domingo, 19 de setembro de 2010

O "Retalhos de Bem-Fica" foi ao Teatro





Fotografia de Alexandra Carvalho



Melhor do que ter um Teatro a 5 minutos a pé de casa e a um preço extremamente acessível, é ir ao teatro com os amigos!...



Fotografia de Mário Pires


Fotografia de Mário Pires



Ontem foi uma noite muito especial: reentrar, finalmente, no novo Teatro Turim (mística cinéfila da minha infância, verdadeiro local de culto) para assistir à peça "Um Louco na minha Cama".

E, depois de uma divulgação feita no Facebook, acabámos por nos juntar cerca de 12 pessoas, entre amigos e conhecidos de Benfica e não só... gente simpática e com vontade de intervir socialmente, que se tem vindo a encontrar através do "Retalhos de Bem-Fica" e, sobretudo, devido à Causa que nos tem vindo a unir pela preservação das Vilas.
E o ambiente não poderia ser melhor, para um regresso ao "nosso" Turim!




Fotografia de JCDuarte




O espaço está muito bonito, a sala um pouco mais pequena do que me recordava (possivelmente para dar lugar à sua nova vertente de Teatro)... e muita gente, a sala quase cheia nesta 2ª noite da peça em cena.
Deu mesmo gosto ver um público tão heterogéneo ali presente!
Deu mesmo gosto sentir que as pessoas estavam animadas e a apreciarem bastante a peça (a julgar pelas inúmeras risadas que se foram ouvindo durante esta comédia)!

A peça era muito simpática e divertida, assim como a interpretação dos dois excelentes actores.

O "Retalhos de Bem-Fica" recomenda vivamente, até 31 de Outubro, "Um Louco na minha Cama" no Teatro Turim.

E aqui deixamos os nossos sinceros parabéns à Direcção do Teatro Turim por esta positiva "pedrada no charco" que lançaram em Benfica, fazendo votos sinceros para que a vossa acção em prol da cultura faça eco junto das gente da nossa freguesia (que tanto precisam de reaprender a apreciar as Artes - acessíveis a todos - a que até agora não têm tido grande acesso!).






sábado, 18 de setembro de 2010

Disse "Orçamento Participativo"?




(por Alexandra Carvalho)



[clicar para ampliar e ler o Projecto]





Este projecto
, elaborado com base numa iniciativa voluntária que já vinha a ser levada a cabo na nossa freguesia, foi apresentado por uma residente de Benfica ao Orçamento Participativo 2010/2011 da Câmara Municipal de Lisboa.

Esta candidatura ao Orçamento Participativo derivou de uma sugestão que lhe foi transmitida pela Dra. Inês Drummond, Presidente da Junta de Freguesia de Benfica (após uma reunião realizada a 18/03/10, em que foi dado o apoio da Junta de Freguesia a este projecto).

Passados 3 meses, e conforme previsto no processo de desenvolvimento do Orçamento Participativo, foi efectuada a análise técnica das 931 propostas apresentadas (nas mais diversas áreas), tendo sido seleccionada uma listagem provisória de projectos que, após período para reclamação e respostas dos interessados, serão depois votados pelos munícipes, com vista a incorporação na proposta de plano de actividades e orçamento municipal.










Ora, em relação ao supra citado projecto relativo à estruturação do trabalho em rede nas colónias de gatos de rua na freguesia de Benfica, o resultado da referida análise técnica elaborada pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), não podia ser mais deplorável (vide in imagem acima, sublinhado a vermelho)!...

Pessoalmente, e tendo auxiliado a pessoa em questão na elaboração da referida candidatura ao Orçamento Participativo 2010/2011, considero a suma desta análise técnica completamente anacrónica e gostaria muito que os técnicos da CML responsáveis por esta análise me explicassem como é que o projecto apresentado "contraria ou é incompatível com planos ou projectos municipais".

