terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tabernas, Tascas e Casas de Pasto na Freguesia de Benfica (2)




Todos os direitos reservados @ Fausto Castelhano, "Retalhos de Bem-Fica" (2010)




Ler aqui o Capítulo 1



(Capítulo 2)

Por Fausto Castelhano



A pausa terminou! Aprontemo-nos, há muito caminho a palmilhar. Para já, seguimos rentes ao gradeamento em ferro do estupendo palacete do Visconde Sanches de Baena, cuja demolição foi, com efeito, um violento atentado ao património histórico da Freguesia de Benfica. Logo à frente, mais ou menos a meio do trajecto que dista entre o final deste edifício e a esquina da Avenida Gomes Pereira, encontramos o prédio da Junta de Freguesia de Benfica, já arrasado e substituído por mais um prédio inestético, tipo gaiola. No 1º andar, após subir as escuras escadas de madeira e se chegava ao patamar do velho edifício, á direita, lá estava o local da Junta de Freguesia e onde a solícita funcionária atendia os cidadãos, espreitando pelo postigo inserido na respectiva porta. Muito castiço…



Avenida Gomes Pereira, nº 2, gaveto com a Estrada de Benfica. Do outro lado da Avenida, a cervejaria/restaurante “O Edmundo” que ocupou o espaço d’uma das mais reputadas mercearias da nossa Freguesia.
(Foto de Nuno Barros Roque da Silveira - 1972 - Arquivo Municipal de Lisboa)



No rés-do-chão, a cervejaria/restaurante “A Regional de Benfica” a qual, bastantes anos depois, seria rebaptizada: “O Refúgio dos Beirões”. Estabelecimento mais recente e, embora não reunisse as tão peculiares características do género de locais que estamos a abordar, volta e meia, assentávamos arraiais por aquelas bandas beberricando umas cervejolas fresquinhas. Numa salinha interior ajeitada para o efeito, duas mesas de “Negus”, um estimulante atractivo que enchia os nossos momentos de entretenimento…
Contudo, a principal razão que nos levou a frequentar “A Regional de Benfica”, assiduamente e numa época bastante precisa, teria sido a famigerada Gripe Asiática que desembarcou em Lisboa a 9 de Agosto de 1957 a bordo dum navio vindo de África e que, mal desceu pelo portaló e botou os chispes em terra lusa atacou, furiosamente e a eito, a desprevenida população portuguesa, causando inúmeras vítimas, à semelhança de estragos arrasadores noticiados noutros lugares do planeta onde, e “à má fila”, arribou sem cerimónias…
Então, o porquê da “Regional de Benfica”? Ora, só ali obtínhamos os ingredientes necessários (pela variedade de escolha) na composição da vacina milagrosa na esperança, claro está, de nos protegermos, face à latente e grave ameaça do mortífero vírus da tal gripalhada. Nem mais!
Sim, senhor! As famosas e tão badaladas “Atómicas” que obtiveram estrondoso brado pelas redondezas, vacina artesanal de suprema eficácia contra a moléstia maligna, oportuna e genial invenção do grande amigalhaço e vizinho Manecas (1), mercê d’um irrepetível rasgo de discernimento mental! Manecas, serralheiro mecânico de profissão na Fábrica Simões, sempre com alguns trocos nos bolsos e que repartia, irmãmente, com os companheiros de aventuras, era o mais velho e o cabecilha incontestado do endiabrado e solidário grupo de jovens, ao qual tive a felicidade de pertencer… Rapaziada soberba e predisposta a encetar uma qualquer malfeitoria que lhes cintilasse nas fervilhantes cachimónias!



O prédio de gaveto da Estrada de Benfica com a Avenida Gomes Pereira, nº 2. Já foi loja de modas e pronto-a-vestir de senhoras e cavalheiros. Actualmente, é uma dependência do BBVA - Banco Bilbao e Viscaya Argentaria, S.A.
(Foto de Fausto Castelhano - Outubro de 2010)




Então, aí vai a explosiva receita (é uma atenção especial p’rós meus amigos, é de borla, os tempos estão beras como o caraças, mas eu sou assim… um mãos largas p’ró meu semelhante) e o modo do seu preparo, no caso d’uma próxima e favorável ocasião (Chiça! P’ra longe vá o agoiro!), se o temível surto gripal da Asiática pregar uma sádica partidinha e nos visitar de novo no intuito declarado de aterrorizar a maralha até ao tutano! Tomem nota: uma “imperial” bem fresquinha, misturar três das chamadas bebidas brancas fortes, à escolha do freguês ou então, atendendo a uma qualquer sugestão do parceiro do lado (anis, ginjinha, bagaço, vinho do Porto, abafado, gim, brandy e o que mais houvera, à vista, nas prateleiras). Emborcar o medicamento pelas goelas abaixo d’uma só vez e repetir a dose de três em três dias, pelo menos…
Era assim! Engolíamos a diabólica mistela de chapuz a qual, requeria coragem a rodos e estômagos de ferro… A sensação de violento ardor tornava-se patente, brutal, porém havia que aguentar a estopada de cara alegre, ninguém dava parte de fraco, sabe Deus com que extrema relutância… Pior, só óleo de rícino! Muito boa gente da Freguesia de Benfica, atemorizada pela fatal moléstia, seguiu o nosso exemplo e desataram a ingerir o prodigioso remédio… Será que se safaram? Acho que sim, nem outra cousa seria de esperar!
Durante algum tempo, o extravagante tratamento foi seguido à risca sem ninguém pestanejar e, coincidência ou não, o certo é que a rapaziada jamais foi acometida pela funesta epidemia, enquanto uns milhares de infectados iam caindo como tordos! O supremo sacrifício, que o Divino Espírito Santo seja louvado, valeu bem a pena!



