quinta-feira, 3 de abril de 2014

DISCUSSÃO PÚBLICA - Revisão da Proposta do Plano de Pormenor da Zona Envolvente do Mercado de Benfica




(Texto e Imagem de Câmara Municipal de Lisboa)






Informam-se os interessados que a Câmara Municipal de Lisboa, na Reunião de 26 de fevereiro de 2014, deliberou proceder à abertura de um período de discussão pública com 1 sessão pública, da Revisão da Proposta do Plano de Pormenor da Zona Envolvente do Mercado de Benfica


O período de discussão pública decorre de 3 de abril a 7 de maio.

Os interessados poderão consultar a Proposta de Plano e demais documentação, bem como os locais, dias e horas onde terão lugar as sessões públicas neste sítio da internet da CML ou nos locais a seguir identificados: 
- Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL) sito no Picoas Plaza, na Rua do Viriato n.º 13 a n.º 17;
- Centro de Documentação, sito no Edifício Central da CML, no Campo Grande, n.º 25, 1.º F;
- Junta de Freguesia de Benfica sita na Avenida Gomes Pereira, nº 17. 

A formulação de reclamações, observações ou sugestões, deverão ser feitas por escrito, até ao termo do referido período e dirigidas ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, utilizando, para o efeito, o impresso próprio que pode ser obtido nos locais acima referidos ou na página de Urbanismo deste sítio da internet ou, ainda, através do endereço eletrónico dmprgu.dpru.dpt@cm-lisboa.pt."



NOTA:

- Consultar aqui a Proposta de Plano e demais documentação;

- Consultar aqui o impresso próprio para reclamações, observações ou sugestões.













quinta-feira, 27 de março de 2014

“Passarinho-Moni” - O lendário passarinheiro-mor da freguesia de Benfica




Todos os direitos reservados @ Fausto Castelhano, "Retalhos de Bem-Fica" (2014)



(por Fausto Castelhano **)



Cidadão respeitadíssimo e incontornável no seio da comunidade de Benfica, Passarinho-Moni tornou-se, no transcorrer de longos anos de traquejo na sua actividade dominante, insigne mestre na arguta arte de “armar ao ramo”, método eficiente com que lograva caçar alguns pássaros silvestres bastante comuns da fauna estremenha, aves canoras de pequeno porte e que facilmente se adaptavam em ambientes de cativeiro: tentilhões e milheirinhas, verdilhões, lugres e pintassilgos, onde com mais ou menos êxito, poderiam acasalar com canários dando origem a espécies híbridas muito interessantes. 



Debulhadora/enfardadeira movida a vapor e ainda utilizada até aos anos 40/50 do século XX nas freguesias do Termo da Cidade de Lisboa (Foto Wikipédia


A arte de “armar ao ramo”, modalidade outrora bastante difundida nas freguesias do chamado Termo da cidade de Lisboa praticava-se numa época do ano bastante precisa, balizada entre o período final das colheitas de cereais cultivados na região, principalmente trigo e aveia (debulha das espigas/enfardamento da palha) e logo depois, quando caíam as primeiras chuvadas de Setembro/Outubro, ou seja, coincidindo com os trabalhos da “lavra” e a preparação dos solos agrícolas visando as sementeiras de Inverno.


A “lavra” com charrua e junta de bois na preparação dos solos para as sementeiras de Inverno, faina agrícola bastante comum até às décadas de 40/50 do século XX nas freguesias do Termo da Cidade de Lisboa
(Foto Wikipédia


O processo de “armar ao ramo” exigia quatro elementos essenciais: produto pegajoso (visco), pequeno ramo de árvore, hastes fininhas de qualquer arbusto ou caruma de pinheiro e, por fim, um pássaro cantante adequado à função de “chamariz” (tentilhão ou pintassilgo e, ainda, a milheirinha. 
Segundo os entendidos na matéria, o tentilhão e o pintassilgo eram considerados os “chamarizes” por excelência. 
Apenas eram utilizadas dois tipos de “visco” e a sua preparação requeria alguns conhecimentos técnicos sobre o assunto. Assim, recorria-se a pedaços de “sola de Ceilão” que depois de lançados num qualquer recipiente metálico e derretidos em lume brando, convertia-se numa cola bastante eficiente. A outra opção, a arjunça: substância glutinosa extraída por incisão do caule de uma conhecida variedade de cardo, o “cardo do visco” (carlinga gommifera). 
Quanto ao ramo, escolhia-se uma pequena pernada de oliveira e que seria fixada no solo e em local propicio por onde a passarada no seu esvoaçar nas suas rotas, passaria por perto… Previamente besuntadas de visco, as finas hastes seriam colocadas de forma dissimulada por entre a folhagem do ramo com uma tal perspicácia que inadvertidamente quase obrigava os passarinhos a pousar sobre as hastes aderentes.


