quinta-feira, 30 de setembro de 2010

CASO RESOLVIDO - Cadela atropelada com globo ocular para fora




ACTUALIZAÇÃO - 01/10/10 - 11h07




Laika após a operação a que foi submetida - 01/10/10

Fotografias de Júlia Piedade



A cadelinha LAIKA foi ontem encontrada por uma voluntária da Associação AMIAMA, quando ia já a caminho da Pontinha, completamente desorientada.

Graças à nossa página no Facebook, tomámos, esta manhã, conhecimento do ocorrido; e já contactámos a Associação AMIAMA.

A LAIKA vai ser operada hoje de urgência ao olho. Os donos já foram contactados.

Muito obrigada a todos os que ajudaram neste caso (seja àqueles que participaram nas buscas em Benfica; seja à pessoa que recolheu e ajudou este animal e à Associação Zoófila que a está a ajudar)!




ACTUALIZAÇÃO - 30/09/10 - 19h35


A cadela LAIKA é velhinha, já está um pouco surda e tem donos. Fugiu ontem à noite, sem que eles se apercebessem.
Já correram tudo aqui em Benfica e nada. Houve outra pessoa que viu a cadela de manhã, na Rua Emília das Neves (onde os donos moram), mas não sabemos se antes ou depois de ter sido atropelada.

A cadela está chipada e tem licença da Junta de Freguesia.
Já ligámos para o Canil/Gatil Municipal e não deu lá entrada nenhuma cadela nestas condições.

Torna-se muito urgente encontrar este animal, pois tem o globo ocular para fora e precisa de assistência veterinária.

Pff. actualizem os contactos dos donos e entrem em contacto com eles, se virem a cadelinha Laika (que pode estar muito assustada e desorientada, mas é um animal extremamente meigo): Dª. Matilde - 91. 714 59 36



APELO de 30/09/10 -12h

PEDIDO DE AJUDA URGENTE - Cão atropelado com globo ocular para fora


Esta manhã andava um cão (porte pequeno e baixo, castanho claro/amarelado, pêlo áspero), muito desorientado, no meio da Estrada de Benfica (zona entre a paragem de autocarro do Mercado e as Vilas).

Deve ter sido atropelado há pouco tempo, porque tinha um dos globos oculares para fora.

Torna-se muito urgente encontrar o animal, para ser tratado.

Já temos uma pessoa disponível para acolher o animal.

Agora é preciso encontrá-lo (a última vez que foi visto estava a atravessar para o lado do Calçado Guimarães).

Agradecíamos que se vissem este animal, pff., entrem urgentemente em contacto connosco.

Muito obrigada!


(ASC)



quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Tabernas, Tascas e Casas de Pasto na Freguesia de Benfica (1)




Todos os direitos reservados @ Fausto Castelhano, "Retalhos de Bem-Fica" (2010)




Capítulo 1


(por Fausto Castelhano)



Locais míticos do imaginário colectivo da população de Benfica, as Tabernas, Tascas e Casas de Pasto impuseram-se como espaços de sociabilidade importantes e onde prevalecia a genuína amizade e a convivência fraternal mormente, das classes sociais mais débeis mas que, ao cabo e ao resto, acabava por atravessar a totalidade dos diversos extractos sociais da sociedade da urbe… Ali assentavam quartel operários, empregados de diversas profissões, trabalhadores indiferenciados, trabalhadores rurais e todos quantos se abeirassem do balcão no intuito de acamaradar em paz e harmonia depenicando algo acompanhado d’um copinho de bom vinho nas beiças e paleio sem fim e onde o taberneiro, amigo e confidente, complacente com todos os fregueses e figura central do território, controlava todo o ambiente…




Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Benfica
(Foto de Eduardo Portugal – 1950 - Arquivo Municipal de Lisboa)



Óptimo ponto de encontro no final dum árduo dia de trabalho ou nos momentos de descanso e lazer, onde os amigos partilhavam alegrias e carpiam desilusões, discutiam interesses e preocupações do dia a dia, sentados nos bancos corridos ou em pé, repudiando cerimónias de qualquer espécie… Todos os temas serviam como argumento de animada conversa e onde, por vezes, eclodiam acesos debates sobre as mais variadas questões e onde a política tinha lugar primordial. Conspirava-se muito… e a valer… contra o poder instituído…
Fumava-se, sem proibições da Lei, os 'Definitivos' e os 'Provisórios', o 'Português Suave' e o 'Três Vintes', o 'Paris' e o famoso e baratucho 'Kentucky', o mata-ratos como era carinhosamente apelidado. Enrolava-se tabaco de onça da marca 'Superior' e papel de mortalha 'Conquistador' ou 'Zig-Zag'… Era assim! Fabuloso…
Através da rádio, escutavam-se, atentamente, e vibrava-se com a loucura dos relatos de futebol ou de hóquei em patins no tempo do Emídio Pinto, Raio, Edgar, Jesus Correia e do primo, Correia dos Santos e, um pouco antes, dos manos Serpa: o Sidónio e o Olivério, nossos conterrâneos, na voz inconfundível, e que se perde na memória dos tempos, do locutor Domingos Lança Moreira… A televisão e outras modernices do nosso dia a dia que invadiram, de modo avassalador, a nova era do audiovisual, ainda não tinham irrompido brutalmente em cena ou encontravam-se nos seus primórdios, fenómenos que, em larga medida, impedem o diálogo e a convivência entre as pessoas.




A “Fortex” na esquina da Estrada de Benfica com a Avenida Grão Vasco e frente à “Adega dos “Ossos”. A praça de táxis (reparem nos números dos telefones dos taxistas afixadas na parede do prédio), a bomba de gasolina da BP e, a seguir, a mercearia com venda de fruta. Um pouco mais à frente e onde se encontra um freguês sentado à porta, antes da Garagem Bemficauto (com o reclamo da Shell), uma taberna muito bem localizada (junto à paragem dos autocarros) e melhor frequentada. Entre a Garagem Bemficauto e a Escola Primária António Maria dos Santos, localizava-se o Expedidor da Companhia Carris de Ferro de Lisboa (onde os carros eléctricos da Carreira nº1 efectuavam a volta para a Rua Emília das Neves) e onde, mais tarde, foi construído o prédio amarelo com o nº 733, logo a seguir ao Centro Comercial Nevada.

(Foto de Augusto de Jesus Fernandes - 1961 - Arquivo Municipal de Lisboa)




As tascas e as tabernas, eram um mundo fascinante, exclusivo dos homens, fechado. Mulheres, ali, não se atreviam a colocar o chinelo. Nem é bom pensar em tal descaramento, era só o que faltava! Só para lá do balcão com tampo em madeira ou mármore, e sempre tratadas com o maior respeito e deferência: as esposas ou as filhas do taberneiro ou algum elemento feminino do seu agregado familiar…




O “Tasco” na Estrada de Benfica, nº 727/727F (frente à “Adega dos Ossos” e mencionado na foto anterior) a seguir à Fortex e à mercearia com venda de fruta e antes da Garagem Bemficauto, com a tabuleta da Shell (Onde, mais tarde seria edificado o Centro Comercial Nevada). Reparem nos fregueses a entrar… sedentos de um copinho de boa pinga! Tabernas e tascas na nossa Freguesia de Benfica, existiam muitas… e vinhaça do barril, oriunda das melhores procedências, também. Um regalo!