A inauguração em 23 de Agosto de 1967 da Avenida do Uruguai: o Presidente da Câmara Municipal, António Vitorino França Borges, o Cônsul do Uruguai em Portugal, o Vice-presidente da Câmara Municipal, Aníbal David, o Director dos Serviços de Abastecimento da Câmara, Filipe Romeiras, etc.
(Foto de João Brites Geraldes - 23 de Agosto de 1967 - Arquivo Municipal de Lisboa)



Mas, hoje e cá p’ró rapaz, estou convencido de que se tratou de uma sábia maluquice, um feliz desarrincanço, semelhante a tantos outros e que, volta meia, nos surgia como forte relâmpago nos interfolhos das massas encefálicas. O problema, é que todos amocharam, ai daquele que ousasse contestar a ideia e… pronto! As “Atómicas”cumpriram o seu desígnio, vieram p’ra ficar… e recomendam-se…



O prédio de gaveto da Estrada de Benfica, nº567 com a Avenida Gomes Pereira, nº 1. No espaço, hoje ocupado pelo restaurante/cervejaria “Edmundo” existiu, em tempos que já lá vão, uma reputadíssima mercearia.
(Foto de Fausto Castelhano - Outubro de 2010)



Por agora, chega de palheta, vamos dar ao pernil um pouquinho… Olha, lá está a pequena mercearia do Sr. Mané-Mané… Aproveito e compro uns rebuçaditos dos jogadores do chamado desporto-rei, a tostão cada! Ao lado da caixa de lata dos rebuçados, o chamariz desafiante: a bola de catechu nº 4, o prémio p’ró mais difícil da colecção… E o tal que faltava p’ra completar a caderneta, acabava por sair à casa… O habitual e jamais houve notícia de que alguém tivesse a alegria de afinfar uns valentes chutos na chincha que todos cobiçávamos…
Piões e berlindes, cadernos de uma e duas linhas, tabuadas e lápis, lousas e aparos, etc. A tenda do velho Mané-Mané, vendia tudo aquilo que nos enchia as medidas…
Daqui, damos uns passitos e cá estamos no cruzamento da Avenida Gomes Pereira. A 21 de Maio de 1899 e nos terrenos pertencentes da Quinta do Marrocos, iniciaram-se os trabalhos da construção desta importante via entre a Estação dos Caminhos-de-Ferro e a Estrada de Benfica, num projecto elaborado pela Câmara Municipal de Lisboa.
A Avenida do Uruguai, que prolongaria a Avenida Gomes Pereira, ainda não rasgara, de alto a baixo, a Quinta da Granja de Cima… Mais tarde, sim!



Lá está o café/cervejaria e a respectiva esplanada na Estrada de Benfica, nº 524. Actualmente, o local tomou o nome de restaurante/marisqueira “A Roda”. O prédio, mais tarde, iria formar gaveto com a Avenida do Uruguai depois da inauguração em 23/8/1967.
(Foto de Artur Inácio Bastos - 1961 - Arquivo Municipal de Lisboa)



O influente lobby da construção civil, imbuída de insaciável ganância, não perdeu tempo e aproveitou, de mão beijada, a oportunidade que se lhe deparou… Retalhou, a seu belo talante, o mimoso espaço rural que ali pontificava em todo o seu esplendor e era um regalo p’rós olhos... Tomando o freio nos dentes e cavalgando a toda a brida, o cimento armado iria desfigurar, de modo profundo e definitivo, a fisionomia da Freguesia de Benfica… As Quintas da Granja (de Cima e de Baixo) e do Conde; Charquinho (2) e Zé Brito; Bom-Nome ou Sarmento; Montalegre e Palmeiras e a sua extensa mata de eucaliptos e palmeiras, um dos pulmões da Freguesia; Pedralvas, etc. O mundo rural aproximava-se do fim!



A cervejaria/marisqueira “A Roda” no nº 524 da Estrada de Benfica. Neste local, existia um café/cervejaria (com uma outra designação) e, em pleno passeio, uma agradável esplanada.
(Foto de Fausto Castelhano - Outubro de 2010)



Esta via estruturante iria romper p’ra Norte, dando acesso fácil a Carnide, Pontinha, Telheiras, Lumiar, etc., uma vez que, tanto a Estrada do Poço do Chão, como a Azinhaga da Fonte, deixaram de corresponder ao excesso de tráfego que, entretanto, aumentara de modo significativo…
A Avenida do Uruguai, apenas seria solenemente inaugurada em 23 de Agosto de 1967 com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa de então, França Borges, o Cônsul do Uruguai em Portugal e uma panóplia de figurões do regime, além dos habituais mirones e basbaques com o fito indisfarçável d’um instante de glória das suas obscuras vidas: de relance, surgir nos écrans da televisão… Era o máximo que se poderia imaginar! Ah! Não olvidar as amestradas câmaras e microfones da RTP, subservientes do Poder instalado e, como é evidente, a reboque e sempre, sempre de cócoras! As tais fantochadas do costume! Não obstante, nada se modificou, ontem como hoje…



