sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Castelinhos das Portas da Amadora (?)




(por Alexandra Carvalho)



Ontem à tarde, fui contactada por uma jornalista do "Jornal de Notícias" (que tem acompanhado a luta do nosso Movimento de Cidadãos pela preservação da Vila Ana e da Vila Ventura), indagando-me sobre o que eu pensava a propósito da nova configuração estilo "ilha" dos Castelinhos das Portas de Benfica.

Conversa vai... e a jornalista interroga-me sobre se não haveria em Benfica algum outro movimento de cidadãos, a lutar pela defesa das Portas de Benfica, já que, segundo ela, não se sabia muito bem se os Castelinhos pertenceriam à Amadora ou a Lisboa, uma vez que ambas as Câmaras Municipais reclamam como seu este património (havendo mesmo uma placa sinalética junto a um dos edifícios, assinalando a chegada à cidade da Amadora).

Na ausência do Prof. Carlos Consiglieri (reconhecido olissipógrafo que tem trabalhado sobre a freguesia de Benfica, entre outros assuntos), transmiti-lhe o contacto do nosso amigo e redactor deste blog, Fausto Castelhano, conhecedor acérrimo da história da nossa freguesia.

E eis a reportagem realizada pela Telma Roque no “JN” de hoje (ler aqui).



Fotografia de Rodrigo Cabrita/Global Imagens

[clicar na imagem para ler a reportagem]



Pensamos, muito logicamente, que não existe um movimento de cidadãos a lutar pelos Castelinhos das Portas de Benfica, uma vez que estes sempre foram e serão pertença da freguesia de Benfica e da cidade de Lisboa... pelo que, até à presente data, nenhum cidadão considerou avançar para uma iniciativa cívica desse género.

No "Retalhos de Bem-Fica", enquanto blog comunitário que divulga o Passado e Presente da nossa freguesia, partilhamos, na íntegra, a afirmação de Fausto Castelhano, ao dizer que as pretensões da Câmara Municipal da Amadora sobre os Castelinhos das Portas de Benfica são absurdas.

Senão vejamos…

No século XVIII, praticamente todo o concelho da (futura) Amadora pertencia à freguesia de Benfica.
Tendo o actual território da Amadora nascido da divisão da antiga freguesia de Benfica, cortada pela Estrada da Circunvalação aquando da redefinição dos limites de Lisboa, em 1885-1886.
A Amadora constituiu-se em torno do lugar da Porcalhota, tendo o município sido criado a 11 de Setembro de 1979.

Em Julho de 1885, a freguesia de Benfica foi incorporada na cidade de Lisboa (fazendo, anteriormente, parte do concelho de Belém).
Em 1886, no final da Estrada foram construídas as Portas de Benfica, marcando a fronteira da entrada na cidade de Lisboa.
Para além das Portas de Benfica, no século XIX, existiam outras 25 entradas na cidade de Lisboa

As Portas de Benfica integravam um sistema de controlo das entradas de mercadorias na cidade e de cobrança do imposto designado por Real da Água. Sendo às Portas de Benfica que se efectuava a pesagem dos produtos que entravam na cidade, servindo este edifício como ponto de apoio para a cobrança do imposto atribuído à entrada de mercadorias em Lisboa.

Os Castelinhos das Portas de Benfica foram Posto Fiscal e Delegação das Alfândegas de Lisboa. Em 1996 estavam quase em ruínas, sendo propriedade do Ministério das Finanças.
No edifício sul das Portas de Benfica instalaram-se, em 1997, a Orquestra Ligeira de Benfica e a sede da Associação da Comunidade de São Tomé e Príncipe.
No edifício norte funciona desde 2001 o Centro de Informação "Em Cada Rosto Igualdade" (inicialmente a cargo da Organização Internacional para as Migrações e, actualmente, da Junta de Freguesia de Benfica).

Foi, precisamente, neste Centro de Informação que tive ocasião de trabalhar, aquando da sua abertura ao público, em 2001. E posso reiterar aqui, publicamente, que, nessa altura, a Câmara Municipal da Amadora não tinha ainda pretensões sobre este património, uma vez que era sabido em termos geográfico-políticos que os Castelinhos pertenciam à freguesia de Benfica, sendo apenas o parque de estacionamento nas traseiras pertença da Amadora.