O “cardo do visco” (carlinga gommifera), variedade de cardo onde por intermédio de incisão no caule se extrai a arjunça, substância glutinosa que se utilizava na caça aos pássaros na especialidade de “armar ao ramo”. 
(Foto Wikipédia


Então, quando a época de Estio se aproximava do fim e os jovens passarinhos saídos da última postura adquiriam total autonomia e voejavam em bando por todo o lado, também chegava o momento do infatigável Passarinho-Moni entrar em frenética actividade. 

-Tocaram o sino do portão, vai lá ver quem é… 
- É p’ra já, mãe!  
- Ah! É o Sr. António… 
- Boa tarde, o pai está?  
- Está, sim, Sr. António. Já dormiu a sesta e agora foi lá p’ra cima. Deve estar na adega ou então, foi medir o leite. O vaqueiro acabou de mungiu as vacas. Venha daí… 
- Boa tarde, Sr. Augusto. Amanhã, bastante cedinho posso “armar ao ramo”? 
- O Sr. António esteja à vontade. Venha sempre que quiser e arme o ramo onde entender.


Ramo de oliveira, visco e chamariz, ou a arte de apanhar pássaros na modalidade “armar ao ramo”
(Foto Wikipédia


A cena repetiu-se durante cerca de dezena e meia de anos. Pois bem, logo que o mês de Setembro assomava, desde o ano já longínquo de 1945 até aos finais da década de 50 do século transacto quando a Quinta do Charquinho (e tantas outras) foi desmantelada devido ao derradeiro alargamento do Cemitério de Benfica em 1959 e, também, à construção dos edifícios do actual Bairro da Quinta do Charquinho, o Sr. António, o inesquecível Passarinho-Moni surgia-nos a tocar o sino da Quinta do Charquinho. 

Passarinho-Moni montava as engenhosas, quão fatídicas armadilhas, tanto na Quinta do Sarmento (Quinta do Bom-Nome) e Quinta do Charquinho, como nas terras um pouco mais afastadas de Alfornelos ou Falagueira e ai, sim! Integrado em pleno cenário campestre, o saudoso Passarinho-Moni sentia-se absolutamente livre que nem passarinho e tornava-se verdadeiramente insuperável na original modalidade de “armar ao ramo” onde exibia em toda a plenitude, a vasta gama de segredos do “métier” e as inexcedíveis performances da sua rara e sagaz habilidade, onde avultava paciência ilimitada, a mesma pachorra incomensurável com que instruiu o meu irmão Carlos Alberto nos mecanismos de tão singular ofício.



O pintassilgo-comum ou apenas pintassilgo (Carduelis carduelis), pequena ave fringilídea, comum em toda a Europa, mais abundante nas zonas central e meridional. É uma residente habitual nas zonas temperadas, mas as populações de latitudes mais altas migram para sul durante o inverno (Wikipédia). 


As hastes embebidas em “visco” seriam assentes de modo científico no ramo de oliveira que se fixava no chão restolhado e, juntinho ao ramo, a gaiola (protegida por mero pano branco) que encobria no seu interior, um dos componentes relevantes do método de “armar ao ramo”, o “chamariz”. Depois, o passarinheiro dissimulava-se por perto e pacientemente aguardava os acontecimentos.



Verdelhão comum (Carduelis Chioris), ave fringilídea de contextura similar ao pardal comum, ave de constituição pesada, corpo compacto, cabeça grande e bico grosso de cor osso. Visto à distância parece somente verde. Visto ao perto, poderemos apreciar as suas cores bastante destacadas (Wikipédia


Decorrido breve espaço de tempo, começava o chilreio mavioso do “chamariz” que de imediato, atraía a passarada ao redor. Um pouco desconfiados, aproximavam-se do “canto de sereia” e respondiam do mesmo modo com os seus chilreios, intrigados com a cantoria d’um pássaro que nem sequer conseguiam lobrigar. 