(Foto de João H. Goulart – 1961 – Arquivo Municipal de Lisboa)




Exactamente ali, naqueles espaços de autêntica magia, onde se exerciam os honestos negócios de vinhos e petiscos tradicionais que, em torno dum copázio de vinho do barril e petisco apetitoso de sabor requintado a condizer, estabeleciam-se amizades duradouras e que se prolongavam pela vida fora…
Jogava-se, calmamente, ao dominó e às damas; empolgantes, as partidas da sueca ou à bisca de quatro, a copo de dois ou de três logo que se completava cada cruzeta, ou então, conforme o combinado, previamente, entre os parceiros da jogatina; renhidos, barulhentos e disputados palmo a palmo, os desafios de matraquilhos… As mesas de “negus”, uma variante do snooker, surgiram um pouco mais tarde e tornaram-se uma coqueluche.



“Casa de Pasto” de intocável reputação na Avenida Grão Vasco, nº 11 a 15 e óptima localização. Repare-se na tabuleta: “Casa de Pasto”.

(Foto de Arnaldo Madureira – 1960 – Arquivo Municipal de Lisboa)



Com os fregueses à porta, cá está a “Casa de Pasto” da Avenida Grão Vasco, nº 11 a 15, junto ao candeeiro de iluminação pública. Um pouco à frente e junto ao outro poste, a primeira paragem do eléctrico da carreira nº1 (onde os passageiros aguardam embarque) dos eléctricos vindos do Expedidor da Carris e após o curto trajecto da Rua Emília das Neves para a Avenida Grão Vasco.

(Foto de Artur Inácio Bastos 1961 - Arquivo Municipal de Lisboa)



O edifício da foto, na Avenida Grão Vasco, nº 21 a 27 está na calha. No prédio onde existia a “Casa de Pasto”, na Avenida Grão Vasco, nº 11 a 15 referido no texto e nas fotos anteriores, já foi demolido. O novel edifício que tomou o lugar do anterior está, praticamente, terminado e mais uma memória da Freguesia de Benfica, arrumou as botas… O poste, à direita, era a primeira paragem dos eléctricos da Carreira nº1 logo que curvavam da Rua Emília das Neves (vindos do Expedidor da CCFL) para a Avenida Grão Vasco.

(Foto de João H. Goulart – 1961 – Arquivo Municipal de Lisboa)




P’ra fazer peito ou lastro, saboreavam-se os pequerruchos “carapaus de gato” fritos ou então, carapaus crescidos de escabeche, chouriças, pataniscas, torresmos, bacalhau frito, toucinho entremeado, azeitonas, atum ou sardinha de barrica, moelas estufadas, passarinhos fritos (um acepipe de primeira apanha), ovos cozidos, orelheira de porco, onde o alho pisado, o azeite e os coentros são imprescindíveis e lhe davam um sabor detrás da orelha, pratinhos de caracóis apaladados a orégãos, caldo verde picadinho, sopa à lavrador de garantida sustância, etc.
E, como se poderá imaginar, ainda o sol, um pouco relutante, não se resolvia a assomar no horizonte e já os portais das nossas tascas e tabernas se abriam p’ró mata-bicho dos fregueses madrugadores e a caminho da sua labuta diária…




Marco quilométrico junto ao Chafariz Grande das Águas Livres de Benfica e frente à antiga taberna do Sr. João: Lisboa: 8 Km a percorrer até aos limites da cidade de Lisboa, em S. Sebastião da Pedreira… Bons tempos...

(Foto de Fausto Castelhano – Setembro de 2010)



As “casas de pasto” diferenciavam-se das tabernas e das tascas por alguns pormenores primordiais: espaços amplos e serviço de almoços e jantares a preços convidativos, isto é, restaurantes à moda antiga.
Vinhos excelentes, petiscos de fazer crescer água na boca, a comida caseira farta e bem apaladada, ambiente cordial e a boa disposição eram ingredientes a ter em conta no prestígio das casas de pasto…

Junto à coluna de pedra, do lado direito da estrutura que enquadra o Chafariz Grande das Águas Livres, lá está o marco quilométrico que assinala a distância a percorrer até às Portas da Cidade de Lisboa: 8Km. Nem mais, nem menos...

(Foto de Fausto Castelhano – Setembro de 2010)




Vamos, então, retroceder aos anos 40, 50 e meados de 60 do Século XX e, tomando como referência central a Igreja Paroquial de Nossa Senhora do Amparo e numa área relativamente restrita da zona histórica da Freguesia de Benfica, convidar os nossos amigos a desenferrujar as articulações das gâmbias e revisitar as Tabernas, Tascas e Casas de Pasto típicas do burgo, as mais representativas no panorama da nossa comunidade…
Então, vamos deitar o pernil ao caminho e começar na Estrada de Benfica, no prédio com o nº 727/727F, antes da Garagem Bemficauto e junto à paragem dos autocarros e da praça de táxis ou seja, frente ao adro poente da Igreja e da “Adega dos Ossos”. Lá está ela, uma taberna localizada com vistas largas e frequentada por clientela certa, onde os bons vinhos, tintos e brancos, e as saborosas petiscadas faziam as honras da casa…
Um pouco mais à frente, viramos à direita e, na Avenida Grão Vasco, nº 11 a 15, próximo da primeira paragem dos carros eléctricos da Carris, depois do Expedidor e, sensivelmente, na enfiada da “Adega dos Ossos”, deparamos com uma conceituada Casa de Pasto onde, a preços módicos, se enfardava bem e se bebia melhor!
Dali, entramos na Estrada de Benfica e seguindo pelo passeio em calçada portuguesa, passamos pelo café “Paraíso de Benfica” do Sr. Madureira, pela entrada do Campo Francisco Lázaro (do Clube Futebol Benfica), o muro e o edifício do antigo Patronato Paroquial da Freguesia de Benfica e, depressa chegamos ao Chafariz Grande das Águas LivresUma sugestão: para quando a urgente reabilitação do notável monumento?



A taverna/carvoaria do Ti’Alfredo (à esquerda) e, no enfiamento da Travessa do Rio com a Travessa do Açougue, o prédio da Estrada de Benfica, nº 554 (Ao fundo): a taverna do Zé da Graça, nº 554A e, no 1º andar, os Estúdios da Foto Nice.

(Foto de João H. Goulart - 1961- Arquivo Municipal de Lisboa)



A taberna/carvoaria do Ti’Alfredo na Travessa do Rio. A porta à esquerda com o nº 10, é a entrada do prédio; a porta larga com o nº 8, a taberna e, a porta à direita da foto com o nº 6, a carvoaria.

(Foto de Armando Serôdio – 1975 – Arquivo Municipal de Lisboa)



A taberna e a carvoaria do Ti’Alfredo na Travessa do Rio, nº 6 e 10. A porta larga da esquerda, a taberna. A porta à direita, a carvoaria. O magnífico prédio que existia à direita e fazia gaveto com a Estrada de Benfica (e onde, no rés-do-chão, estava instalada a loja da "Singer"), já fora arrasado na voragem do camartelo.

(Foto de Armando Serôdio – 1975 – Arquivo Municipal de Lisboa)



E, já agora, não esquecer que, exactamente deste ponto e até às antigas Portas da Cidade de Lisboa (1), em S. Sebastião da Pedreira, distavam 8 Km… Nem mais! O histórico marco quilométrico, em pedra, por enquanto ainda lá permanece, certamente devido a simples milagre do acaso! Se pudesse e pela sorrelfa, já o tinha rapinado evitando que um dia vá cair nas garras de um qualquer gang de traficantes gananciosos.

A carroça do “petrolino” de tracção cavalar, estacionado na Travessa do Rio, frente à carvoaria do Ti’Alfredo. Venda ambulante de azeite, petróleo, etc. À direita, o portão de acesso ao palacete do Visconde Sanches de Baena, Travessa do Rio, nº 1.