Senão, vejamos as incongruências na referida "análise técnica":

1)- O projecto apresentado alicerça-se num trabalho em estreita cooperação com o Programa CER (programa implementado e dinamizado pelo Canil/Gatil Municipal de Lisboa), tendo como actividade-base o controle da natalidade e doenças nas colónias de gatos de rua - actividade que o próprio Programa CER já promove e desenvolve, como método mais humano e eficaz do controle populacional de animais de rua (contrariamente à sua captura e abate indiscriminados).

2)- O projecto apresentado visa a implementação do trabalho em rede de todos os protectores de colónias de gatos de rua na freguesia de Benfica (estruturando e responsabilizando, assim, as pessoas que alimentam animais de rua, com vista à manutenção de colónias saudáveis e limpas, minimizando o risco de conflito com vizinhos que se sintam incomodados e promovendo um ambiente saudável e limpo para todos);

3)- O projecto apresentado visa fornecer comida e abrigo às colónias de gatos de rua, de forma ordenada e legalizada (apesar de, legalmente, ser punível por coima a alimentação de animais de rua, o próprio Programa CER do Canil/Gatil Municipal de Lisboa já visa a sua prossecução de uma forma supervisionada e com alimentação correcta para estes animais);

4)- O projecto apresentado visa a sensibilização para os direitos dos animais da população em geral e nas escolas, promovendo um trabalho em parceria local neste âmbito, como forma de educar para a cidadania e respeito pelos direitos dos animais, tentando assim combater o abandono de animais e os maus-tratos para com os mesmos.
Esta deveria ser, também, uma linha de acção a ser desenvolvida pelos serviços competentes da CML, se, por acaso, os animais neste país não fossem encarados legalmente como objectos. Mas a verdade é que, se a CML já promove acções de Educação Ambiental sobre a higiene urbana, parece-me que seria compatível e, sobretudo, correcto, a dinamização também de campanhas ao nível do que o projecto apresentado visava.

5)- Por último, mas não menos importante, o projecto apresentado possuía um orçamento consideravelmente reduzido, alicerçando-se, sobretudo, no trabalho voluntário de todos aqueles que já cuidam de colónias de gatos de rua.


Logicamente que este não seria um projecto de grande envergadura, que desse visibilidade pública e status social e político a quem o aprovasse e/ou apoiasse (como, talvez, os projectos de obras públicas e melhoramentos conferem), mas seria, sem dúvida alguma, um projecto que traria algo de benéfico à nossa freguesia e à nossa sociedade: o respeito para com o ambiente e os seres vivos que connosco partilham a Terra.
Mas até que o Homem comum consiga atingir esse nível de pensamento mais social e comunitário, muito haverá ainda por fazer!...

No ano passado, no Orçamento Participativo 2009/2010, a proposta de obras no Canil/Gatil Municipal, foi o projecto mais votado pelos cidadãos... e ainda não passou sequer do papel!
Este ano, a julgar pela listagem provisória de projectos seleccionados, não existe sequer um único projecto que diga respeito aos animais em meio urbano.

Lamento profundamente que, mais uma vez, os governantes da cidade de Lisboa e os responsáveis camarários pelo Canil/Gatil Municipal de Lisboa nos venham confirmar a todos aquilo que há muito já sabemos: que a CML não tem qualquer tipo de respeito pelos animais em meio urbano e que o Canil/Gatil Municipal de Lisboa é um verdadeiro antro de morte, onde não são sequer respeitados os princípios mais básicos estabelecidos legalmente na União Europeia!

E, enquanto o Homem não souber respeitar os restantes seres vivos, como conseguirá respeitar-se a si próprio e aos seus semelhantes?!







sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"Que Deus te Guie"

Por Jorge Marques da Pastora

(Boletim do Clube nº 9 de 1989)



Conta a lenda que certo dia viajava o Rei a caminho de Sintra, onde ia repousar dos seus reais afazeres.

Nesse tempo, o caminho de Lisboa para Sintra, fazia-se por Carnide, Poço do Chão e Porcalhota – hoje Amadora.

