quarta-feira, 10 de abril de 2013

Pedido de Informações sobre PARQUE SILVA PORTO







(por Alexandra Carvalho)





Nas últimas semanas, muitas têm sido as melhorias efectuadas pela Junta de Freguesia de Benfica no Parque Silva Porto (Mata de Benfica), que visam dar mais vida ao mesmo.

No entanto, e como nos restam algumas dúvidas, endereçámos o e-mail abaixo à Senhora Presidente da Junta de Freguesia de Benfica, ao Senhor Vogal do Espaço Público e ao Senhor Vogal do Ambiente dessa mesma Junta.



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Exmos. Senhores, 



Aproveito, antes de mais, para vos felicitar pelas melhorias que têm estado a ser desenvolvidas no Parque Silva Porto (vulgo Mata de Benfica), tão esquecido durante longos anos. 


Gostaria, contudo, de solicitar-vos algumas informações: 


1)- Quais são os horários exactos de funcionamento dos sanitários do Parque?



Fotografia de Alexandra Carvalho (2013)



De facto, apesar de constar uma folha de papel na porta dos mesmos, com a seguinte indicação: - "Entrada - 10h; Almoço - 13h às 14h; Saída - 18h", a verdade é que, durante toda a semana (incluindo aos fins-de-semana), os funcionários da empresa "Teleflora" - que se encontram a assegurar esse serviço, anteriormente efectuado por funcionários dessa Junta de Freguesia -, costumam sair por volta das 17h, senão mesmo às 16h45 como sucedeu este Sábado (06/04/13), deixando inúmeros adultos e crianças que frequentam este Parque sem acesso aos sanitários. 



2)- De que forma a Junta de Freguesia de Benfica assegura a segurança dos frequentadores do Parque Silva Porto?

De facto, encontrando-se os sanitários da Mata de Benfica sem qualquer vigilância (que ainda impunha algum respeito ao local), no passado Sábado (06/04/13), por volta das 17h, andava um grupo de jovens no local, a cercar diversas pessoas de mais idade, "solicitando-lhes" dinheiro.
A única pessoa que, nessa mesma tarde, impôs algum respeito a estes jovens (nomeadamente, seguindo-os para todo o lado que se dirigiam na Mata), foi um funcionário dos serviços da CML, que se encontrava de folga.

Temo que, se esta situação da segurança na Mata de Benfica não for assegurada pela Vossa Junta de Freguesia (de acordo com o Protocolo de Delegação de Competências assinado com a CML), daqui a uns tempos, voltemos a ter o mesmo ambiente de receio e medo, que se viveu noutros tempos neste local.



3)- Agradecia informações sobre o destino que a Junta de Freguesia deu aos bebedouros que faziam parte do mobiliário urbano da Mata de Benfica, os quais foram, recentemente, substituídos por bebedouros metálicos - e em menor número do que os bebedouros anteriormente existentes. 




Fotografia do espólio de Fausto Castelhano



Fotografia de Tom J. Bettler (2011)
 



Fotografia de Alexandra Carvalho (2013)

De salientar que os antigos bebedouros da Mata de Benfica, datavam de cerca de 1940, constituindo exemplares únicos de mobiliário urbano na nossa freguesia (dos quais, apenas ainda resta, o bebedouro existente no início da Av. Grão Vasco). 



Sem outro assunto de momento. E, antecipadamente, grata pela atenção dispensada. 
Fico a aguardar uma resposta da Vossa parte, tão breve quanto possível. 


Cumprimentos, 

(Alexandra Carvalho)




segunda-feira, 8 de abril de 2013

PERIGO - Uso de Herbicidas





(por Rute Lemos)



Perigo - Uso de Herbicidas (semana Abril 2013)


 


Mais uma vez a freguesia de Benfica opta por não avisar os fregueses do uso de herbicidas nas ruas, passeios, e espaços verdes (ao contrário do que acontece, por exemplo, nas freguesias de Cascais), e dos perigos que estas substâncias tóxicas representam, nomeadamente, para os cães.

Fica o alerta para os donos dos animais: - Não os deixem comer ervas nos próximos tempos!!!


Hoje, pela manhã, uma carrinha "Europcar" com funcionários da empresa "Fitonovo" percorreu ruas e passeios de Benfica, impedindo a normal circulação rodoviária em hora de ponta, e despejando indiscriminadamente herbicidas, sem qualquer aviso aos moradores.