(Foto de Artur Goulart – 1960 - Arquivo Municipal de Lisboa)




Ultrapassamos o início da Estrada das Garridas, o enorme complexo do Laboratório Nacional de Patologia Veterinária (actualmente, Laboratório Nacional de Investigação Veterinária), mas nos finais do Século XIX, o edifício emergia como Hotel Mafra




O restaurante “A Travessa” na Travessa do Rio, onde outrora existia a taberna/carvoaria do Ti’Alfredo.
(Foto de Fausto Castelhano – Setembro de 2010)




Um pouco mais à frente, a capelista do Sr. Capelo, o prédio do Centro de Trabalho do Partido Comunista Português e, entre a barbearia do Sr. Neto e a drogaria do Sr. Júlio ou do “Careca”, como amigavelmente o alcunharam, a pequena taberna do “Loureiro”, onde um raminho do conhecido arbusto com o mesmo nome, tempero imprescindível na cozinha lusa, permanentemente dependurado na ombreira do tasco anunciava, tal e qual como reclamo a néon, “Aqui vende-se pinga de estucha”.
Porém, e segundo reza a tradição, as folhas de loureiro teriam uma outra meritória função: disfarçavam o hálito a vinhaça quando os fregueses regressavam a casa. E então, retiravam uma folhinha do aromático loureiro e iam mascando pelo caminho… e pronto! Pelo menos, estava salva a honra do convento e safavam-se dos ralhos da ordem: “Homem! Nunca mais ganhas tino nessa cabeça! Andas sempre metido nos copos, meu desgraçado!

Meia dúzia de passos andados e, à direita contornamos o edifício de gaveto e entramos na Travessa do Rio. Ao fundo, o pequeno gradeamento que a separava do curso de água que, na década de 60 do século XX, resolveram encanar até ao rio Tejo, passando, seguramente, pela ETAR da Avenida de Ceuta.



O restaurante “A Travessa”, na Travessa do Rio. A fachada do prédio sofreu uma alteração de monta: a porta da carvoaria (à direita) foi fechada e transformada numa janela. O interior, foi todo escavacado e não reflecte o encanto do local d’outros tempos.

(Foto de Fausto Castelhano – Setembro de 2010)




Era exactamente aqui, a meio deste curto arruamento da nossa freguesia de Benfica que encontramos um estabelecimento de referência: a taberna/carvoaria do Ti’Alfredo, um homem de boa cepa e simpatia sem limites p’ra todos os clientes e onde a franca disposição estava estampada no rosto bonacheirão… Brancos e tintos das melhores regiões e petiscos de harmonia com a boa pomada.



Brasão de Armas do Visconde Sanches de Baena que encimava o palacete do mesmo nome edificado no século XIX na Estrada de Benfica. O edifício formava gaveto com a Travessa do Rio.

(Foto do Arquivo Municipal de Lisboa – 194..)




Matraquilhos, jogo de cartas, dominó, “négus”, onde a rapaziada se entretinha por largo tempo. Este simpático local, a par da taberna do Sr. João, no gaveto da Estrada de Benfica com a Rua dos Arneiros (antiga Travessa dos Arneiros) reunia as nossas preferências… Tudo à maneira! Que saudades, meu Deus!



Palacete do Visconde Sanches de Baena na Estrada de Benfica, 609 a 613 e o gradeamento em ferro ao longo de todo o edifício.

(Foto de João H. Goulart – 1960 - Arquivo Municipal de Lisboa)




Na porta ao lado e fornecida dos melhores produtos do ramo, frequentada por vasta clientela, a carvoaria: comércio de carvão, bolas de coque, petróleo e similares… Um grande negócio, sem dúvida!
A fachada do prédio sofreu alterações de monta, porém e no essencial, mantém a fisionomia d’um tempo que já passou. Actualmente, o espaço está transformado num banal restaurante como tantos outros que infestam a nossa freguesia… mas com pretensões p’ró finaço: Restaurante “A Travessa”.
Umas passadinhas e voltamos à Estrada de Benfica. Agora estamos no início do gradeamento em ferro do estupendo palacete do Visconde Sanches de Baena. Correspondemos ao aceno do Sr. Zé da Graça, lá está ele à porta da taberna, do outro lado da rua: Olá, Sr. José da Graça! Muito bom dia para si…
Bom, vamos parar por aqui e descansar um pouco… Depois, seguimos…

Continua…




NOTAS:



(1)-


Os limites da cidade de Lisboa
Estrada da Circunvalação de Lisboa



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O nome "Estrada da Circunvalação" designou sucessivamente no século XIX duas estradas correspondentes aos limites do município de Lisboa.
Em 1852, uma estrada assim designada circundava os limites da cidade de Lisboa, começando em Alcântara, na zona da Triste-Feia, subindo a Rua Maria Pia, Rua do Arco do Carvalhão, e passando por São Sebastião da Pedreira na zona da Rua Marquês de Fronteira. Atravessava ainda a zona das Avenidas Novas, troço destruído pela criação das mesmas, pela zona da Avenida Duque de Ávila/Saldanha, e descia outra vez pela Rua Visconde de Santarém, Rua Morais Soares e Avenida Afonso III.
Em 1886, com a expansão do município de Lisboa, foi criada uma nova Estrada da Circunvalação que definiu o actual limite geográfico do Concelho de Lisboa, desde Algés (Portas de Algés), ao longo de Monsanto, pelas Portas de Benfica, Camarate, até descer novamente até ao Tejo na zona do actual Parque das Nações. Esta Estrada da Circunvalação, por sua vez, agrupava a Estrada da Circunvalação Fiscal - que ligava Algés a Benfica, limitando o concelho de Lisboa a ocidente - e o lanço de Benfica a Sacavém da Estrada Militar - que interligava as fortificações do Campo Entrincheirado de Lisboa.
Esta última Estrada da Circunvalação é uma via que, fisicamente já quase desapareceu, com vários dos seus troços incorporados ou substituídos em outras vias mais modernas, tais como a CRIL/IC-17 no lado ocidental.
[editar] História
A importância desta estrada na delimitação dos limites administrativos, fiscais e territoriais do Concelho de Lisboa é bem patente em vários decretos na segunda metade do século XIX, o que indica a existência de um caminho anterior importante.
Em 1885 é extinto o concelho de Belém (artigo 226.º da Lei de 18 de Julho) e o limite geográfico de Lisboa, até então localizado no Vale de Alcântara, avança para oeste, até Algés. Lisboa passa a ocupar toda a zona ribeirinha, de Sacavém até à Ribeira de Algés. Benfica será divido, com a parte interior à Estrada da Circunvalação integrada em Lisboa e a parte exterior em Oeiras.
No ano seguinte, o Decreto de 22 de Julho de 1886, reformula as fronteiras de Lisboa para o interior, como se pode ler no seu artigo 1.º: "O município de Lisboa será limitado desde Algés até Bemfica pela estrada de circumvallação fiscal, e desde Bemfica até Sacavém pela estrada militar ou qualquer variante que nesta se faça para facilitar o serviço fiscal."
Uma nova estrada começa a ser construída em 1886, mas só ficará concluída em Novembro de 1903. Alcatroada em meados do século XX, mantém o seu percurso sinuoso e estreito até meados de 1992, quando se iniciam os trabalhos da CRIL/IC17, que em grande parte da sua extensão tem um traçado quase coincidente com o da antiga estrada.






terça-feira, 28 de setembro de 2010

Contrastes Fotográficos

(textos e fotografias de JCDuarte)




"Ser Bonito"