Então, começava a dança. Revoluteavam num verdadeiro rodopio, empoleiravam-se sobre a gaiola e à volta do ramo e, quando dominadas por extrema curiosidade resolviam pousar nas hastes besuntadas de visgo, as frágeis avezinhas já não conseguiam safar-se. O namorico, instigado pelo canto sedutor do “chamariz” acabava de modo absolutamente atroz… 

Enfim, qualquer tentativa empreendida para se libertarem da ratoeira onde caíram, resultava infrutífera. Quanto mais se debatiam, mais se enrodilhavam no “visco” fatal. 
E pronto, rapidamente apanhados à mão, procedia-se sem perda de tempo, à limpeza cuidadosa das penas, patas, etc. por meio de um pequeno trapinho embebido em petróleo.



O lugre (Carduelis spinus), também conhecido pelo nome de pintassilgo-verde, é um pássaro fringilídeo extremamente acrobático, podendo ser visto muitas vezes, pendurado de cabeça para baixo, enquanto procura alimento nas árvores (Foto Wikipédia


Ao calcorrear as ruas da freguesia de Benfica, Passarinho-Moni parecia-nos que andava sempre atarefado, contudo ao atravessar a Estrada de Benfica, acalmava e nunca ousou pisar as linhas dos carros eléctricos. Prudente, apenas alargava a passada, transpunha os carris…e já está. Saltava para o passeio do lado contrário. Quem assistia, comovia-se com tal cena mas abstinha-se de pronunciar o mais leve murmúrio…



Milheirinha, chamariz, serrazina ou grazina (Serinus serinus) é um pequeno pássaro da família Fringillidae. É muito comum em toda a Europa e encontra-se em jardins, parques e matas de coníferas. A plumagem é malhada de castanho-escuro e amarelo. No Verão, o amarelo intensifica-se e a cabeça fica quase completamente amarela. 
(Foto Wikipédia


E lá ia, ensimesmado ou à conversa consigo mesmo, segurando a gaiola envolta num simples pano branco e que ocultava no seu interior o “chamariz” da sua preferência, tentilhão ou pintassilgo, um dos principais argumentos da artimanha com que almejava levar ao ludíbrio a passarada.



O tentilhão-comum (de tintim, vocativo onomástico) é um pássaro de pequeno porte, com cerca de 15 cm de envergadura da família dos Fringilídeos (Fringilla Coelebs), sedentário, de coloração bastante viva e de canto mavioso. É também denominado batachim, chincho, pincha, pintalhão pardal-de-asa-branca, pimpalhão, pardal-dos-castanheiros, chincalhão, pintarroxo e pimpim. 
(Foto Wikipédia)


Sempre que era abordado, Passarinho-Moni, mostrava-se atencioso e irradiava largo sorriso com certa semelhança ao do antigo actor e cantor francês “Fernandel”
Aceitava encomendas de pessoas amigas ou clientes ocasionais e procedia pessoalmente, às entregas dos pássaros solicitados nas moradas indicadas ou transaccionava o produto do seu intenso labor tanto nas proximidades do mercado de levante da Avenida Grão Vasco como, mais tarde e após a sua inauguração em 19 de Outubro de 1971, junto ao Mercado Municipal de Benfica. 

O inesquecível Passarinho-Moni residiu na Rua dos Arneiros (antiga Travessa dos Arneiros), 27 - 1º andar, D.to e sempre na companhia de seus extremosos pais, o Sr. Eduardo (Funcionário Administrativo no Cemitério Municipal de Benfica) e a Sr.ª D. Adelaide. 
Após o falecimento dos progenitores no início da década de 80 do século anterior, Passarinho-Moni foi recolhido por familiares com domicílio nas proximidades da Praça do Chile. Mais tarde, afectado por problemas de saúde, seria internado numa Casa de Saúde na freguesia de Caneças. 
Por fim e nos finais dos anos 80 do século XX, o cidadão António, o renomado o Passarinho-Moni, retirou-se do nosso convívio tendo sido sepultado no Cemitério de Caneças.



Prédio onde residiu o Sr. António “Passarinheiro”, vulgo Passarinho-Moni, Rua dos Arneiros (antiga Travessa dos Arneiros, 27 - 1ºandar / D.to, freguesia de Benfica. 
(Foto do Arquivo de Fausto Castelhano) 


Entretanto, a arte de “armar ao ramo” desapareceu do panorama territorial das chamadas freguesias do “Termo da cidade de Lisboa” após a demolição das inúmeras e belas herdades de rendimento e lazer ocorridas nas décadas de 40/60 do século transacto e que, avidamente foram devoradas pela gula insaciável da massiva, quão brutal expansão urbanística que tudo abocanhou sem apelo nem agravo. 
Todavia, o célebre “Passarinho Moni” permanecerá para sempre no imaginário colectivo da população local tendo deixado uma imensa e terna saudade em todos quantos tiveram o privilégio de conhecer o expoente máximo dos passarinheiros da freguesia de Benfica e arredores. 






