segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz Natal!





(por Alexandra Carvalho)



O "Retalhos de Bem-Fica" deseja a todos os seus amigos, colaboradores, leitores e vizinhos um feliz Natal!

Que este Natal de 2012 nos possa fazer re-aproximar daquilo que é verdadeiramente essencial nas nossas vidas (e que, nesse sentido, esta crise sirva para algo de positivo).



 


"Carta Para o Pai Natal" (Boss AC)

"Olá Pai Natal!
É a primeira vez que escrevo para ti
Venho de Lisboa e o pessoal chama-me AC
Desculpa o atrevimento mas tenho alguns pedidos
Espero que não fiquem nalguma prateleira esquecidos
Como nunca te pedi nada
Peço tudo duma vez e fica a conversa despachada
Talvez aches os pedidos meio extravagantes
Queria que pusesses juízo na cabeça destes governantes
Tira-lhes as armas e a vontade da guerra
É que se não acabamos a pedir-te uma nova Terra
Ao sem-abrigo indigente, dá-lhe uma vida decente
E arranja-lhe trabalho em vez de mais uma sopa quente
E ao pobre coitado, e ao desempregado
Arranja-lhe um emprego em que ele não se sinta explorado
E ao soldado, manda-o de volta para junto da mulher
Acredita que é isso que ele quer
Vai ver África de perto, não vejas pelos jornais
Dá de comer ás crianças ergue escolas e hospitais
Cura as doenças e distribui vacinas
Dá carrinhos aos meninos e bonecas ás meninas
E dá-lhes paz e alegria
Ao idoso sozinho em casa, arranja-lhe boa companhia
Já sei que só ofereces aos meninos bem comportados
Mas alguns portam-se mal e dás condomínios fechados
Jactos privados, carros topo de gama importados
Grandes ordenados, apagas pecados a culpados
Desculpa o pouco entusiasmo, não me leves a mal
Não percebo como é que isto se tornou um feriado comercial
Parece que é desculpa para um ano de costas voltadas
E a única coisa que interessa é se as prendas tão compradas
E quando passa o Natal, dás à sola?
Há quem diga que tu não existes, quem te inventou foi a Coca-Cola
Não te preocupes, que eu não digo a ninguém
Se és Pai Natal é porque és pai de alguém
Para mim Natal é a qualquer hora, basta querer
Gosto de dar e não preciso de pretextos para oferecer
E já agora para acabar, sem querer abusar
Dá-nos Paz e Amor e nem é preciso embrulhar
Muita Felicidade, saúde acima de tudo
Se puderes dá-nos boas notas com pouco estudo
Desculpa o incómodo e continua com as tuas prendas
Feliz Natal para ti e já agora baixa as rendas"



sábado, 22 de dezembro de 2012

GATO DESAPARECIDO




(por Alexandra Carvalho)





Fotografias de Alexandra Carvalho (2012)




Desapareceu, no dia 11/12/12, de uma “Colónia de Gatos” protegida ao abrigo de um Programa com a Câmara Municipal de Lisboa, em Benfica:

- Gato (macho), jovem, tigrado, arraçado de Bosques da Noruega (com cauda muito farfalhuda), esterilizado.

Características: ponta da orelha esquerda cortada; olho esquerdo baço.

Visualizar anúncio aqui.

Se tem informações sobre o seu paradeiro ou apanhou este gato, pff., contacte-nos urgentemente: 91. 970 09 36 - 96. 488 79 83









sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Votação do II Concurso de Montras de Natal de Benfica





(por Alexandra Carvalho)




Direitos de autor da imagem: Junta de Freguesia de Benfica (2012)



Já se encontra a decorrer a votação no II Concurso de Montras de Natal de Benfica, promovido pela Junta de Freguesia.

Vote na sua montra preferida na página do Facebook da Junta de Freguesia de Benfica (clicando na imagem abaixo):



Clicar na imagem para votar neste Concurso,
na página da Junta de Freguesia de Benfica no Facebook, ou clicar aqui.



E aproveite esta época festiva para passar, in loco, por cada uma destas lojas e as conhecer e/ou redescobrir!







segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"Conversas de Café da AALX"




(por Alexandra Carvalho)


Direitos de autor da imagem:
Academia de Artes de Lisboa (2012)





A partir de 2013, a Academia de Artes de Lisboa terá disponível uma nova oferta: - as "Conversas de Café da AALX", com temas diversos, sobre arte, cultura e sociedade.

Para comemorar essa novidade, no próximo dia 19 de Dezembro, às 21h, realizar-se-á a primeira Conversa, com Conceição Barroso
(dona do Jardim Escola Carrocel, Centro de Estudos O Urso e Academia de Artes de Lisboa e, também, directora do Centro de Estudos O Urso), sob o tema "Ética e Disciplina na Educação".

Esta primeira Conversa (a ser realizada na
Academia de Artes de Lisboa - Rua Amélia Rey Colaço, nº 5) tem entrada gratuita, mas número de lugares limitados.