Da comitiva fazia parte uma linda aia da Rainha, que pela sua beleza, merecia os favores do Monarca.

Ao chegar ao lugar onde hoje é Benfica, a comitiva parou a retemperar forças para a caminhada do dia seguinte. Mas com surpresa de todos, já ao anoitecer, apareceu a Rainha acompanhada do seu séquito, que vinha juntar-se ao grupo, e assim, dificultar os planos do seu real esposo e senhor.

Na manhã seguinte, antes da partida, debatia-se o rei com o dilema de levar consigo a linda aia ou deixá-la ficar, quando o seu criado particular abeirando-se dele, muito respeitosamente lhe perguntou: “Então real majestade, a sua aia vai ou fica?”. O rei, exitante, depois de longa reflexão, disse em voz pausada: "BEM … FICA".

E desta maneira teria nascido: Primeiro Bem-fica, depois Bemfica e só mais tarde cedendo às exigências da ortografia, Benfica.

Este lugar, segundo rezam as crónicas, já antes de 1250 era conhecido e pertencia à Freguesia de Belém. Foi o terramoto de 1755, que em Benfica apenas matou duas pessoas, que veio proporcionar o seu desenvolvimento. É que nobres e homens de negócios, que até então aqui tinham as suas moradias de veraneio, aqui se instalaram definitivamente, onde o ambiente era selecto e a convivência distinta.

Com as suas casas senhoriais, frondosos jardins e mais tarde com um hotel (que teria sido o edifício ainda de pé na Estrada de Benfica, 701?), Benfica foi, uma estância de veraneio ao modo antigo, onde afluíam as melhores famílias da sociedade, quando o tempo que a separava de Lisboa, se fazia em duas horas, de trem ou a cavalo.

Mais tarde, já no tempo da República, ainda Benfica como senhora nobre, já velhinha, recebia com fidalguia, intelectuais e artistas, que nas suas carruagens vinham pela calada da noite, fazer serões a casas que ficaram célebres como as Pedralvas, o Charquinho ou o Ferro de Engomar.

Também o povo alfacinha não dispensava o passeio domingueiro para estas bandas, acompanhado do farnel para os piqueniques, nas hortas ou nas quintas, à beira de fontes de água límpida. Ali se dançava ao som do harmónio e se ouvia cantar o fado.

Mas Benfica também muito cedo aderiu ao movimento desportivo, pois a fundação do seu primeiro grupo (o "Desportos de Bemfica") teria sido antes de 1895. Este grupo com uma organização ainda incipiente, deu origem a outros de vida efémera, da qual, pela sua coesão se destacou o Sport Bemfica. Foi da fusão deste clube com o Sport Lisboa, que resultou o Sport Lisboa e Benfica. Quando este abandonou o Bairro a que ligou o seu nome, as gentes de Benfica ciosas dos seus pergaminhos, inconformados com o facto de não haver um clube no seu burgo, logo fundaram o Grupo Futebol Benfica, que em 1924 suspendeu a sua actividade, porque a A.F.L. reprovou o seu campo de jogos. O povo de Benfica não desistiu. Assim, em nova arrancada, por vontade indómita dum grupo de paroquianos deste bairro, com o apoio do comércio, da Igreja e da Junta de Freguesia, concretizou o sonho que sempre lhe foi querido, de ter um Clube, legitimamente representante da sua freguesia e fundou em 1933 o Clube Futebol Benfica.

Entretanto, no dia da inauguração do primeiro campo de jogos, reunidos os melhores homens de Benfica, os representantes da Junta de Freguesia e o bom padre Francisco, enquanto um dos oradores usava da palavra para assinalar o acontecimento, por entre palmas e vivas, foi lançado um enorme balão encarnado e preto com a seguinte legenda: "Que Deus te Guie".






quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Tem dias assim!







Fotografia e Texto de JCDuarte




Tem dias em que nada sai certo!