Na página da Junta de Freguesia de Benfica no Facebook, a 20/03/13, foi deixada uma publicação, informando sobre, e passo a citar: - "Os serviços de limpeza da Câmara Municipal de Lisboa continuam a realizar os trabalhados de deservagem por toda a Freguesia, utilizando um produto ecológico, neutro, não nocivo para a saúde das pessoas ou dos animais."

Como tive oportunidade de comentar na página da Junta de Freguesia, onde consta o referido (e que, para mim, não constitui obviamente qualquer aviso, pois a maioria dos fregueses não a podem consultar), não conheço produtos ''neutros" nesse sentido. Pelo contrário, sei que os que são considerados ecológicos, e com menor probabilidade de toxicidade por inalação, e contacto, continuam a ser muito tóxicos se ingeridos (o que acontece quando os animais, como os cães, se purgam).

Pelo que, enquanto a Junta de Freguesia, não me informar sobre a substância (composição) ou nome do herbicida ecológico em questão, continuo a deixar o alerta, por saber de cães que recentemente adoeceram após ingestão de ervas.

Reitero, e tive oportunidade de pedir esclarecimentos junto de especialistas na matéria, desconhecer qualquer produto ''neutro'' e atóxico (para além do vinagre ou sal e produtos usados como herbicidas de forma particular), pois independentemente de poder ser menos lesivo que outros outrora empregues sempre sem qualquer aviso, me parece continuar a representar grande toxicidade se ingerido, mas como disse, aguardarei pelo esclarecimento, por parte da Junta, do nome do produto utilizado (ou composição).






sábado, 6 de abril de 2013

As lixeiras consentidas em Benfica (1)




(por Vítor Vieira)


Partilhando, por vezes, o mesmo espaço do que alguns vazios urbanos de Benfica (temática que estamos a dar a conhecer aqui no blog), eis que surgem, nos sítios mais impróprios ou inabituais, as lixeiras em Benfica. 

Existem de várias espécies, consoante o lixo que não foi - e deveria ter sido - encaminhado para reciclagem e/ou depósito em locais e condições adequadas. 

Podemos dizer que elas tanto estão nas zonas habitadas por gentes mais modestas ou naquelas zonas ditas de gente fina (que de fina nada têm, aliás). 

Por regra, os varredores e as brigadas de limpeza da CML não as conhecem ou, se as conhecem, parecem ignorá-las pura e simplesmente. Não sabemos, sinceramente, por que não agem! Será que é para poupar nas vassouras e pás? Mas se for o argumento da poupança, então só podemos dizer que se gasta, por certo, mais dinheiro com os sopradores de folhas que, para além de não serem eficazes, poluem ainda o ambiente com o péssimo cheiro do gasóleo ou outro combustível. 

É um facto estas lixeiras dão um mau ambiente e são atentado à nossa visão e à qualidade de vida, numa cidade que se diz ser muito bonita. 
Para nós, essa qualificação não tem a mínima razão de ser enquanto subsistirem estas ilhas da vergonha coletiva, que consistem nos abjetos atos de despejar lixos em qualquer sítio, a começar junto dos ecopontos, acabando nos passeios e ruas. 

Como se sabe que não há fiscalização por parte da Polícia Municipal, essas práticas acabam por ser consentidas e geralmente toleradas. É disso mesmo que iremos dar conta aqui no "Retalhos de Bem-Fica" ao longo dos tempos, pedindo, também, aos nossos leitores e fregueses de Benfica, que nos ajudem a denunciar este flagelo, com o envio de fotografias (para palavraseimagens@gmail.com), as quais, depois de selecionadas, serão posteriormente aqui publicadas. 

Começamos, pois, pela Avenida Gomes Pereira, mesmo ao lado da Junta de Freguesia de Benfica...









Fotografias de Vítor Vieira (2013)





sexta-feira, 5 de abril de 2013

Sobre livros e quem os vende





(por JC Duarte)





Fotografia de JC Duarte (2013)




Para cada problema, uma solução específica. Ou mais que uma, se formos engenhosos.
Esta é uma solução para um problema que não temos.

