quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Estrada de Benfica, 1981





Fotografia de Jorge Costa (1981)




A fotografia é um registo, um meio precioso que nos ajuda a testemunhar o que vivemos, o nosso Passado e percurso individuais...
Mas as fotografias auxiliam-nos, também, e a um nível mais geral, a caracterizar as épocas históricas das nossas vivências, as modas ao longo dos anos, as alterações físicas da paisagem que nos envolve, etc.

Agradecemos, por isso mesmo, a todos os nossos leitores que nos têm enviado (ou emprestado, para digitalização) as suas fotografias "de família", importante fonte de enriquecimento para o "Retalhos de Bem-Fica" e a história que aqui tentamos traçar sobre o percurso da nossa freguesia.

Caso esteja interessado em contribuir com alguma fotografia que considere importante, contacte-nos, pff., para: palavraseimagens@gmail.com
Muito obrigada!




quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Passeio por Benfica (2)




A Vítima


(texto e fotografia de JCDuarte)






“- Ora boa tarde! Então vossemecê foi enforcar o bicho? Que mal é que ele lhe fez, homem?
- Mal não me fez, mas desde que ali está os cabr*es dos melros nunca mais cá voltaram. Eles e o resto da passarada! Vai abanando, abanando e eu cá vou semeando e colhendo que é uma alegria.
- Então e importa-se que eu faça ali uma fotografia?
- Pois faça à-vontade, que já cá estiveram da televisão e tudo. Até cá esteve um filho-da-put* de um fiscal da câmara, que queria que eu tirasse daqui a vedação mais umas pedras que fui amontoando ali ao lado… Mas a senhora que vinha com ele piscou-me o olho, assim ‘tá a ver, e eu nem lhes liguei. E eles se quiserem a minha identificação, que vão lá à câmara, que têm lá a minha ficha. Trabalhei lá mais de quarenta anos e nunca faltei ou estive doente.”

Este diálogo aconteceu à tardinha, paredes-meias com o cemitério de Benfica, quase num beco atrás de uns prédios.
Confesso que, para além da conversa que ainda se esticou mais um pedacinho, ficou-me uma dúvida: Porque diabo hão-de murar os cemitérios? Quem lá está não vem para cá, quem cá está não quer ir para lá…?




Fim ou início


(texto e fotografia de JCDuarte)





Bem que sabia eu!
Que algures na cidade haveria de estar o início ou o fim dos trilhos de bicicleta.
Pintados no asfalto, a direito nos passeios ou atalhando pelos parques, vamos vendo estas vias ciclaveis que, diria eu, mais são cartões de visita eleitorais que outra coisa.
Não que não sejam úteis ou bonitos. Mais, o seu piso é óptimo para caminhar. Mas, diga-se em abono da verdade, é particularmente raro ver um ciclista a usá-las.
Ou porque há poucos ciclistas em Lisboa, ou porque os traçados são os mais cómodos para políticos, engenheiros de secretária e empreiteiros com olho para o negócio, verdade verdadinha é que nem em dias úteis nem nos inúteis os vejo.
Mas esse incrincado politicamente correcto haveria de começar (ou acabar) nalgum lugar. E é aqui, neste jardim que ombreia com hortas, couves, searas, poços e até uma nora.
Por cima das árvores podemos ver um dos novos hospitais privados da cidade. Se olhássemos para a direita, veríamos um dos templos do consumo, um centro comercial de grandes dimensões. Atrás à esquerda, um bairro residencial e de comércio, com vida própria e tradições na cidade. Atrás à direita, depois do cruzamento desnivelado de duas artérias de grande movimento, um estádio de futebol.
Onde estou? Em Benfica, pois claro.






segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Paredes que Falam (5)





Paredes Poéticas



Fotografia de Alexandra Carvalho




O Nº 44 da Rua Ernesto da Silva, onde habitaram os famosos irmãos Serpa, já foi "Calor", ainda que desprovido de qualquer réstia de humanidade (para além dos gatos que aí procriavam)...

Depois da crónica de uma morte anunciada, em Junho de 2009 chegou o seu fim, ditado pelas desavenças de herdeiros, que preferiram "transformar" a Casa em terreno devoluto, sujo e feio... aguardando, quiçá, pelos ditames das melhores ofertas dos empreendedores imobiliários.

Enquanto isso, como que instintivamente, a Poesia continua a invadir aquele espaço vazio...

"O Caos do meu Mundo é Tu morreres em Mim"






domingo, 19 de setembro de 2010

O "Retalhos de Bem-Fica" foi ao Teatro





Fotografia de Alexandra Carvalho



Melhor do que ter um Teatro a 5 minutos a pé de casa e a um preço extremamente acessível, é ir ao teatro com os amigos!...



Fotografia de Mário Pires


Fotografia de Mário Pires



Ontem foi uma noite muito especial: reentrar, finalmente, no novo Teatro Turim (mística cinéfila da minha infância, verdadeiro local de culto) para assistir à peça "Um Louco na minha Cama".

E, depois de uma divulgação feita no Facebook, acabámos por nos juntar cerca de 12 pessoas, entre amigos e conhecidos de Benfica e não só... gente simpática e com vontade de intervir socialmente, que se tem vindo a encontrar através do "Retalhos de Bem-Fica" e, sobretudo, devido à Causa que nos tem vindo a unir pela preservação das Vilas.
E o ambiente não poderia ser melhor, para um regresso ao "nosso" Turim!




Fotografia de JCDuarte




O espaço está muito bonito, a sala um pouco mais pequena do que me recordava (possivelmente para dar lugar à sua nova vertente de Teatro)... e muita gente, a sala quase cheia nesta 2ª noite da peça em cena.
Deu mesmo gosto ver um público tão heterogéneo ali presente!
Deu mesmo gosto sentir que as pessoas estavam animadas e a apreciarem bastante a peça (a julgar pelas inúmeras risadas que se foram ouvindo durante esta comédia)!

A peça era muito simpática e divertida, assim como a interpretação dos dois excelentes actores.

O "Retalhos de Bem-Fica" recomenda vivamente, até 31 de Outubro, "Um Louco na minha Cama" no Teatro Turim.

E aqui deixamos os nossos sinceros parabéns à Direcção do Teatro Turim por esta positiva "pedrada no charco" que lançaram em Benfica, fazendo votos sinceros para que a vossa acção em prol da cultura faça eco junto das gente da nossa freguesia (que tanto precisam de reaprender a apreciar as Artes - acessíveis a todos - a que até agora não têm tido grande acesso!).