domingo, 15 de fevereiro de 2009

Quinta das Pedralvas




05/04/08



No início dos anos 70, a proprietária da Quinta das Pedralvas doou as suas terras à Câmara Municipal de Lisboa com a condição de serem utilizadas para habitação e fins sociais...

Do lado direito foi construído um bairro de renda económica com amplos espaços verdes. Longos anos mais tarde, foi, também, construído um bairro de prédios com inúmeros andares, para a classe média alta.
Do lado esquerdo, na confluência com a Amadora, nos anos 60, começaram a ser construídas habitações por imigrantes de Cabo-Verde e Angola, que os governantes da altura foram buscar aos seus países com o intuito de os colocar a trabalhar nas grandes construções que então se preconizavam para Portugal (ex. metropolitano de Lisboa)... mas "esquecendo-se" que, entre outras coisas, estes indivíduos necessitavam de casas onde habitar.

No meio, entre lados tão distintos, existiam hortas e jardins, trabalhados por pessoas que habitavam naquela zona... o último resquício do que outrora fora a Quinta das Pedralvas.



"Portas de Benfica - Pedralvas", [c. 1940]. Fotografia de Eduardo Portugal
in
Arquivo Municipal de Lisboa




"Quinta das Pedralvas", (1962). Fotografia de Goulart, Artur,
in
Arquivo Municipal de Lisboa





"Prédios em construção em Benfica", Fotografia de Goulart, Artur,
in
Arquivo Municipal de Lisboa





Quinta das Pedralvas, esta manhã.

O avanço da CRIL, de uma forma contra-natura, tem vindo a causar danos graves em termos ambientais, afectando igualmente de variadas formas os moradores.

Mais informações sobre o que tem vindo a acontecer... aqui.
A revolta dos moradores e as razões de protestarmos contra este traçado da CRIL... aqui.
Um belissímo texto sobre as pessoas que trabalhavam estas hortas e jardins... aqui.










2 comentários:

Anónimo disse...

Se bem me lembro e morei no Bairro das Pedralvas desde quase o seu inicio, os Prédios do lado esquerdo, para a classe média, a que o autor se refere, estão construídos nos antigos terrenos de uma fábrica que ali existia e se chamava "Fábrica de Tintas Atlantic" e não era pertença da quinta das Pedralvas, tanto quanto sei. Mas agradeço que se for erro me esclareçam de tal. Eu hoje com 57 anos de idade, ainda habito em Benfica e se me bem me recordo vim morar para Benfica no ano de 1963, o que quer dizer que também já cá moro há 51/52 anos e conheço alguma parte da história de Benfica! Obrigado pela oportunidade de poder participar.

Anónimo disse...

Gostava de precisar melhor os limites da Quinta das Pedralvas e que eram os seguinte: a leste, a Azinhaga das Pedralvas (começava no nº698 e termiva na Calçada do Tojal); a norte, a Calçada do Tojal; a sul, a Estrada de Benfica até às Portas de Benfica; a poente, a Estrada Militar.
A entrada da Quinta das Pedralvas encontrava-se em plena Azinhaga das Pedralvas. Mas, existia uma outra entrada na Estrada Militar, logo a seguir ao cruzamento com a Estrada da Falagueira, isto é, muito próximo da Quinta dos Lilazes, Já no Concelho da Amadora.
Os prédios de renda económica e construídos pela Câmara Municipal de Lisboa, encontram-se na parte mais a ocidental da Urbanização das Pedralvas, ou seja, a zona mais próxima da Estrada Militar. No entanto, numa outra parcela da Quinta das Pedralvas, e que estava limitada pela Azinhaga das Pedralvas, foram construídos prédios de propriedade horizantal destinados à chamada "classe média". Da Urbanização das Pedralvas, fazem parte outros prédios que estavam fora dos limites da Quinta e, esses sim, construídos em terrenos adjacentes ao complexo da Fábrica de Tintas Atlantic que, como se sabe, tinha a sua entrada no portão com o nº 688 da Estrada de Benfica.

Fausto Castelhano