As Portas de Benfica foram dos poucos edifícios que sobreviveram à urbanização desenfreada e desorganizada da zona envolvente. Apesar de, actualmente, terem sido descaracterizados devido à re-organização urbanística envolvente, que adveio da construção da famigerada CRIL.

O que nós, redactores do "Retalhos de Bem-Fica", fregueses de Benfica, consideramos inaceitável é que, motivados por essas mesmas alterações viárias, outros venham agora tentar sequer usurpar o nosso património!!
Os Castelinhos das Portas de Benfica são uma das últimas entradas que restam, do século XIX, na cidade de Lisboa... e não o inverso (ou a sua própria nomeação seria diferente)!




(actualização por Fausto Castelhano)


Fui lá ver!

Por enquanto, as placas indicativas de "Património Municipal" que, presumo, sejam do Município de Lisboa. Mas, se assim não é, a Câmara Municipal da Amadora já conspurcou os próprios edifícios das Portas de Benfica. Como? Afixou no Castelinho do lado esquerdo, uma placa indicativa da Rua Elias Garcia - Município da Amadora, que sempre teve o seu início para lá das Portas.



Fotografia de Fausto Castelhano (2010)



Quanto ao marco quilométrico, não dei com ele mas, tenho bem presente que ele existia mas, para lá das portas e do lado direito, no início da Rua Elias Garcia.



Fotografia de Alexandra Carvalho (2008)



Quanto às obras de pavimentação ao redor do edifício, julgo que é a Câmara Municipal da Amadora ou, então, Estradas de Portugal e no âmbito da conclusão da CRIL, estarão a efectuar esses trabalhos. O melhor será averiguar.
Quanto ao edifício do lado direito, continua afixado a placa da Associação dos naturais de São Tomé com o patrocínio da Junta de Freguesia de Benfica.



Fotografia de Fausto Castelhano (2010)









11 comentários:

Carlos Ferreira disse...

Não tendo o conhecimento do Amigo Fausto,mas devo dizer que já moro em benfica à 45 ano e sempre me lembro de as Partas de Benfica serem da Freguesia de Benfica .

Helena disse...

gostei muito, aliás gosto sempre muito de ler os recados sobre a nossa terra, sempre importantes, sempre em cima do acontecimento ;)

beijos e abraços do far oeste
<:)

Ana Vassalo disse...

Fico espantada com as novidades que vão surgindo no panorama nacional, dia atrás de dia! Pois então se as Portas de Benfica mais não são que as PORTAS DA CIDADE (de LISBOA) no lugar de Benfica, qual a dúvida que subsiste? É que a cidade tinha a sua muralha (defensiva), não é? E nela, tinha naturalmente as suas portas de acesso...
Olha se a Espanha lhe dá para pensar como a Amadora, nos locais fronteiriços, hem? Estamos tramados!
Mais uma vez, belíssimo trabalho informativo, Xana. Pena que algumas notícias sejam deste teor, enfim.

Fausto disse...

E o pior, é que a Câmara Municipal da Amadora já conspurcou o edifício do lado esquerdo das Portas de Benfica com a placa indicativa da Rua Elias Garcia. Vão lá ver! E a Câmara Municipal de Lisboa e a própria Junta de Freguesia de Benfica ficam quedas e mudas p'ra não levantar ondas com o Raposo?
O Concelho de Oeiras e, mais tarde, o Concelho da Amadora, só começavam para lá do talude, uma estrutura elevada em relação a Estrada Militar (ou da Circunvalação) e que funcionava como uma barreira defensiva da cidade de Lsboa. Foi assim que sempre a conheci e já lá vão mais de 70 anos!

César Ramos disse...

Boa tarde,

Vamos lá tentar perceber a ideia da Amadora.É que não tem lógica nenhuma!...espírito açambarcador do sr. Raposo?

Sendo a 'invasão' de fora de Lisboa, sem ofensa, aquelas pretensões não passam de esperteza saloia!!