O bonito palacete na Estrada de Benfica, nº544. Neste edifício esteve instalado o Posto Médico nº15 da Caixa de Previdência e, depois do 25 de Abril de 1974, foi ocupado pela UDP - União Democrática Popular. Foi arrasado! Mais um!
(Foto de Armando Serôdio -1971 - Arquivo Municipal de Lisboa)



Espectáculos apalhaçados que se vão repetindo até ao vómito e sem ponta de escrúpulos dos seus mentores contudo, é o pão-nosso de cada dia, seja na inauguração de chafariz da aldeola do depauperado e desertificado interior do país ou sentina pública da cidade… É Portugal no seu melhor!
No prédio de gaveto da Avenida Gomes Pereira, nº 1, com a Estrada de Benfica, nº 567, o restaurante/cervejaria “Edmundo”. Já lá vão muitos e muitos anos e ali, naquele privilegiado espaço, uma reputadíssima mercearia se destacava na área comercial da nossa Freguesia.



Travessa do Açougue, nº4 a 10. A Travessa do Açougue e o curioso conjunto de habitações de um só piso, provavelmente destinadas ao operariado e que teriam sido construídas em 1913.
(Foto de Arnaldo Madureira 1970 - Arquivo Municipal de Lisboa)



Saltamos p’ró outro lado da Estrada de Benfica, ou seja, do lado da Avenida do Uruguai e, no prédio de gaveto, o talho/salsicharia (que já foi talho de carne de cavalo) e a cervejaria/marisqueira “A Roda”, no nº 524.
Nas décadas de 50/60 do século XX e com outra designação, neste local existia um óptimo café/cervejaria com a sua agradável esplanada em pleno passeio, como se pode observar na foto que é inserida no texto... No seu interior, assistia-se aos programas d’um novel atractivo e que se tornou, rapidamente e em força, no mais eficaz instrumento de manipulação do maralhal: a Televisão, através da recepção das ondas electromagnéticas emitidas pelo Centro Emissor de Monsanto da RTP
Bebia-se bica ou cerveja, fumavam-se umas cigarradas e, mantendo um pouco de cavaqueira, matava-se o tempo nas calmarias, no relax, para descomprimir…
Agora, vamos caminhar no sentido da Igreja Paroquial, isto é, donde iniciámos o nosso percurso. Lá está o palacete no nº 544, onde funcionou o Posto nº 15 da Caixa de Previdência e onde, pós o 25 de Abril de 1974, a União Democrática Popular - UDP, um pequeno partido parido no auge da Revolução dos Cravos e que, entretanto e tal como muitos outros, se extinguiu de morte natural ou foi absorvido por outras forças políticas, resolveu ocupar e instalar a sua sede local… O vistoso palacete, como se calcula, foi à vida! Mais um…
Umas passadas adiante e já está: a Travessa do Açouque e, cara a cara, a Travessa do Rio e a taberna/carvoaria do Ti’Alfredo onde já estivemos…
Repare-se que, nos últimos anos da década de 50 do século XX e sobre o início da Travessa do Açougue, plantaram um mamarracho mal enjorcado, mas não respeitaram nada nem ninguém. A via foi cortada ao trânsito de veículos e apenas, por especial obséquio, deixaram um pequeno túnel de passagem pedonal. O maldito camartelo nem as ruas poupava. As portas e janelas dos moradores da Travessa do Açougue, nº1 e 3, ficaram encafuadas no interior do túnel… Vão lá ver e pasmem, que maravilha!



Travessa do Açougue, nº 7 e 9. O Sr. Arnaldo, o nosso padeiro e amigo de muitos anos, residia no 1º andar do nº 9.
(Foto de Arnaldo Madureira - 1970 - Arquivo Municipal de Lisboa)




Com a Calçada do Tojal, foi pior, muito pior! De bradar aos céus! A sorte madrasta bateu-lhe à porta, brutamente! Tamponaram, à falsa fé e drasticamente, o acesso directo à Estrada de Benfica que, desde os mais remotos tempos, sempre existiu! Afinal, é capaz de ser um pormenor sem a mínima importância, nós é que estamos a divagar com a mania de implicar por qualquer palheirinha. Mas, atentem, com olhinhos de ver, no abominável fenómeno, digno de registo!
Resta averiguar quem engendrou tais esquemas e manigâncias e quem autorizou a sua execução! Fica a pergunta!
Como se torna claríssimo, no valioso espaço do início da Calçado Tojal, enxertaram um feio mamarracho na Estrada de Benfica, nº664 e outro, de idêntica carantonha, sito na Rua Ernesto da Silva, nº17! Autêntica barbaridade de que a nossa Freguesia de Benfica é fértil, Graças a Deus ou ao Demo, já não atino… p’ra que lado me hei-de benzer… Estou baralhado!
Vamos penetrar no insólito túnel de alguns metros de extensão e deitar uma simples olhadela à Travessa do Açougue… ”Ena, pá! Parece um pátio em ponto grande!”… Por acaso, assim é… O conjunto de casas alinhadas e d’um só piso são, na verdade, algo curiosas e segundo voz corrente, teriam sido construídas em 1913 e destinavam-se à habitação do operariado da Freguesia de Benfica.



