segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Convento de Santo António da Convalescença





"Convento de Santo António da Convalescença" (s/ data),
E duardo Portugal, in Arquivo Municipal de Lisboa





O Convento de Santo António da Convalescença foi fundado em 1640, mas só em 1650 nele teriam entrado os primeiros religiosos.




"Convento de Santo António da Convalescença, à esquerda" (27/09/1953),
Fernando Martinez Pozal, in Arquivo Municipal de Lisboa





Construído no local chamado da Cruz da Pedra, serviu durante muitos anos de hospício a religiosos enfermos que, depois de curados na enfermaria do Convento de Santo António dos Capuchos, ali se recolhiam para convalescerem, sempre assistidos por outros religiosos.

A Igreja do Convento servia também de Panteão da Família Sousa Coutinho, quando, em 1755, foi arrasada pelo Terramoto.
Reconstruída após o terramoto, viria a ser demolida já no século XX.



"Convento de Santo António da Convalescença, fachada principal" (1968),
Armando Serôdio, in Arquivo Municipal de Lisboa





Uma das particularidades deste edifício prende-se com o facto do corpo principal do mesmo ser forrado a azulejos distintos dos das suas duas laterais, o que lhe confere uma certa originalidade.

De salientar que a grande maioria destes azulejos encontram-se em perfeito estado de conservação, o que se vem tornando muito raro em Lisboa.



"Frades de pedra, pertencem ao Convento de Santo António da Convalescença" (27/09/1953),
Fernando Martinez Pozal, in Arquivo Municipal de Lisboa




Neste antigo Convento estiveram instaladas duas escolas: a Escola Técnica Elementar de Pedro de Santarém e a Escola Preparatória Professor Delfim Santos.

Hoje encontra-se aí instalada a Universidade Internacional.






- O Chafariz das Águas Boas ou da Convalescença -







A rainha Dª. Maria I requereu, através de provisão de 12 de Dezembro de 1791, que os directores da Real Obra das Águas Livres estudassem as nascentes que poderiam vir a abastecer chafarizes nas estradas da Convalescença (actual Estrada de Benfica) e das Laranjeiras (uma vez que os moradores dessa zona já, por diversas vezes, tinham pedido à Direcção da Real Obra a construção de chafarizes ou fontes nestes locais).

O Chafariz das Águas Boas ou de Santo António da Convalescença só viria a ficar concluído no início do século XIX, em 1817.



"Chafariz de Santo António da Convalescença" (1968),
Armando Serôdio, in Arquivo Municipal de Lisboa





Situado numa meia-laranja frente à fachada do Convento de Santo António da Convalescença, o seu encanamento vinha desde São Domingos de Benfica encostado ao muro da Quinta da Senhora Infanta Dª. Isabel Maria.
Este encanamento entupia-se inúmeras vezes por causa das raízes.



"Chafariz de Santo António da Convalescença" (1960),
Arnaldo Madureira, in Arquivo Municipal de Lisboa



Na sua fachada destaca-se a seguinte inscrição: 'Real obra de Agoas Livres. Anno de 1817', sobrepujada pelo escudo das armas de D. João VI, encimado pela coroa real. Por sua vez, no plano superior do tanque do chafariz distingue-se um pequeno nicho com uma sanefa e laço central que se desenvolve até às 2 bicas.





Trata-se de uma peça de grande originalidade e individualidade relativamente às restantes estruturas das Águas Livres, sendo possível filiá-lo numa tipologia devida a Carlos Mardel que reúne de forma única o neoclássico da época, o barroco romano e o rocaille decorativo francês.









Bibliografia consultada:

Diversos, Convento de Santo António da Convalescença, in Lisboa: Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica. A. 2, nº 5 (DEZ. 1989), p. 23-24 : il.

Website do Projecto "Revelar Lx"

FLORES, Alexandre M. - Chafarizes de Lisboa. Lisboa : Inapa. 1999.








4 comentários:

Julio Amorim disse...

Agradecido Alexa....lá ficamos a saber mais alguma coisa :-)

Alexa disse...

Não precisa agradecer, Júlio.

Brevemente deixarei aqui mais um pedido de ajuda "Em busca de...", locais que desconheço e me intrigam em Benfica.
Pode ser que algum leitor mais antigo ou que conheça a freguesia há mais tempo os conheça.

Um abraço

fausto castelhano disse...

Claro, aí mesmo! Tenho os cartões de identidade da Escola, creio que os postais das notas e o nome de todos os professores da década de 50 do século XX. Andei por lá, faz pouco tempo a revisitar! Atenção, a escola também era frequentada por meninas mas, em turmas separadas. Acho quando virem a minha foto quando andava no 1º ano, vão ficar intrigados! Será mesmo o Fausto Castelhano?

Miguel Santos disse...

Por acaso e este nome também usado para designar o bairro mais moderno, de ambos os lados da rua padre Francisco Álvares? E mesmo ao lado deste chafariz...