
Abre-se a janela das traseiras e somos violentamente submersos por uma estranha claustrofobia, que nos invade face ao peso que a modernidade e alguns "arranha-céus" de 12 ou mais andares ali instalaram.

Nas traseiras da Rua Cláudio Nunes, a
casa do "americano" ainda por ali subsiste, isolada e vazia, como que teimando em fazer frente aos novos valores que imperam.

Por entre os seus quintais e logradouros, confluentes com a (nova) Rua Jorge Barradas, onde outrora existia a Quinta do Tojal, apenas subsiste agora mato... e, ao longe, a
Igreja de Benfica.
Lembro-me, ainda, de em miúda passear com a minha mãe e o meu irmão por uma estrada de terra batida, ladeada por papoilas de um vermelho intenso. Alguns metros à frente, parávamos e ficávamos a olhar para o outro lado, para a janela da cozinha dos nossos avós. Por vezes, eles apareciam à janela e acenávamos (nessa altura, ainda não existiam os telemóveis; e, contudo, a comunicação parecia muito mais livre de constrangimentos e mal entendidos!).
Muitos anos mais tarde, a estrada velha das papoilas desapareceria, dando lugar à Rua Jorge Barradas.
A vista para a janela da cozinha dos meus avós desapareceu também, dando lugar a esse sentimento claustrofóbico sempre que agora os visito e me sinto cercada por prédios altaneiros que tentam obliviar um passado há muito esquecido.


Do outro lado, por entre os destroços de uma serralharia que persiste em funcionar num local inusitado, subsistem ainda três blocos de habitações antigas, provavelmente, vestígios daquela que foi a Quinta do Tojal.