O prédio da Estrada de Benfica, nº 554. No nº 554A, a taberna do “Zé da Graça” e onde, presentemente, está instalada uma loja de produtos naturais: “O Celeiro da Memória”. A porta, à esquerda, dava acesso ao andar superior e a uma loja de referência: “Foto Nice”.
(Foto de Artur Goulart - 1960 - Arquivo Municipal de Lisboa)




No 1º andar do nº 9, residia o nosso padeiro, o Sr. Arnaldo, sempre prestável e com o qual mantínhamos uma relação de sincera amizade. Em 1948, um seu filho, pequenito, adoecera gravemente com a meningite. Fomos visitá-lo em sua casa… Prostrado, aplicavam-lhe sanguessugas sobre a fronte, as quais iam sendo revezadas à medida que inchavam de sangue do menino, sugado pela ventosa glutona dos repugnantes animaizinhos… Nada resultou e a infeliz criança esticou o pernil daí a dias… As sanguessugas, jamais as esqueci! Ao relembrar a sua visão, causa-me inesperados arrepios!



Cá está o prédio da Estrada de Benfica, nº 554. Aqui, na entrada do lado direito com o nº 554A, existia a taverna do “Zé da Graça”. Hoje, o local da taverna mudou de ramo. Actualmente, é uma loja de produtos naturais: “O Celeiro da Memória”. No 1º andar, estava instalada a “Foto Nice”.
(Foto de Fausto Castelhano - Setembro de 2010)



Fazendo quina com a Travessa do Açougue, o remodelado prédio da Estrada de Benfica, nº 554. No 1º andar, a célebre Foto Nice (já não existe, que pena!) e, na porta ao lado, nº 554A, a taberna do “Zé da Graça”, uma simpatia de pessoa e aonde os clientes não faltavam e nem se davam por defraudados p’rá vinhaça do barril e petiscos… Hoje, o antigo e mítico estabelecimento mudou de ramo: uma loja de produtos naturais, muito na moda: “O Celeiro da Memória”.
Por agora, ficamos por aqui… O esqueleto exige um pequeno descanso!


Continua…





NOTAS


(1)


O “Manecas"



O “Manecas” morava na Estrada dos Arneiros, nº 2. Vivia com a mãe, viúva, a D. Bernardina, e os tios, a D. Maria e o Sr. João e, ainda, o filho de ambos e nosso companheiro de façanhas, o Armando. O Henrique, irmão do Armando, aluno interno da Casa Pia, só tinha ordem de soltura aos fins-de-semana. O Sr. João, porteiro (um biscate) no Cinema da Avenida Gomes Pereira, sede do Sport Lisboa e Benfica, como bom vizinho e amigo que era, se a lotação não esgotava deixava-nos entrar à borla… mas sempre com o olho atestado no pessoal…



A casa onde morava o “Manecas” na Estrada dos Arneiros, nº2, à esquerda; no nº2A, à direita, morava a família do Sr. Manuel Estrelado.
(Foto de João H. Goulart -1965 - Arquivo Municipal de Lisboa)




Dezembro de 1952 - Estrada dos Arneiros, nº2A, onde morava o Sr. Manuel Estrelado, a esposa e os dois filhos: o José da Conceição (faleceu em 1957, vítima de atropelamento no Calhariz de Benfica) e a Maria da Encarnação, com quem vim a casar e que faleceu em 1983. Na foto, o José e o avô materno.
(Foto de Fausto Castelhano)




“Manecas” entregou a alma ao Criador na década de 80 do Século XX. Espero, lá onde estiver, que continue a repartir pelos comparsas lá do sítio, as “bombinhas” e as “rabichas” dos Santos Populares que costumávamos atirar pelas janelas e a enfiar nas ranhuras das caixas do correio dos nossos vizinhos de Benfica…




(2)


A Quinta do Charquinho



A Quinta do Charquinho tinha entrada pelo nº 4 da Estrada dos Arneiros. No seu lugar e nos finais da década de 50 do século XX, foi edificado o Bairro do Charquinho e, parte do seu espaço, seria ocupado pelo Cemitério de Benfica aquando do seu alargamento.



Estrada dos Arneiros nº2 e 2A, 4 e 6, a contar da direita para a esquerda. Entre estas duas moradias, está o portão de entrada da Quinta do Charquinho.
(Foto de João H. Goulart -1965 - Arquivo Municipal de Lisboa)



Primavera de 1947 na Quinta do Charquinho - Da esquerda para a direita, em cima: as minhas duas irmãs, Helena e Manuela e entre as duas, o Manuel, namorado da Manuela; e os velhos amigos da família, o Sr. Ferreira e a esposa D. Felícia. Em baixo, mais três amigos e o Fausto. Vinham p’rós almoços de coelhos e galinhas de cabidela, regadoss com a excelente àgua-pé, a melhor das redondezas e fabricadas com uvas de grande qualidade da região de Torres Vedras. As uvas, de candonga, eram transportadas em camiões, de madrugada, contornando a Fiscalização Económica, muito severa.
(Foto de Fausto Castelhano)



Até ao final dos anos 40 do século XX existia, na Quinta do Charquinho, o mais prestigiado Retiro das chamadas “Freguesias do Termor” e onde comia e bebia do bom e do melhor e, claro, cantava-se o Fado em grande estilo com os mais conceituados fadistas da época.