** O autor não respeita as normas do Novo Acordo Ortográfico









terça-feira, 21 de janeiro de 2014

DISCUSSÃO PÚBLICA - Alteração ao Plano de Pormenor do Eixo Urbano Luz Benfica





(texto e imagem de Junta de Freguesia de Benfica)






"A Junta de Freguesia de Benfica e a CML reuniram hoje para discussão da Alteração ao Plano de Pormenor do Eixo Urbano Luz Benfica, tendo a JFB apresentado algumas propostas.

A Proposta de Plano de Pormenor do Eixo Urbano Luz Benfica está em discussão pública de 15 de janeiro a 13 de fevereiro de 2014 e pode ser consultada pelos cidadãos no Serviço de Atendimento da Junta de Freguesia de Benfica ou através do link:


A participação dos cidadãos através da formulação de reclamações, observações ou sugestões, deve ser feita por escrito, até ao termo do referido período e dirigidas ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, utilizando para o efeito, o impresso próprio que pode ser obtido na JFB ou no portal da internet da CML [clicar aqui para obter o formulário].

No próximo dia 3 de Fevereiro a Junta de Freguesia de Benfica e a CML vão promover uma sessão de apresentação e discussão pública deste Plano, onde a população poderá esclarecer dúvidas e colocar questões aos técnicos envolvidos neste projeto. Esta sessão terá lugar no Auditório Carlos Paredes, às 18.30h."





sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Granizo em Benfica... outra vez!




(por Alexandra Carvalho)



Esta manhã, por volta das 8h30, e no espaço de uma hora, caíram duas chuvadas de granizo intenso em Benfica.

Autocarros parados ao nível de São Domingos de Benfica (junto ao Palácio do Beau Séjour), devido ao congestionamento provocado pelo granizo. Bombeiros na Estrada de Benfica, a desentupirem sarjetas (que já deveriam ter sido limpas há muito tempo atrás!)...

Ainda assim, em Abril de 2011, o granizo foi maior!...






Rua Emília das Neves
Fotografia de Alexandra Carvalho (2014)


Av. Grão Vasco
Fotografia de Alexandra Carvalho (2014)


Av. Grão Vasco
Fotografia de Alexandra Carvalho (2014)


Av. Grão Vasco
Fotografia de Alexandra Carvalho (2014)


Alameda Padre Álvaro Proença
Fotografia de Isabel Ramos (2014)


Estrada de Benfica, junto ao Largo Conde do Bonfim (São Domingos de Benfica)
Fotografia de Tiago Custódio (2014)






"Não nevou, mas o granizo deixou zonas da Grande Lisboa cobertas de branco"

Por Marisa Soares, in "PÚBLICO", 17/01/2014 - 09:36


"Lisboa, Oeiras e Cascais foram os concelhos mais afectados pela forte queda de granizo ao início da manhã. Várias zonas da capital ficaram inundadas e o trânsito tornou-se caótico, com vários acidentes. A instabilidade mantém-se durante o dia.

Ainda não foi desta que nevou em Lisboa, mas o granizo que caiu, ao início da manhã desta sexta-feira, um pouco por toda a área metropolitana deixou algumas zonas cobertas por um manto branco. A forte precipitação causou inundações em várias zonas de Lisboa, onde a circulação rodoviária se tornou caótica, com vários acidentes motivados pela existência de lençóis de água nas estradas. Por causa do mau tempo, quase todo o país está sob aviso laranja.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) registou 270 ocorrências, a maioria das quais em Lisboa. Na capital, os Sapadores Bombeiros receberam 11 pedidos de auxílio em 20 minutos, entre as 8h30 e as 8h50, sobretudo na zona de Benfica, devido a inundações. A temperatura baixa e a forte queda de granizo deixaram as estradas na zona de Benfica cobertas por um manto branco de gelo — um cenário parecido com o que se verificou a 29 de Abril de 2011, quando uma tempestade de granizo se abateu sobre a cidade, como se de um nevão se tratasse. Ao PÚBLICO, nesta sexta-feira, chegaram relatos de leitores sobre inundações e estradas cortadas também em Telheiras, bem como sobre queda intensa de granizo na margem Sul do Tejo, no concelho de Sesimbra.