Em fotografando no exterior usamos o sol como fonte de luz. Maior ou menor intensidade, maior ou menor difusão, mas é ele que alumia os assuntos que fotografamos. Geralmente. Mas em interiores ele não chega, ou pelo menos, não chega com a quantidade e qualidade que queremos. Geralmente. Por isso, e desde sempre, os fotógrafos procuraram formas de trazer para o interior a quantidade de luz necessária ao seu ofício.
Uma dessas formas – das primeiras – foi o velho flash de magnésio. Vemo-lo nos filmes, que já não se usa. Aquela luz intensa, não tão instantânea quanto isso, e, principalmente, muito fumarenta. Que resultava da queima rápida de magnésio com um nico de pólvora. E, em interiores, depois de cada fotografia, havia que abrir bem as janelas e criar uma valente corrente de ar, para dissipar os fumos daí resultantes.
Esta é uma forma de contornar o problema: um saco, feito a partir de um guarda-chuva, e que se coloca por cima do local da combustão. Assim que se extingue, fecha-se por baixo e vai-se com ele para o exterior, abrindo-o e libertando a fumaça nele contida.
Talvez seja um sistema complicado de usar, mas seria o melhor que existia na época. E soube-o através de um livrinho comprado num simpatiquíssimo alfarrabista. Recomenda-se a visita.
Da simpatia, cada um poderá aquilatar aquando da sua ida lá.
Da qualidade e eficiência dos seus proprietários, posso dar um exemplo:

O livro de onde tirei esta imagem intitula-se “Fotografa parte segunda”. Escrito em Castelhano, data de 1952 e foi impresso na Argentina. Quando por ele perguntei o preço, disse a simpática senhora: - “Olhe que é o segundo volume. Não tenho o primeiro.” Qualquer outro vendedor teria calado essa informação, tratando de despachar este talvez mais que encalhado livrinho de bolso. Que a grande maioria pouco dariam por ele, a menos que, como eu, saibam que os antigos tinham sabedorias que as modernidades esquecem. E um dos exemplos dessa sabedoria consta naquilo que não está na imagem: “Bórax – 75gr; Ácido bórico – 60gr; Água – 1 lt”. Trata-se da fórmula que haveria de executar para impregnar o tecido deste saco para o tornar ignífugo ou incombustível.
Pequenos detalhes ou sabedorias que hoje escapam à maioria.

Interessante mesmo foi também o que sucedeu depois de sair desta excelsa loja com este tesoiro no saco.
Sendo que se tratava de um dia feriado, nem sequer estava à espera que este alfarrabista estivesse aberto. Mas estava, ao invés de todo o resto do comércio que não pastelarias ou restaurantes.
No passeio pseudo-fotográfico que dei, acabei por entrar num centro comercial, um dos mais antigos da cidade e que foi uma referência, ainda que hoje preterido por outros que têm a desvantagem de serem todos iguais.
Neste existe, desde sempre, uma livraria. Mas como é um comércio em declínio – infelizmente – já lhe conheci vários donos e nomes ao longo dos anos. E, desta vez, nova mudança, desta feita uma sucursal de uma outra livraria bem conhecida. Enquanto olhava de fora, aquilatando do que ali estava à venda, lá dentro apenas três pessoas: dois potenciais clientes e uma empregada. E foi esta que fez toda a diferença:

De pé, atrás do balcão, estava embrenhadíssima na leitura de um livro. Livro que marcou com todo o cuidado e pousou ao lado quando fez uma venda, e que a ele regressou de seguida. Ora batatas! Uma “menina do shopping” a vender livros e a ler o que vende não é normal. E não pude deixar de ir atrás do meu nariz comprido e meter conversa com ela. Não me recordo do título ou autor, mas não esqueço o mais que ela me disse: - “Sabe, gosto de ler por inteiro pelo menos uma obra de cada autor que temos. Que, assim, posso melhor aconselhar os clientes.”
Perfeito, como já é raro de encontrar!

Falta referir que o alfarrabista é a Folio Exemplar, ex-Ulmeiro de boa memória, na Av. do Uruguai, Lisboa, e que a livraria é a “Apolo 70”, no CC Fonte Nova, também em Lisboa. Concorrências? Nada disso, que são produtos e clientes diferentes, excepto algum menos convencional como eu mesmo.