Fadistas da Velha-guarda

Em tempos que já lá vão,
O fadista era gingão,
alcunhado de rufia...
De calça estreita e samarra,
Chapéu largo e uma guitarra
Era alguém na Mouraria

Gostava de ir ao Charquinho,
Aonde havia bom vinho
E fresca sardinha assada...
Outros mais para lá iam
E todos se divertiam
Em fados à desgarrada

Ia ao Ferro d’Engomar,
Muitas vezes petiscar,
Ou mesmo ao Senhor Roubado...
E sempre de farra em farra,
Entre mãos uma guitarra,
O corrido era seu fado.

Agora tudo mudou,
A Mouraria passou
Para a tela dos artistas...
No seu lugar uma praça,
Por onde o fado não passa,
Nem já lá param fadistas.

Agora já não há gingões
Quem canta, canta canções,
Direito, bem aprumado...
E a alcunha do fadista,
Passou a ser a de artista
Que ao swing, chama fado

Um apelo, agora, faço
Vai com ele o meu abraço
Para o fado que cobiço:
Que os novos que o palco tem,
Passem a cantar, também,
O nosso fado castiço.

Luciano Marques




A morte da última moradia dos velhos tempos…


Na moradia da Estrada dos Arneiros, nº 30, vivia o Sr. Rogério Cardoso, professor na Escola António Arroio, (faleceu em 2009) e família: a esposa, D. Beatriz, já falecida, e os quatro filhos, companheiros de andanças (Norberto, Paulo, Jorge e Orlando. Esta foi a última demolição ocorrida tanto na Estrada dos Arneiros como na Estrada do Poço do Chão… Paz à sua alma!



A última casa a ser demolida na Estrada dos Arneiros, 30.
(Foto de Arnaldo Madureira -1970 - Arquivo Municipal de Lisboa)











20 comentários:

Vitor Filipe disse...

Caro Fausto,

Excelente é como posso classificar este seu trabalho. Ao olhar a foto da "RODA" lembrei que nesse prédio existia a ourivesaria do padrasto da Madalena Yglésias, creio que moravam no mesmo prédio.

Abraço.

Vitor Filipe

Helena disse...

Obrigada :)*

Julio Amorim disse...

Portanto....
A quinta paralela à Rua (Travessa) dos Arneiros à qual chamávamos "Quinta das Palmeiras"...é a "Quinta da Granja de Cima" ?

E já agora caro Fausto....não descobre por aí umas fotografias do interior do "Paraíso"?

Anónimo disse...

Parabéns Fausto Castelhano pela sua memória, mas a minha diz..., que a loja do Mané Mané não era mercearia, mas sim de calçado (ténis e pantufos!)
Estrada de Benfica 637, certo?

Fausto disse...

Amigo Victor Filipe

Sim, senhor! A ouriversaria da família da Madalena Iglésias.. Um pouco mais à frente e do lado direito, o Quartel dos Bombeiros (ainda lá está) e o edifício da Cozinha dos Pobres da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (a Sopa do Barroso ou do Sidónio como era conhecida). Entre o Quartel dos Bombeiros e o edifício da Sopa do Sidónio, a rampa que, resvés com a traseira das instalações da Fábrica Simões (ainda resiste) nos levava até à Escola do Magistério Primário, (hoje, Escola Superior de Educação) e a dois edifícios pequenos onde funcionava a escola primária, uma de meninos e outra, de meninas.
Nas traseiras da Sopa do Sidónio, a Escola Primária nº 47 com 4 salas de aulas (D. Isaura, D. Maria do Céu, D. Tomásia e D. Maria Mateus) que frequentei até à 4ª classe. Muita disciplina e reguadas que até fervia.
Claro que, na década de 40 do século XX, a fileirada de prédios se que observam na foto, não existiam. O muro da Quinta da Granja de Cima vinha até ao passeio da Estrada de Benfica e prolongava-se até à Travessa de Granja. O meu pai comprava parte da forragem p’ró gado, exactamente naquela zona de terras de semeadura, oliveiras e laranjeiras uma vez que, a erva que se obtinha na Quinta do Charquinho era insuficiente na alimentação das vacas leiteiras que compunham a vacaria. Os molhos de erva eram lançados do muro para o carroção de tracção animal (junta de bois) estacionado na Estrada de Benfica.

Um abraço
Fausto

Julio Amorim disse...

Fiquei mais confuso caro Fausto !

A quinta entre a Rua e, a Estrada dos Arneiros, onde o muro na Rua dos Arneiros virava 90 graus frente ao nr. 47....chamava-se?

Fausto disse...

Amigo Júlio Amorim

Desculpe, dispersei-me um bocado e a resposta ficou incompleta.
A Quinta entre a Estrada dos Arneiros (e era toda a estrada) e a antiga Travessa dos Arneiros (hoje, Rua dos Arneiros) era a Quinta das Palmeiras, com a sua enorme mancha verde de que ainda subsiste uma pequena memória por desejo dos herdeiros quando venderam a quinta para a construção de prédios. A entrada para a Quinta das Palmeiras, fazia-se pela estrada do Poço do Chão porém, existia uma outra entrada (para a área de cultivo) na Travessa dos Arneiros.
Na Travessa dos Arneiros, com entrada no nº28, e encostada à Quinta das Palmeiras, existia uma outra quinta, mais pequena: a Quinta do Brito ou do Zé Brito como nós a designávamos. Porém, a habitação do Zé Brito e da filha, localizava-se na Estrada do Poço do Chão no nº 31. Existem fotos dessas moradias.
Não sei se, desta vez, ficou esclarecido ou não.
Quanto à foto do Café Paraíso de Benfica, não tenho nada. Mas, ainda é vivo um antigo empregado do Paraíso estabelecido em Benfica e, logo que o encontrar, pergunto-lhe se tem algo que nos interesse.

