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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Passeio por Benfica




O olhar externo de JCDuarte, num passeio matinal pela nossa Benfica...




"Aos Domingos"


Fotografia de JCDuarte



Aos domingos é assim:

... Um corropio em roda do quiosque, uns em busca do diário, outros do semanal, outros ainda só para ler as gordas, os mais novos pelas BD, os já mais velhinhos pela revista da especialidade, alguns pelas colecções que fazem vender jornais. E, claro, de quase todas as idades ou géneros, por um macinho de cigarros.
Depois, já com o negócio feito, vão em busca da ou do consorte, que ficou mais atrás na fila do pão quentinho, ou vão gastar o resto da manhã de ócio na esplanada do Café Nilo.
Aos domingos, de manhã, é assim no largo fronteiro à Igreja de Benfica.
Aos domingos e nos outros dias também!




"E tinham?"



Fotografia de JCDuarte



Tinham pois! Tal como tinham pastéis de nata, mil folhas, bolos de arroz e outros do costume. Tal como tinham rissóis, croquetes, merendinhas e demais salgados.
Mas também tinham Éclaires. E tinham Duchesses. E tinham rins. E tinham delícias de morango. E tinham frutos de massa-pão e amêndoa. E tinham pirâmides de chocolate. E tinham suspiros. E tinham…
Por mim… Por mim deliciei-me e lambuzei-me com um Babá comido à garfada, acompanhado com um café cheio (assim tipo banheira, está a ver?).

Na pastelaria "Bola de Mel", ali na Av. Do Uruguai, olham de lado os estranhos que entram. E entenda-se por estranho aquele que lá entra a primeira vez e tem um aspecto incomum. Mas à terceira investida, ou entrada, já nos saúdam com um sorriso que, em não o sendo, nos faz sentir como que em casa.

E este aviso à porta é mesmo para atrair os que não da casa. Porque esta avenida, entre a Estrada de Benfica e o Colombo, tem vida própria, com comércio diversificado e gente que usa os cafés ou pastelarias como que um prolongamento de suas casas ou locais de trabalho. E, em havendo bom tempo, as esplanadas marcam a sua presença e fazem a diferença. Diferença no movimento de caixa e diferença na clientela. Que divertido e interessante é constatar como as idades, os vestuários, os animais de companhia e os consumos variam de uma esplanada para outra, passeio acima ou mesmo em frente, em cruzando a avenida.

Transformar estas ruas e bairros, com características e vidas endógenas em franshisings, construções atípicas e vivências estereotipadas é destruir o que somos (de bom e de mau) e negar a nossa própria história, recente ou distante.
Porque aqui, na Av. Do Uruguai, em Benfica, temos. De tudo um pouco.



Textos de JCDuarte