terça-feira, 2 de novembro de 2010

DIVULGAÇÃO: "Às vezes quase me acontecem coisas boas quando me ponho a falar sozinho"





Depois do sucesso de "Um Louco na minha Cama", o Teatro Turim estreia amanhã (4ª feira, 03/11/10) a peça "Às vezes quase me acontecem coisas boas quando me ponho a falar sozinho".


Imagem de Teatro Turim




Um espectáculo multidisciplinar entre o teatro e o acto de contar histórias.


"Sinopse da peça:

Pode ser esta a história. Num palco vazio, um homem sozinho, aqui e agora. Pode contar uma história. Pedaços de histórias de gente que vive na cidade, mas que veio do campo. Enfim, Pode ser esta a história: um homem sozinho, parado no meio de uma viagem, conta uma história. E às vezes, quando o faz, quase lhe acontecem coisas boas. Um homem sozinho quando está parado no meio de uma viagem lembra-se de palavras, inventa frases e conta uma história. Conta uma história, pois."




Excertos da Peça "Às vezes quase me acontecem coisas boas quando me ponho a falar sozinho"




Texto: Rui Pina Coelho
Interpretação: Carlos Marques
Concepção Artística: Rui Pina Coelho e Carlos Marques
Paisagem Sonora: João Bastos
Apoio ao Movimento: Ana Coimbra Oliveira
Produção: Rosa Diniz
Grafismo: Fraktory Comunicação
Uma Produção TRIMAGISTO



De 3 a 13 de Novembro, às 21h30, no Teatro Turim... não perca (uma das peças com o nome mais poético de que me recordo nos últimos tempos)!






segunda-feira, 1 de novembro de 2010

As Escadas





Um dos curiosos pormenores relacionados com a arquitectura da Vila Ana e da Vila Ventura prende-se com o facto de, apesar de simétricos, os edifícios serem bem distintos entre si.

Parte dessa distinção adveio não da construção de raiz dos dois imóveis, mas sim de obras adicionais que lhe foram sendo efectuadas, logo após a sua construção, de modo a torná-las mais acessíveis aos seus habitantes.




Fotografias de Alexandra Carvalho (2010)




Uma dessas modificações prendeu-se com a construção de uma escada em ferro, partindo da janela do 1º andar esquerdo, onde vivia a família Lamas, de modo a tornar mais prático o acesso à imensa quinta que, noutros tempos, se estendia nas traseiras das Vilas.



Fotografia de Alexandra Carvalho (2010)



O pouco que ainda restava dos 4 degraus enferrujados que conseguiram sobreviver à passagem de 100 anos, foi furtado na madrugada da passada 4ª feira (27/10/10)...
Actualmente, subsiste apenas um degrau e o patamar superior da escada (conforme se pode visualizar na fotografia acima).

Até quando vamos continuar a assistir à delapidação impune do nosso Património, sem que ninguém faça nada???







domingo, 31 de outubro de 2010

ALERTA: - Atenção às Passadeiras de Peões!





Actualização de 05/12/10:


Depois de um comunicado enviado à Junta de Freguesia de Benfica (para o qual continuamos a aguardar resposta), as passadeiras da Av. Grão Vasco foram, finalmente, pintadas na madrugada de 26/11/10.

No entanto, até à presente data, as passadeiras da Rua Pereira Bernardes, junto à Av. do Uruguai, continuam por pintar.

A 02/12/10, na Reunião descentralizada da CML que ocorreu em Benfica, tivemos conhecimento, de acordo com informação veiculada pelo Vereador da Mobilidade da CML, Dr. Fernando Nunes da Silva, que a pintura de todas as passadeiras de peões é da responsabilidade das Juntas de Freguesia, com quem a CML efectuou protocolos de delegação de competências (tendo, inclusivamente, e segundo informação do Vereador, a Junta de Freguesia de Benfica adquirido, recentemente, uma máquina de pintar passadeiras, de forma a diligenciar de uma forma mais célere esta tarefa).