Ser bonito, ou feio, não é uma característica intrínseca do que quer que seja: gestos, pessoas, objectos.
Depende, antes sim, de quem vê, dos conceitos que tem e da interpretação do que vê ou analisa.
Dirão alguns que este prédio é feio. O revestimento, se bem que prático e, em tempos, na moda dos construtores civis, não será aquilo que os estetas chamarão de belo. A uniformidade com que a parede está rasgada por aquilo a que damos o nome de janela é também algo que só o Homem produz: a natureza não quer nada com simetrias e regularidades. Também, dirão alguns, não é bonito exibir (ou ver) a roupa a secar ao sol, quantas vezes roupa que mais valeria estar escondida. Por seu lado, os simulacros de jardim ou, em o preferindo, o faz de conta de não se viver aereamente, serão bons de ver em estando perto e não a esta distância.
Mas, caramba, eu gosto de ver isto! Cada uma destas janelas, e dos vasos, e da roupa, e das persianas, até das antenas parabólicas e da ferrugem que escorre pelos azulejos e estendais, me fala de quem lá vive, dos pequenos nada que constituem cada uma das vidas de quem atrás das vidraças vive e dorme, de quem aquele vestuário usa, de quem aquelas plantas rega.
E se o Ser Humano, na forma como existe enquanto indivíduo ou grupo, não é belo, então o conceito de beleza não existe, mais não sendo que pretexto para justificar os enquadramentos sociais, regras e consumos impostos.
Este prédio é bonito, pelo que é e pelo que significa.




"Pequenas Preciosidades"






Esta imagem poderia ter sido feita numa qualquer vila ou mesmo cidadezinha deste país.
Casas de piso térreo, com o beiral do telhado decorado singelamente, a roupa a secar ao sol, sem medos ou pudores, o asfalto que não chegou ao fim do arruamento, um poste de madeira…
Mas não! Esta imagem foi feita na Rua do Açougue, ali mesmo em Benfica.
Claro que estas edificações de fachadas mais ou menos arranjadas, têm as traseiras em péssimo estado, deixando mesmo perceber em quão mau estado estão os telhados. E, com eles, a restante estrutura.
Claro, também, que estas edificações, todo este quarteirão, terá os dias contados, que o centímetro quadrado nesta zona da cidade vale fortunas nas mãos dos construtores civis.
Teremos que ser nós, cidadãos, a decidir se queremos que estes vestígios da cidade se mantenham ou que sejam engolidos por megatérios, como os que se encontram a escassas dezenas de metros das costas deste fotógrafo e nesta data.






segunda-feira, 27 de setembro de 2010

DIVULGAÇÃO: Workshop de Teatro






Direitos de autor da imagem de Teatro Turim





DE 12 OUTUBRO A 19 DEZEMBRO COM APRESENTAÇÃO FINAL NO TEATRO TURIM

INSCRIÇÕES ATÉ FINAL DE SETEMBRO TÊM 10% DESCONTO




Neste workshop ministrado por Paula Luiz, com a duração de dois meses, pretende-se abordar numa linguagem inicial e aberta toda a expressão artística/teatral que é natural ao ser humano em qualquer processo criativo.
As ferramentas a usar serão a imaginação e a expectativa da descoberta que sem limites permitem uma grande viagem de auto-conhecimento. Vários exercícios irão ser propostos para que o corpo, a voz e a alma possam tornar dinâmicas as capacidades criativas latentes que se escondem nas máscaras de todos os dias. Sem idade ou preconceito sugere-se uma viagem a um tempo sem tempo onde tudo é possível.


Mais informações em:

Teatro Turim
Tel. 21. 760 66 66 / 21. 402 54 10
E-mail: geral@teatroturim.com





sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Qual/quais a/s diferença/s?




Como esta semana, apesar de muito extenuante, terminou em beleza com um importante brainstorming entre amigos (a propósito de "coisas" de e sobre Benfica), deixando-me muito bem disposta...

Aqui vai um pequeno desafio para todos/as!... ;)





Fotografias de Alexandra Carvalho

[clicar na imagem para ampliar]




O "Retalhos de Bem-Fica" oferece uma fatia de bolo (à escolha) na Pastelaria "Monalisa" ao primeiro leitor (atento, rápido e certeiro) do nosso blog que nos diga (aqui ou na nossa página no Facebook) qual/quais a/s diferença/s entre as duas fotografias acima.







quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Estrada de Benfica, 1981





Fotografia de Jorge Costa (1981)




A fotografia é um registo, um meio precioso que nos ajuda a testemunhar o que vivemos, o nosso Passado e percurso individuais...
Mas as fotografias auxiliam-nos, também, e a um nível mais geral, a caracterizar as épocas históricas das nossas vivências, as modas ao longo dos anos, as alterações físicas da paisagem que nos envolve, etc.

Agradecemos, por isso mesmo, a todos os nossos leitores que nos têm enviado (ou emprestado, para digitalização) as suas fotografias "de família", importante fonte de enriquecimento para o "Retalhos de Bem-Fica" e a história que aqui tentamos traçar sobre o percurso da nossa freguesia.

Caso esteja interessado em contribuir com alguma fotografia que considere importante, contacte-nos, pff., para: palavraseimagens@gmail.com
Muito obrigada!




quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Passeio por Benfica (2)




A Vítima


(texto e fotografia de JCDuarte)






“- Ora boa tarde! Então vossemecê foi enforcar o bicho? Que mal é que ele lhe fez, homem?
- Mal não me fez, mas desde que ali está os cabr*es dos melros nunca mais cá voltaram. Eles e o resto da passarada! Vai abanando, abanando e eu cá vou semeando e colhendo que é uma alegria.
- Então e importa-se que eu faça ali uma fotografia?
- Pois faça à-vontade, que já cá estiveram da televisão e tudo. Até cá esteve um filho-da-put* de um fiscal da câmara, que queria que eu tirasse daqui a vedação mais umas pedras que fui amontoando ali ao lado… Mas a senhora que vinha com ele piscou-me o olho, assim ‘tá a ver, e eu nem lhes liguei. E eles se quiserem a minha identificação, que vão lá à câmara, que têm lá a minha ficha. Trabalhei lá mais de quarenta anos e nunca faltei ou estive doente.”

Este diálogo aconteceu à tardinha, paredes-meias com o cemitério de Benfica, quase num beco atrás de uns prédios.
Confesso que, para além da conversa que ainda se esticou mais um pedacinho, ficou-me uma dúvida: Porque diabo hão-de murar os cemitérios? Quem lá está não vem para cá, quem cá está não quer ir para lá…?




Fim ou início


(texto e fotografia de JCDuarte)





Bem que sabia eu!
Que algures na cidade haveria de estar o início ou o fim dos trilhos de bicicleta.
Pintados no asfalto, a direito nos passeios ou atalhando pelos parques, vamos vendo estas vias ciclaveis que, diria eu, mais são cartões de visita eleitorais que outra coisa.
Não que não sejam úteis ou bonitos. Mais, o seu piso é óptimo para caminhar. Mas, diga-se em abono da verdade, é particularmente raro ver um ciclista a usá-las.
Ou porque há poucos ciclistas em Lisboa, ou porque os traçados são os mais cómodos para políticos, engenheiros de secretária e empreiteiros com olho para o negócio, verdade verdadinha é que nem em dias úteis nem nos inúteis os vejo.
Mas esse incrincado politicamente correcto haveria de começar (ou acabar) nalgum lugar. E é aqui, neste jardim que ombreia com hortas, couves, searas, poços e até uma nora.
Por cima das árvores podemos ver um dos novos hospitais privados da cidade. Se olhássemos para a direita, veríamos um dos templos do consumo, um centro comercial de grandes dimensões. Atrás à esquerda, um bairro residencial e de comércio, com vida própria e tradições na cidade. Atrás à direita, depois do cruzamento desnivelado de duas artérias de grande movimento, um estádio de futebol.
Onde estou? Em Benfica, pois claro.






segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Paredes que Falam (5)





Paredes Poéticas



Fotografia de Alexandra Carvalho




O Nº 44 da Rua Ernesto da Silva, onde habitaram os famosos irmãos Serpa, já foi "Calor", ainda que desprovido de qualquer réstia de humanidade (para além dos gatos que aí procriavam)...