Mas, se quiserem dar uma de beneméritos e restaurarem aquilo tudo - que bem precisa -, Benfica e Lisboa agradecem!

Ah!... e que tirem de lá a tal placa da Elias Garcia!

Cumprimentos.

Alexa disse...

Caros Amigos,

É que não tem mesmo lógica nenhuma a da "ideia peregrina" da C.M. Amadora... senão a de usurparem património alheio, ainda para mais com falsas justificações.

Também não compreendo de todo quando dizem na reportagem que já recuperaram um dos Castelinhos... é porque o Castelo Norte, onde funciona o Centro de Informação, foi recuperado pela Junta de Freguesia de Benfica (ainda no tempo do Dr. Fernando Saraiva como Presidente)... e, se a C.M. Amadora se referia à recuperação do Castelinho Sul, então, deveriam lá ir confirmar melhor o "belo" (ao contrário) estado em que ele se encontra!!!

Penso que, mais do que lutar pela defesa de património que já nos pertence (dando azo a que outros possam assumir que há hipóteses de que aquele património não seja nosso), devemos, isso sim, divulgar junto dos fregueses de Benfica, para que juntos possamos sensibilizar/pressionar a C.M.Lisboa para chegar a entendimento rápido com a C.M.Amadora e acabar com este imbróglio/usurpação que para aqui andam!!!

O que eu gostava mesmo muito de saber é onde é que pára o marco quilométrico, a que o Fausto se referiu na actualização deste post.
Vai-se a ver e, também, mudou de localização, como a placa toponímica que avançou não sei quantos metros para dentro da nossa freguesia.

Anónimo disse...

Nasci e vivo em Benfica há 60 anos.
Sempre ouvi que um castelinho era de Benfica e o outro da Amadora, e, lembro-me de há vinte anos os castelinhos serem pintados, cada um de sua cor!

Fausto disse...

A placa da Rua Elias Garcia, afixada pela Câmara Municipal da Amadora deve ser, imediatamente, retirada do edifício das Portas de Benfica. Do que é que a Câmara Municipal de Lisboa e da própria Junta de Freguesia de Benfica, estão à espera?

DOMINGOS ESTANISLAU disse...

Não brinquem com o que é sério. Não apaguem a história da cidade de LISBOA. Os castelinhos são um marco histórico e é pertença de LISBOA. O senhor Vereador da CÂMARA DA AMADORA pelos vistos não conhece os limites do seu concelho e as suas afirmações denotam uma falta de ética e de cultura. Gabriel Oliveira perdeu uma boa oportunidade para estar calado. Sem dúvida alguma que os Castelinhos são pertença de LISBOA, senhor vereador. Foi sempre a CML que tratou e preservou aqueles edificios, através da Junta de Freguesia de Benfica, não é por acaso que se chama Portas de Benfica e não Portas da Venda Nova. Se for preciso cria-se um Movimento em Benfica para defender aquele Património que de alguma forma faz parte da história e cultura da Capital.

Alexa disse...

Caro/a Anónimo/a de 30 de Outubro de 2010 06:06,
Essa de cada um dos castelinhos pertencer à Amadora e a Lisboa, também é a primeira vez que a estou a ouvir!...


Amigo Fausto,
O problema não é só essa placa toponímica, mas também as 2 outras placas sinaléticas que se encontram em território lisboeta, há já longos anos.
E quem é que permitiu que lá fossem colocadas? Parece-me que a culpa nesta contenda não advém apenas dos impropérios lançados pelo Vereador da Amadora, mas também em quem calou e consentiu que ali fossem colocadas essas placas.


Amigo Lau,
Já agora, se estão numa onda de criar mais Movimentos, não esquecer, também, pff. o Chafariz de Benfica e o mísero estado a que tem sido votado pelos nossos autarcas.
Ou por esse monumento não vale a pena lutar?!!!

domingos estanislau disse...

Minha cara Alexandra,
Concordo plenamente consigo. É evidente que o chafariz também devia ou melhor, deve merecer a atenção dos autarcas. Já agora junto ao chafariz, não sei se a Alexandra sabe, existe um marco que assinala a distância quilométrica para Lisboa. Mais uma razão para aquele local ser devidamente preservado e melhorado.