quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Chamada caída




(texto e fotografia de JCDuarte)






Será difícil pensar, nos tempos que correm, em alguém deixar abandonado um telefone. Mesmo que um dos clássicos de fio.

Esta chamada caída foi, quiçá, o último gesto útil neste prédio de esquina na Estrada de Benfica.

O próximo será o camartelo em que nem os ferros forjados se aproveitarão. Com ele, mais um pedaço da nossa memória, pessoal ou colectiva.

E se o Futuro é importante - que o construímos no Presente - se não for alicerçado no Passado, pouco mais sólido será que um castelo de areia.






quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mata de Benfica - para quando a requalificação e revitalização?




(por Alexandra Carvalho com Mário Pires)



Foi em 1880 que João Carlos Ulrich, proprietário da antiga quinta e palácio da Feiteira, mandou plantar o bosque que hoje corresponde à área de pouco mais de 4 hectares do Parque Silva Porto.

Em 1910, este espaço foi cedido à Câmara Municipal de Lisboa (CML), para ali ser instalado um parque público (o qual começou a ser construído a 23/07/1911, numa cerimónia abrilhantada pela presença da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica).





Vídeo de "Retalhos de Bem-Fica" (2011)
Música: "Rue des Cascades", de Yann Tiersen




O Parque Silva Porto, mais conhecido por Mata de Benfica, faz parte das (boas) memórias de diversas gerações de Benfica e não só (conforme podemos ver nos testemunhos apresentados aqui, aqui e aqui).

Infelizmente, a nossa sociedade ao desenvolver-se, dando preferência a uma série de outras infraestruturas, não teve por este espaço de verde (único na nossa freguesia!) o respeito que o mesmo merecia (e que, civicamente, os habitantes de Benfica deveriam exigir da autarquia!)...

Durante anos a fio, a Mata de Benfica tem estado votada ao completo abandono, com uma série de carências e flagelos, que fazem com que o público pouca vontade tenha de aí regressar.

No Verão passado, surgiu a notícia de que o Café e Esplanada da Mata de Benfica viriam a ser explorados pelo Clube Futebol Benfica, num acordo realizado com a CML... Infelizmente, foi sol de pouca dura, na medida em que, ao empreender as diligências necessárias para a abertura do Café, esta instituição desportiva esbarrou com uma série de problemas burocráticos com determinados serviços, o que veio a inviabilizar que, nessa altura estival, este equipamento tenha proporcionado agradáveis momentos aos habitantes da freguesia.

No passado dia 22/12/10, na 57.ª Reunião da Câmara Municipal de Lisboa, ia ser aprovada a Proposta n.º 749/2010 (subscrita pelo Sr. Vereador Manuel Brito e pela Sr.ª Vereadora Graça Fonseca), que visava o aditamento ao Protocolo de Delegação de Competências na Junta de Freguesia de Benfica e respectiva transferência de verba para a realização de obras no Parque Silva Porto.

Esperemos que a mesma se venha a concretizar... E que, muito em breve, a Mata de Benfica, requalificada e com actividades que lhe dêem vida, possa voltar a ser um dos ex-libris da nossa freguesia!










segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

"Pequenas estórias de uma livraria de Benfica" (3)










Fotografia de José Antunes Ribeiro (2011)



Um dia, no Verão passado, eu estava parado à entrada da porta da livraria.

Em frente vejo um homem a olhar durante longo tempo na direcção da loja. Na casa dos sessenta, preto. Esteve assim mais de trinta minutos. Depois ganhou coragem e atravessou a Avenida. Entrou, disse boa tarde, e perguntou: - "Aqui era a Ulmeiro?"- "Sim, era".

O homem estava visivelmente comovido. Pediu para dar uma volta e desceu à cave. Quando reapareceu, voltou a falar: - "A Ulmeiro foi uma bênção para os estudantes africanos... Uma bênção que nunca mais posso esquecer..."
É verdade. A Ulmeiro foi a livraria dos estudantes africanos logo desde o seu início em finais de 1969.

Deveria falar aqui de alguns amigos desses tempos. Recordo-os a todos com muita saudade.
O Manuel Faustino, a Helena Lopes da Silva, o Luis Bernardo Honwana, autor desse extraordinário livro de contos, "Nós matámos o cão tinhoso" e tantos, tantos outros... Entre os clientes terei de recordar essa grande figura de intelectual e político africano, Mário Pinto de Andrade, que uma vez me disse:- "comprei aqui um romance colonial de que só conhecia dois exemplares"... Creio que este foi o terceiro livro que escapou da destruição!!!
Fiquei contente, claro. Ainda por cima este livro ficou nas mãos de uma pessoa que muito admirava...


(JAR)






domingo, 9 de janeiro de 2011

Reinauguração Oficial do Auditório Carlos Paredes




Realizou-se ontem (08/01/11) a reinauguração oficial do Auditório Carlos Paredes, depois das obras de beneficiação que tiveram lugar no mesmo.

No período da tarde, teve lugar mais uma (das habituais) “Tertúlia Poética – Ao encontro de Bocage”, bem como a actuação da Tuna EscsTunis da Escola Superior de Comunicação Social de Benfica.



Vídeo de Cláudia Varejão

[este vídeo não corresponde à actuação de Lula Pena no Auditório Carlos Paredes]




À noite, após um simpático beberete de comemoração (com sabores da gastronomia e doçaria tradicionais), realizou-se um concerto de Lula Pena... Uma das vozes mais inquietantes da contemporaneidade, cantando/tocando uma fusão de sons sem fronteiras; Lula Pena, com a sua simplicidade e genuinidade, transformou o Auditório Carlos Paredes, ontem à noite, num verdadeiro concerto intimista.

De ressalvar o entusiástico discurso de Tiago Lapa, do Pelouro da Cultura da Junta de Freguesia, na abertura deste concerto, dando conhecimento aos presentes de novidades, para breve, no que diz respeito a um "Clube da Cultura", que proporcionará aos habitantes de Benfica usufruírem de uma forma mais efectiva de equipamentos culturais, assim como outras novidades neste âmbito.

O "Retalhos de Bem-Fica" apresenta os sinceros parabéns de todos os seus colaboradores ao Executivo da Junta de Freguesia de Benfica pela re-abertura ao público do Auditório Carlos Paredes, assim como pelas iniciativas levadas a cabo no âmbito desta reinauguração oficial.







sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

"A Voz Humana" no Teatro Turim





No próximo dia 12 de Janeiro, estreia, no Teatro Turim, a peça "A Voz Humana", com Ana Moreira, Raquel Dias e Margarida Cardeal.





Direitos de autor do Vídeo: A Voz Humana



A "Voz Humana" é uma peça de Teatro de Jean Cocteau, adaptada sob a forma de tragédia lírica por Francis Poulenc, em 1958.

Uma mulher, sozinha, num quarto em desordem, devastada após o seu amante a ter trocado por outra, fala com ele ao telefone uma última vez.
Partindo desta situação tristemente banal, Jean Cocteau escreveu uma mini-tragédia em um acto - um estranho "monólogo a duas vozes" feito de palavras e de silêncios (capturando todas as pequenas mentiras e falsas esperanças de uma relação terminada) - no qual o telefona joga um papel essencial.

Escreve Cocteau a propósito do telefone: "Noutros tempos, víamo-nos. Podíamos perder a cabeça, esquecer as nossas promessas, arriscar o impossível, convencer aqueles que adorávamos apenas por os abraçarmos. Um simples olhar podia mudar tudo. Mas com este aparelho, o que terminou, terminou." (***)





(***) Texto traduzido e re-adaptado daqui.