****



Alerta deixado por Joana Esteves na nossa página no Facebook:


"Venho alertar aos condutores e peões que circulam por Benfica que prestem especial atenção aos sinais verticais de passadeiras.

A maior parte das ruas foi alcatroada e ainda não pintaram as listras tão úteis à visualização.

Este meu aviso vem a propósito de mais um atropelamento numa das ruas mais movimentadas da freguesia.
Obrigada."




O "Retalhos de Bem-Fica" aproveita para informar os seus leitores que a conservação e reparação de sinalização horizontal (incluindo a pintura das faixas das passagens de peões) passaram, recentemente, por estabelecimento de um Protocolo de Delegação de Competências da Câmara Municipal de Lisboa para responsabilidade da Junta de Freguesia de Benfica.








O importante alerta que a Joana Esteves nos deixou espelha bem a importância do trabalho que este nosso blog comunitário tem vindo a desenvolver em termos de colaboração cívica, um elemento essencial
para nos transformarmos numa comunidade mais activa e solidária.

Nesse sentido, inauguramos hoje no
"Retalhos de Bem-Fica" o "Espaço Cívico", que passará a estar acessível a todos os cidadãos que queiram deixar apelos, informações ou pedidos de índole colectiva (podendo, para esse efeito, remeter-nos essas informações por e-mail para palavraseimagens@gmail.com, ou através de mensagem colocada na nossa página no Facebook.
O "Espaço Cívico" estará disponível para visualização das suas mensagens através da imagem acima, na barra de ferramentas do lado direito do nosso blog.









sábado, 30 de outubro de 2010

Ainda sobre as "Portas de Benfica"...




(por Alexandra Carvalho)



Conforme já tínhamos referido ontem
, no século XVIII, praticamente todo o concelho da (futura) Amadora pertencia à freguesia de Benfica.
Incluindo-se nessa pertença o território da actual Venda Nova, que fez parte da freguesia de Benfica até esta ser "amputada", em 1886, da parte exterior à nova Estrada da Circunvalação de Lisboa.
A partir dessa data, a estrada passou a constituir o limite fiscal da capital, consubstanciado com a construção das Portas de Benfica, posto onde a guarda fiscal cobrava taxas pela entrada em Lisboa de mercadorias provenientes dos concelhos limítrofes.

A freguesia da Venda Nova foi criada em 12 de Julho de 1997, por desanexação da então freguesia da Falagueira-Venda Nova, a qual foi renomeada na mesma altura para Falagueira.




"Portas de Benfica, à entrada da Venda Nova, que faziam parte da estrada Militar"
Fotografia de Artur Goulart (1961), in Arquivo Municipal de Lisboa



"Portas de Benfica - do lado da Venda Nova"
Fotografia de Artur Goulart (1962), in Arquivo Municipal de Lisboa




Os testemunhos fotográficos existentes no Arquivo Municipal de Lisboa são comprovativos do facto de que, não só os Castelos das Portas de Benfica nunca pertenceram à Venda Nova (vide na primeira fotografia acima, datada de 1961 a localização da placa de entrada na Venda Nova colocada depois do Castelo Sul), como o marco quilométrico "0", que marcava a entrada na cidade de Lisboa, se situava também depois do Castelo Sul (e não antes do mesmo) - vide na fotografia acima, datada de 1962.

Será que, depois de todas as evidências históricas, o Sr. Gabriel Oliveira, Vereador com o pelouro das Obras Públicas da Câmara Municipal da Amadora, nos saberá explicar melhor porque é que "ambos os castelinhos pertencem a este concelho, ponto final parágrafo"???




Mapa disponível in "Roteiro Municipal da Amadora"




Não obstante estes factos históricos evidentes, isso não impediu que, muito possivelmente, por algum "lapso geográfico", a Câmara Municipal da Amadora tenha colocado este mapa no seu website referente ao Roteiro Municipal, onde os Castelos das Portas de Benfica surgem como fazendo parte do seu território (ver mapa acima e clicar para ampliar).