Fonte do gabinete de Relações Públicas do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP adiantou que o trânsito está a fazer-se com grande dificuldade particularmente nas zonas baixas da cidade, que são mais propícias a cheias. 
(...)

A forte precipitação deu origem à formação de lençóis de água nas zonas mais baixas, levando à ocorrência de vários acidentes e despistes, sobretudo com motociclos, e todos eles com feridos, segundo a PSP. Há registo de um despiste de motociclo na Segunda Circular, no sentido Benfica-Aeroporto, junto à Escola Superior de Comunicação Social. Também no IC19 ocorreu um acidente na zona do Estado Maior da Força Aérea, que condicionou fortemente o trânsito. Para piorar, a circulação de comboios na Linha de Sintra esteve interrompida temporariamente esta manhã devido à queda mortal de um homem, com cerca de 70 anos, na linha do comboio. 
(...)

Quem optou por circular nos autocarros da Carris não teve melhor sorte. A acumulação de granizo impediu a circulação dos autocarros, sobretudo na Estrada de Benfica, junto ao Largo do Conde de Bonfim, afectando as carreiras 716, 746, 754, 758 e 768. Segundo a empresa, foi necessária a intervenção dos bombeiros e a situação mantinha-se às 10h30, gerando perturbações no serviço da Carris noutras zonas de Lisboa.

Em comunicado, a transportadora informa que as fortes chuvadas provocaram também interrupções da circulação, designadamente em Alcântara e Junqueira, obrigando à suspensão temporária da circulação de eléctricos. "O temporal provocou, ainda, avarias nos semáforos, com consequências no congestionamento da circulação", acrescenta.

(...)

Na quinta-feira, a ANPC resolveu subir para amarelo o nível de alerta para todos os distritos de Portugal continental, entre as 20h desta quinta-feira e o meio-dia de sábado. Em comunicado, alertou para a possibilidade de queda de neve na serra do Gerês, Montesinho, Alvão, Montemuro e Estrela com maior intensidade entre a meia-noite desta quinta-feira e as 20h de sábado.

A ANPC prevê também, para o litoral Norte e Centro (entre as 0h e as 9h de sexta-feira) e para o Sul (entre as 9h e as 20h) precipitação intensa acompanhada de granizo, rajadas fortes de vento que podem variar entre os 60 quilómetros por hora (Km/h) e os 100 Km/h. "É expectável a ocorrência de fenómenos extremos de vento", sublinha.

Por sua vez, o IPMA colocou quase todo o país em aviso laranja, que pressupõe uma situação meteorológica de risco moderado a elevado. Faro, Beja, Setúbal, Lisboa e Leiria estão sob aviso laranja quer devido à forte precipitação quer devido à forte agitação marítima. O IPMA prevê "aguaceiros por vezes fortes e de granizo acompanhados de trovoada com possibilidade de ocorrência de fenómenos extremos de vento", durante todo o dia e até ao início de sábado.

As actividades no mar são fortemente desaconselhadas, tendo em conta a previsão de ondas de noroeste até seis metros, ou até sete metros no sábado de manhã. Toda a costa está sob aviso laranja.

Os distritos que não estão "pintados" de laranja — Portalegre, Viseu, Vila Real e Bragança — estão a amarelo, que representa risco para determinadas actividades dependentes das condições meteorológicas."





sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

(Re)Calcetar a Rua com Tricot






(por Alexandra Carvalho)




Sete Rios, saída do Metro 
Fotografia de neoFOFO (2013)



De quando em vez, somos surpreendidos por coisas (bem) bonitas, feitas por gente que gosta de embelezar a cidade em que vive (para si e para os Outros)... 
Gente que toma parte do seu tempo para dedicar a projectos de intervenção urbana na cidade, que não se resumem (apenas) a graffitis.

O neoFOFO é um desses projectos, que pretende, também, alertar para o mau estado da calçada portuguesa.

Patrícia Simões, uma das autoras do projecto, conta-nos que:
 "(...) em Benfica uma velhinha meteu conversa comigo, sem saber que era eu, e disse-me que os passeios ficaram giros e coloridos. Aconselhou-me a percorrer a Estrada de Benfica para ver mais calçada fofa."




