todas operam apenas entre as 6h e 20h. Mas a directora técnica da farmácia Uruguai garantiu ao PÚBLICO que duas das concorrentes "não têm o horário visível como diz a mesma lei". Elisabete Lopes explicou que em 2008, como a lei obriga, à semelhança do que fez com o Infarmed, informou a Câmara de Lisboa e a ARS de Lisboa da intenção de mudança, não tendo também obtido resposta escrita. "Mas por telefone a ARS até me perguntou se eu estava ciente da exigência", contou a responsável. A farmácia que tinha na altura oito funcionários duplicou o número e fez obras nas instalações, o que implicou a compra de um robot de 200 mil euros. O PÚBLICO tentou ouvir a ARS de Lisboa, sem sucesso. "A lei não diz que não podemos estar abertos. Além disso, é um bom serviço que estamos a prestar e o que mais custa é que as outras farmácias que falam em dificuldades financeiras nem estenderam os seus horários até às 24h. E só se queixam de serem prejudicadas nos dias em que estão de serviço, que são uns 18 por ano", acrescentou Elisabete Lopes. A farmacêutica contou ainda que a Junta de Freguesia de Benfica já manifestou o seu apoio ao projecto e que está a circular um abaixo-assinado que ultrapassa as 1000 assinaturas.

Legislação sobre horários é confusa

A legislação sobre os horários das farmácias obriga a um pingue-pongue entre duas leis e ainda a ver as excepções que cada câmara municipal pode introduzir. Se olharmos para o Decreto-lei n.º 53/2007, que regula o horário de funcionamento das farmácias de oficina e onde se lê que "o Governo entende, de acordo com a política de acessibilidade ao medicamento, que deve fomentar o alargado período de funcionamento" das mesmas, é explicado que há o "limite mínimo de 55 horas" e o "limite máximo previsto para os estabelecimentos de venda ao público e de prestação de serviços". O regime geral do Decreto-lei n.º 48/96 fala de um horário entre as 6h e as 24h, dá exemplos de excepções como os postos de abastecimento e diz que as autarquias podem "restringir ou alargar os limites", mas nada refere sobre as farmácias.




quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"Memórias fantásticas de quando era criança..."




"Ainda moro em Benfica mas tenho memórias fantásticas de quando era criança.

Às vezes depois de almoço arranjava um saco com pão duro e ia com o meu avô à
Mata de Benfica deitar migalhas aos patos. Apanhávamos folhas de amoreira na Av. Grão Vasco para dar aos bichinhos da seda.

Quando o meu avô recebia a reforma levava-me a comer mousse de chocolate (no tempo em que eu ainda gostava de mousse de chocolate) e eu fazia questão de lhe pedir o lenço de pano que ele trazia sempre no bolso para limpar a boca.

Hoje acho que os lenços de pano do meu avô tinham um significado afectivo, é claro que o café tinha guardanapos de papel, mas limpar a boca a um guardanapo de papel depois de um gelado ou de uma mousse de chocolate não sabia ao mesmo.


A primeira vez em que fui ao cinema, acho que ainda nem andava na escola, foi no Turim, para ver a Branca de Neve.


Adorava estar na varanda da sala, montada num cavalo de madeira que na altura todos os miúdos tinham, a ver as pessoas a passar.

O 24, o autocarro, passava (e ainda passa) aqui à porta, e eu achava que tinha o nº 24 porque funcionava até às 24 horas. Apanhei uma grande desilusão quando me explicaram que não era nada por isso.




"Na paragem do autocarro - 2"
Fotografia de JCDuarte


"Na paragem do autocarro - 1"
Fotografia de JCDuarte



Lembro-me da primeira mochila que tive, quando entrei na escola, e de onde a comprei. Foi numa papelaria velhinha que ainda existe ao pé da Igreja de Benfica. Só não me lembro exactamente se a mochila era azul ou amarela.


Uma vez a minha avó comprou-me um conjunto em branco e preto com um padrão de laços. Pedi-lhe para ir logo com a roupa nova vestida e toda a gente olhava para mim na rua.
Hoje, acredito sinceramente que estava muito pirosa e por isso é que as pessoas olhavam, mas na altura senti-me uma princesa.
"


Testemunho de Ana Fernandes, in "As Vossas Memórias de Benfica", na nossa página no Facebook.