Um Abraço

Fausto

Alexa disse...

Fausto, muito obrigada por todas as clarificações e precisões que acrescentou ao seu texto, que tanto interesse tem despertado nos nossos leitores! :)

Em relação ao "Paraíso"... arranjaram-me o nº de telefone de um dos filhos do Sr. Madureira, que tenho tentado em vão contactar.
Espero que tenha melhor sorte com esse antigo empregado do "Paraíso" :)

Abraço

Julio Amorim disse...

Agradecido caro Fausto....era esse o nome que nós usava-mos lá para 1963 e, as canas da Índia dessa quinta, eram muito cobiçadas por todos nós.

Quanto às "palmeiras", duas delas foram replantadas no antigo Estádio da Luz, a flanquear a águia.

Fausto disse...

Caro Júlio Amorim

Ainda bem que ficou plenamente esclarecido.
Por outro lado, às vezes os nossos amigos só me dão desgostos. As palmeiras que reimplantaram junto à águia dos lampiões, bem podiam ter melhor sorte. Coitadas das árvores! Isto, para não falarmos da destruição da quinta onde nasci. Simplesmente...imperdoável!

Fausto disse...

Amigo Júlio Amorim

Uma pequena precisão

A Quinta das Palmeiras quando virava da Estrada dos Arneiros para a Travessa dos Arneiros (Rua dos Arneiros) formava um ângulo, não de 90 graus mas, bem mais apertado. Mais ou menos 45 graus. Um bico arredondado. Palmilhei, durante anos, o trajecto da Estrada dos Arneiros para a Travessa a fim de namorar. À janela, claro está. A futura esposa morava no 119 R/C direito da Travessa dos Arneiros. O prédio e a janela ainda lá estão.
A vedação da Quinta das Palmeiras fazia-se por um muro na Travessa dos Arneiros, no gaveto que contornava para a Estrada dos Arneiros e um pequeno troço da Estrada dos Arneiros. O resto da vedação (e era a maior parte) da Estrada dos Arneiros era um valado, muito bem armado, de troncos de árvores e ramadas de palmeiras. Era por aí que nos introduzíamos na mata, arrombando a vedação.

Um abraço
Fausto

Anónimo disse...

Amigo Fausto

Como já referi noutro comentário inserido no post sobre "A Drogaria", nasci e vivi na Rua Cláudio Nunes, num challet que existiu junto às escadinhas que ligam a Cláudio Nunes à actual Rua dos Arneiros e que foi demolido em 1960. Daí para cá e até me casar em 1984 e vir morar para o concelho de Oeiras, vivi num prédio da Cláudio Nunes onde ainda hoje mora a minha Mãe pelo que continuo a ir muitas vezes lá.

A Quinta das Palmeiras não era também conhecida por "Quinta do Gala"? Creio que sim!

Quando era miúdo ia com os meus amigos e companheiros de brincadeiras para essa quinta brincar às escondidas e aos "cowboys" (saltávamos o muro junto a um poste que havia na então Travessa dos Arneiros, mais ou menos frente à casa de um rapaz que se chamava Lavadinho) e, às vezes, fazíamos uma "guerra" de pedras com o pessoal da nossa idade que morava na Travessa dos Arneiros - naquela altura havia uma grande rivalidade entre a miudagem da Travessa e da Cláudio Nunes - "guerra" essa que era praticada tendo por cenário e abrigo, as palmeiras da dita quinta bem como grandes montes de tábuas utilizadas em obras que também lá se encontravam e que proporcionavam refúgios perfeitos para os "projécteis" oriundos do "adversário". Geralmente a "guerra" só acabava quando um dos contendores era atingido e íamos todos a correr para a farmácia da Cláudio Nunes onde o Sr. Fernando fazia os curativos ao sinistrado e pregava um tremendo responso a todos nós por causa de tão perigosa brincadeira.

Lembro-me também de grandes descidas das escadinhas que fazíamos sentados em tábuas das obras onde um, dois, três ou até mesmo mais miúdos, em fila indiana, formavam como que uma equipa de bobsleigh e vinham por ali abaixo só parando, muitas vezes, do outro lado da Rua Cláudio Nunes e quase entrando de cabeça pela padeiria da Dª Carmo (hoje é uma loja de modas). Claro que ao fundo das escadinhas estava um de nós a informar se vinha,ou não, algum carro a subir a rua não fosse dar-se o caso de sermos atropelados quando atíngissemos o fim das escadas e irrompêssemos pelo asfalto fora até ao passeio contrário.

O meu Avô paterno também foi caseiro na Quinta do Charquinho, creio que na década de 1930 e na Quinta do Mesquita onde hoje é o Centro de Saúde e a Escola José Gomes Ferreira.

Quando falou na Travessa do Açougue e no túnel que lhe dá acesso a partir da Estrada de Benfica,lembrei-me logo do jogador de hóquei em patins que morava no pátio junto a esse túnel. Sabe de quem estou a falar, não sabe?