Depois da crónica de uma morte anunciada, em Junho de 2009 chegou o seu fim, ditado pelas desavenças de herdeiros, que preferiram "transformar" a Casa em terreno devoluto, sujo e feio... aguardando, quiçá, pelos ditames das melhores ofertas dos empreendedores imobiliários.

Enquanto isso, como que instintivamente, a Poesia continua a invadir aquele espaço vazio...

"O Caos do meu Mundo é Tu morreres em Mim"






domingo, 19 de setembro de 2010

O "Retalhos de Bem-Fica" foi ao Teatro





Fotografia de Alexandra Carvalho



Melhor do que ter um Teatro a 5 minutos a pé de casa e a um preço extremamente acessível, é ir ao teatro com os amigos!...



Fotografia de Mário Pires


Fotografia de Mário Pires



Ontem foi uma noite muito especial: reentrar, finalmente, no novo Teatro Turim (mística cinéfila da minha infância, verdadeiro local de culto) para assistir à peça "Um Louco na minha Cama".

E, depois de uma divulgação feita no Facebook, acabámos por nos juntar cerca de 12 pessoas, entre amigos e conhecidos de Benfica e não só... gente simpática e com vontade de intervir socialmente, que se tem vindo a encontrar através do "Retalhos de Bem-Fica" e, sobretudo, devido à Causa que nos tem vindo a unir pela preservação das Vilas.
E o ambiente não poderia ser melhor, para um regresso ao "nosso" Turim!




Fotografia de JCDuarte




O espaço está muito bonito, a sala um pouco mais pequena do que me recordava (possivelmente para dar lugar à sua nova vertente de Teatro)... e muita gente, a sala quase cheia nesta 2ª noite da peça em cena.
Deu mesmo gosto ver um público tão heterogéneo ali presente!
Deu mesmo gosto sentir que as pessoas estavam animadas e a apreciarem bastante a peça (a julgar pelas inúmeras risadas que se foram ouvindo durante esta comédia)!

A peça era muito simpática e divertida, assim como a interpretação dos dois excelentes actores.

O "Retalhos de Bem-Fica" recomenda vivamente, até 31 de Outubro, "Um Louco na minha Cama" no Teatro Turim.

E aqui deixamos os nossos sinceros parabéns à Direcção do Teatro Turim por esta positiva "pedrada no charco" que lançaram em Benfica, fazendo votos sinceros para que a vossa acção em prol da cultura faça eco junto das gente da nossa freguesia (que tanto precisam de reaprender a apreciar as Artes - acessíveis a todos - a que até agora não têm tido grande acesso!).






sábado, 18 de setembro de 2010

Disse "Orçamento Participativo"?




(por Alexandra Carvalho)



[clicar para ampliar e ler o Projecto]





Este projecto
, elaborado com base numa iniciativa voluntária que já vinha a ser levada a cabo na nossa freguesia, foi apresentado por uma residente de Benfica ao Orçamento Participativo 2010/2011 da Câmara Municipal de Lisboa.

Esta candidatura ao Orçamento Participativo derivou de uma sugestão que lhe foi transmitida pela Dra. Inês Drummond, Presidente da Junta de Freguesia de Benfica (após uma reunião realizada a 18/03/10, em que foi dado o apoio da Junta de Freguesia a este projecto).

Passados 3 meses, e conforme previsto no processo de desenvolvimento do Orçamento Participativo, foi efectuada a análise técnica das 931 propostas apresentadas (nas mais diversas áreas), tendo sido seleccionada uma listagem provisória de projectos que, após período para reclamação e respostas dos interessados, serão depois votados pelos munícipes, com vista a incorporação na proposta de plano de actividades e orçamento municipal.










Ora, em relação ao supra citado projecto relativo à estruturação do trabalho em rede nas colónias de gatos de rua na freguesia de Benfica, o resultado da referida análise técnica elaborada pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), não podia ser mais deplorável (vide in imagem acima, sublinhado a vermelho)!...

Pessoalmente, e tendo auxiliado a pessoa em questão na elaboração da referida candidatura ao Orçamento Participativo 2010/2011, considero a suma desta análise técnica completamente anacrónica e gostaria muito que os técnicos da CML responsáveis por esta análise me explicassem como é que o projecto apresentado "contraria ou é incompatível com planos ou projectos municipais".

Senão, vejamos as incongruências na referida "análise técnica":

1)- O projecto apresentado alicerça-se num trabalho em estreita cooperação com o Programa CER (programa implementado e dinamizado pelo Canil/Gatil Municipal de Lisboa), tendo como actividade-base o controle da natalidade e doenças nas colónias de gatos de rua - actividade que o próprio Programa CER já promove e desenvolve, como método mais humano e eficaz do controle populacional de animais de rua (contrariamente à sua captura e abate indiscriminados).

2)- O projecto apresentado visa a implementação do trabalho em rede de todos os protectores de colónias de gatos de rua na freguesia de Benfica (estruturando e responsabilizando, assim, as pessoas que alimentam animais de rua, com vista à manutenção de colónias saudáveis e limpas, minimizando o risco de conflito com vizinhos que se sintam incomodados e promovendo um ambiente saudável e limpo para todos);

3)- O projecto apresentado visa fornecer comida e abrigo às colónias de gatos de rua, de forma ordenada e legalizada (apesar de, legalmente, ser punível por coima a alimentação de animais de rua, o próprio Programa CER do Canil/Gatil Municipal de Lisboa já visa a sua prossecução de uma forma supervisionada e com alimentação correcta para estes animais);

4)- O projecto apresentado visa a sensibilização para os direitos dos animais da população em geral e nas escolas, promovendo um trabalho em parceria local neste âmbito, como forma de educar para a cidadania e respeito pelos direitos dos animais, tentando assim combater o abandono de animais e os maus-tratos para com os mesmos.
Esta deveria ser, também, uma linha de acção a ser desenvolvida pelos serviços competentes da CML, se, por acaso, os animais neste país não fossem encarados legalmente como objectos. Mas a verdade é que, se a CML já promove acções de Educação Ambiental sobre a higiene urbana, parece-me que seria compatível e, sobretudo, correcto, a dinamização também de campanhas ao nível do que o projecto apresentado visava.

5)- Por último, mas não menos importante, o projecto apresentado possuía um orçamento consideravelmente reduzido, alicerçando-se, sobretudo, no trabalho voluntário de todos aqueles que já cuidam de colónias de gatos de rua.


Logicamente que este não seria um projecto de grande envergadura, que desse visibilidade pública e status social e político a quem o aprovasse e/ou apoiasse (como, talvez, os projectos de obras públicas e melhoramentos conferem), mas seria, sem dúvida alguma, um projecto que traria algo de benéfico à nossa freguesia e à nossa sociedade: o respeito para com o ambiente e os seres vivos que connosco partilham a Terra.
Mas até que o Homem comum consiga atingir esse nível de pensamento mais social e comunitário, muito haverá ainda por fazer!...

No ano passado, no Orçamento Participativo 2009/2010, a proposta de obras no Canil/Gatil Municipal, foi o projecto mais votado pelos cidadãos... e ainda não passou sequer do papel!
Este ano, a julgar pela listagem provisória de projectos seleccionados, não existe sequer um único projecto que diga respeito aos animais em meio urbano.