Estrada de Benfica, 261 (paragem da Carris)
Fotografia de neoFOFO (2013)


Artigo "Calcetar a Rua com Novelos de Lã" - Jornal i, 02/01/14
Fotografia de neoFOFO (2013)




"Calcetar a Rua com Novelos de Lã" (Jornal i, 02/01/14)
Por Ágata Xavier


'Lisboa anda mais fofa desde as últimas eleições autárquicas e não é por causadas medidas implementadas. Há uma dupla de calceteiros que anda a dar cor à dicromática,e esburacada, calçada lusa.

No livro "Arranca-Corações", o escritor Boris Vian conta a história de uma mãe obcecada pela segurança dos filhos. Entre as várias estratégias para evitar que os trigémeos Joel, Noel e Citroën, se magoem nas quedas típicas da infância, Clémentine, a mãe, pondera alcatifar todo o jardim. Quem anda por Lisboa pode deparar-se com um cenário parecido, mas menos radical: pequenos quadrados de lã tricotada a cobrir os espaços que faltam da calçada portuguesa.

Por trás da ideia, que alerta para o mau estado do pavimento ao mesmo tempo que lhe dá cor, está a dupla formada por Patrícia Simões, arquitecta urbanística de 29 anos - responsável pela marca de granola portuguesa "doSEMENTE" -, e Tiago Custódio, um ano mais velho, que trabalha numa editora de livros. "Eu já tinha tido a ideia de colar corações tricotados em espaços públicos mas não quis que fosse em árvores, nem em bancos de jardim, porque disso já se vê muito", conta Patrícia. Este fenómeno de espalhar tricot, crochet ou outros materiais manufacturados é conhecido por yarnbombing, uma forma de arte urbana.

Por altura das últimas eleições autárquicas, o muro por onde Patrícia passa diariamente há várias anos, na Estrada de Benfica, foi pintado de cinzento. "Coloquei uma fotografia no Instagram onde lamentava ter perdido as frases que estavam escritas nessa parede, frases essas que, durante muito tempo, me acompanharam. Recebi de imediato respostas de amigos a perguntar se não estaria aqui a oportunidade de começar a colar os corações em espaços públicos", explica a jovem.

Foi nesta altura que o Tiago a contactou e o neoFOFO começou a tomar forma. "O Tiago estava a passear e ligou-me porque tinha visto uma falha na calçada que lembrava mesmo um coração. Nesse momento, a ideia de pormos a lã no chão, ao invés de em paredes ou árvores, pareceu-nos a melhor e, depois de vermos qual era a melhor técnica, passámos à acção", revela Patrícia.

"Começámos por colocar as peças à noite, mas, como isto implica martelar, acabávamos por fazer algum barulho. Por isso, passámos a fazê-lo de dia - e tem sido mais engraçado, porque assim conseguimos ver logo a reacção das pessoas. Há muitas que nos perguntam o que é que estamos a fazer e porquê", contam. E continuam: "Neste momento já temos 15 peças espalhadas por Lisboa e estamos a colocar essa informação num mapa que está disponível na nossa página do Facebook." Até agora a dupla tem recriado a calçada em falta nas zonas de Benfica, Belém, Chiado e Pena. Tiago aproveitou a época festiva para calcetar Almancil, de onde é natural, e espera conseguir alargar a sua calçada fofa a mais localidades.

Os quadrados de lã são tricotados por Patrícia e colados por Tiago num cubo de madeira. Esse cubo é depois preso ao chão com a ajuda de um prego. "Nós não tiramos pedras da calçada para colocar as nossas, preenchemos os buracos que já existem", explicam. "Algumas duram uns dias, outras poucas horas. Gostávamos muito de saber o que fazem as pessoas com as nossas peças. É por isso que vamos passar a assinar #neoFOFO. Assim, quem as levar pode procurar por esta referência nas redes sociais e, quem sabe, partilhar connosco o destino das pedras", dizem os autores.

A dupla de arte urbana revela que remendar a calçada que as pessoas levam está fora de questão. "Seria estranho, não pensamos nisso assim. É feito para durar o que tiver de durar, é uma característica da arte efémera", conclui Patrícia.'




Estação Ferroviária de Sete Rios
Fotografia de neoFOFO (2013)


Fotografia de neoFOFO (2013)




Podem consultar aqui o mapa de locais onde o neoFOFO já deixou a sua marca e ir acompanhando este interessante projecto.

Consultar aqui o artigo no P3.