Fotografia de Alexandra Carvalho (2008)

[clicar na imagem para ampliar]


Legenda 1 - A placa toponímica da Rua Elias Garcia já se encontrava colocada no Castelo Norte (não tendo tal facto resultado da presente alteração urbanística da envolvente das Portas de Benfica).

Legenda 2 - Deste marco quilométrico "0" (entretanto, misteriosamente desaparecido) para a frente é que pertence ao concelho da Amadora, até ao marco ainda é Lisboa.

Legenda 3 - Placa de boas vindas ao concelho da Amadora colocada em zona de Lisboa, também já ali se encontrava em 2008.

Legenda 4 - Placa do concelho da Amadora, colocada em frente ao Castelo Sul, em zona de Lisboa, também já ali se encontrava.




O que já não podemos, de modo algum, entender como "lapso geográfico" é o facto da Câmara Municipal da Amadora, pelo menos desde 2008 (*), ter colocado as sinaléticas discriminadas na fotografia acima em território da cidade de Lisboa, tomando-o como seu!...

Resta fazer mais uma pergunta incómoda...

PORQUE É QUE ATÉ AGORA QUEM DE DIREITO AINDA NÃO FEZ NADA QUANTO A ESTA SITUAÇÃO????

Porque é que se deixou avançar com as alterações urbanísticas introduzidas pela passagem da CRIL (que confinaram as Portas de Benfica a esta "triste" rotunda), e a consequente reorganização desse mesmo espaço (culminando, caricatamente, com o desaparecimento do marco quilométrico "0"), para agora se fazer alarido sobre uma situação que, em termos de marcações geográficas, já foi, há muito tempo, usurpada pela Amadora (com o cala-consente de quem deixou que essas placas ali fossem colocadas)??







(*) - Data desde a qual possuímos registos fotográficos do local, mas a colocação dessas sinaléticas poderá mesmo ter sido anterior a essa data.



sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Castelinhos das Portas da Amadora (?)




(por Alexandra Carvalho)



Ontem à tarde, fui contactada por uma jornalista do "Jornal de Notícias" (que tem acompanhado a luta do nosso Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura), indagando-me sobre o que eu pensava a propósito da nova configuração estilo "ilha" dos Castelinhos das Portas de Benfica.

Conversa vai... e a jornalista interroga-me sobre se não haveria em Benfica algum outro movimento de cidadãos, a lutar pela defesa das Portas de Benfica, já que, segundo ela, não se sabia muito bem se os Castelinhos pertenceriam à Amadora ou a Lisboa, uma vez que ambas as Câmaras Municipais reclamam como seu este património (havendo mesmo uma placa sinalética junto a um dos edifícios, assinalando a chegada à cidade da Amadora).

Na ausência do Prof. Carlos Consiglieri (reconhecido olissipógrafo que tem trabalhado sobre a freguesia de Benfica, entre outros assuntos), transmiti-lhe o contacto do nosso amigo e redactor deste blog, Fausto Castelhano, conhecedor acérrimo da história da nossa freguesia.

E eis a reportagem realizada pela Telma Roque no “JN” de hoje (ler aqui).



Fotografia de Rodrigo Cabrita/Global Imagens

[clicar na imagem para ler a reportagem]



Pensamos, muito logicamente, que não existe um movimento de cidadãos a lutar pelos Castelinhos das Portas de Benfica, uma vez que estes sempre foram e serão pertença da freguesia de Benfica e da cidade de Lisboa... pelo que, até à presente data, nenhum cidadão considerou avançar para uma iniciativa cívica desse género.

No "Retalhos de Bem-Fica", enquanto blog comunitário que divulga o Passado e Presente da nossa freguesia, partilhamos, na íntegra, a afirmação de Fausto Castelhano, ao dizer que as pretensões da Câmara Municipal da Amadora sobre os Castelinhos das Portas de Benfica são absurdas.