Lamento profundamente que, mais uma vez, os governantes da cidade de Lisboa e os responsáveis camarários pelo Canil/Gatil Municipal de Lisboa nos venham confirmar a todos aquilo que há muito já sabemos: que a CML não tem qualquer tipo de respeito pelos animais em meio urbano e que o Canil/Gatil Municipal de Lisboa é um verdadeiro antro de morte, onde não são sequer respeitados os princípios mais básicos estabelecidos legalmente na União Europeia!

E, enquanto o Homem não souber respeitar os restantes seres vivos, como conseguirá respeitar-se a si próprio e aos seus semelhantes?!







sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"Que Deus te Guie"

Por Jorge Marques da Pastora

(Boletim do Clube nº 9 de 1989)



Conta a lenda que certo dia viajava o Rei a caminho de Sintra, onde ia repousar dos seus reais afazeres.

Nesse tempo, o caminho de Lisboa para Sintra, fazia-se por Carnide, Poço do Chão e Porcalhota – hoje Amadora.

Da comitiva fazia parte uma linda aia da Rainha, que pela sua beleza, merecia os favores do Monarca.

Ao chegar ao lugar onde hoje é Benfica, a comitiva parou a retemperar forças para a caminhada do dia seguinte. Mas com surpresa de todos, já ao anoitecer, apareceu a Rainha acompanhada do seu séquito, que vinha juntar-se ao grupo, e assim, dificultar os planos do seu real esposo e senhor.

Na manhã seguinte, antes da partida, debatia-se o rei com o dilema de levar consigo a linda aia ou deixá-la ficar, quando o seu criado particular abeirando-se dele, muito respeitosamente lhe perguntou: “Então real majestade, a sua aia vai ou fica?”. O rei, exitante, depois de longa reflexão, disse em voz pausada: "BEM … FICA".

E desta maneira teria nascido: Primeiro Bem-fica, depois Bemfica e só mais tarde cedendo às exigências da ortografia, Benfica.

Este lugar, segundo rezam as crónicas, já antes de 1250 era conhecido e pertencia à Freguesia de Belém. Foi o terramoto de 1755, que em Benfica apenas matou duas pessoas, que veio proporcionar o seu desenvolvimento. É que nobres e homens de negócios, que até então aqui tinham as suas moradias de veraneio, aqui se instalaram definitivamente, onde o ambiente era selecto e a convivência distinta.

Com as suas casas senhoriais, frondosos jardins e mais tarde com um hotel (que teria sido o edifício ainda de pé na Estrada de Benfica, 701?), Benfica foi, uma estância de veraneio ao modo antigo, onde afluíam as melhores famílias da sociedade, quando o tempo que a separava de Lisboa, se fazia em duas horas, de trem ou a cavalo.

Mais tarde, já no tempo da República, ainda Benfica como senhora nobre, já velhinha, recebia com fidalguia, intelectuais e artistas, que nas suas carruagens vinham pela calada da noite, fazer serões a casas que ficaram célebres como as Pedralvas, o Charquinho ou o Ferro de Engomar.

Também o povo alfacinha não dispensava o passeio domingueiro para estas bandas, acompanhado do farnel para os piqueniques, nas hortas ou nas quintas, à beira de fontes de água límpida. Ali se dançava ao som do harmónio e se ouvia cantar o fado.

Mas Benfica também muito cedo aderiu ao movimento desportivo, pois a fundação do seu primeiro grupo (o "Desportos de Bemfica") teria sido antes de 1895. Este grupo com uma organização ainda incipiente, deu origem a outros de vida efémera, da qual, pela sua coesão se destacou o Sport Bemfica. Foi da fusão deste clube com o Sport Lisboa, que resultou o Sport Lisboa e Benfica. Quando este abandonou o Bairro a que ligou o seu nome, as gentes de Benfica ciosas dos seus pergaminhos, inconformados com o facto de não haver um clube no seu burgo, logo fundaram o Grupo Futebol Benfica, que em 1924 suspendeu a sua actividade, porque a A.F.L. reprovou o seu campo de jogos. O povo de Benfica não desistiu. Assim, em nova arrancada, por vontade indómita dum grupo de paroquianos deste bairro, com o apoio do comércio, da Igreja e da Junta de Freguesia, concretizou o sonho que sempre lhe foi querido, de ter um Clube, legitimamente representante da sua freguesia e fundou em 1933 o Clube Futebol Benfica.

Entretanto, no dia da inauguração do primeiro campo de jogos, reunidos os melhores homens de Benfica, os representantes da Junta de Freguesia e o bom padre Francisco, enquanto um dos oradores usava da palavra para assinalar o acontecimento, por entre palmas e vivas, foi lançado um enorme balão encarnado e preto com a seguinte legenda: "Que Deus te Guie".






quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Tem dias assim!







Fotografia e Texto de JCDuarte




Tem dias em que nada sai certo!

Saí eu de casa domingo, com o decidido intuito de ir recolher imagens para ilustrar um tema. Versava ele as alterações arquitectónicas na utilização de frente e traseiras de prédios.
Como elas são menos bem cuidadas quando viradas para um logradouro fechado, tanto no desenho como na utilização por parte dos residentes, e como tudo muda quando o lado oposto à entrada principal do edifício está virado para um espaço público, eventualmente um jardim ou rua. Os estendais de roupa e o acumular de tralha nas varandas é muito menos notório e até mesmo as cortinas e vasos na janelas são mais bonitos.

Para consubstanciar esta minha teoria, escolhi o bairro de Benfica. Tem ele de tudo, desde edificações do início do séc. XX até às bem recentes, já do séc. XXI. Logradouros fechados, jardins e espaços públicos como interior de quarteirões, prédios concebidos em “T”, sem que se possa bem definir qual a frente qual a traseira. Em Benfica há de tudo para esta minha tese.

Acontece, porém, que devido ao calor, ou a um almoço mais pesado, ou a um qualquer outro motivo que desconheço, não consegui fazer em fotografia o que me ia na cabeça. Lá fotografias fiz, agora que fizessem jus ao que pensava… As coisas estão lá na câmara, mas não me agradam.

Fazendo uma pausa junto da igreja para me refrescar na esplanada, constato que os sinos tocam e a porta se abre. “Bem”, pensei, “se isto não me está de feição, vou dar ali uma olhada, que acho que nesta nunca entrei.”

Sou agnóstico convicto, pelo que as igrejas ou templos mais me falam dos seus utilizadores que de deuses. E isso é sempre algo que me interessa. Fui dar uma olhada.
Fiquei boquiaberto! A missa das 17 horas de domingo (eu, que pensava que aos domingos de tarde as igrejas fechavam…) encheu por completo o templo. A ponto de, além de já não haver lugares sentados, as coxias laterais estarem repletas, bem como o espaço junto à porta, onde me quedei.

Fiquei um pouco, tentando com a minha presença não perturbar quem ali estava, observei espaço e fieis e aproveitei uma pausa entre a leitura e o sermão para sair.
A coisa – a enchente de gente num domingo de tarde – ficou a cucutar-me. Os hábitos dos estendais e dos dias para lavar e estender a roupa já não são o que eram, tal como a hora de ir à missa ao domingo. Nem bom, nem mau. Apenas diferente, ajustando-se ao mudar dos tempos.

Eu é que não estava de maré e não consegui fazer uma imagem que fosse que se aproveitasse sobre o tema. Ainda andei de volta da igreja, tentando tirar partido da bonita luz que havia, mas nada. Há dias assim!