Cumprimentos,
Vasco

Fausto disse...

Amigo anónimo que se assina por Vasco

Efectivamente, embora com menos frequência, a Quinta das Palmeiras também era conhecida por Quinta do Galla (com dois LL) e que deriva do nome do dono da quinta: GUERREIRO GALLA. Era uma família bastante abastada e que viviam no palacete dentro da quinta. Este palacete foi destruído (mais um) para dar lugar ao conjunto de prédios que, agora, lá existem. Guerreiro Galla era dono de uma companhia de navegação, e quando faleceu, foi um dos grandes funerais a que a Freguesia assistiu no final da década de 40 ou no início dos anos 50 do século XX.
Quanto ao seu avô, na década de 30 do século XX, nesse tempo ainda o Retiro do Charquinho, o mais afamado da Freguesia de Benfica e arredores, ainda estava em pleno funcionamento.

Quanto ao excelente hoquista que, entre os finais dos anos 50 e início dos anos 60 do século XX jogou no Clube Futebol Benfica e, depois, passou para o Sport Lisboa e Benfica,penso que será o Belarmino. Mas ele morava na Travessa da Cruz da Era junto ao Largo Ernesto Silva.
Não sei se consegui satisfazer a sua curiosidade ou não.
Um abraço

Fausto Castelhano

Anónimo disse...

Amigo Fausto

Não sabia que Galla se escrevia com dois LL pois somente ouvi falar do nome que se dava à quinta mas nunca li nada sobre o seu titular.

Quanto ao hoquista a que me referia, era o Garrancho que, curiosamente, mora aqui onde também resido, Porto Salvo.

Lembro-me do Belarmino jogar no Fófó em meados dos anos 70, se não me engano. Tenho fortes ligações ao Clube de Futebol Benfica já que o meu Pai chegou a ser lá guarda-redes e o meu tio e primos foram também jogadores do Clube, quer em Hóquei em patins, quer em Hóquei em campo, tendo, inclusivé o meu primo, Jaime Francisco, sido Campeão Europeu de Juniores pela selecção nacional onde também pontificava, entre outros, o Cristiano.

Por falar em Travessa da Cruz da Hera, quem também lá morava era um senhor, que creio já ter falecido, cujo nome agora não me recordo mas que tinha a alcunha de "Troca a nota" e que também foi guarda-redes do Fófó e também pai de outro jogdor do Clube, o Carlos, se não me engano no nome.

Finalmente, por curiosidade, à hora a que o Amigo Fausto estava a escrever este comentário (11h30m), eu estava em Benfica a passear junto ao antigo café Paraíso de Benfica.

Um abraço,
Vasco

fausto castelhano disse...

Amigo Vasco

Quanto ao apelido GALLA, era assim mesmo. Penso que era de origem espanhola. Aliás, na Estrada do Poço do Chão, vivia uma outra família de origem espanhola, mais propriamente da Galiza, a família ALVAREZ, donos da Fábrica de Pregos instalada na Quinta do Charquinho.
O nosso amigo tem toda a razão quanto ao Garrancho e, pelos vistos, goza de uma extraordinária memória.
Quanto ao Belarmino, penso que jogou antes dos anos 70. Lembro-me de o ver actuar no antigo ringue Fernando Adrião. Ora, o antigo Campo Francisco Lázaro foi destruído nos finais dos anos 50 e início dos anos 60.
O Carlos, um rapaz mais ou menos alto, também vivia numa das últimas casas da Travessa da Cruz da Era, frente ao Restaurante SOLAR DE BENFICA.
O tal guarda-redes a que se refere, nós pronunciávamos tudo seguido: TROCANOTAS.
Também fui sócio do Clube Futebol Benfica com o Nº698.
Joguei andebol de 7 na época de 1957/58 no Clube. Era o Sócio Cooperador nº 105. Ao mesmo tempo, e nas épocas de 1957, 1958, 1959 e 1960, joguei futebol no Futebol Clube de Alverca. Por uma razão simples: logo que terminei o Curso Industrial, fui estagiar nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, em Alverca e, depois, continuei mais uns anos. Assim, e porque eram do mesmo campeonato, acabei por me defrontar com o Clube Futebol Benfica. Conhecia-os a todos e, dentro do campo, era uma guerra.
Quanto ao Café Paraíso de Benfica, do Sr. Manuel Madureira, toda a gente anda à procura d'uma foto do célebre café. Veja se, por acaso tem alguma que nos possa dispensar. Brevemente vai saír um pequeno apontamento sobre um outro café que a rapaziada mais nova frequentava: A Adega dos Ossos.
Um grande abraço
Fausto Castelhano

Anónimo disse...

Amigo Fausto

Oa meus pais conheceram bastante bem a família Alvarez e eu próprio cheguei a ir com a minha Mãe a casa deles quando já moravam na Estrada de Benfica, num dos prédios que foi construído nos terrenos onde, anteriormente, estava o campo do FóFó. Quer o Sr. Ludgero, quer a sua esposa, Dª Rosa bem como a filha (creio que só tinham uma filha), eram umas jóias de pessoas.

Felizmente ainda vou tendo uma boa memória, se bem que "só" tenha 54 anos.

Quanto ao Belarmino, devo estar a fazer confusão. Contudo, o que escrevi sobre os meus familiares, praticantes de hóquei no FóFó, pode ser comprovado nos arquivos do Clube.