Senão vejamos…

No século XVIII, praticamente todo o concelho da (futura) Amadora pertencia à freguesia de Benfica.
Tendo o actual território da Amadora nascido da divisão da antiga freguesia de Benfica, cortada pela Estrada da Circunvalação aquando da redefinição dos limites de Lisboa, em 1885-1886.
A Amadora constituiu-se em torno do lugar da Porcalhota, tendo o município sido criado a 11 de Setembro de 1979.

Em Julho de 1885, a freguesia de Benfica foi incorporada na cidade de Lisboa (fazendo, anteriormente, parte do concelho de Belém).
Em 1886, no final da Estrada foram construídas as Portas de Benfica, marcando a fronteira da entrada na cidade de Lisboa.
Para além das Portas de Benfica, no século XIX, existiam outras 25 entradas na cidade de Lisboa

As Portas de Benfica integravam um sistema de controlo das entradas de mercadorias na cidade e de cobrança do imposto designado por Real da Água. Sendo às Portas de Benfica que se efectuava a pesagem dos produtos que entravam na cidade, servindo este edifício como ponto de apoio para a cobrança do imposto atribuído à entrada de mercadorias em Lisboa.

Os Castelinhos das Portas de Benfica foram Posto Fiscal e Delegação das Alfândegas de Lisboa. Em 1996 estavam quase em ruínas, sendo propriedade do Ministério das Finanças.
No edifício sul das Portas de Benfica instalaram-se, em 1997, a Orquestra Ligeira de Benfica e a sede da Associação da Comunidade de São Tomé e Príncipe.
No edifício norte funciona desde 2001 o Centro de Informação "Em Cada Rosto Igualdade" (inicialmente a cargo da Organização Internacional para as Migrações e, actualmente, da Junta de Freguesia de Benfica).

Foi, precisamente, neste Centro de Informação que tive ocasião de trabalhar, aquando da sua abertura ao público, em 2001. E posso reiterar aqui, publicamente, que, nessa altura, a Câmara Municipal da Amadora não tinha ainda pretensões sobre este património, uma vez que era sabido em termos geográfico-políticos que os Castelinhos pertenciam à freguesia de Benfica, sendo apenas o parque de estacionamento nas traseiras pertença da Amadora.

As Portas de Benfica foram dos poucos edifícios que sobreviveram à urbanização desenfreada e desorganizada da zona envolvente. Apesar de, actualmente, terem sido descaracterizados devido à re-organização urbanística envolvente, que adveio da construção da famigerada CRIL.

O que nós, redactores do "Retalhos de Bem-Fica", fregueses de Benfica, consideramos inaceitável é que, motivados por essas mesmas alterações viárias, outros venham agora tentar sequer usurpar o nosso património!!
Os Castelinhos das Portas de Benfica são uma das últimas entradas que restam, do século XIX, na cidade de Lisboa... e não o inverso (ou a sua própria nomeação seria diferente)!




(actualização por Fausto Castelhano)


Fui lá ver!

Por enquanto, as placas indicativas de "Património Municipal" que, presumo, sejam do Município de Lisboa. Mas, se assim não é, a Câmara Municipal da Amadora já conspurcou os próprios edifícios das Portas de Benfica. Como? Afixou no Castelinho do lado esquerdo, uma placa indicativa da Rua Elias Garcia - Município da Amadora, que sempre teve o seu início para lá das Portas.



Fotografia de Fausto Castelhano (2010)



Quanto ao marco quilométrico, não dei com ele mas, tenho bem presente que ele existia mas, para lá das portas e do lado direito, no início da Rua Elias Garcia.



Fotografia de Alexandra Carvalho (2008)



Quanto às obras de pavimentação ao redor do edifício, julgo que é a Câmara Municipal da Amadora ou, então, Estradas de Portugal e no âmbito da conclusão da CRIL, estarão a efectuar esses trabalhos. O melhor será averiguar.
Quanto ao edifício do lado direito, continua afixado a placa da Associação dos naturais de São Tomé com o patrocínio da Junta de Freguesia de Benfica.



Fotografia de Fausto Castelhano (2010)