Acabei por esquecer o que a cabeça me dizia e deixar-me levar apenas pelo que os olhos me mostravam. Isto, a poucos metros!
Não tem que ver com estendais, traseiras ou templos. Mas está intimamente relacionado com o domingo ser um dia bonito, em que as coisas bonitas se mostram e se vêem. Por dentro e por fora!

Tem dias assim.







quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Grupos escolares de Escolas Primárias de Benfica




Neste início de novo ano lectivo, o nosso amigo Pedro Macieira (do blog "Rio das Maçãs") brindou-nos com duas fotos extraordinárias de dois agrupamentos escolares existentes na freguesia de Benfica, no início do século XX...





Fotografias do espólio de Eugénio Germano Baptista, gentilmente cedidas pelo seu neto Pedro Macieira




Estas fotografias não se encontram datadas, nem tão pouco têm indicação do local de Benfica em que foram tiradas, mas são um documento histórico importante, pois dão-nos uma imagem de como se vivia nessa época.

Muito obrigada, Pedro, por este preciosíssimo contributo para o nosso blog!



Aproveitamos, ainda, para relembrar todos os nossos leitores sobre a busca de Pedro Macieira em torno da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica.
Caso algum dos nossos leitores disponha de mais informação sobre o destino do legado da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica, onde Eugénio Germano Baptista (avô de Pedro Macieira) foi músico e director do jornal, não hesitem por favor em nos contactar.






terça-feira, 14 de setembro de 2010

DIVULGAÇÃO: "Um Louco na minha Cama"




Esta 6ª feira (17/09/10) estreia ao público a peça "Um Louco na minha Cama", no Teatro Turim, a qual ficará em cena até 31 de Outubro.



Imagem de Teatro Turim




Encenação: Attílio Riccó
Interpretação: Margarida Moreira, Tiago Barroso

Horários:

De 17 Setembro a 31 Outubro
Quarta a Sábado 21.30h
Domingos 17h


Sinopse:

Bia, depara-se com uma série de problemas. Deixada pelo amante e sem dinheiro, reflecte se a melhor alternativa será cometer o suicídio. Num turbilhão de dúvidas, Bia decide ligar para uma linha de apoio a suicidas, sendo atendida por Eduardo, que a tenta demover das suas intenções.



Todos os "amigos" do Teatro Turim na sua página no Facebook têm um desconto de 30% na aquisição do bilhete, para qualquer dia desta peça.



Imagem de Teatro Turim




O Teatro Turim re-abriu ao público em Maio passado, depois de ter sido um dos importantes pólos cinéfilos da infância de muitos jovens de Benfica na década de 80.

O Teatro Turim constitui, actualmente, um importante centro de cultura em Benfica (freguesia onde o panorama cultural, até há bem pouco tempo, era francamente pouco animador)...
É, assim, de louvar a iniciativa de quem decidiu pegar neste projecto e empreendê-lo, contra ventos e marés.

Mas é, também, sobretudo, de ressalvar que um Teatro é feito de e para o público, pelo que se as gentes de Benfica não o estimarem, não o frequentarem, não o visitarem, de muito pouco servirá termos ali tão perto de nossas casas um espaço onde a cultura emana e se encontra acessível a todos.

Por isso mesmo, participem, divulguem e apareçam!...



"Não há homens cultos; há homens que se cultivam."

(Ferdinand Foch)







segunda-feira, 13 de setembro de 2010

DEBATE: Carta dos Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária








Na próxima 4ª feira (15/09/10), às 18h30, no Auditório Carlos Paredes realizar-se-á um debate com a Sra. Vereadora do pelouro da Habitação, Arqª. Helena Roseta, sobre a Carta dos Bairros e Zonas de Intervenção Prioritária, que se encontra em Consulta Pública até 30 de Setembro.

No quadro do programa Local de Habitação foram identificados 61 bairros ou zonas de intervenção prioritária (BIP/ZIP), distribuídos por 33 freguesias da cidade.

As operações de requalificação a desenvolver nestes bairros deverão contar com a participação das Juntas de Freguesia, das Associações de Moradores, das colectividades e de outras entidades que trabalhem nesses bairros ou zonas.

Este debate é de extrema importância, pois, na nossa freguesia, refere-se aos Bairros da Boavista, Bom Pastor e Furnas, pelo que será aberto a toda a população.

A participação dos cidadãos é fundamental para o êxito deste trabalho.





domingo, 12 de setembro de 2010

Cumplicidades






Fotografia e Texto de JCDuarte



Há mais de uma trintena de anos que existem cumplicidades entre mim e a Estrada de Benfica.
Cumplicidades photográphicas, entre outras, já que ao longo dela, ou pelo menos de metade dela, são inúmeras as referências que nesta área tenho.
Começando por quem entra na Cidade por ela, temos à esquerda o Bairro das Pedralvas. Nele residiu por muitos anos um companheiro, amigo e mestre. Foram alguns milhares de metros de película que expusemos juntos; umas centenas largas de quilos de equipamento que transportámos; um incontável número de horas de conversas, discussões e projectos que partilhámos; tudo entremeado por uns quantos tonéis de bom vinho.
Se mais não aprendi com ele foi porque não soube ou não quis. E vou-lhe sentindo a falta, nos tempos que correm.

De volta à Estrada, temos mais à frente e à direita a Av. Grão Vasco. Mais ou menos na sua metade, incrustada num edifício cuja traça era, na sua época, modernista, uma loja de fotografia. Não lhe sei o nome mas os seus clientes-alvo eram os habitantes do bairro, fornecendo-lhes trabalhos de laboratório de qualidade um pouco acima da média.
Mas o que lá me fazia ir era o que tinha exposto nos escaparates ou guardado nas gavetas e armários. Fazia questão de ter artigos de fabricantes não muito comuns, pelo menos por cá, com peças difíceis, senão impossíveis, de encontrar noutros locais. Recordo de lá ter comprado o pára-sol e filtro de protecção para o meu fotómetro spotmeter Pentax. Ainda tenho os três, em perfeito estado.
Fechou a loja e o que se vê pelos vidros é uma tristeza.

De volta ao trilho original – a Estrada de Benfica – sei da existência de um fotógrafo uns trezentos metros depois da Igreja. Dele não me recordo, mas contou-me quem ali viveu até se casar, já trintão, que sempre foi ali que fez as fotografias para a escola, as fotografias para o passe, as fotografias para os BIs…
Seria uma loja pequena, de fachada modesta, que nunca me chamou a atenção. Hoje, se por ela procurarmos, não a encontramos. Talvez que seja aquela de telemóveis, ou aqueloutra de oculista, símbolos indiscutíveis das evoluções tecnológicas e do envelhecimento das populações residentes.

Um pouco mais à frente, temos um cruzamento. Um cruzamento importante na circulação viária do bairro em geral e da Estrada de Benfica em particular. O lado esquerdo começa a Av. Do Uruguai. E, na esquina, ficam as Galerias Uruguai. Um arremedo de centro comercial, destinado ao comércio local e que, como não poderia deixar de ser na época, tinha uma loja de fotografia.
No caso concreto, vendia mesmo e quase que exclusivamente fotografias, que os eu negócio de base era a revelação e impressão, usando um minilab. Aliás, era esse o nome da loja: “Minilab”. Espreitei-lhe a montra uma ou duas vezes, mas nunca me seduziu. Não me recordo de lá ter entrado.
E fechou, na linha dos pequenos negócios mal calculados.