Não falte!






sábado, 8 de dezembro de 2012

Crónica a 24 dias do Natal... Ou "Dissertação sobre a Invisibilidade".




“O nosso quotidiano civilizado está cheio desses seres
que mantendo uma similar aparência física,
se afastaram de tal maneira da humanidade
que perderam o laço comum.
Pelo que estão reunidas as condições objectivas e morais
para a chacina dos homens-lixo.
E essa é já uma prática quotidiana.
Imposta pelas autoridades, desculpada pela moral pública,
exigida pela economia.”


- In Os Homens-Lixo, de Leonel Moura (1996) -
Exposição "Sem-Abrigo" (peças em bronze do escultor dinamarquês Jens Galschiøt) - promovida pela Fundação AMI na Praça dos Restauradores, em Abril de 2010.

Fotografia de Rafael Santos (2010)


(por Alexandra Carvalho)




(Sobre)Viviam, há alguns anos, fazendo pequenos biscates, de madrugada, no Mercado de Benfica – o que os ajudava a pagar o vício da bebida.

E, durante o dia, sofriam de invisibilidade.

Não que eles fossem alguns super-heróis que, por momentos, têm a capacidade de não absorver e/ou reflectir a luz visível, permanecendo, assim, num estado de invisibilidade para os outros.

O problema é que a sua invisibilidade era social!...

A insensibilidade a que haviam sido votados, durante anos a fio, bem como o facto de falarem muito mal o Português (apesar de já viverem no nosso país há longos anos), conseguira fazer desviar de si os olhares da grande maioria dos restantes cidadãos. E, assim, passaram a ser completamente ignorados, como se já nem sequer existissem na paisagem.

Muito naturalmente, perante este seu sofrimento de invisibilidade, é de compreender perfeitamente que, ao início, os três homens tenham ficado bastante surpreendidos quando aquelas duas outras pessoas os começaram a cumprimentar, sempre que por ali passavam ou os viam na rua.
E, quando se aperceberam que nada de mal os acometeria no entoar de um simples “Bom dia!”, sempre que viam essas duas outras pessoas, saudavam-nas com um cumprimento bastante mais audível e esboçavam um sorriso… como que agradecendo, por ainda se poderem sentir gente, num mundo que os tratava como lixo.


Um deles vivera, noutros tempos, numa das Vilas, em plena Estrada de Benfica… de onde, também, havia sido desalojado. Desde então, por ali foi ficando, de noite, com os seus dois conterrâneos, abrigado por debaixo das varandas das traseiras de um prédio. Ele num pequeno recanto e os outros dois numa varanda mais à frente.

Naturalmente que esta situação de extrema exclusão não era a mais adequada, nem para eles próprios, nem tão pouco para os moradores do tal prédio…

Daí as
inúmeras queixas de que já tinham sido alvo ("
encarados como detrito do sistema que se gostaria de varrer para bem longe")...
Todavia
, curiosamente,
ninguém se queixava do lixo e dos detritos de obras que, sistemática e diariamente, eram despejados a céu aberto naquele local, por moradores de uma rua ali perto.


No primeiro dia de Dezembro deste ano, por volta da hora de almoço, não se sabe muito bem como, deflagrou um incêndio no aparelho de ar condicionado por debaixo da varanda onde um destes homens dormia.


Felizmente, nenhum dos três homens ali se encontrava, nem tão pouco o rés-do-chão em questão era habitado (o que poderia ter dado origem a danos bem maiores). Tendo o fogo sido, prontamente, apagado por jovens que habitam ali perto e por alguns comerciantes do Mercado.
O aparato, por entre os carros dos bombeiros e da polícia, mais os populares que acorreram ao local, foi enorme!...
Tal como o desfilar de um rol de inutilidades (falando sem conhecimento de causa e acusando o Outro, puramente, por acusar), a saírem da boca dos vizinhos: - Que os três homens eram drogados… Que tinham queimado aquilo propositadamente… Que tinham visto um deles a fugir… Etc., etc., etc.


No final desse mesmo dia, veio a estocada final, quando ouço uma vizinha dizer-me com desdém: - "Não tenho pena nenhuma deles!"...
E eu, incrédula, a olhar para ela, pensando no que aqueles três homens - votados à invisibilidade - lhe teriam feito de tamanho mal para que ela lhes pudesse ter tal aversão.


N
o primeiro dia de Dezembro, a vinte e quatro dias do Natal, (re)aprendi que o Homem é mau por natureza e nada mudará este facto!...


E faz-me mesmo muita pena constatar
que a grande maioria das pessoas perdeu o sentido de compaixão e de se colocar no lugar do Outro...
O que é extremamente grave,
sobretudo, numa época, em que uma situação de carência nos pode afectar a todos e, de um momento para o outro, nos podemos, nós próprios, ver sem abrigo!...