O meu Pai recebeu o Emblema de Ouro do Clube Futebol Benfica (que eu guardo ainda hoje, bem como o de Prata), pelos seus 50 anos de sócio, três meses antes de falecer, em Maio de 1989.

A minha Mãe tem lá em casa fotos tiradas em Benfica, nomeadamente na Mata (Parque Silva Porto) quando eu era miúdo mas do Café Paraíso de Benfica, lamento mas não tenho nenhuma.

Da Adega dos Ossos lembro-me muito vagamente se bem que conheça perfeitamente o nome devido a conversas e histórias que os meus pais e avós contavam.

Um grande abraço,
Vasco Morgado

Fausto disse...

Caro Vasco Morgado

O meu amigo Vasco tem, de facto, muito boa memória. Repare na quantidade de anos que já passaram. Efectivamente, a família Alvarez, aquando do encerramento da Fábrica de Pregos "Sópregos" (devido à venda da Quinta do Charquinho para a construção do Bairro de Casas Sociais da CML e do alargamento do Cemitério de Benfica) mudaram-se para um dos prédios da nova urbanização onde ficava o Campo Franciso Lázaro, o Patronato Paroquial da Freguesia de Benfica e, para lá do rio, a Metalúrgica de Bemfica (com M). A esposa do Sr. Ludgero era mesmo a SrªD. Rosa e a filha, a menina Teresa. A cunhada do Sr. Ludgero, a Srª D. Pascuala, também vivia com esta família. O casal Alvarez são padrinhos duma grande amiga, a Lourdinhas, irmã do António da Farmácia e casada com João Perez. Este João Perez é filho do antigo proprietário da antiga Casa de Pasto "Na volta cá te espero", Emílio Perez. Hoje, esta Casa de Pasto está transformada no Restaurante/cervejaria "A Tradicional" logo no início da Rua Cláudio Nunes.
Quem vivia no Largo Ernesto da Silva era o Victor Perna, um excelente atleta de Hóquei em Campo e, os irmãos Ferro-bico (2 ou 3) jogaram todos Hóquei em Campo. Viviam na casa de esquina da Rua Ernesto da Silva com a Rua dos Arneiros (antiga Travessa dos Arneiros). Todos bons jogadores e todos do Clube Futebol Benfica.
Quanto ao António Livramento (era filho do mecânico dos patins do Clube Futebol Benfica) e começou a jogar no Clube. Só depois é que se transferiu para o Benfica. Tenho uma vaga ideia de que vi o António Livramente jogar futebol na equipa de Júniores do Clube Futebol Benfica.
Por hoje, é tudo
Um abraço de Muita amizade

Fausto Castelhano

Anónimo disse...

Caro Fausto Castellano, deparei com o seu blog quando fazia uma pesquisa sobre Benfica particularmente sobre a Estrada do Poço-do-Chão onde morei até aos 15 anos no nº 39. O poço era exactamente em frente da minha casa junto de um portão que estava sempre aberto e dava para uma quinta. A Srª D. Rosa e a Srª D. Pascuala eram minhas vizinhas assim como O Sr Jardim (dono da drogaria que fazia esquina na Estrada de Benfica) e a Sr D.Eva que viviam no R/C dt da casa onde eu vivia. Lembro-me de muitos outros nomes e personagens dessa época. Gostava muito de ver uma fotografia da Estrada do Poço do Chão e da quinta que a ladeava. Obrigada pela sua pesquisa.
Carmo Romão

Anónimo disse...

Caro amigo Carmo Romão. Obrigado pelo seu comentário e, em relação à velhinha Estrada do Poço do Chão, convidava o nosso amigo a consultar aqui, neste Blog, o tema sobre "Azinhagas. Tenho várias algumas fotos da Estrada do Poço do Chão que lhe posso enviar. Por outro lado, estou a desenvolver um trabalho apenas sobre a importante via que ligava Benfica a Carnide e a outras localidades, mencionando os nomes dos habitantes que aí moravam. Talvez o nosso amigo nos possa dar uma ajuda. Deixo os meus contactos: 214749724, 962858416 e o meu endereço: lydia.fausto@sapo.pt

Um abraço
Fausto Castelhano

Antonio Portugal disse...

Mais uma achega; quanto ao referido por Carmo Romão relativamente ao n.º 39 da Estrada do Poço do Chão, lembro-me de todos os nomes lembrados, já que sou neto de um casal não citado e que morava também no r/c ao lado do Sr Jardim e D. Eva. Do seu nome D. António Portugal e D. Berta de Portugal. O meu pai (José Blanc de Portugal) também morou ai até ao seu casamento e depois foi viver para a Estrada dos Arneiros (22), ao lado da moradia referida neste "blog" como pertencente À familia Cardoso, o que não está correcto. Neste n.º 20 vivia a D. Vina, nossa vizinha e de facto foi esta a última casa antiga a sr demolida nesta rua. A família Cardoso vivia mais acima nesta rua, e que no meu tempo (de 1946 a 1953), era a ultima da rua.De 1953 a 1958, estivemos em África e depois do regresso fomos novamente viver na Estrada dos Arneiros mas num prédio que entretanto havia sido construído no lugar onde se localizava a nossa antiga casa (ao lado da D. Vina). Este prédio também está referido neste blog ao lado da casa erradamente referida como da família Cardoso.

Cumprimentos
António Portugal