Do outro lado do cruzamento começa a Av. Gomes Pereira. E, a meio dela, outro centro comercial: “Centro Comercial Santa Cruz de Benfica”. E no seu interior, aí sim, uma referência fotográfica em Lisboa. A loja do D’Artagnan.
Não creio que fosse esse o seu nome e nunca tive o atrevimento de o dizer na sua presença. Creio, antes sim, que a alcunha adviria da forma como tinha a barba e o bigode aparados, um pouco em linha com o que imaginamos que as figuras de Dumas usariam.
O seu negócio era equipamento fotográfico usado. Também o tinha novo, uns rolos, lâmpadas e assim, mas o grosso era usado. E ainda que o espaço fosse exíguo, de cada vez que lá entrava sentia-me como um petiz numa loja de doces coloridos.
Foi lá que comprei uns chassis de película rígida para a minha Linhof 9X12; Foi lá que comprei um raro carregador 6X9 120 para a minha Linhof Teknica 70; Foi lá que encontrei uns muito mais que raros chassis 6,5X9, também para a Teknica… Para já não falar em adaptadores de filtros improváveis, pára-sois incomuns e outras minudências que, não sendo vitais, iam ajudando nos trabalhos que ia fazendo.
Fechou o D’Artagnan e fechou o centro comercial.

Voltando costas ao que fechou e retomando o fio à meada, em passando um pouco o quartel de bombeiros, agora desactivado e substituído por um outro bem mais moderno junto ao Colombo, temos um fotógrafo.
A loja dá pelo nome de “Estúdio Matos” e a sua montra exibe algumas fotografias de noivas e de crianças, bonitas de ver. Nunca me fez inveja, já que nunca quis entrar neste ramo da fotografia. Mas o que me liga a esta loja é ter tido um parente do seu dono como aluno. E, pelo que lhe recordo, até que tinha jeitinho para a coisa. Uma questão de genes, suponho.
Tal como suponho que, se não estiver à frente do negócio, será uma das pessoas que continua a fotografar nubentes e pimpolhos, para mais tarde recordar.

Já perto do fim da “minha metade” da Estrada de Benfica, encontramos o Centro Comercial Fonte Nova.
Referência incontornável na zona, local muito “in” durante algum tempo, chegou a ter três lojas de fotografia em simultâneo. E em duas delas cheguei a fazer bons negócios, sendo que o último primou pelo caricato:
Tinham eles na montra uma objectiva que me interessava para a minha Pentax Digital Reflex K100D. Entrei, perguntei pelo artigo, pedi para fazer uns testes ali mesmo na loja, que levava a câmara comigo, pedi para que, do cartão de memória, me imprimissem algumas para tirar teimas, fiquei satisfeito e fechámos o negócio.
No final a mocinha (típica “menina-do-shoping”) ofereceu-me três rolos fotográficos. Fiquei a olhar para eles e exibi-lhe a minha câmara digital. Insistiu ela na oferta e eu tentei explicar-lhe que, por muito que tentasse, nunca os conseguiria usar naquela câmara. Ripostou-me ela que nunca se sabia, que talvez um dia me desse jeito… Creio que ainda os tenho por aí guardados.
E, das três lojas deste centro, resta uma, bem colocada junto a uma das entradas. Com o tipo de fotografia que se vai fazendo nos tempos que correm, não sei bem como sobrevive, mas está lá.

Falta, nesta minha cumplicidade com a Estrada de Benfica, uma referência, um pouco mais atrás: uma loja de objectos em segunda mão. Tem de tudo ela, de electrodomésticos a computadores, de instrumentos musicais a relógios, também passando por fotografia, eventualmente.
Não é artigo que apareça muito neste tipo de comércio, mas já ali tive a sorte de encontra pechinchas a que não resisti. É uma questão de sorte.

Se outras cumplicidades não tivesse com Benfica, a fotografia seria uma amarra suficientemente forte para me deixar ligado a este bairro para sempre.








quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Passeio por Benfica




O olhar externo de JCDuarte, num passeio matinal pela nossa Benfica...




"Aos Domingos"


Fotografia de JCDuarte



Aos domingos é assim:

... Um corropio em roda do quiosque, uns em busca do diário, outros do semanal, outros ainda só para ler as gordas, os mais novos pelas BD, os já mais velhinhos pela revista da especialidade, alguns pelas colecções que fazem vender jornais. E, claro, de quase todas as idades ou géneros, por um macinho de cigarros.
Depois, já com o negócio feito, vão em busca da ou do consorte, que ficou mais atrás na fila do pão quentinho, ou vão gastar o resto da manhã de ócio na esplanada do Café Nilo.
Aos domingos, de manhã, é assim no largo fronteiro à Igreja de Benfica.
Aos domingos e nos outros dias também!




"E tinham?"



Fotografia de JCDuarte



Tinham pois! Tal como tinham pastéis de nata, mil folhas, bolos de arroz e outros do costume. Tal como tinham rissóis, croquetes, merendinhas e demais salgados.
Mas também tinham Éclaires. E tinham Duchesses. E tinham rins. E tinham delícias de morango. E tinham frutos de massa-pão e amêndoa. E tinham pirâmides de chocolate. E tinham suspiros. E tinham…
Por mim… Por mim deliciei-me e lambuzei-me com um Babá comido à garfada, acompanhado com um café cheio (assim tipo banheira, está a ver?).

Na pastelaria "Bola de Mel", ali na Av. Do Uruguai, olham de lado os estranhos que entram. E entenda-se por estranho aquele que lá entra a primeira vez e tem um aspecto incomum. Mas à terceira investida, ou entrada, já nos saúdam com um sorriso que, em não o sendo, nos faz sentir como que em casa.

E este aviso à porta é mesmo para atrair os que não da casa. Porque esta avenida, entre a Estrada de Benfica e o Colombo, tem vida própria, com comércio diversificado e gente que usa os cafés ou pastelarias como que um prolongamento de suas casas ou locais de trabalho. E, em havendo bom tempo, as esplanadas marcam a sua presença e fazem a diferença. Diferença no movimento de caixa e diferença na clientela. Que divertido e interessante é constatar como as idades, os vestuários, os animais de companhia e os consumos variam de uma esplanada para outra, passeio acima ou mesmo em frente, em cruzando a avenida.

Transformar estas ruas e bairros, com características e vidas endógenas em franshisings, construções atípicas e vivências estereotipadas é destruir o que somos (de bom e de mau) e negar a nossa própria história, recente ou distante.
Porque aqui, na Av. Do Uruguai, em Benfica, temos. De tudo um pouco.



Textos de JCDuarte





terça-feira, 7 de setembro de 2010

Paredes que Falam (4)




Esta fotografia já tinha sido "vedeta" aqui, mas, desta feita, vêmo-la sob o olhar de um dos redactores mais recentes aqui do "Retalhos de Bem-Fica"...



Fotografia e texto de JCDuarte





Esta parede com estes dizeres poderia estar em qualquer lado.

A ideia aqui expressa em letras grandes, desta forma ou de outras semelhantes está disseminada, estou em crer, no mundo dos graffiteiros.
Afinal, entre demarcação de território, forma de expressão artística ou simples protesto, a contestação está na raiz dos graffitys.
Mas o que faz esta parede ser perfeitamente identificável com uma zona da cidade de Lisboa é o que está lá ao cantinho, escrito com outra cor e há bem mais tempo. Há vários anos.
A palavra de Cambrone está espalhada ao longo da estrada de Benfica, bem como nas suas transversais. Tantas vezes ela está repetida que, ao que julgo saber, esteve na origem de uma tese de mestrado de estudante universitário do Porto. Por outras palavras, a estrada de Benfica, em Lisboa, pela mão de um graffiteiro, elevou a palavra Merda ao nível da erudição universitária.

E se da gripe A, daqui por uns anos, sobrar apenas a recordação de que se tratou de um embuste político ou económico, de mentiras e merdas continuaremos a viver.