Saí eu de casa domingo, com o decidido intuito de ir recolher imagens para ilustrar um tema. Versava ele as alterações arquitectónicas na utilização de frente e traseiras de prédios.
Como elas são menos bem cuidadas quando viradas para um logradouro fechado, tanto no desenho como na utilização por parte dos residentes, e como tudo muda quando o lado oposto à entrada principal do edifício está virado para um espaço público, eventualmente um jardim ou rua. Os estendais de roupa e o acumular de tralha nas varandas é muito menos notório e até mesmo as cortinas e vasos na janelas são mais bonitos.

Para consubstanciar esta minha teoria, escolhi o bairro de Benfica. Tem ele de tudo, desde edificações do início do séc. XX até às bem recentes, já do séc. XXI. Logradouros fechados, jardins e espaços públicos como interior de quarteirões, prédios concebidos em “T”, sem que se possa bem definir qual a frente qual a traseira. Em Benfica há de tudo para esta minha tese.

Acontece, porém, que devido ao calor, ou a um almoço mais pesado, ou a um qualquer outro motivo que desconheço, não consegui fazer em fotografia o que me ia na cabeça. Lá fotografias fiz, agora que fizessem jus ao que pensava… As coisas estão lá na câmara, mas não me agradam.

Fazendo uma pausa junto da igreja para me refrescar na esplanada, constato que os sinos tocam e a porta se abre. “Bem”, pensei, “se isto não me está de feição, vou dar ali uma olhada, que acho que nesta nunca entrei.”

Sou agnóstico convicto, pelo que as igrejas ou templos mais me falam dos seus utilizadores que de deuses. E isso é sempre algo que me interessa. Fui dar uma olhada.
Fiquei boquiaberto! A missa das 17 horas de domingo (eu, que pensava que aos domingos de tarde as igrejas fechavam…) encheu por completo o templo. A ponto de, além de já não haver lugares sentados, as coxias laterais estarem repletas, bem como o espaço junto à porta, onde me quedei.

Fiquei um pouco, tentando com a minha presença não perturbar quem ali estava, observei espaço e fieis e aproveitei uma pausa entre a leitura e o sermão para sair.
A coisa – a enchente de gente num domingo de tarde – ficou a cucutar-me. Os hábitos dos estendais e dos dias para lavar e estender a roupa já não são o que eram, tal como a hora de ir à missa ao domingo. Nem bom, nem mau. Apenas diferente, ajustando-se ao mudar dos tempos.

Eu é que não estava de maré e não consegui fazer uma imagem que fosse que se aproveitasse sobre o tema. Ainda andei de volta da igreja, tentando tirar partido da bonita luz que havia, mas nada. Há dias assim!

Acabei por esquecer o que a cabeça me dizia e deixar-me levar apenas pelo que os olhos me mostravam. Isto, a poucos metros!
Não tem que ver com estendais, traseiras ou templos. Mas está intimamente relacionado com o domingo ser um dia bonito, em que as coisas bonitas se mostram e se vêem. Por dentro e por fora!

Tem dias assim.







quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Grupos escolares de Escolas Primárias de Benfica




Neste início de novo ano lectivo, o nosso amigo Pedro Macieira (do blog "Rio das Maçãs") brindou-nos com duas fotos extraordinárias de dois agrupamentos escolares existentes na freguesia de Benfica, no início do século XX...





Fotografias do espólio de Eugénio Germano Baptista, gentilmente cedidas pelo seu neto Pedro Macieira




Estas fotografias não se encontram datadas, nem tão pouco têm indicação do local de Benfica em que foram tiradas, mas são um documento histórico importante, pois dão-nos uma imagem de como se vivia nessa época.

Muito obrigada, Pedro, por este preciosíssimo contributo para o nosso blog!



Aproveitamos, ainda, para relembrar todos os nossos leitores sobre a busca de Pedro Macieira em torno da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica.
Caso algum dos nossos leitores disponha de mais informação sobre o destino do legado da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica, onde Eugénio Germano Baptista (avô de Pedro Macieira) foi músico e director do jornal, não hesitem por favor em nos contactar.