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domingo, 31 de janeiro de 2010

Janelas de Benfica - V








Para o Pedro e o António Lobo Antunes Nolasco
e, também, para o Francisco Cannas Simões,

com um sincero e profundo agradecimento

por todo o auxílio que nos têm estado a dar!








De acordo com a nova toponímia, passou a ser o Nº 38 A da Rua Ernesto da Silva; mas, outrora, foi o Nº 3 da Calçada do Tojal, onde viveu a família Lobo Antunes, até a casa ser vendida a particulares nos anos 70.
Aparentemente, encontra-se ao abandono, com material de construção civil junto à entrada.

Um pouco mais abaixo, a casa dos Serpa foi, recentemente, demolida, encontrando-se um imenso terreno vazio, certamente, a aguardar que seja construído mais um prédio na nossa freguesia.







quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Vestígios do Natal - 2






Estrada de Benfica
(junto ao Restaurante "Edmundo")






sábado, 1 de agosto de 2009

Janelas de Benfica - IV




A beleza de cada novo dia...



Tinha o cabelo, caído pelos ombros, de uma alvura profunda… e 70 e muitos anos.

Todas as manhãs abria a janela da sua cozinha e ficava por alguns instantes a perscrutar o horizonte, com um ar muito sereno, como se estivesse a admirar a beleza de cada novo dia que se iniciava.

Por vezes, quando olhava na direcção da minha janela, esboçava um sorriso e voltava a perder o seu olhar no infinito.

Passados largos meses, ela nunca mais apareceu àquela janela, que se passou apenas a abrir para uma outra senhora de bata –mais jovem- estender a roupa.

No ano seguinte, começou a aparecer mais roupa estendida à janela... e o som de risos de crianças.






Os prédios em que habitamos são como as pessoas, na sua longa existência...

As próprias pessoas vão transformando os prédios naquilo que eles são, ou que não são.
E a verdade é que os prédios vão sofrendo diversas e sucessivas fases, consoante os seus habitantes se vão regenerando.






sexta-feira, 29 de maio de 2009

Janelas de Benfica - III




(por Alexandra Carvalho)






Nos tempos áureos da fotografia analógica, ter o rosto impresso em formato A5 papel brilhante no escaparate promocional da varanda do 1º andar esquerdo do Nº 6 da Rua Cláudio Nunes, era , sem dúvida alguma, o supra sumo da vida de qualquer criança nascida na década de 70.

Nesse andar funcionava (e penso que ainda funciona, mas com menos frequência) a "Foto - Águia de Ouro", uma verdadeira "instituição" na freguesia de Benfica, onde todas as crianças eram religiosamente levadas, em particular, pelos seus avós, para tirarem aquelas fotografias da praxe na época dos baptizados, aniversários, comunhões solenes, crismas e outros eventos que tais.

Recordo-me que, na minha família, essa tradição de perpetuar em formato papel as nossas memórias chegou ao cúmulo de, todos os anos, por altura do meu aniversário e do meu irmão, termos que visitar a "Foto - Águia de Ouro", para irmos "tirar o retrato".

A tradição, neste contexto específico, assumiu, assim, durante anos a fio, o travo de uma agonizante e amarga experiência, uma vez que nenhum dos dois gostava de ser fotografado... Em especial quando nos pediam, insistentemente, para que colocássemos a cabeça nesta ou naquela posição, e esboçássemos o sorriso idealmente perfeito (de acordo com os parâmetros da senhora de meia idade, cabelo alvo e sorriso extremo, que nos fazia permanecer minutos a fio estáticos em frente ao enorme chapéu-de-chuva prateado de onde saía o flash que nos encandeava os olhos).




Depois tínhamos que aguardar uma semana inteira para que saíssem as provas das fotografias, correndo o risco de termos que repetir semelhante experiência, caso tivéssemos ficado a "fazer boquinhas", como a tal senhora costumava dizer, ou o sorriso não estivesse em condições... e a fotografia não pudesse, dessa forma, ser exposta na varanda da loja, a todos os vizinhos e transeuntes que por ali passassem.

Resta dizer que, apesar de, actualmente, considerar que esta tradição familiar foi bastante interessante como conceito (já que, ao fim de um certo tempo, dava para irmos verificando as nossas transformações físicas, através de todos os retratos tirados), o facto é que a ela e à
"Foto - Águia de Ouro" se ficou a dever o meu completo desagrado em ser, hoje em dia, fotografada.

Apesar disso, relembro com muito carinho a atenção e interesse que já nessa altura sentia por toda a parafernália de equipamento técnico que a arte da Fotografia envolvia: de entre os quais destaco os infindáveis fundos matizados, que se escondiam por detrás de um exímio sistema de estore articulado, que a senhora manejava sempre com enorme perícia, perante o nosso olhar incrédulo.

Esta tarde, quando passei em frente à varanda do 1º andar da "Foto - Águia de Ouro", ao ver aquelas 8 fotografias de crianças, desvanecidas pelo sol, senti uma réstia de saudade por esses outros tempos, pela sensação de ansiedade com que ficávamos a aguardar, durante quase uma semana, pela visualização de uma simples fotografia.





segunda-feira, 13 de abril de 2009

Janelas de Benfica - II





"Um gato, em casa sozinho,
sobe à janela para que, da rua, o vejam.

O sol bate nos vidros e
aquece o gato que, imóvel,
parece um objecto.

Fica assim para que o
invejem - indiferente
mesmo que o chamem.

Por não sei que previlégio,
os gatos conhecem a
eternidade."


Nuno Judíce









Desde bebé que aquele Skogkatt ali permanecia todas as tardes, à janela, espraiando-se aos raios de sol e mirando os transeuntes que por ali passavam.

Na janela daquela cozinha térrea, o gato era admirado por todos os que passavam.



Outros gatos à janela, aqui.






segunda-feira, 2 de março de 2009

Janelas de Benfica - I








Tenho um fraquinho por janelas, devo confessar!...

E esta, no nº 576 da Estrada de Benfica, chama-me sempre a atenção, quando por ali passo.

As flores artificiais de plástico conferem-lhe um ar kitsch quanto baste, apesar de tudo, acabam por a transformar numa janela alegre, para a qual até nos dá um certo gosto olhar.

Por detrás da janela, no interior, de cada um dos seus lados, dois pequenos bancos ordenadamente colocados, fazem com que os meus pensamentos devaneiem sempre sobre os rostos de quem nelas se sentará, nas tardes soalheiras.

Gosto de janelas que nos deixam vislumbrar pequenos momentos de uma vida alheia, como se se tratasse de uma tela onde o nosso lirismo tudo pode inscrever.